STEMA Silos e Terminal Graneleiro da Matola SA Avaliação do Impacto Ambiental do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola / STEMA Estudo de Pré-viabilidade Ambiental e Definição do Âmbito e Termos de Referência do Estudo de Impacto Ambiental Partes 1 e 2 Draft t16071/01 Agosto 2017
Avaliação do Impacto Ambiental do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA Estudo de Pré-viabilidade Ambiental e Definição do Âmbito (EPDA) e Termos de Referência (TdR) do Estudo de Impacto Ambiental Parte 1 Resumo Não Técnico Parte 2 Relatório do Estudo de Préviabilidade Ambiental e Definição do Âmbito (Draft) Parte 3 Termos de Referência do Estudo de Impacto Ambiental (Draft) t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: i
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Resumo Não Técnico Índice Geral 1 Introdução........ 1 2 Proponente do projecto........ 2 3 Descrição sumária do projecto... 3 4 Áreas de influência. 5 5 Ambiente biofísico e socioeconómico.. 5 6 Identificação de questões fatais.. 7 7 Identificação preliminar de impactos.... 7 8 Conclusões e recomendações preliminares... 7 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: iii
Esta página foi deixada intencionalmente em branco iv t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: EPDA e TdR do EIA
1 Introdução O Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA (Silos e Terminal Graneleiro da Matola, SA) tem como principal objectivo dar resposta às novas dinâmicas do comércio de cereais em Moçambique e nas regiões envolventes, através da implementação das três seguintes intervenções: Construção de silos metálicos; Instalação de um novo sistema de descarregamento de cereais; Extensão do cais do terminal marítimo. O STEMA desenvolve a sua actividade no bairro Língamo, em Matola, na província de Maputo. O Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA enquadra-se na Categoria A, conforme avaliação da Direcção Provincial para a Coordenação da Acção Ambiental de Maputo, no âmbito da préavaliação do projecto. Assim, para além da elaboração de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Completo, é necessário desenvolver um Estudo de Pré-Viabilidade Ambiental e Definição de Âmbito (EPDA) e os Termos de Referência (TdR) do EIA. Depois de apresentados ao MITADER, o EIA deverá ser elaborado com base nos Termos de Referência aprovados por este ministério. O Relatório do EPDA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA, elaborado pelo consórcio de empresas de consultoria socioambiental NEMUS África-NEMUS, está organizado nas seguintes partes (conforme o que é definido pelo artigo 10 do Decreto n.º 54/2015, de 31 de Dezembro, que regulamenta o processo de avaliação de impacto ambiental): t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 1
Parte 1 Resumo Não Técnico (a presente componente): contém informação sumária sobre o conteúdo do EPDA, apresentando observações preliminares sobre os potenciais impactos do projecto e as principais constatações do EPDA; Parte 2 Relatório do Estudo de Pré-viabilidade Ambiental e Definição do Âmbito (EPDA): descreve o quadro legal e normativo de referência; apresenta o proponente do projecto e a equipa responsável pela elaboração do EIA; define e descreve a área de influência do projecto; descreve o projecto de forma preliminar e lista as alternativas das intervenções do projecto; apresenta uma breve descrição do ambiente biofísico e socioeconómico da área de intervenção; analisa as potenciais questões fatais para o projecto; identifica de forma preliminar os potenciais impactos do projecto; apresenta os aspectos a investigar no EIA; enquadra as actividades de participação pública; apresenta considerações finais relativas ao estudo, bem como recomendações para a fase de EIA, a ser realizada na sequência do EPDA; Parte 3 Termos de Referência do Estudo de Impacto Ambiental: a preparação da proposta de TdR para o EIA decorreu do facto de não ter sido identificada qualquer questão fatal. Os TdR propostos especificam as actividades que devem ser realizadas pela equipa que irá executar o EIA. O presente documento será submetido ao MITADER para revisão e aprovação. Em caso de parecer favorável, o processo de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) poderá transitar para a etapa seguinte: o Estudo de Impacto Ambiental. 2 Proponente do projecto O Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA é proposto pela STEMA Silos e Terminal Graneleiro da Matola, SA). O EIA está a cargo do consórcio de empresas de consultoria socio-ambiental NEMUS África-NEMUS. 2 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
3 Descrição sumária do projecto O projecto caracteriza-se pela implementação de três intervenções-chave: Construção de novos silos metálicos: de forma a aumentar a capacidade de armazenamento de cereais. Serão implementados cinco silos com capacidade de 11.000 ton., o que perfaz um total de 55.000 ton., que adicionado à capacidade actualmente existente, faz com que o STEMA fique com uma capacidade de armazenamento de 100.000 ton. Novo sistema de descarregamento de cereais dos navios (ship unloader): substituição do actual descarregador e reajuste do sistema de transporte de cereais (conveyor system); Extensão do Cais do Terminal Marítimo: extensão da plataforma jetty, dragagem do cais de atracagem e novo duque de alba (golfinho) e reparação e fornecimento dos duques de alba existentes. t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 3
Legenda: a) construção de novos silos; b) substituição do sistema de descarga de cereais dos navios e melhoria do sistema de transporte entre porto e silos e c) extensão do cais do terminal marítimo Área do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA 4 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
4 Áreas de influência A área de influência directa (AID) para o meio físico e biótico inclui assim as seguintes áreas: Área do projecto demarcada na figura anterior; Área de implantação de infra-estruturas de apoio, como estaleiros, zonas de parqueamento de viaturas e maquinaria nas áreas de trabalho, áreas de manobra a serem usadas durante as actividades de construção, áreas de armazenamento de materiais, locais de produção/processamento de materiais de obra; Câmaras de empréstimo e áreas de extracção de inertes para a empreitada; Outros espaços que não estejam ainda previstos, mas que podem ser alvo de intervenção directa ou por parte das actividades do projecto; Área do estuário do Espírito Santo a dragar. Para o meio antrópico, considera-se como AID o bairro Língamo e o distrito de Matola. A área de influência indirecta (AII) inclui, genericamente, tanto para o meio físico e biótico, como para o meio antrópico, o distrito de Maputo e, a um nível superior, a província de Maputo. O nível de análise poderá estabelecer-se a uma escala superior, avaliando as oportunidades e efeitos a uma escala supra-regional, no contexto de desenvolvimento económico de Moçambique. 5 Ambiente biofísico e socioeconómico O clima de Matola define-se pela pouca pluviosidade durante o ano e por temperaturas amenas, sendo que o mês de Janeiro é o mês mais quente (26,5º C) e o mês de Julho é o mês com a temperatura média mais baixa (18,4º C). Em termos geológicos, a área do projecto caracteriza-se por rochas sedimentares e vulcânicas, do Eon Fanerozóico, do período Quaternário, do tipo Qdi: duna interior; areia eólica vermelha. Relativamente à divisão geomorfológica do país, a área do projecto insere-se na zona litoral e planícies de acumulação (zona geomorfológica C), numa área de planícies de acumulação do rio Limpopo (área geomorfológica XVII), na região de planícies de Maputo (região geomorfológica c). t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 5
A área do projecto em avaliação encontra-se inserida numa zona aluvionar e flúviomarinha, com solos formados por sedimentos marinhos estuarinos (FE). A fertilidade dos solos é baixa (no interior e costa da região sul de Moçambique), mas mais alta nas planícies de inundação. Para além da zona industrial, a área do projecto também inclui parte do Porto de Maputo, correspondente à área portuária de Matola, onde se localizam as principais terminais de mercadorias, designadamente de cereais, óleo, alumínio, combustíveis e carvão. Em suma, trata-se de uma área de uso industrial. A área do projecto encontra-se no Estuário do Espírito Santo, no qual desaguam três rios principais: Tembe, Umbeluzi e Matola. O estuário localiza-se a este da Baía de Maputo. A área do projecto Localiza-se na província hidrogeológica da bacia sedimentar de Moçambique a Sul do Save, na faixa de dunas. Consideram-se como receptores sensíveis com a implementação do projecto (devido ao aumento das pressões à qualidade do ar e do ambiente sonoro), toda a população que habita no entorno da zona industrial de Matola. Sendo Matola o local do país onde se concentram as principais indústrias moçambicanas, este problema relacionado com as descargas de efluentes sem tratamento é certamente o factor que mais contribui para a diminuição da qualidade das águas do estuário e da baía. Adicionalmente, a entrada e saída de navios no estuário aumenta a probabilidade de ocorrência de derrames de substâncias perigosas, bem como a produção de efluentes líquidos com origem nos navios. A área do projecto encontra-se visivelmente marcada pela presença humana. No entanto, a presença do Estuário do Espírito Santo, das linhas de água que desembocam neste sistema e da Baía de Maputo, conferem à região um valor ecológico substancial. Aos vários ecossistemas aquáticos e terrestres dependentes de água (zonas húmidas e inundáveis) estão associados valores faunísticos e florísticos relevantes do ponto de vista ecológico e conservacionista. A cidade de Matola faz fronteiras a norte com o distrito de Moamba, a sul com o distrito de Boane e Cidade de Maputo, a este com Marracuene e Cidade de Maputo e a oeste com Boane. Subdivide-se em três postos administrativos (P.A.) municipais (Matola, Machava e Infulene), que constituem um conjunto de 41 bairros. 6 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
