FUNDAÇÕES DE EDIFÍCIOS ANTIGOS CONSTRUÇÃO TRADICIONAL Licenciatura em Arquitectura IST António Moret Rodrigues
TIPOS DE FUNDAÇÃO I As FUNDAÇÕES ou ALICERCES dos edifícios antigos dependiam, como hoje: do tipo e da capacidade resistente do solo de fundação; da profundidade a que o mesmo se encontra e dos valores das cargas transmitidas. Os TERRENOS podem ser classificados em 3 grupos: Incompressíveis e não escaváveis: rocha firme. Dão as fundações mais seguras. Incompressíveis mas escaváveis: terrenos arenosos (calhaus rolados, saibros, areias finas). Dão também fundações seguras se existirem em camadas espessas. Compressíveis: terra vegetal, lodo, turfa. Dão as piores fundações.
TIPOS DE FUNDAÇÃO II TERRENO DE FUNDAÇÃO À SUPERFÍCIE Nestes casos, as fundações eram constituídas por sapatas isoladas (para pilares), ou contínuas (para paredes). O material de construção era a alvenaria de pedra ou tijolo, não se distinguindo da constituição das paredes. A sobrelargura relativamente à parede era para distribuir melhor as cargas, reduzindo a tensão de contacto, e absorver desvios dimensionais correspondentes a erros de implantação.
TIPOS DE FUNDAÇÃO III TERRENO DE FUNDAÇÃO A PROFUNDIDADE Nestes casos podia-se escavar localmente o solo de 3 em 3m realizando poços quadrangulares, com cerca de 1 m de lado e a altura correspondente à do terreno de fundação. No topo destes poços realizam-se arcos de pedra, tijolo maciço ou mistos, sobre os quais nascem as paredes estruturais. Este processo era mais económico do que fazer escavações contínuas.
TIPOS DE FUNDAÇÃO IV TERRENO DE FUNDAÇÃO A PROFUNDIDADE Podia-se também recorrer à cravação de estacas de madeira, cujas limitações se prendiam com a natureza do terreno a atravessar e limites de resistência da estaca. Esta solução era também encarada como técnica de consolidação do terreno de fundação, contribuindo para a melhoria da sua capacidade resistente. Dada a exigência do solo de atravessamento das estacas ser brando, era uma solução muito associada a terrenos aquíferos, aluvionares.
TIPOS DE FUNDAÇÃO V ESTACAS DA BAIXA POMBALINA A Baixa Pombalina é um exemplo da utilização de estacas dada a presença próxima do nível freático.
TIPOS DE FUNDAÇÃO VI ESTACAS DA BAIXA POMBALINA A madeira não constitui problema desde que não suporte alternâncias de ambiente secura/humidade. As estacas têm cerca de 1,5m de altura e 15cm de diâmetro. Dispõem-se segundo 2 linhas paralelas na direcção das paredes mestras. Na parte superior são unidas por toros transversais e estes por toros longitudinais.
FUNDAÇÕES DE PAREDES I IMPLANTAÇÃO É a marcação no terreno da planta das fundações. Marcam-se primeiro as fundações das paredes exteriores e só depois são marcadas as interiores (resistentes). As cotas são dadas ao eixo e o traçado dos alinhamentos é feito com cordel.
FUNDAÇÕES DE PAREDES II IMPLANTAÇÃO Os alinhamentos das paredes ficam marcados numa estrutura de apoio designada por cangalho. É constituída por cavaletes de madeira onde são cravados pregos de forma que um fio esticado entre eles reproduz os alinhamentos.
FUNDAÇÕES DE PAREDES III FUNDAÇÕES DE ALVENARIA Qualquer fundação não devia ter menos de 0,40m de largura, que é o espaço mínimo necessário para um operário poder trabalhar à vontade. No caso de terreno bom as fundações são abertas até à profundidade de 1,0m. Devem ficar todas ao mesmo nível para que, em caso de assentamentos, eles se dêem por igual em toda a superfície da obra. Depois de abertas as fundações são enchidas com alvenaria de pedra rija e argamassa.
