SANTO AGOSTINHO
SANTO AGOSTINHO - INFLUÊNCIAS Em Cartago, Santo Agostinho estudou literatura, filosofia e retórica. Sua paixão por filosofia foi despertada pela leitura do livro Hortensius, de Cícero um tratado que recomenda o estudo da filosofia como caminho para alcançar a verdade. Influenciado por Cícero, Agostinho afirmava que o ideal mais nobre a seguir era a vida contemplativa deixar em segundo plano o trabalho manual para dedicar-se exclusivamente à busca da verdade profunda de todas as coisas.
SANTO AGOSTINHO E O CRISTIANISMO Desprezava o cristianismo considerando-o uma doutrina incompleta, que não apresentava argumentos suficientemente fortes para convencê-lo. Afirmava que a Bíblia era um livro simplório e mal escrito. Nessa fase, Agostinho aderiu ao maniqueísmo doutrina que afirmava que a criação do mundo tinha sido resultado do conflito entre duas forças: a luz e a escuridão, o bem e o mal.
SANTO AGOSTINHO E O CRISTIANISMO Aos 28 anos, Agostinho partir para Roma. Estava cansando da vida de professor em Cartago e acreditava que em Roma encontraria alunos mais capazes. Em Milão, ele conheceu Santo Ambrósio que na época era bispo. Nunca teve proximidade com Santo Ambrósio, mas foi fortemente influenciado por seus sermões.
SANTO AGOSTINHO E O CRISTIANISMO Santo Ambrósio era um excelente orador. Em suas pregações, refletia sobre o cristianismo e o pensamento grego, mostrando como a fé é necessária para se chegar a verdade. Defendia ainda, em seus sermões, que a Igreja é a única representante de Deus entre os homens. Santo Ambrósio não convenceu Agostinho, mas o deixou em conflito. Santo Agostinho relutava em aceitar a fé e não via como prosseguir em busca pela verdade por meio da vida contemplativa.
SANTO AGOSTINHO E O CRISTIANISMO O conflito na vida de Agostinho culminou com o episódio narrado por ele mesmo (Confissões) ocorrido no Jardim de Milão. Ele ouvia a voz de uma criança cantando e repetindo várias vezes: Toma e lê, toma e lê. Ele se convenceu que era uma mensagem de Deus. Agostinho abriu a Bíblia ao acaso e deparou-se com uma passagem do apóstolo Paulo.
SANTO AGOSTINHO E O CRISTIANISMO Como de dia, andemos decentemente; não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes. Mas vesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis satisfazer os desejos da carne. Epístola aos romanos, São Paulo
SANTO AGOSTINHO E O CRISTIANISMO Depois desse fato, Agostinho decidiu receber o batismo pelas mãos de Santo Ambrósio. Em 391 foi escolhido pela população de Hipona para ser o novo bispo da cidade. Exerceu a função de bispo até a morte.
CREIO PARA ENTENDER E ENTENDO PARA CRER. A partir da conversão, a fé ocupou um lugar central na vida de Agostinho. Ele afirmava que a revelação cristã devia iluminar não apenas o coração, mas também a totalidade de suas capacidades racionais. Sentia a necessidade de estabelecer uma ligação entre aquilo que os seus sentimentos admitiam sem questionar a manifestação de Deus segundo a doutrina cristã e a sua inteligência, que exigia uma explicação para a fé segundo os critérios da filosofia.
CREIO PARA ENTENDER E ENTENDO PARA CRER. Em busca dessa relação (entre a fé e a razão), afirmava que Deus tinha criado todos os seres e substâncias (espirituais ou materiais) por um ato amoroso e voluntário. Por ser o bem supremo, Deus tinha sido motivado em criar coisas boas. Assim como os neoplatônicos, ele defendia que por haver diferentes graus de bem no mundo, há diferentes graus de ser, sendo o espírito a forma mais real por ser a mais semelhante à substância divina. Todas as coisas foram criadas por Deus e até o mais distante e dessemelhante de Deus é essencialmente bom. Portanto, o mal não é criação de Deus.
CREIO PARA ENTENDER E ENTENDO PARA CRER. Para Santo Agostinho, o mal é o estado em que o homem se afasta de Deus, de seus preceitos, de seu amor. O mal é uma condição presente na vida de todos os homens, por causa do pecado original de Adão e Eva. Somente por intermédio de Jesus Cristo, os homens podem ser redimidos e podem reviver o estado pleno de bondade junto a Deus.
AMA E FAZE O QUE QUISERES. Santo Agostinho refletiu também sobre a melhor conduta que o ser humano devia seguir segundo os preceitos do cristianismo. Na vida, há experiências que proporcionam prazer, mas elas são alegrias transitórias. A felicidade absoluta de estar na presença de Deus é incomparável.
A contemplação das belezas naturais não deve ser apreciada como um fim em si mesma, mas sim como uma pequena amostra da verdadeira beleza, da alegria infinita que somente o criador de todas as coisas pode oferecer.
AMA E FAZE O QUE QUISERES. Para Santo Agostinho o amor é a essência da substância divina, está presente em todos os homens e é a energia que move o comportamento humano. Deve-se amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo com a si mesmo, como determinam os evangelhos. O amor, entretanto, pode se dirigir para coisas passageiras como o prazer carnal. Nesse caso o homem estaria se desviando de sua própria natureza, que é a de almejar os prazeres superiores.
AMA E FAZE O QUE QUISERES. Por meio desse raciocínio, Santo Agostinho define o mal. O mal é a perversão da vontade desviada da substância suprema. Quando afirmou Ama e faze o que quiseres, Agostinho defendia devemos ser e agir conforme a própria vontade, iluminada pelo amor divino. Essa é a garantia de que essa liberdade de ação será justa, ou seja, ética.