6 Identificação de questões fatais Tendo em conta a avaliação preliminar realizada, não se perspectiva a existência de questões fatais que inviabilizem o projecto. 7 Identificação preliminar de impactos Os principais impactos positivos identificados, em fase de EPDA, tendo em conta a implementação do projecto são sobretudo efeitos positivos em termos socioeconómicos: geração de emprego e dinamização da economia local e melhoria do nível de vida (na fase de construção) e aumento da actividade económica da STEMA e geração de emprego, dinamização da economia local e melhoria do nível de vida (na fase de operação). Os impactos negativos identificados foram os seguintes: afectação da qualidade do ar e do ambiente sonoro, aumento do risco de contaminação dos solos e da água, ocupação/impermeabilização do solo e perturbação das comunidades faunísticas (na fase de construção) e afectação da qualidade do ar e do ambiente sonoro, aumento do risco de incidentes de navegação e de derrames acidentais e possível afectação da hidrodinâmica da água do mar, da água doce e da corrente de maré (na fase de operação). 8 Conclusões e recomendações preliminares Da análise global efectuada, pode concluir-se que o projecto alvo de análise não revela nenhuma questão ambiental que inviabilize a sua implementação, devendo no entanto prosseguir-se os estudos ambientais de modo a avaliar detalhadamente todos os impactos identificados e a estabelecer as medidas necessárias à redução de impactos negativos e potenciação de impactos positivos. Considerando os impactos potenciais do projecto, propõe-se a realização de estudos especializados nos domínios da Geologia e Dinâmica Costeira e Socio-economia. t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 7
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Avaliação do Impacto Ambiental do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA Parte 1 Resumo Não Técnico Parte 2 Relatório do Estudo de Pré-viabilidade Ambiental e Definição do Âmbito (Draft) Parte 3 Termos de Referência do Estudo de Impacto Ambiental (Draft) t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 9
Esta página foi deixada intencionalmente em branco 10 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
Índice geral 1. Introdução 15 1.1. Nota introdutória 15 1.2. Enquadramento legal e normativo 18 2. Identificação do proponente e da equipa técnica 21 2.1. Identificação do proponente 21 2.2. Equipa responsável pela elaboração do EIA 22 3. Áreas de influência directa e indirecta do projecto 23 3.1. Localização do projecto 23 3.2. Área de influência directa (AID) 24 3.3. Área de influência indirecta (AII) 25 3.4. Padrões do uso da terra 25 4. Descrição e alternativas do projecto 27 4.1. Construção de Silos Metálicos 27 4.2. Novo Sistema de Descarregamento de Cereais dos Navios 29 4.3. Extensão do Cais do Terminal Marítimo 30 4.3.1. Intervenção 1: Extensão da plataforma jetty 32 4.3.2. Intervenção 2: Dragagem do cais de atracagem 33 4.3.3. Intervenção 3: Novo duque de alba (golfinho) e reparação e fortalecimento dos golfinhos existentes 34 4.4. Alternativas do projecto 35 5. Ambiente biofísica e socioeconómica 37 5.1. Introdução 37 5.2. Clima 38 5.3. Geologia e geomorfologia 39 5.4. Topografia, solos e uso do solo 41 5.5. Hidrologia e hidrogeologia 43 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 11
5.6. Qualidade do ambiente 45 5.7. Ecologia 47 5.8. Socio-economia 48 6. Identificação de questões fatais 51 7. Identificação dos potenciais impactos do projecto 53 7.1. Potenciais impactos positivos 54 7.2. Potenciais impactos negativos 55 7.3. Potenciais impactos na fase de desactivação 56 8. Principais aspectos a investigar no EIA 57 9. Participação pública 59 10. Conclusões e recomendações 61 11. Referências bibliográficas 63 12 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
ÍNDICE DE QUADROS Quadro 1 Equipa técnica responsável pela AIA... 22 Quadro 2 Parâmetros climáticos referentes à província de Maputo e à cidade da Matola... 38 Quadro 3 Principais características dos solos tipo FE... 42 Quadro 4 Superfície em km 2, população total e densidade populacional de Matola (2013)... 48 Quadro 5 Número de unidades estatísticas, por principais ramos de atividade e pessoal ao serviço em Matola (dados do ano 2012)... 50 ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1 - Área do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA... 16 Figura 2 Enquadramento da área de intervenção do projecto de expansão do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA... 23 Figura 3 Silos de cereais, situação actual... 27 Figura 4 Tipo de silo recomendado pelo Estudo de Viabilidade (steel silos with flat bottom)... 28 Figura 5 Configuração recomendada para os novos silos... 28 Figura 6 Sistema de descarga dos silos de cereais... 29 Figura 7 Sistema de transporte de cereais, entre o terminal portuário e os silos da STEMA (conveyor system)... 30 Figura 8 Plataforma jetty no Estuário do Espírito Santo/Baía de Maputo... 32 Figura 9 Esquema geral da intervenção a ser realizada no âmbito da extensão da plataforma jetty... 33 Figura 10 Esquema de um navio atracado junto ao cais... 34 Figura 11 Extrato da Carta Geológica de Moçambique... 39 Figura 12 Extrato da Carta Geomorfológica de Moçambique (escala 1:2.000.000)... 40 Figura 13 Extrato da Carta de Solos da Província de Maputo (escala 1:1.000.000)... 41 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 13
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1. Introdução 1.1. Nota introdutória O presente documento constitui o Relatório do Estudo de Pré-viabilidade Ambiental e Definição do Âmbito do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA, conforme definido no Artigo 10 do Decreto n.º 54/2015, de 31 de Dezembro, que regulamenta o processo de avaliação de impacto ambiental. A STEMA, empresa moçambicana cuja missão é manusear e armazenar cereais a granel e outros produtos similiares, pretende expandir a capacidade do terminal graneleiro de Matola (onde desenvolve a sua actividade), através de três tipos de intervenções: a) construção de silos metálicos; b) instalação de um novo sistema de descarregamento de cereais dos navios (ship unloader) e reajuste do sistema de transporte de cereais (conveyor system) e c) extensão do cais do terminal marítimo, onde se incluem as seguintes intervenções: i) extensão da plataforma jetty; ii) dragagem do cais de atracagem e iii) novo duque de alba (golfinho) e reparação e fortalecimento dos duques de alba existentes. t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 15
Legenda: a) construção de novos silos; b) substituição do sistema de descarga de cereais dos navios e melhoria do sistema de transporte entre porto e silos e c) extensão do cais do terminal marítimo Figura 1 - Área do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA 16 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
O presente documento inclui: Identificação do proponente do projecto e da equipa técnica interdisciplinar responsável pela elaboração do EIA (capítulo 2); Limites e padrões do uso da terra nas áreas de influência directa e indirecta do projecto (capítulo 3); Descrição do projecto e acções nelas previstas, bem como as respectivas alternativas (capítulo 4); Ambiente biofísico e socioeconómico do local, incluindo a identificação preliminar dos serviços de ecossistemas e a vulnerabilidade às mudanças climáticas (capítulo 5); Identificação e avaliação das questões fatais da actividade, caso existam (capítulo 6); Identificação de potenciais impactos de carácter relevante para a actividade, incluindo os relacionados com as mudanças climáticas se aplicável (capítulo 7); Identificação e descrição dos aspectos a investigar em detalhe durante o EIA (capítulo 8); Relatório de participação pública (capítulo 9); Conclusões (capítulo 10). t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 17
