Do Vaticano II a RCC

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A CATEQUESE DO VATICANO II AOS NOSSOS DIAS

Transcrição:

Do Vaticano II a RCC

Do Vaticano II a RCC Palestrante: Prof. Felipe Aquino Material produzido para o Simpósio Universitário: Carismaticamente Universitários

S. JOÃO XXIII aos Cardeais - 25 de janeiro de 1959, festa da Conversão de são Paulo, na sua Basílica. Foi algo de inesperado: uma irradiação de luz sobrenatural, uma grande suavidade nos olhos e no coração. DISCURSO DE ABERTURA 11/10/1962 «O que mais importa ao Concílio Ecuménico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz...» É necessário primeiramente que a Igreja não se aparte do patrimônio sagrado da verdade...; e, ao mesmo tempo, deve também olhar para o presente, para as novas condições e formas de vida introduzidas no mundo hodierno, que abriram novos caminhos ao apostolado católico.

O XXI Concílio Ecumênico quer transmitir pura e íntegra a doutrina, sem atenuações nem subterfúgios, que por vinte séculos, apesar das dificuldades e das oposições, se tornou patrimônio comum dos homens. A finalidade principal deste Concílio não é, portanto, a discussão de um ou outro tema da doutrina fundamental da Igreja, repetindo e proclamando o ensino dos Padres e dos Teólogos antigos e modernos, que se supõe sempre bem presente e familiar ao nosso espírito.

Para isto, não havia necessidade de um Concílio. Mas da renovada, serena e tranquila adesão a todo o ensino da Igreja, na sua integridade e exatidão, como ainda brilha nas Atas Conciliares desde Trento até ao Vaticano I, o espírito cristão, católico e apostólico do mundo inteiro espera um progresso na penetração doutrinal e na formação das consciências; é necessário que esta doutrina certa e imutável, que deve ser fielmente respeitada, seja aprofundada e exposta de forma a responder às exigências do nosso tempo. Uma coisa é a substância do «depositum fidei», isto é, as verdades contidas na nossa doutrina, e outra é a formulação com que são enunciadas, conservando-lhes, contudo, o mesmo sentido e o mesmo alcance.. Agora, porém, a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade.

Ecumenismo: A Igreja Católica julga, portanto, dever seu empenhar-se ativamente para que se realize o grande mistério daquela unidade, que Jesus Cristo pediu com oração ardente ao Pai celeste, pouco antes do seu sacrifício.

Oração de João XXII para o Concílio: Repita-se no povo cristão o espetáculo dos Apóstolos reunidos em Jerusalém, depois da ascensão de Jesus ao céu, quando a Igreja nascente se encontrou reunida em comunhão de pensamento e de oração com Pedro e em torno de Pedro, pastor dos cordeiros e das ovelhas. Digne-se o Divino Espírito escutar da forma mais consoladora a oração que sobe a Ele de todas as partes da terra. Que Ele renove em nosso tempo os prodígios como de um novo Pentecostes, e conceda que a Santa Igreja, permanecendo unânime na oração, com Maria, a Mãe de Jesus, e sob a direção de Pedro, dilate o Reino do Divino Salvador, Reino de Verdade e Justiça, Reino de amor e de paz.

21º CONCILIO GERAL (ECUMÊNICO) DA IGREJA A primeira sessão - 8 de dezembro de 1962. 3 de junho de 1963 o Papa João XXIII morreu. A segunda sessão - dia 29 de setembro de 1963 com Paulo VI. Em seu discurso de abertura, Paulo VI apresentou os quatro objetivos do Concílio: 1- a consciência de Igreja, 2 - a sua reforma, 3- a restauração da unidade entre todos os cristãos 4 - o diálogo da Igreja com os homens contemporâneos.

Um fato muito importante: Em 7 de dezembro de 1965 - Paulo VI com a Carta Apostólica Ambulate in Dilectione, aboliu a excomunhão imposta no dia 16 de julho de 1054 ao Patriarca de Constantinopla Miguel Cerulário. Ao mesmo tempo em Constantinopla (Istambul), o Patriarca Atenágoras, revogava a excomunhão do Seu predecessor ao Papa Leão IX.

