Vinheta Mosaico 1 RESUMO

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Vinheta Mosaico 1 Mariana Machado PENNA 2 Gabriela VASCONCELLOS 3 Filipe GALVÃO 4 Wesley PRADO 5 Renata REZENDE 6 Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, RJ RESUMO O presente trabalho apresenta a vinheta do programa experimental de Tv MOSAICO 7, bem como as etapas de concepção e de produção, realizado pelos alunos do 4º período de Comunicação Social/Jornalismo da UFF. A vinheta, cujo nome é o mesmo do programa, foi desenvolvida de forma a marcar a identidade da produção televisiva em questão e ilustrar a própria ideia de Mosaico, uma espécie de quebra-cabeça temático. A vinheta foi produzida baseada no argumento do programa televisivo que defende a ideia da união de pensamentos e do trabalho em equipe, formando assim um mosaico a partir de diferentes temas e linguagem híbrida. PALAVRAS-CHAVE: vinheta; programa de televisão; variedades; telejornalismo; mosaico; INTRODUÇÃO A vinheta é uma das primeiras manifestações da programação visual, que, com raízes nas iluminuras, demonstra uma forma estilística enquanto reflexo de outras formas anteriores de arte já utilizadas. (AZNAR, 1997, p. 37). A maior parte dos manuais de telejornalismo define vinheta como um produto que marca a abertura ou intervalo do 1 Trabalho submetido ao XX Prêmio Expocom 2013 Sudeste, na categoria Cinema e Audiovisual, modalidade Vinheta. 2 Aluno líder do grupo e estudante do 5º. Semestre do Curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFF, email: maary_penna@hotmail.com. 3 Estudante do 5º. Semestre do Curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFF, email: gaabi.vasconcellos@hotmail.com. 4 Estudante do 5º. Semestre do Curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFF, email: filipe.ferreira.galvao@gmail.com. 5 Estudante do 5º. Semestre do Curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFF, email: wesleyph20@yahoo.com.br. 6 Orientadora deste trabalho. Professora do Curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFF email: renatarezender@yahoo.com.br 7 Programa laboratorial e experimental de televisão produzido por alunos do 4º período de comunicação social. 1

telejornal. Normalmente é composta de imagem e música características, trabalhadas com efeitos especiais (BARBEIRO, LIMA, p. 198. 2002). A definição para os produtos audiovisuais televisivos, em geral, não é muito diferente, mas podemos explicar seu sentido a partir de significados ampliados: do francês vignette, o termo pode ser traduzido como pequena vinha e, conforme afirma Jaqueline Schiavoni (2011), apesar do estranhamento da origem da palavra, essa definição traduz bem o termo, que remonta à Idade Média, mais especificamente às iluminuras contidas nas escrituras sagradas: [...] a videira possui grande valor simbólico nesses textos e, por vezes, foi utilizada em forma de desenho para tornar mais acessíveis algumas das passagens bíblicas. (Schiavoni, 2011; p.96.). Desta forma, aos poucos, o termo começou a ser associado às produções televisivas de forma a marcar determinado conteúdo. A vinheta do programa Mosaico foi escolhida para representar e ilustrar a união dos projetos individuais (enquanto projetos audiovisuais: grandes reportagens, vídeos, documentários) realizados pelos alunos durante a disciplina Introdução ao Telejornalismo, ministrada pela professora Renata Rezende, no quarto período do curso de Comunicação Social/ Jornalismo da Universidade Federal Fluminense (UFF). Antes de explicarmos o processo da produção da vinheta, bem como os objetivos, métodos e técnicas utilizados em sua produção, é necessário um breve panorama do programa que recebeu a vinheta em questão: a produção televisiva experimental Mosaico. O Programa Mosaico O Mosaico trata-se de um programa laboratorial e experimental de televisão, resultado do trabalho desenvolvido pelos alunos da disciplina de Introdução ao Telejornalismo, da Universidade Federal Fluminense (UFF), sob a orientação da professora Renata Rezende. A proposta inicial da disciplina foi desenvolver seis (06) grandes reportagens televisivas, mas com a utilização de linguagens e formatos variados, de forma a incentivar a turma a produzir conteúdo audiovisual, com a perspectiva da investigação da temática escolhida, por meio de técnicas jornalísticas, mas, ao mesmo tempo, utilizando estéticas diversificadas, com influência de linguagens hipertextuais e documentais. Durante o curso, a turma dividiu-se em seis grupos de quatro alunos (cada um responsável por uma função, pesquisa/produção, reportagem, cinegrafia e edição) e, cada um deles, escolheu um tema. Como o projeto inicial foi pensando a partir de propostas 2