1.2. Enquadramento legal e normativo A Lei do Ambiente (Lei nº 20/1997, de 1 de Outubro) determina que a Avaliação de Impacto Ambiental é um instrumento que apoia na tomada de decisão e no licenciamento ambiental. O Processo de Avaliação de Impacto Ambiental é actualmente regulado pelo Decreto n.º 54/2015, de 31 de Dezembro (Regulamento sobre o processo de Avaliação do Impacto Ambiental), que revoga o Decreto n.º 45/2004, de 29 de Setembro e o Decreto n.º 42/2008, de 4 de Novembro. A Directiva Geral para a Realização de Estudos de Impacto Ambiental (Diploma Ministerial n.º 129/2006, de 19 de Julho) integra um conjunto de orientações e parâmetros globais a que deverá submeter-se a realização da avaliação do impacto ambiental nas diferentes áreas da actividade económica e social. O principal objectivo é a normalização dos procedimentos e dotar os vários intervenientes das linhas mestras que deverão orientar a realização dos EIA. Para tal, indica a respectiva estrutura e requisitos de informação. No Decreto n.º 54/2015, de 31 de dezembro, para efeitos de definição do tipo de AIA a ser realizada, é estabelecido o quadro em que os projectos são classificados em quatro categorias: A+, A, B e C, dependendo do tipo de actividades listadas nos anexos I, II, III e IV, respectivamente. O Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA enquadra-se na Categoria A, conforme avaliação da Direcção Provincial para a Coordenação da Acção Ambiental de Maputo, no âmbito da préavaliação do projecto. Assim, está prevista a realização de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Completo, desenvolvido de acordo com o presente Estudo de Pré-viabilidade Ambiental e Definição do Âmbito (EPDA), que é acompanhado pelos Termos de Referência (TdR) para o EIA, a serem apresentados e aprovados pelo Ministério de Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural (MITADER). O EIA será elaborado com base nos TdR aprovados. 18 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
A AIA abrange os Processos de Participação Pública (conforme Diploma Ministerial n.º 130/2006, de 19 de Julho) que incluem a participação de todas as Partes Interessadas e Afectadas (PI&A), incluindo entidades governamentais e nãogovernamentais que desenvolvem ou queiram desenvolver actividades na área de estudo. De acordo com o artigo 15.º do Decreto 54/2015, são necessárias duas fases de consulta pública: 1.ª fase: apresentação do draft do EPDA e compilação de comentários e sugestões; 2.ª fase: apresentação do EIA a submeter ao Governo. Da regulamentação e legislação aplicável destacam-se os seguintes diplomas, para além dos referidos anteriormente e sem prejuízo de outros que venham a ser identificados como pertinentes: Decreto n.º 23/2008, de 1 de Julho Regulamento da Lei de Ordenamento do Território; Lei n.º 19/2007, de 18 de Julho Lei de Ordenamento do Território; Decreto n.º 11/2007, de 30 de Maio Política de Ordenamento do Território; Diploma Ministerial n.º 129/2006, de 19 de Julho Directiva Geral para a Elaboração de Estudos do Impacto Ambiental; Decreto n.º 60/2006, de 26 de Dezembro Regulamento do Solo Urbano; Decreto n.º 13/2006, de 15 de Junho Regulamento sobre a Gestão de Resíduos; Decreto n.º 96/2003, de 28 de Julho Lista de espécies protegidas; Decreto n.º 18/2004, de 2 de Junho Regulamento sobre Padrões de Qualidade Ambiental e de Emissão de Efluentes (estabelece parâmetros para a poluição do ar, da água, do solo e para a poluição sonora); Lei n.º 10/99, de 22 de Dezembro e Decreto n.º 12/2002, de 25 de Março Lei de Florestas e Fauna Bravia e respetivo regulamento; Decreto n.º 66/98, de 8 de Dezembro Regulamento da Lei de Terras; Lei n.º 19/97, de 1 de Outubro Lei de Terras; Decreto n.º 27/94, de 20 de Julho Regulamento de Protecção do Património Arqueológico; Lei n.º 16/91, de 3 de Agosto Lei de Águas. t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 19
Esta página foi deixada intencionalmente em branco 20 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
2. Identificação do proponente e da equipa técnica 2.1. Identificação do proponente O Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA é proposto pela STEMA Silos e Terminal Graneleiro da Matola, SA. A STEMA é uma empresa moçambicana, a operar desde 1997, que tem como missão manusear e armazenar cereais a granel e outros produtos similares com eficiência e a preços competitivos. A empresa tem por objecto a prestação de serviços de apoio multiforme para cereais destinados ao consumo da indústria e comércio nacionais e serve ainda de plataforma de apoio ao trânsito de cereais dentro do território nacional para a região. Os contactos do proponente são: STEMA Silos e Terminal Graneleiro da Matola, SA LÍNGAMO, 729 Matola Caixa Postal n.º 194 Maputo, Moçambique Telefone: (+258-21) 721762 / 722770 Fax: (+258-21) 721763 E-mail: stema@stema.co.mz t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 21
2.2. Equipa responsável pela elaboração do EIA A elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) estará a cargo do consórcio de empresas de consultoria socio-ambiental NEMUS África-NEMUS, sendo que a primeira se encontra registada no MITADER para a elaboração de EIA. Os contactos do Consórcio são os seguintes: Consórcio NEMUS África-NEMUS (Gestão e Requalificação Ambiental, Lda.) Av. 25 de Setembro 1509, 4º andar Porta n.º 5 Maputo Moçambique Telefone: +258 843 632 187 E-mail: nemus@nemus.pt / africa@nemus.pt A equipa responsável pela AIA será uma equipa multidisciplinar composta pelos técnicos elencados no quadro seguinte. Quadro 1 Equipa técnica responsável pela AIA Técnico Pedro Bettencourt Ana Otília Dias Ângela Canas Carina Gonçalves César Jesus Cláudia Fulgêncio Diogo Maia Gisela Sousa João Fernandes Nuno Silva Saide Mulima Sara de Sousa Vanessa Gonçalves Formação académica Geólogo; Especialista em Geologia Marinha Economista Engenheira do Ambiente; Doutorada em Engenharia do Ambiente Economista Geólogo; Pós-graduado em Ciências de Áreas Costeiras, Doutorado em Geociências Engenheira do Ambiente Economista Bióloga Engenheiro do Ambiente Engenheiro do Ambiente Geólogo Bióloga Engenheira do Ambiente 22 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
3. Áreas de influência directa e indirecta do projecto 3.1. Localização do projecto O STEMA desenvolve a sua atividade na zona industrial de Matola, no bairro Língamo, no distrito de Matola, na Província de Maputo. A sua presença pretende dar uma resposta dinâmica do comércio de cereais em Moçambique, na Região Austral de África e para a região da SADC (comunidade para o desenvolvimento da África Austral, com particular relevância para a República da África do Sul, a República do Zimbabwe, a República do Botswana e o Reino da Suazilândia). A sua localização permite-lhe realizar operações comerciais no mercado nacional e internacional, funcionando como uma porta estratégica no setor, contribuindo para o seu desenvolvimento eficiente, eficaz e competitivo. Fonte: Google Earth (2017) Figura 2 Enquadramento da área de intervenção do projecto de expansão do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 23
3.2. Área de influência directa (AID) A Área de Influência Directa (AID) constitui a área de impactos directos do projecto sobre o ambiente natural (corte e degradação de vegetação, poluição, alterações fisiográficas, entre outros) e o ambiente socioeconómico (ocupação de terras, desenvolvimento local e regional, entre outros). Tipicamente, a AID corresponde às áreas de implantação física das infra-estruturas e dos trabalhos de construção, bem como a uma área marginal onde os efeitos da presença e operação dessas acções se fazem sentir directamente. A AID para o meio físico e biótico inclui assim as seguintes áreas: Área demarcada na Figura 1; Área de implantação de infra-estruturas de apoio, como estaleiros, zonas de parqueamento de viaturas e maquinaria nas áreas de trabalho, áreas de manobra a serem usadas durante as actividades de construção, áreas de armazenamento de materiais e de sedimentos, locais de produção/processamento de materiais de obra; Câmaras de empréstimo e áreas de extracção de inertes para a empreitada; Outros espaços que não estejam ainda previstos, mas que podem ser alvo de intervenção directa ou por parte das actividades do projecto; Área do Estuário do Espírito Santo a dragar. A AID é genericamente enquadrada por uso industrial, situando-se concretamente na zona industrial de Matola (considerando apenas a parte terrestre do projecto). Na sua envolvente, verifica-se a existência de outras indústrias como a Cimentos de Moçambique, a Companhia Industrial de Moçambique (CIM), a MOZAL (indústria de alumínio) e empresas petrolíferas como a Petromoc e a BP. A área de influência directa do projecto também inclui ainda parte do Porto de Maputo (área portuária de Matola) e a área a dragar no estuário do Espírito Santo. Para o meio antrópico, abrangido pela temática da socio-economia, considera-se como AID o bairro do Língamo e o distrito de Matola. 24 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