BEATO PAULO VI NO ENCERRAMENTO: Foi num tempo em que o ato fundamental da pessoa humana, mais consciente de si e da sua liberdade, tende a exigir uma liberdade total, livre de todas as leis que transcendam a ordem natural das coisas; foi num tempo em que os princípios do laicismo aparecem como a consequência legítima do pensamento moderno e são tidos quase como norma sapientíssima segundo a qual a sociedade humana deve ser ordenada; foi num tempo em que a razão humana pretende exprimir o que é absurdo e tira toda a esperança; foi num tempo, finalmente, em que as religiões étnicas estão sujeitas a perturbações e transformações jamais experimentadas.

Foi neste tempo que se celebrou o nosso Concílio para glória de Deus, em nome de Cristo, com a inspiração do Espírito Santo que «tudo perscruta» e que continua a ser a alma da Igreja, «para que conheçamos os dons de Deus», quer dizer, fazendo com que a Igreja conheça profundamente sob todos os aspectos a vida humana e o mundo. Esta secular sociedade religiosa que é a Igreja esforçou-se por pensar sobre si mesma, para melhor se conhecer, melhor se definir e, consequentemente, melhor dispor os seus sentimentos e os seus preceitos. (cont. Paulo VI)

O Concílio teve a peito perscrutar o mundo deste nosso tempo. Nunca talvez como no tempo deste Concílio a Igreja se sentiu na necessidade de conhecer, avizinhar, julgar retamente, penetrar, servir e transmitir a mensagem evangélica, e, por assim dizer, atingir a sociedade humana que a rodeia, seguindo-a na sua rápida e contínua mudança. Esta atitude, nascida pelo facto de a Igreja, no passado e sobretudo neste século, ter estado ausente e afastada da civilização profana, esta atitude, sempre inspirada pela essencial missão salvadora da Igreja, esteve presente eficaz e continuamente no Concílio. (cont. Paulo VI)

O Magistério da Igreja, embora não tenha querido pronunciar-se com sentenças dogmáticas extraordinárias sobre nenhum capítulo doutrinal, propôs, todavia, o seu ensinamento autorizado acerca de muitas questões que hoje comprometem a consciência e a atividade do homem. Tudo isto e tudo o mais que poderíamos ainda dizer acerca do Concílio, terá porventura desviado a Igreja em Concílio para a cultura atual que toda é antropocêntrica? Desviado, não; voltado, sim. Para conhecer a Deus, é necessário conhecer o homem.

Por isso, todo este Concílio se resume no seu significado religioso, não sendo outra coisa senão um veemente e amistoso convite em que a humanidade é chamada a encontrar, pelo caminho do amor fraterno, aquele Deus «de quem afastarse é cair, a quem dirigir-se é levantar-se, em quem permanecer é estar firme, a quem voltar é renascer, em quem habitar é viver» (S. Agostinho, Sol. 1, 1,3: PL 32, 870).

DOCUMENTOS: 4 Constituições; 9 Decretos e 3 Declarações. 1 - Constituição Dogmática sobre a Igreja (Lumen Gentium) 2 - Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina (Dei Verbum) 3 - Constituição Pastoral sobre a Igreja e o mundo de hoje (Gaudium et Spes) 4 - Constituição Dogmática sobre a Sagrada Liturgia (Sacrossantum Concilium) 5 - Decreto sobre o Ecumenismo (Unitatis Redintegratio) 6 - Decreto sobre as Igrejas Orientais Católicas (Orientalium Ecclesiarum) 7 - Decreto sobre a atividade missionária da Igreja (Ad Gentes) 8 Decreto sobre a atividade dos bispos (Christus Dominus)

9 - Decreto sobre o ministério e a vida dos Presbíteros (Presbyterorum Ordinis) 10 - Decreto sobre a atualização dos Religiosos (Prefectae Caritatis) 11 - Decreto sobre a formação Sacerdotal (Optatam Totius) 12 - Decreto sobre o Apostolado dos Leigos (Apostolicam Actuositatem) 13 - Decreto sobre os Meios de Comunicação Social (Inter Mirifica) 14 - Declaração sobre a Educação Cristã (Gravissimum Educationis) 15 - Declaração sobre a Liberdade Religiosa (Dignitates Humanae) 16 - Declaração sobre as Relações da Igreja com as Religiões não-cristãs (Nostra Aetate)

SÃO JOÃO PAULO II (1992), na aprovação do Catecismo Ao Concílio, o Papa João XXIII tinha confiado como tarefa principal guardar e apresentar melhor o precioso depósito da doutrina cristã, para o tornar mais acessível aos fiéis de Cristo e a todos os homens de boa vontade. Portanto, o Concílio não devia, em primeiro lugar, condenar os erros da época, mas sobretudo empenhar-se para mostrar serenamente a força e a beleza da doutrina da fé. Iluminadas pela luz deste Concílio dizia o Papa João XXIII crescerá em riquezas espirituais...