livres, os temas escolhidos foram: Escola de Fotógrafos Populares da Maré; Trabalho Voluntário; Intercâmbio Cultural; Sebos; a retirada dos índios da Aldeia Maracanã e a desapropriação da comunidade Vila Autódromo. Todos os temas localizados no estado e, principalmente na cidade do Rio de Janeiro. A primeira intenção era que o material fosse apresentado de forma singular e individual, sem pertencer a um determinado programa televisivo, mas como as produções apresentaram uma narrativa interessante, a professora orientadora propôs que fosse criado um programa que conseguisse alocar todas as matérias, e então exibido no canal de televisão universitário da UFF, a UniTevê. Juntos em sala de aula, começaram-se as discussões de formato, nome, tempo e projeto do programa e, depois de muitas trocas de ideias, o nome Mosaico apareceu, com a justificativa de retratar a união das vozes, a junção de todos os temas. Seria um mosaico de informações cedidas pelos próprios produtores. Além disso, ficou decidido que seria um programa de periodicidade mensal, e cada edição teria um tema, com um vídeo, documentário ou grande reportagem apresentada. Dividido em dois blocos, o programa exibiria na primeira parte a grande reportagem produzida e, após o intervalo comercial, no segundo bloco, uma entrevista com integrantes dos grupos produtores a fim de esclarecer dúvidas sobre os bastidores, como a escolha da pauta, como foi realizada a pesquisa do assunto, como foram realizadas as gravações e quais as dificuldades para o desenvolvimento do vídeo, bem como o resultado apresentado. O segundo passo foi a criação do cenário, a escolha dos apresentadores e o desenvolvimento da vinheta, produção a qual se refere este paper e que vamos apresentar a seguir. OBJETIVO Uma das características das vinhetas é a sua função mercadológica na televisão, quer dizer, a apresentação e o estabelecimento de marcas. A identificação da emissora e dos programas veiculados ocorre desde o início da televisão brasileira, atendendo necessidades básicas do próprio meio, e permanece até hoje (SCHIAVONI, 2011. p.104). Desde o surgimento da Tv, as vinhetas acompanham as suas programações, ganhando maior força com a chegada da televisão em cores. Assim, essas produções acabaram por se tornarem parte fundamental dos programas de Tv desde então. As vinhetas 3

são como o um cartão de visitas de uma programação, pois introduz ao espectador algumas das principais características do produto, promovendo uma melhor assimilação das ideias ali inseridas. Na criação da vinheta do Programa Mosaico, utilizamos a mesma ideologia do nome Mosaico, ou seja, a junção de partes para formar um todo - uma espécie de quebracabeças. Partimos do singular até chegar ao plural, ou seja, de uma só ideia ao conceito final do programa: uma colagem de pensamentos de todos os componentes do projeto. O objetivo da vinheta é apresentar ao telespectador o programa enquanto linguagem híbrida e dar uma prévia da ideologia nele inserida, ou seja, a união de vozes, de temas em um mesmo produto. Além disso, tem como intenção dar uma marca ao programa, criando uma identidade visual com o telespectador. A produção da vinheta, nesse sentido, é um resumo do programa, desde a criação até a finalização, ou seja, ilustra em forma de vídeo o envolvimento de todos os alunos no projeto televisivo. JUSTIFICATIVA Atualmente, como explica Schiavoni (2011; p.94.), a ferramenta mais utilizada na produção de vinhetas é a computação gráfica. Segundo ela, isso acontece por causa da qualidade das imagens desenvolvidas no computador, cuja natureza é sintética, resultado de reelaborações digitais. No entanto, por se tratar de um projeto laboratorial e experimental, o grupo optou por uma produção com utilização de técnicas mais simples e manuais correspondentes à referência do produto, como detalhamos a seguir, justificando, nesse sentido sua relação com a produção proposta. Em representação, a vinheta inicia-se com apenas algumas facetas, simbolizando somente as ideias iniciais de pequenos cortes (por meio dos rostos recortados em papéis picados e amassados) (ver figura 1) e, aos poucos, outros rostos vão aparecendo, indicando o surgimento de novos personagens e conceitos. Por fim, aparece um rosto formado por partes de todos os alunos responsáveis pelo processo, o que conceitua a finalização do projeto. Para materializar essa ideia, forma-se um ser andrógeno, o qual representa o mosaico humano, que leva as duas mãos à boca num desejo de grito, com o objetivo comum de informar o telespectador e, ao mesmo tempo, gritar a cada temática (ver figura 2) Outra fonte de inspiração foi o próprio cenário do programa, que, apesar do conceito de 4

mosaico já existir desde o planejamento do projeto, ficou pronto antes da construção da vinheta, possibilitando-nos a utilizá-lo na produção. Levamos em conta também o próprio conceito de televisão enquanto produto polifônico, como afirma Machado (2000, p.110), principalmente quando se refere ao formato audiovisual informativo, cujo exemplo é fornecido a partir do telejornal: ao colocar em circulação e em confronto as vozes que relatam ou explicam um conflito, ao tentar encaixar as vozes umas dentro das outras, o que mais faz o telejornal é produzir uma certa desmontagem dos discursos. Machado (2000) vai além quando afirma ainda que, em certa medida, esse gênero televisivo, enquanto produto, é uma colagem de depoimentos e fontes numa sequencia sintagmática [...]. Desta forma, e, em algum sentido, o grupo se apropria dos contextos do autor e até os utiliza, mas utilizando essa colagem para propor um novo modelo. Figura 1: Frame com rostos em papeis recortados e amassados 5