3.3. Área de influência indirecta (AII) A Área de Influência Indirecta (AII) constitui uma área mais abrangente até onde se podem fazer sentir as influências da ocupação proposta, não de forma directa, mas por via dos possíveis efeitos secundários que podem resultar do projecto. Desta forma, incluiu-se genericamente na AII o distrito de Matola e de Maputo e, a um nível superior, a província de Maputo. O nível de análise poderá estabelecer-se a uma escala superior, avaliando as oportunidades e efeitos a uma escala supra-regional, no contexto de desenvolvimento económico de Moçambique. Saliente-se que a definição de áreas de influência aqui apresentada poderá ser revista durante execução do EIA, que permitirá obter uma visão mais informada sobre o alcance dos potenciais impactos do projecto. As diversas temáticas a abordar no EIA partirão assim das áreas de influência gerais acima indicadas e definirão as áreas de influência específicas com interesse para o descritor em análise. 3.4. Padrões do uso da terra De acordo com o Memorando de Entendimento (MdE) entre a empresa pública Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e o STEMA Silos e Terminal Graneleiro da Matola, datado de Junho de 2016, a CFM cedeu à STEMA o direito de exploração do Terminal situado na Matola (Língamo, parcela n.º 729) em 2006, por contrato de Cessão de Exploração vigente desde 1993. Esta cedência foi realizada como forma de comparticipação no empreendimento. No entanto, para a implementação do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA, o espaço cedido necessitou de ser redefinido, quer para o alargamento da plataforma para a construção dos novos silos, quer para a extensão do Cais P1 da área portuária de Matola, do Porto de Maputo. A área a acrescentar para a implementação do presente projecto é de 486.643,44 m 2. Com a assinatura deste MdE, o STEMA deverá pagar à CFM uma tarifa de dez cêntimos (dólar americano, 0,10 USD) por metro quadrado. Em suma, o Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT) associado a este projecto foi consignado pelo MdE entre a CFM e o STEMA. t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 25
Esta página foi deixada intencionalmente em branco 26 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
4. Descrição e alternativas do projecto 4.1. Construção de Silos Metálicos A expansão prevista para a capacidade de armazenamento dos silos é de 55.000 toneladas (ton), de forma a receber cargas de navios maiores, como as embarcações Panamax. A capacidade de armazenamento no fim da intervenção será de 100.000 ton, uma vez que a actual capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA é de 45.000 ton. Actualmente, existem 27 compartimentos de silos (unidades de betão armado em 3 linhas, de 9 unidades cada) (cf. Figura 3) e o Estudo de Viabilidade do projecto (Royal HaskoningDHV, 2016) recomenda a construção de cinco (5) silos, com capacidade de 11.000 ton cada. Este estudo recomenda a adopção de silos com diâmetro de 24 m e a construção dos mesmos silos numa fila única (cf. Fonte: Royal HaskoningDHV, 2016 Figura 5). O Estudo de Viabilidade do projecto recomenda ainda a implementação de silos metálicos (formados por aço, ao invés de betão). Apesar das condições vantajosas de armazenamento dos silos de betão (por serem mais apropriados para armazenamentos a longo prazo), os silos de aço são a opção mais económica, para além de que se considera suficiente a capacidade de cerca de 45.000 ton em silos de betão, para casos onde o armazenamento tenha de ser mais longo. Figura 3 Silos de cereais, situação actual t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 27
Fonte: Royal HaskoningDHV, 2016 Figura 4 Tipo de silo recomendado pelo Estudo de Viabilidade (steel silos with flat bottom) Fonte: Royal HaskoningDHV, 2016 Figura 5 Configuração recomendada para os novos silos 28 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
4.2. Novo Sistema de Descarregamento de Cereais dos Navios Nesta intervenção do projecto, estão previstas apenas duas alterações ao sistema de descarregamento de cereais dos navios (ship unloader) actual: A substituição do actual descarregador pneumático de cereais por um novo; O reajuste do sistema de transporte dos cereais através de tapetes rolantes (conveyor system). O Estudo de Viabilidade (Royal HaskoningDHV, 2016) recomenda a substituição do descarregador de cereais dos navios por um novo, com a capacidade de descarregar 500-550 tph (tonnes per hour toneladas por hora). O descarregador de navios substituído será desmantelado e retirado do local, devido ao seu baixo valor comercial. Figura 6 Sistema de descarga dos silos de cereais t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 29
Figura 7 Sistema de transporte de cereais, entre o terminal portuário e os silos da STEMA (conveyor system) 4.3. Extensão do Cais do Terminal Marítimo O terminal de navios existente actualmente apresenta as seguintes características (fotografia abaixo): Capacidade de acolher navios até 30 000 ton métricas; Cais de acostagem de 55 metros (m) de comprimento; Descarregador móvel pneumático de 250 tph (em condições climatéricas normais); Três duques de alba de acostagem; Um duque de alba de amarração; Estacas metálicas circulares e convés de betão armado; Transportador de correia, coberto, de 700 metros de comprimento (até aos Silos). 30 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
Fonte: Google Earth, 2015 Figura 7 Fotografia aérea das estruturas do actual Cais do Terminal Marítimo da STEMA A extensão do cais do terminal marítimo da STEMA passa pela realização das seguintes intervenções: Intervenção 1: Extensão (100 metros) da plataforma jetty; Intervenção 2: Dragagem do cais de atracagem; Intervenção 3: Novo duque de alba (golfinho) e reparação e fortalecimento dos golfinhos existentes. t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 31
4.3.1. Intervenção 1: Extensão da plataforma jetty O objectivo deste procedimento é eliminar a necessidade de reposicionamento dos navios, aquando da descarga dos cereais, só possível actualmente com a suspensão temporária do processo. A extensão da plataforma irá assim permitir que o descarregador alcance todos os porões, sendo este a reposicionar-se (e não os navios), processo muito mais célere e controlável. Além desta intervenção, tanto o trilho sobre o qual o descarregador (e carregador) de navios circula, como os tapetes transportadores na plataforma, necessitam de ser alongados em toda a extensão da plataforma jetty. Figura 8 Plataforma jetty no Estuário do Espírito Santo/Baía de Maputo Ao nível da obra propriamente dita, a extensão da plataforma será de 100 m e executada numa única empreitada, podendo ser estruturalmente semelhante à existente, ou seja, uma plataforma sobre pilares. Esta extensão irá cruzar-se com o duque de alba de atracagem existente no Norte. No entanto, visto a altura deste ser inferior à da plataforma, a plataforma poderá ficar por cima do golfinho de atracagem. Assim, ambas as estruturas podem permanecer independentes, como já acontece com a plataforma existente e os outros duques de alba de acostagem. O esquema geral da extensão da plataforma jetty é apresentado na figura seguinte. 32 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
Legenda: - Novo passadiço - Extensão da plataforma jetty (~60 m) - Extensão adicional da plataforma jetty para PANAMAX (+40 m) - Posições externas do descarregador do navio - Novo duque de alba de atracagem Figura 9 Esquema geral da intervenção a ser realizada no âmbito da extensão da plataforma jetty 4.3.2. Intervenção 2: Dragagem do cais de atracagem Esta intervenção de aprofundamento dos fundos pretende permitir a entrada de navios de maior porte, como o Panamax. A dragagem do canal até ao terminal de combustíveis foi realizada recentemente. Assim, no caso do projecto em estudo, será necessária apenas a dragagem do bolso do cais, ou seja, na área em frente a este, visto que a profundidade actual é de 11,5 m (referência STEMA, julho 2017). Um navio Panamax carregado tem de calado 14,5 m, necessitando, por questões de segurança, de uma distância adicional ao fundo de, pelo menos, 1 m quando atracado e de 2 m quando navega no canal). Assim, as dragagens a realizar deverão fornecer as condições de segurança necessárias para um navio atracado, conforme figura abaixo (referência STEMA de julho 2017). t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 33
Legenda: MLW Mean Low Water (Média das baixa-mares) Bed level Nível do fundo Loaded draught Calado (do navio) quando carregado Keel clearance Altura de água sob a quilha Figura 10 Esquema de um navio atracado junto ao cais 4.3.3. Intervenção 3: Novo duque de alba (golfinho) e reparação e fortalecimento dos golfinhos existentes O procedimento anterior irá, no entanto, influenciar a estabilidade dos pilares, quer da plataforma, quer dos duques de alba. Isto porque o novo navio de projecto, Panamax, exerce forças de atracagem superiores às verificadas actualmente (navios Handysize). Além disso, será também necessário um novo duque de alba de acostagem, para permitir a atracagem e amarração de navios Panamax, mais longos. Tendo sido já realizada uma análise estrutural aos duques de alba actuais, concluiu-se que será necessário substituir as defensas existentes, considerando as forças de atracagem de um navio Panamax. Após esta substituição, são esperadas duas situações: Os duques de alba de atracagem externos serão capazes de suportar as cargas do novo navio de projecto; Os duques de alba de atracagem internos (sob a plataforma jetty), pelo contrário, não serão capazes de suportar essas cargas, pelo que, dependendo do levantamento e análises mais aprofundadas, serão necessárias medidas estruturais atenuantes adicionais. 34 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