Depois da sua conclusão, o Concílio não cessou de inspirar a vida da Igreja. Em 1985 pude afirmar: "Para mim - que tive a graça especial de nele participar e colaborar no seu desenvolvimento o Vaticano II foi sempre, e é de modo particular nestes anos do meu Pontificado, o constante ponto de referência de toda a minha ação pastoral, no consciente empenho de traduzir as suas diretrizes em aplicação concreta e fiel, a nível de cada Igreja e da Igreja inteira. É preciso incessantemente recomeçar daquela fonte. (João Paulo II - 25/1/1985).

SÃO JOÃO PAULO II - 15/10/1995 (30 anos depois): Na história dos Concílios, ele reveste uma fisionomia muito singular. Nos Concílios precedentes, com efeito, o tema e a ocasião da celebração tinham sido dados por particulares problemas doutrinais ou pastorais. O Concílio Ecumênico Vaticano II quis ser um momento de reflexão global da Igreja sobre si mesma e sobre as suas relações com o mundo... Graças ao sopro do Espírito Santo, o Concílio lançou as bases de uma nova primavera da Igreja. Ele não marcou a ruptura com o passado, mas soube valorizar o patrimônio da inteira tradição eclesial, para orientar os fiéis na resposta aos desafios da nossa época.

À distância de trinta anos, é mais do que nunca necessário retornar àquele momento de graça. Como pedi na Carta Apostólica Tertio milennio adveniente (n.36) entre os pontos de um irrenunciável exame de consciência, que deve envolver todas as componentes da Igreja, não pode deixar de haver a pergunta: quanto da mensagem conciliara passou para a vida, as instituições e o estilo da Igreja? (S. João Paulo II)

Já no Sínodo dos Bispos de 1985 [sobre o Concílio] foi posto um análogo interrogativo. Ele continua válido ainda hoje, e obriga antes de mais a reler o Concílio, para dele recolher integralmente as indicações e assimilar o seu espírito... A história testemunha que os Concílios tiveram necessidade de tempo para produzir os seus frutos. Contudo, muito depende de nós, com a ajuda da graça de Deus. (L Osservatore Romano, 15/10/95).

JOÃO PAULO II 27/02/2000 O Concílio Vaticano II constituiu uma dádiva do Espírito à sua Igreja. É por este motivo que permanece como um evento fundamental não só para compreender a história da Igreja no fim do século mas também, e sobretudo, para verificar a presença permanente do Ressuscitado ao lado da sua Esposa no meio das vicissitudes do mundo. Mediante a Assembleia conciliar, que viu chegar à Sé de Pedro Bispos de todas as partes do mundo, pôde-se constatar que o património de dois mil anos de fé se conservou na sua originalidade autêntica.

JOÃO PAULO II NA UUS Que todos sejam um Tendo-me dirigido recentemente aos Bispos, ao clero e aos fiéis da Igreja Católica para indicar o caminho a seguir na celebração do Grande Jubileu do Ano Dois Mil, afirmei, entre outras coisas, que: «a melhor preparação para a passagem bimilenária não poderá exprimir-se senão pelo renovado empenho na aplicação, fiel quanto possível, do ensinamento do Vaticano II à vida de cada um e da Igreja inteira». O Concílio é o grande início como que o Advento daquele itinerário que nos conduz ao limiar do Terceiro Milénio. (UUS,100)

CARDEAL RATZINGER Papa Bento XVI "O Vaticano II encontra-se hoje em uma luz crepuscular. Pela chamada 'ala progressista', há muito tempo ele é considerado superado e, por conseguinte, um fato do passado, sem importância para o presente. Pela parte oposta, a ala 'conservadora', ele é julgado responsável pela atual decadência da Igreja Católica, e até se lhe atribui a apostasia com relação ao Concílio de Trento e ao Vaticano I: de tal forma que alguns chegaram a pedir a sua anulação ou uma revisão que equivaleria a uma retirada". A fé em crise? Entrevista a Vitorio Messori, 1984 (pg. 16ss)