FUNDAÇÕES DE PAREDES IV FUNDAÇÕES DE ALVENARIA Em caso de dúvida sobre a resistência do terreno, para além de se dar maior profundidade às fundações, fazia-se uma sapata de betão com 0,10m ou 0,15m de espessura. Caso contrário, fazia-se a alvenaria logo directamente sobre a terra, depois de batida a maço.
FUNDAÇÕES DE PAVIMENTOS I PAVIMENTOS ASSENTES NO TERRENO O primeiro pavimento de um edifício pode ficar assente no terreno ou a um nível inferior, no caso de existência de cave. Para os pavimentos térreos gozarem de boa estabilidade iniciam-se os trabalhos da sua preparação pela abertura da caixa.
FUNDAÇÕES DE PAVIMENTOS II PAVIMENTOS ASSENTES NO TERRENO Se o terreno com boas condições estiver mais baixo do que a altura que a caixa deveria ter, preenche-se com camadas sucessivas, e sempre batida a maço, de terra sólida e limpa. C Caixa cheia com terra e massame B - Caixa com uma camada de terra batida A - Caixa aberta
FUNDAÇÕES DE PAVIMENTOS III PAVIMENTOS ASSENTES NO TERRENO Se o terreno for mais baixo do que o nível a que deverá ficar o piso, mesmo na altura própria da caixa, mas se estiver desnivelado, deve-se nivelá-lo. Sobre a última camada de aterro, aplica-se uma camada de brita, com cerca de 0.07 ou 0.08m de espessura, e sobre ela assenta-se o massame na sua constituição mais conveniente.
FUNDAÇÕES DE PAVIMENTOS IV PAVIMENTOS ASSENTES NO TERRENO Os massames podem ser de betão, de alvenaria e ciclópicos: os de betão são construídos com cascalho (pedra britada) e argamassa de cimento e areia; os de alvenaria são, como o nome indica, construídos com alvenaria, de pedra e argamassa. os ciclópicos são construídos com betão e grandes blocos de pedra irregular entremeados na massa.
FUNDAÇÕES DE PAVIMENTOS V PAVIMENTOS ASSENTES NO TERRENO Sobre o massame pode ainda ser executada uma betonilha de regularização, que se pode constituir como revestimento final, ou servir de base para o assentamento de outros revestimentos.
HUMIDADE DO SOLO I PROTECCÃO CONTRA A HUMIDADE Em paredes de alvenaria era sempre necessário ter em atenção a protecção contra possíveis infiltrações de humidade. Nos casos de humidade sob o terreno da fundação da parede, bastava defender a parede das eventuais infiltrações por capilaridade, através de uma camada de asfalto ou feltro betuminoso até 15 cm acima do terreno.
HUMIDADE DO SOLO II PROTECÇÃO CONTRA A HUMIDADE Quando a humidade resultava também das camadas superficiais do terreno, havia que aumentar a protecção estendendo a camada de feltro ou asfalto a todo o terreno mas colocando antes uma camada de betão magro.
HUMIDADE DO SOLO III PROTECÇÃO CONTRA A HUMIDADE No caso de caves devia-se proteger não só o pavimento mas também de toda a parede exterior, levando a protecção pelo menos 30 a 40 cm acima do nível do terreno. Esta protecção fazia-se com feltros betuminosos ou com uma camada de asfalto.
HUMIDADE DO SOLO IV PROTECÇÃO CONTRA A HUMIDADE A melhor solução, porém, consistia no emprego de uma parede dupla, o que era sempre uma solução mais dispendiosa.
HUMIDADE DO SOLO V PROTECÇÃO CONTRA A HUMIDADE Quando, num edifício já construído, a impermeabilização tiver sido insuficiente, podia construir-se no interior uma parede falsa, com uma caixa de ar e caleira para escoamento de eventual humidade infiltrada.
HUMIDADE DO SOLO VI PROTECÇÃO CONTRA A HUMIDADE Era essencialmente por causa da humidade que os prédios cujo andar térreo era habitado tinham uma caixa de ar cuja altura era, no mínimo, 60 cm. A ventilação da caixa era feita através de orifícios de de 10 a 20 cm de diâmetro, protegidos com grelhas de ferro fundido. As paredes interiores tinham também furos para permitir a ventilação total da caixa.