Uma possível medida de mitigação para aumentar a força e estabilidade destes dois duques de alba interiores seria a colocação de pilares adicionais na parte traseira dos mesmos e conectá-los a outros pilares de duques de alba. Pelo menos quatro pilares serão necessários por duque de alba. Na próxima fase do projecto, será ainda necessário analisar a estabilidade dos duques de alba de atracagem e amarração e a capacidade dos cabeços de amarração sob estas cargas mais elevadas. 4.4. Alternativas do projecto O Estudo de Impacto Ambiental procederá à comparação da alternativa relativa à configuração proposta no projecto com a alternativa de ausência de projecto (alternativa zero). Esta alternativa corresponde a manter a situação actual do Terminal de Matola, com uma capacidade próxima da plena utilização. Esta alternativa não tira partido do recente aprofundamento dos canais de acesso ao porto de Maputo, que permite actualmente a operação em segurança com navios significativamente maiores. t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 35
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5. Ambiente biofísica e socioeconómica 5.1. Introdução A área em estudo encontra-se no estuário do Espírito Santo, na baía de Maputo, na qual desaguam várias linhas de água, entre as quais os rios Umbeluzi, Matola e Tembe. A área do projecto encontra-se igualmente inserida no porto de Maputo, na área portuária de Matola (terminal de carga a granel da Matola cereais). O bairro Língamo situa-se quase totalmente em terra húmida, com porções de mangal que albergam biodiversidade costeira e marinha, especialmente diversas espécies de aves. O local tem sido alvo de várias pressões, principalmente com a ocupação da área tanto para instalações industriais, como para assentamentos espontâneos ou informais (O País, 2009). No presente capítulo apresenta-se uma descrição do ambiente biofísico e socioeconómico da situação de referência na área do projecto, nos seguintes domínios: Clima; Geologia, geomorfologia e dinâmica costeira; Solos e uso do solo; Hidrologia e hidrogeologia; Qualidade do ambiente; Ecologia; Socio-economia; Riscos Ambientais. t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 37
5.2. Clima De uma maneira geral, em Moçambique, o clima é quente e húmido, existindo variações ao longo do país devido a factores como a altitude, exposição e posição geográfica, entre outros. O clima é predominantemente tropical, existindo uma coincidência entre o período de chuvas e o período quente e ainda pela amplitude térmica anual inferior à amplitude térmica diurna (MUCHANGOS, 1999). De acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger, Matola caracteriza-se pelo tipo climático BSh (clima das estepes quentes de baixa latitude e altitude). O clima de Matola define-se pela pouca pluviosidade durante o ano e por temperaturas amenas, sendo que o mês de Janeiro é o mês mais quente (26,5º C) e o mês de Julho é o mês com a temperatura média mais baixa (18,4º C) (Climate-data.org, 2017). Quadro 2 Parâmetros climáticos referentes à província de Maputo e à cidade da Matola Clima Província de Maputo (2009) Cidade da Matola (2012) Temperatura Média (ºC) 24,0 23,4 Temperatura Máxima Absoluta (ºC) 36,7 39,3 Temperatura Mínima Absoluta (ºC) 14,9 14,4 Humidade Relativa (%) 67,4 77,0 Precipitação Média Mensal (mm) 89,2 52,7 Fonte: INE, 2009; INE, 2013 A região sul de Moçambique (onde se insere a área de estudo) caracteriza-se por marés moderadas (com 2 m de amplitude de máxima), estando a costa sujeita a ciclones tropicais ocasionais (quatro em 16 anos). Existe um risco de secas moderado a alto, erosão (do vento), salinidade e inundações nas planícies costeiras (INGC, 2009). Na sequência de um cenário de elevada subida do nível das águas do mar, toda a área baixa de Maputo, incluindo Língamo (Matola) e o porto e as suas instalações, ficará sob influência das marés, considerando as piores projecções até ao ano 2100. O estudo do INGC (2009) recomenda que será necessário que as infraestruturas referidas sejam gradualmente recolocadas, à medida que a água sobe ou que sejam realizadas obras de engenharia, destinadas a travar a força das águas. Segundo o mesmo estudo, o estuário do Espírito Santo está protegido do impacto de um ciclone tropical proveniente do mar, mas está sujeito a cheias. 38 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
5.3. Geologia e geomorfologia Do ponto de vista geológico, não ocorrem jazigos de recursos minerais no distrito de Matola, de acordo com informação do Instituto Nacional de Estatística (INE, 2013). De acordo com a Carta Geológica de Moçambique (escala 1:1 000 000), a área do projecto caracteriza-se por rochas sedimentares e vulcânicas, do Eon Fanerozóico, do período Quaternário, do tipo Qdi: duna interior; areia eólica vermelha. Fonte: DNG, 2008 Figura 11 Extrato da Carta Geológica de Moçambique Em termos geomorfológicos, a área do projecto apresenta um tipo genético de relevo Erosivo-desnudado, que corresponde aos fundos e vertentes dos vales com terraços rochosos e outros com aluvião pouco espesso, de acordo com a legenda da Carta Geomorfológica de Moçambique. Relativamente à divisão geomorfológica do país, a área do projecto insere-se na zona litoral e planícies de acumulação (zona geomorfológica C), numa área de planícies de acumulação do rio Limpopo (área geomorfológica XVII), na região de planícies de Maputo (região geomorfológica c). t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 39
Conforme se pode verificar na figura seguinte, a linha costeira do Miocénico interseta sensivelmente a área de estudo. Fonte: DNG, 1983 Figura 12 Extrato da Carta Geomorfológica de Moçambique (escala 1:2.000.000) 40 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
5.4. Topografia, solos e uso do solo De uma forma geral, o relevo da província de Maputo caracteriza-se por baixas altitudes, sendo que nas zonas costeiras (relativamente estreita) surgem extensas planícies aluvionares, com cotas inferiores a 100 m. Caracteriza-se ainda por uma linha de costa arenosa e uma enseada pouco profunda na Baía de Maputo. À medida que se aproxima do interior, para oeste, surgem pequenas elevações (entre os 200 e os 400 m) até as cotas se elevarem bruscamente nos Montes Libombos, atingindo o seu ponto mais alto (cerca de 800 m) no Monte Mponduíne (Governo da Província de Maputo, 2017). A área do projecto em avaliação encontra-se inserida numa zona aluvionar e flúviomarinha, com solos formados por sedimentos marinhos estuarinos (FE) (cf. Figura 13), que apresentam as características dominantes demonstradas no quadro seguinte. A fertilidade dos solos é baixa (no interior e costa da região sul de Moçambique), mas mais alta nas planícies de inundação (INGC, 2009). Fonte: INIA, 1995 Figura 13 Extrato da Carta de Solos da Província de Maputo (escala 1:1.000.000) t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 41
Quadro 3 Principais características dos solos tipo FE Características Agrupamento de solo Características dominantes do solo Geomorfologia e geologia Forma de terreno Solo (FE) Solos de sedimentos marinhos estuarinos Argiloso cinzento, solos profundos e frequentemente saturados Sedimentos marinhos estuarinos holocénicos Planície estuarina Topografia/Declive (%) plano 0-1 Textura do solo superficial / subsolo FAgL-Ag e AgL-Ag Profundidade (m) > 100 Drenagem Acidez e Alcalinidade do solo superficial/subsolo (ph-h2o) Má a muito má Ligeiramente alcalino (7,5-8) Ligeiramente a moderadamente alcalino (7,5-9) Matéria orgânica do solo superficial (%) Moderada (1-3) Salinidade do solo superficial/subsolo (ms/cm) Tipo de vegetação Não salgado (0-4); Não salgado Fortemente salgado (2-44) Pradaria halófila, mangal Principais limitações para a agricultura Fonte: INIA, 1995 Salinidade, sodicidade, drenagem, inundações A actividade da STEMA tem lugar na zona industrial de Matola, no bairro Língamo. Esta zona é actualmente ocupada por diferentes tipos de indústrias, tais como a fábrica de cimento da Cimentos de Moçambique (situada a noroeste da STEMA), a Companhia Industrial de Moçambique (CIM) (localizada a norte da STEMA), entre outras actividades. Para além da zona industrial, a área do projecto também inclui parte do Porto de Maputo, correspondente à área portuária de Matola, onde se localizam as principais terminais de mercadorias, designadamente de cereais, óleo, alumínio, combustíveis e carvão. Em suma, trata-se de uma área de uso industrial. 42 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