"Com relação a ambas as posições contrapostas, deve-se esclarecer, antes de tudo, que o Vaticano II é apoiado pela mesma autoridade do Vaticano I (1870) e do Concílio de Trento (1543-65), isto é, o Papa e o colégio dos bispos em comunhão com ele. Além disso, do ponto de vista do conteúdo, devese recordar que o Vaticano II se encontra em íntima continuidade com os dois Concílios precedentes, retomando literalmente alguns dos seus pontos decisivos". (Cardeal Ratzinger)

"Em primeiro lugar, é impossível para um católico tomar posição a favor do Vaticano II contra Trento ou o Vaticano I. Quem aceita o Vaticano II, assim como ele se expressou claramente na letra, e entendeu-lhe o espírito, afirma ao mesmo tempo a ininterrupta tradição da Igreja, em particular os dois concílios precedentes. E isto deve valer para o chamado 'progressismo', pelo menos em suas formas extremas. Segundo: do mesmo modo, é impossível decidirse a favor de Trento e do Vaticano I contra o Vaticano II.

Quem nega o Vaticano Il, nega a autoridade que sustenta os outros dois Concílios e, dessa forma, os separa de seu fundamento. E isso deve valer para o chamado 'tradicionalismo', também ele em suas formas extremas. Perante o Vaticano II, qualquer opção parcial destrói o todo, a própria história da Igreja, que só pode subsistir como uma unidade indivisível". (Bento XVI)

CATECISMO: 891."A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo episcopal quando este exerce seu magistério supremo em união com o sucessor de Pedro", sobretudo em um Concílio Ecumênico. Quando, por seu Magistério supremo, a Igreja propõe alguma coisa "a crer como sendo revelada por Deus" como ensinamento de Cristo, "é preciso aderir na obediência da fé a tais definições. Esta infalibilidade tem a mesma extensão que o próprio depósito da Revelação divina.

BENTO XVI - CATEQUESE DE 10/10/2012: Bento XVI convidou os fiéis à leitura dos documentos "libertando-os de uma massa de publicações que muitas vezes, em vez de fazê-los conhecer, os esconderam", que, ao contrário, são também para os nossos tempos "uma bússola que permite à nave da Igreja proceder em mar aberto, em meio a tempestades ou sobre ondas calmas e tranquilas, para navegar segura e chegar na sua meta".

Bento XVI - Congresso sobre João Paulo II e o Concílio 28/10/2008 «Os documentos conciliares não perderam sua atualidade com o passar do tempo», mas ao contrário, «revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas instâncias da Igreja e da presente sociedade globalizada». «Todos nós somos verdadeiramente devedores deste extraordinário acontecimento eclesial», do qual recorda que teve «a honra de participar como especialista».

João Paulo II acolheu todos os seus documentos, e ainda mais em suas decisões e em seu comportamento como pontífice, as instâncias fundamentais do Concílio Ecumênico Vaticano II, do qual se converteu em intérprete qualificado e testemunha coerente». (Bento XVI) Em 8 de dezembro de 2005 - Bento XVI celebrou no dia da Imaculada Conceição os quarenta anos do encerramento do Concílio Vaticano II, o qual definiu como «o maior acontecimento eclesial do século XX».

O Concílio, «brotou do coração de João XXIII, mas é mais exato dizer que em último termo, como todos os grandes acontecimentos da história da Igreja, brotou do coração de Deus, de sua vontade salvífica». «A múltipla herança doutrinal que encontramos em suas Constituições Dogmáticas, nas Declarações e nos Decretos, estimula-nos ainda agora a aprofundar na Palavra do Senhor para aplicá-la ao hoje da Igreja, tendo muito presentes as necessidades dos homens e mulheres do mundo contemporâneo, extremamente necessitado de conhecer e experimentar a luz da esperança cristã.» Se aproximem dos documentos conciliares para buscar neles respostas satisfatórias aos muitos interrogantes de nosso tempo». (Bento XVI)

Encontro de Bento XVI com alguns bispos que participaram do Concílio Vaticano II O Concílio foi um tempo de graça no qual o Espírito Santo nos ensinou que a Igreja, no seu caminho ao longo da história, precisa sempre falar ao homem contemporâneo, mas isso só pode acontecer pelo poder daqueles que têm raízes profundas em Deus, deixam-se guiar por Ele e vivem com pureza a própria fé; não vem daqueles que estão se adaptando ao tempo que passa, daqueles que escolhem o caminho mais cômodo.

FRUTOS DO CONCÍLIO: Abertura da Igreja ao mundo. Valorização da atividade dos leigos. Novos movimentos e novas comunidades. RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA S. João Paulo II - na vigília de Pentecostes, 2004: Os novos movimentos e comunidades eclesiais são uma «resposta providencial» do Espírito Santo para a Igreja. (Zenit. org, 30/5/2004)

PAULO VI - PRIMEIRA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE LÍDERES DA RCC Em Grottaferrata, de 8 a 12 de outubro de 1973. Assistiram 120 dirigentes que procediam de 34 países. Foi elaborado um documento cuja publicação foi aprovada pela Congregação da Defesa da Fé. Estamos sumamente interessados no que estais fazendo. Ouvimos falar muito sobre o que acontece entre vós e nos regozijamos. Temos muitas perguntas e fazer-vos, mas não temos tempo.

Características dos participantes: O gosto por uma oração profunda, pessoal e comunitária; Uma volta à contemplação e uma ênfase colocada na palavra de Deus; O desejo de entregar-se totalmente a Cristo; Uma grande disponibilidade às inspirações do Espírito Santo; Uma leitura mais assídua da Escritura; Uma ampla abnegação fraterna; Uma vontade de prestar uma colaboração aos serviços da Igreja.

Papa João Paulo II - na Conferência Internacional da R.C.C. - Itália - Out./1998 "Dou graças a meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vós, porque em todo o mundo é preconizada a vossa fé."(rm1,8). A Renovação Carismática Católica tem ajudado muitos cristãos a redescobrirem a presença e o poder do Espírito Santo em suas vidas, na vida da Igreja e do mundo; e esta redescoberta tem levantado neles uma fé em Cristo cheia de alegria, um grande amor pela Igreja e uma generosa dedicação a sua missão evangelizadora.

Como líderes da Renovação Carismática Católica, uma de suas primeiras tarefas é a de preservar a identidade das comunidades carismáticas espalhadas pelo mundo inteiro, incentivando-as sempre a manter uma ligação estreita e hierárquica com os bispos e com o Papa. Vocês pertencem a um movimento eclesial; e a palavra "eclesial" implica uma tarefa precisa de formação cristã, envolvendo uma profunda convergência de fé e de vida. A fé entusiástica que dá vida às suas comunidades deve ser acompanhada por uma formação cristã que seja abrangente e fiel ao ensinamento da Igreja.

De uma formação sólida surgirá uma espiritualidade profundamente enraizada nas fontes da vida cristã e capaz de responder às perguntas cruciais colocadas pela cultura de nossos dias. Em minha encíclica "Fé e Razão", faço uma advertência contra o fideismo que não reconhece a importância do trabalho da razão não apenas por compreensão de fé, mas até por um ato de fé em si mesmo. Como é grande a necessidade de comunidades cristãs vivas! E eis, então, os movimentos e as novas comunidades eclesiais: eles são a resposta, suscitada pelo Espírito Santo, a este dramático desafio do final de milénio" (João Paulo II - L'Osserv. Rom., ed. port. de 6/6/98, pág. 4).

Papa Francisco com a RCC - 3 de julho de 2015 O Papa disse que foi um grande erro chamar a Renovação Carismática como um Movimento, porque ele não tem um fundador, mas inclui uma grande variedade de realidades. É uma corrente de graças, um sopro renovado do Espírito a todos os membros da Igreja, leigos, religiosos, sacerdotes e bispos.

É um desafio para todos nós. Ninguém faz parte da Renovação, mas ela faz parte de nós, com o pacto de que aceitemos a graça que nos oferece. Esta obra soberana do Espírito suscitou homens e mulheres renovados, depois de terem recebido a graça no Batismo, no Espírito, deram vida a associações, comunidades ecumênicas, escolas de formação e de evangelização, congregações religiosas, comunidade de ajuda aos pobres e necessitados.