5.5. Hidrologia e hidrogeologia Hidrologia A área do projecto encontra-se no Estuário do Espírito Santo, na baía de Maputo, no qual desaguam três rios principais: Tembe, Umbeluzi e Matola. O estuário localiza-se a este da Baía de Maputo. De acordo com o Anuário Estatístico da Província de Maputo (INE, 2009), a nascente do rio Tembe situa-se nas proximidades da fronteira com Suazilândia. Este rio, com cerca de 15,7 km de comprimento, é navegável em pequenos troços e tem como afluentes o rio Changane e o rio Matola. O rio Umbeluzi nasce na região montanhosa do norte da Suazilândia e tem cerca de 88 km de comprimento. Não é um rio navegável e tem como afluentes os rios Movene e Impaputo. A área total da bacia do rio Umbeluzi em território moçambicano é de 2.356 km 2 (sendo a área total da bacia de 5 400 km 2, cerca de 44% desta bacia encontra-se em território moçambicano) (ADEM, 2017). Na zona de maior altitude do seu troço moçambicano, fica situada a barragem dos Pequenos Libombos (onde se dá a captação de água para o abastecimento da cidade de Maputo). Estes rios ao atingirem a planície perdem capacidade erosiva, formando extensas planícies aluviais para actividades agrícolas. O clima tropical seco e os terrenos arenosos dominantes favorecem a evaporação e a infiltração das águas, diminuindo a escorrência superficial. Nas secções inferiores dos rios, formam-se frequentemente pântanos cobertos de vegetação herbácea conhecida por machongos (MUCHANGOS, 1999). t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 43
Hidrogeologia A área do projecto localiza-se na província hidrogeológica da bacia sedimentar de Moçambique a Sul do Save, na faixa de dunas. Através da análise à Carta Hidrogeológica de Moçambique, à escala 1:1.000.000 e da respectiva notícia explicativa (DNA, 1987), é possível afirmar que: As características hidrogeológicas da área não são favoráveis para o aproveitamento das águas subterrâneas (excepto alguns vales aluvionares, na faixa dunar e na região dos aquíferos profundos); As águas subterrâneas desta província (mais de metade dos casos) têm problemas de mineralização, especialmente na faixa central compreendida entre os rios Save e Maputo; A produtividade dos aquíferos existentes, em rochas consolidadas, e a importância da cobertura solta aumentam em direcção à costa; Relativamente à faixa dunar, as areias eólicas porosas dão origem a um aquífero livre regional contendo água doce. A permeabilidade diminui da costa para o interior, em consequência do aumento do teor de argila nas areias; Os factores que podem impedir o desenvolvimento da água subterrânea na faixa dunar incluem a profundidade à toalha freática em dunas de grande altitude e a fraca qualidade da água associada a lentes locais de argila (Homoíne) ou a antigas inundações marinhas (Matola). De referir, no entanto, que a área do projecto não interfere com a faixa dunar. 44 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
5.6. Qualidade do ambiente As principais fontes de poluição (do ar e sonora) que afectam a área de estudo e a sua envolvente são as seguintes: Funcionamento das instalações industriais na zona industrial da Matola; Da circulação de navios de carga; Da circulação automóvel na EN2 e restantes vias locais; Da circulação ferroviária (relativamente à linha ferroviária utilizada para o transporte de mercadorias na zona industrial de Matola). Na área em estudo, a emissão de poluentes para a atmosfera está relacionada com os gases provenientes dos processos industriais (queima de combustíveis fósseis nos motores de combustão dos equipamentos industriais, nos veículos e na circulação/navegação de navios. A área de influência do projecto não dispõe de uma rede de monitorização de qualidade do ar ou de ruído. Consideram-se como receptores sensíveis com a implementação do projecto (devido ao aumento das pressões à qualidade do ar e do ambiente sonoro), toda a população que habita no entorno da zona industrial de Matola. Relativamente à qualidade da água, de acordo com o Estudo de Hidrodinâmica do Estuário do Espírito Santo e Baía de Maputo (BETA&NEMUS, 2012), existe uma rede de monitorização da qualidade da água nas bacias hidrográficas do Umbeluzi, Maputo, Matola, Infulene e Incomati, a cargo da Administração Regional de Águas do Sul. Na análise de dados existentes para os últimos anos no mesmo estudo (BETA&NEMUS, 2012), verificou-se que em todos os rios monitorizados, existia um problema de qualidade relacionado com elevada turvação, facto relacionado com o efeito erosivo dos rios, ocorrência de descargas de fundo das barragens (rios Umbeluzi, Maputo e Incomati) e prática de irrigação. Assumem também importância os problemas de qualidade representados pelo oxigénio dissolvido, cujos teores nas únicas duas bacias monitorizadas (Umbeluzi e Incomati) foram inferiores ao limite mínimo admissível, e pela amónia, com a excedência da norma de qualidade em quatro rios (Maputo, Matola, Infulene, t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 45
Incomati), o que sido relacionado essencialmente com poluição com origem na actividade agrícola. No caso dos rios Maputo, Matola e Incomati verificaram-se ainda indícios de salinidade elevada perto da foz (através de problemas de qualidade associados aos parâmetros condutividade e cloretos). De acordo com SUMALGY (2011), Matola é o local do país onde se concentram as principais indústrias moçambicanas. A descarga de efluentes industriais sem tratamento é um problema comum nestas áreas industriais e é certamente o factor que mais contribui para a diminuição da qualidade das águas do estuário e da baía. Adicionalmente, a entrada e saída de navios no estuário aumenta a probabilidade de ocorrência de derrames de substâncias perigosas e a produção de efluentes líquidos provenientes dos navios, o que também degradará a qualidade da água. 46 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
5.7. Ecologia A área do projecto encontra-se visivelmente marcada pela presença humana. No entanto, a presença do Estuário do Espírito Santo, das linhas de água que desembocam neste sistema e da Baía de Maputo, conferem à região um valor ecológico substancial. Aos vários ecossistemas aquáticos e terrestres dependentes de água (zonas húmidas e inundáveis) estão associados valores faunísticos e florísticos relevantes do ponto de vista ecológico e conservacionista. A presença da Baía de Maputo e do sistema do Estuário do Espírito Santo na envolvente à área de projecto reúne as condições necessárias para a existência de uma fauna rica e diversificada, com destaque para: Invertebrados de elevado valor ecológico e comercial, como os cnidários (corais), os equinodermes (holotúrias), os moluscos (cefalópodes, gastrópodes e bivalves) e os crustáceos; Várias espécies de peixes de água doce, de água salobra e marinha. Os peixes marinhos incluem espécies pelágicas e demersais, espécies associadas aos habitats de coral e pradarias marinhas e espécies associadas a habitats estuarinos e a mangais; Várias espécies de anfíbios, dada a existência de habitats adequados, nomeadamente de terrenos agrícolas, matos naturalizados ou zonas húmidas/alagadiças; Várias espécies de répteis, algumas classificadas pela IUCN como em perigo, outras protegidas ao abrigo do Anexo I da Convenção CITES (como as espécies marinhas da Ordem Testudines); Várias espécies de aves, algumas das quais protegidas ao abrigo da Convenção das Espécies Migratórias (CMS); Várias espécies de mamíferos terrestres (maioritariamente com o estatuto pouco preocupante, apesar de algumas espécies serem protegidas ao abrigo do Regulamento da Lei das Florestas e Fauna Bravia) e aquáticos (algumas protegidas ao abrigo do Anexo II da Convenção CITES) (BETAR&BETA, 2012). De acordo com (PASSELA et. al, 2008), a área envolvente da zona industrial de Matola é constituída por diversos tipos de vegetação denominados por mosaico costeiro (capim, floresta de mangais e floresta de dunas). t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 47
5.8. Socio-economia Demografia A cidade de Matola faz fronteiras a norte com o distrito de Moamba, a sul com o distrito de Boane e Cidade de Maputo, a este com Marracuene e Cidade de Maputo e a oeste com Boane. Subdivide-se em três postos administrativos municipais (Matola, Machava e Infulene), que constituem um conjunto de 41 bairros. O Posto Administrativo de Matola, constituído por 13 bairros, é o posto mais urbanizado da cidade e onde se encontram as principais e mais antigas infraestruturas económicas e sociais da cidade, nomeadamente a sede do governo Municipal e do governo da província de Maputo. Com uma área de 367 km 2, Matola tem uma população de 827 475 habitantes e uma densidade populacional de 2254 hab/km 2. Quadro 4 Superfície em km 2, população total e densidade populacional de Matola (2013) Distrito da Cidade de Matola Província de Maputo Superfície (km 2 ) 367 23 276 População (n.º habitantes) 827 475 1 506 442 Densidade Populacional (hab/km 2 ) 2 254,7 64,7 Fonte: INE, 2013 Os dados disponibilizados online no site do INE (www.ine.gov.mz), em 2013, apontam para uma maior percentagem da população feminina de 51,8% face a população masculina de 48,2%, caracterizada ainda por ser uma população jovem e em idade de trabalhar (maior parte da população encontra-se na faixa etária dos 15-64 anos). A maioria da população vive em união marital, 51% das pessoas e 13,9% da população é solteira. A taxa bruta de natalidade da região é de 31% (INE, 2013). Habitação Quanto à habitação, a maioria da população vive em habitações em que o tipo de paredes é de bloco de cimento (77,5%), o tipo de pavimento é principalmente o cimento (82,6%) e a sua cobertura é de placas de zinco (86,9%). Esta tendência é verificável quer para o distrito de Matola quer para a província (INE, 2013). 48 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
Analisando a distribuição percentual das habitações por condições de serviços básicos para os agregados familiares de Matola, verificamos quem em termos de energia, a maior parte da população recorre ao petróleo/parafina/querosene, sendo 40% dos habitantes possuem eletricidade. A maior parte das habitações dispõe água canalizada fora de casa e cerca de 37,8% das habitações são servidas por latrinas tradicionais não melhoradas e 26,8% por latrinas melhorada (INE, 2013). No distrito de Matola a posse de bens duráveis (rádio, televisão, telefone, computador, carro, motorizada, bicicleta) mostra-se superior à média da província para todos os bens, exceto para a bicicleta. Existe 27% dos agregados familiares que não possuem qualquer um destes bens, sendo que o bem mais generalizado é o rádio, na posse de 64.3% dos agregados (INE, 2013). Educação No que se refere a taxa de analfabetismo da população, é bastante superior nas mulheres para qualquer grupo etário, quer em Matola, quer na província. A taxa de analfabetismo da população chega a ser superior a 45% para as mulheres se considerarmos o grupo etário dos 50-59 anos (INE, 2013). Serviços e actividades económicas No que se refere a serviços comunitários, o distrito de Matola é servido por estabelecimentos de ensino primário e secundário, quer de caracter público e privado. Na área da saúde, existe na região, 1 hospital geral, 13 centros de saúde e 2 postos de saúde (INE, 2013). O pessoal ao serviço no distrito exerce maioritariamente atividades nas indústrias alimentares, no comércio a retalho e na educação. t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 49
Quadro 5 Número de unidades estatísticas, por principais ramos de atividade e pessoal ao serviço em Matola (dados do ano 2012) Código CAE 1 Descrição da atividade Agricultura, produção animal, caça, atividades dos serviços relacionados N.º de unidades estatísticas 11 150 Pessoal ao serviço 10 Indústrias Alimentares 30 2 679 23 Fabricação de outros produtos minerais não metálicos 23 735 31 Fabricação de mobiliário e de colchões 25 492 45 46 Comércio por grosso e a retalho; manutenção e reparação de veículos automóveis e motociclos Comércio por grosso (inclui agentes), exceto veículos automóveis e motociclos 40 649 23 341 47 Comércio a retalho, exceto de veículos automóveis e motociclos 428 2 181 56 Restauração e similares 313 869 84 Administração pública e defesa; segurança social obrigatória 53 1 560 85 Educação 70 2 433 94 Atividades das organizações associativas 107 921 96 Outras atividades de serviços pessoais 63 151 Fonte: INE, 2013 50 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
6. Identificação de questões fatais O Anexo V do Decreto n.º 54/2015, de 31 de Dezembro, elenca as diversas questões fatais a averiguar em processos de AIA. São questões fatais a ocorrência de áreas de proteção ou áreas ecologicamente sensíveis nas quais quaisquer impactos negativos significativos sejam impeditivos. Nomeadamente, são constituídas como áreas em que nenhuma actividade potencialmente causadora de impactos negativos significantes possa ser autorizada as: A. Áreas de protecção total, com exceção de actividades propostas pela própria entidade gestora da área de conservação, quando destinadas a melhorar a sua gestão; B. Áreas de Conservação classificadas como áreas de conservação total e zonas de protecção total de outras categorias de Áreas de Conservação, com excepção de actividades propostas pela respectiva entidade gestora, quando destinadas a melhorar a sua gestão; C. Áreas com as seguintes características: I. Presença de Espécies Criticamente em Perigo (CP) e/ou Em Perigo (EP), englobando habitat necessário para sustentar 10% da população global ou nacional de uma CP ou EP espécie/subespécie onde são conhecidas ocorrências regulares das espécies e que onde esse habitat podia ser considerado uma unidade de gestão discreta para a espécie; ou habitat com conhecidas ocorrências regulares de espécies CP ou EP onde esse habitat é um dos 10 ou menos locais de gestão discreta globalmente para essas espécies; II. Presença de uma gama de Espécies Endémicas/Restritas, nomeadamente habitat conhecido por sustentar 95% da população mundial ou nacional de uma espécie endémica ou de alcance limitado, onde o habitat poderia ser considerado uma unidade de gestão discreta para as espécies (por exemplo, um único local endémico); III. Presença de Espécies Migratórias/congregatórias, integrando habitat conhecido por sustentar, de forma cíclica ou de outra forma regular, 95% da população mundial ou nacional de uma espécie migratória ou congregatória em qualquer ponto do ciclo de vida das espécies, onde esse habitat poderia ser considerado uma unidade de maneio discreta para essas espécies; t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 51
IV. Área crucial para a provisão de serviços de ecossistemas chaves na escala nacional, provincial, ou distrital. De acordo com a informação disponível considerada, a área de intervenção directa do projecto em avaliação não se insere em nenhuma área inserida na Rede Nacional das Áreas de Conservação (parque natural, reserva natural, reserva especial ou área de protecção ambiental). Prevê-se que a operação de dragagem do cais de atracagem seja a intervenção do projecto com mais afectações nos meios físico e biótico. Por outro lado, as restantes intervenções consistem em actividades de construção e de melhoria de infraestruturas, numa área já bastante industrializada, o que tenderá a provocar efeitos pouco significativos nos meios em análise. Não obstante, os impactos ambientais serão analisados em maior detalhe durante a fase do EIA, onde serão ainda definidas as necessárias medidas de mitigação dos mesmos e um plano de gestão ambiental adequado que assegure a implementação e controlo do projecto num quadro de sustentabilidade. 52 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
7. Identificação dos potenciais impactos do projecto Identifica-se em seguida, de forma preliminar, o estatuto dos principais impactos ambientais esperados do projecto, tendo por base as actividades inerentes à sua implementação, bem como a consulta bibliográfica de documentos e bases de dados. Na presente fase procede-se a uma avaliação preliminar de impactos, uma vez que a informação sobre as interferências do projecto necessita ainda de estudos mais aprofundados, em fase de Estudo de Impacto Ambiental. A avaliação de impactos do projecto a levar a cabo irá focar-se nas fases de: Construção impactos decorrentes de actividades previstas para a fase de construção, destancando-se as actividades de: o Implantação e operação de estaleiros e outras estruturas de apoio à obra; o Mobilização de trabalhadores e de maquinaria e equipamento de obra e preparação do terreno; o Construção dos silos metálicos; o Substituição do descarregador de cereais dos navios (ship unloader) e reajuste do sistema de transporte de cereais (conveyor system); o Extensão da plataforma jetty e dragagem do cais de atracagem; o Construção do novo duque de alba (golfinho) e reparação e fortalecimento dos duques de alba existentes. Operação impactos decorrentes de actividades previstas para a fase de operação, nomeadamente: o Processos da actividade geral da STEMA: recepção, armazenamento e distribuição de cereais, por via marítima, incluindo gestão de stocks, importação e exportação de cereais, entre outros; o Dragagem de manutenção no cais de atracagem. A análise de impactos relativa à fase de desactivação será feita de forma global (sem descriminação por descritor), por consideração do longo período que decorrerá até a mesma ser efectivada e das alterações que deverão entretanto ocorrer no território. t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 53
7.1. Potenciais impactos positivos Como potenciais impactos positivos do projecto esperam-se os seguintes: Fase de construção Geração de emprego: será um impacto positivo mais relevante para os postos de trabalho afectos a tarefas não especializadas (construção civil), com preferência para o recrutamento de trabalhadores locais, eventualmente entre a população actualmente não activa, contribuindo neste caso para a redução do desemprego; Dinamização da economia local e melhoria do nível de vida: o significado deste impacto dependerá do afluxo de trabalhadores, dado que parte da população se dedica a actividades comerciais; são gerados temporariamente postos de trabalho em actividades de comércio devido ao aumento da procura de serviços. Fase de operação Aumento da actividade económica da STEMA: devido à expansão da sua capacidade, o STEMA terá condições para receber e armazenar mais movimentações de carga (capacidade de 100.000 ton), o que se traduzirá em ganhos económicos superiores, relativamente à actividade anterior, com apenas 45.000 ton de capacidade; Geração de emprego, dinamização da economia local e melhoria do nível de vida: aumento de oportunidades de emprego relacionadas com as operações portuárias e aumento da procura de serviços locais. A componente associada à empregabilidade indirecta e dinamização da economia local terá outro relevo, uma vez que o comércio local será estimulado. 54 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
7.2. Potenciais impactos negativos Como potenciais impactos negativos do projecto esperam-se os seguintes: Fase de construção Afectação da qualidade do ar: em resultado do aumento das emissões atmosféricas (principalmente poeiras e gases de escape) decorrentes das obras de construção civil necessárias à instalação dos novos silos e do sistema de transporte dos cereais (entre o porto e os silos), da circulação de máquinas e viaturas nas vias de acesso e do funcionamento do estaleiro; Afectação do ambiente sonoro: devido à implementação dos novos silos e à substituição e reajuste do sistema de transporte de cereais entre o porto e os silos; Ocupação/impermeabilização do solo: devido à instalação dos novos silos e infra-estruturas associadas; Eventual aumento do risco de contaminação dos solos e da água: em resultado de derrames acidentais, da dragagem no cais de atracagem a executar, da deposição inadequada de resíduos e descarga de efluentes não tratados da zona de obra; Perturbação das comunidades faunísticas utilizadoras da área: (sobretudo na área portuária do estuário do Espírito Santo), no decurso das actividades de dragagem. Fase de operação Afectação da qualidade do ar e do ambiente sonoro: devido ao aumento da circulação de navios no porto e ao possível aumento do transporte ferroviário de cereais para outras regiões; Aumento do risco de incidentes de navegação e de derrames acidentais: devido ao aumento da circulação de navios de carga na área portuária do estuário do Espírito Santo; Possível afectação da hidrodinâmica da água do mar, da água doce e da corrente de maré: devido ao aprofundamento do canal de navegação. t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 55
7.3. Potenciais impactos na fase de desactivação Após o processo de desmantelamento, a cessação das actividades industriais relativamente à expansão da capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA implicará, de uma forma geral: Durante a fase de desactivação Aumento das emissões atmosféricas (gases de combustão e partículas) e emissões sonoras: provocadas pela circulação de máquinas e veículos e pelo processo de desmantelamento em si; Aumento da produção de resíduos: a requerer encaminhamento para destino final adequado; Compactação de solos: provocada pela circulação de máquinas para remoção das infra-estruturas; Degradação da qualidade da água superficial: devido ao arrastamento para o meio hídrico de materiais poluentes; Após a fase de desactivação Melhoria da qualidade do ar: resultado da diminuição das emissões atmosféricas provenientes da circulação de navios de carga (redução da circulação de navios); Diminuição dos riscos de contaminação da água: com a diminuição do tráfego marítimo local e o fim das operações de dragagem de manutenção, diminui a exposição dos recursos hídricos locais a resíduos e outras substâncias poluentes provenientes dos navios; Melhoria das condições ecológicas do meio aquático e terrestre: com consequências previsíveis de reocupação das áreas pelas espécies anteriormente presentes. A cessação das actividades da STEMA implicará a perda dos empregos gerados na fase de operação. 56 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
8. Principais aspectos a investigar no EIA Tendo em conta os impactos prováveis do projecto, considera-se que deverão ser investigados com particular atenção, em fase de EIA, os seguintes aspectos: Geologia e dinâmica costeira; Socio-economia. A investigação destes temas é importante para avaliar de forma mais fidedigna os impactos do projecto e para definir as medidas de mitigação mais adequadas à minimização dos seus impactos negativos e à potenciação dos seus impactos positivos. As principais preocupações demonstradas pelos participantes na reunião de consulta pública a realizar em fase de EPDA, deverão igualmente merecer especial atenção no âmbito do EIA. Estudo Especializado de Geologia e dinâmica costeira Caracterização das principais geoformas, dos agentes forçadores e dos processos e mecanismos de evolução costeira; Enquadramento dos cenários de alterações climáticas e dos potenciais efeitos na evolução futura da zona costeira; Análise das condições de estabilidade dos sistemas costeiros, identificação das principais pressões e avaliação da sua vulnerabilidade à erosão; Avaliação da potencial afectação das intervenções previstas na estabilidade do sector costeiro; Recomendações tendo em vista a protecção dos sistemas costeiros e a minimização da erosão; Proposta de medidas de gestão ambiental para os impactos identificados e se necessário, de um programa de monitorização. t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 57
Estudo Especializado de Socio-economia Analisar o impacto económico que o projeto acarretará para o desenvolvimento populacional, bem como, para o desenvolvimento social e do nível de vida das famílias; Caracterizar as atividades económicas existentes e o seu nível de emprego formal, de forma a podermos avaliar os impactos positivos da atividade económica na construção e desenvolvimento da região (análise das infraestruturas existentes); Caracterização das atividades económicas na área de influência do projeto e estudo da evolução das suas tendências, tendo em conta o desenvolvimento do projeto, no sentido de poder ser feita uma leitura quantitativa e qualitativa dessa evolução; Análise de uma abordagem estratégica, no que diz respeito as atividades económicas, de forma a podermos conhecer os reais impactos económicos do desenvolvimento do projeto; Estudo dos impactos económicos que o projeto conduzirá nos vários setores de atividade e no meio envolvente, nomeadamente, o aumento da capacidade produtiva que a extensão do cais do terminal marítimo provocará, no setor dos cereais; Proposta de medidas de mitigação; Recomendações para gestão ambiental e monitorização, caso se justifique. 58 t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA:
9. Participação pública O processo de participação pública será desenvolvido através da realização de uma sessão de participação pública, envolvendo entidades de gestão e administração local, populações locais e demais partes interessadas. O processo de envolvimento das Partes Interessadas e Afectadas (PI&A) é descrito nos Termos de Referência (Parte 3). Uma interacção abrangente com as PI&A permitirá que estas se mantenham devidamente informadas sobre o projecto ao longo das várias etapas deste, assegurando, ao mesmo tempo, que as suas preocupações sejam devidamente enquadradas e consideradas no EIA e que o processo se desenvolva de forma transparente e aberta. Sendo a versão draft do EPDA, o presente documento ainda não inclui como anexo o relatório das actividades de participação pública levadas a cabo nesta fase e a consideração das questões mais relevantes que venham a ser identificadas. Todas estas questões surgirão no relatório final do EPDA. t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 59
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10. Conclusões e recomendações Para a elaboração do presente documento foi reunida informação de base sobre a situação de referência dos descritores propostos a analisar no EIA, através de revisão bibliográfica de informação de vários autores/instituições e disponibilizada pelo proponente. Assim, é possível realizar uma análise preliminar dos impactos do projecto, positivos e negativos, nas fases de construção, operação e desactivação. Os principais impactos positivos identificados, em fase de EPDA, tendo em conta a implementação do projecto são sobretudo efeitos positivos em termos socioeconómicos: geração de emprego e dinamização da economia local e melhoria do nível de vida (na fase de construção) e aumento da actividade económica da STEMA e geração de emprego, dinamização da economia local e melhoria do nível de vida (na fase de operação). Os impactos negativos identificados foram os seguintes: afectação da qualidade do ar e do ambiente sonoro, aumento do risco de contaminação dos solos e da água, ocupação/impermeabilização do solo e perturbação das comunidades faunísticas (na fase de construção) e afectação da qualidade do ar e do ambiente sonoro, aumento do risco de incidentes de navegação e de derrames acidentais, potencial afectação da actividade piscatória e possível afectação da hidrodinâmica da água do mar, da água doce e da corrente de maré (na fase de operação). Enfatiza-se que o presente EPDA constitui a primeira abordagem à análise e avaliação da viabilidade ambiental do projecto, a que se seguirá a fase de EIA, na qual serão aprofundados os estudos ambientais e a análise e avaliação de impactos, em particular e o estabelecimento de medidas necessárias à redução de impactos negativos e potenciação de impactos positivos. De modo a contribuir para esse processo, são indicados no presente documento as principais questões que deverão ser aprofundadas na fase de EIA: Geologia e Dinâmica Costeira e Socio-economia, correspondendo aos temas dos estudos especializados previstos. Da análise global efectuada, pode concluir-se que o projecto alvo de análise não revela nenhuma questão ambiental que inviabilize a sua implementação. t16071/01 AIA do Projecto de Expansão da Capacidade do Terminal Graneleiro da Matola/STEMA: 61
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