Figura 2: Parte do Cenário que serviu de inspiração para a vinheta MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADOS Os métodos e técnicas utilizados para a criação da vinheta envolveram diversos processos, desde gravação de imagens, produção de fotografias, iluminação e edição. O primeiro passo foi a produção fotográfica dos alunos em estúdio, utilizando uma câmera Nikon D-90, lente Nikkor 35mm. As fotografias foram impressas em papel A4 e justapostas em uma superfície plana. As folhas foram amassadas e rasgadas, encaixando-se como quebra cabeças ( mais uma vez a fim de passar a ideia de mosaico). A iluminação foi feita com um jogo de lâmpadas que simboliza um farol. A partir daí, iniciamos a gravação, também utilizando uma câmera 6

Nikon D90. O movimento dos papéis recortados com os rostos foi realizado com o auxílio de um ventilador para provocar a ideia de peças ao vento Para a finalização gráfica, o software utilizado foi Adobe Premiere. Utilizamos recursos como fade to black, cross dissolve e incluímos a logo do programa ao final da vinheta. Para a logo, escolhemos a fonte Earwing Factory, pois esta possui letras de formatos e tamanhos diferentes umas das outras, criando mais uma vez a ilusão e a referência a um mosaico. Quanto à trilha sonora, escolhemos uma música instrumental, de caráter neutro, que não confundisse o telespectador, visto que o Mosaico é um programa de variedades, que hibridiza linguagem e investigação jornalística a estéticas videográficas e documentais, logo não poderia ser uma música de assunto específico. Além disso, a neutralidade é propícia para uma reflexão, necessária para o entendimento da ideia da vinheta. Outro motivo desta escolha foi o fato das batidas encaixarem com as imagens e com os fades, criando novamente a ilusão de quebra cabeças. A escolha da realização em preto e branco se deu a partir de critérios estéticos e conceituais. Acreditamos que o uso do preto e branco, tanto na vinheta, quanto no cenário provocou um contraste com as o material audiovisual produzido (reportagens, vídeos e documentários) que são coloridos e, ao mesmo tempo agrupou à ideia de seriedade da investigação temática de cada edição do programa. Nesse sentido, a ideia foi agrupar a vinheta num todo estético do programa enquanto signo fechado. DESCRIÇÃO DO PRODUTO A vinheta foi pensada para ilustrar a ideologia do programa, ou seja, todos os produtores unidos a fim de ter um resultado singular e atento ao conjunto audiovisual proposto. É a junção de múltiplas vozes que gritam o nome Mosaico. Com a duração de 30 segundos, a vinheta começa com uma tela preta, que representa o caos primordial, o zero positivo pleno de possibilidades e que, aos poucos, se abrem na tela para outras possibilidades, outras imagens e outras vozes. Aos poucos vão aparecendo rostos, desenhados em papéis e, posteriormente rasgados e amassados, onde partes desses rostos são aproveitadas. É a metáfora do trabalho em equipe, da união de ideias. 7

Tudo na vinheta representa um mosaico, desde os rostos se formando nas folhas às imagens piscando em preto, e, aos poucos, é possível verificar o resultado final, que representa uma colagem de partes de todos os alunos da turma, formando um mosaico humano, um andrógeno, que ao mesmo tempo em que não é ninguém, representa todos. A organização das partes é que dá vida ao programa. Além disto, o próprio nome escrito na vinheta é formado por partes das fotografias dos integrantes da turma, mais uma vez ratificando a ideia de união de ideias. CONSIDERAÇÕES Neste trabalho, foi possível aprendermos mais sobre a produção audiovisual combinada com a sobreposição de imagens manualmente, além de aprimorar os conhecimentos de edição de vídeo. O processo de produção como um todo do programa Mosaico foi muito interessante e enriquecedor, oferecendo momentos de descontração e união a todos os alunos do curso, e inclusive à professora orientadora. Durante as gravações, o clima era sempre de muito entusiasmo e otimismo, o que resultou em uma rápida finalização do projeto. Além disto, esta foi a primeira experiência do grupo com a produção de vinhetas, deixando assim o aprendizado, a experiência e o conhecimento para as próximas produções na universidade e fora dela. 8

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZNAR, S.C. Vinheta: do pergaminho ao vídeo. São Paulo: Arte & Ciência, 1997. BARBEIRO, Heródoto. LIMA, Paulo. Manual de Telejornalismo. Rio de Janeiro, Campus, 2002. MACHADO, Arlindo. A televisão levada a sério. São Paulo: Senac, 2001. SCHIAVONI, Jaqueline Esther. Vinheta Televisiva: usos e funções. In: Significação: revista de cultura e audiovisual. São Paulo: ECA/USP, 2011. http://www.usp.br/significacao/pdf/5_significac%c3%8c%c2%a7a%c3%8c%c6%92o3 5_Jaqueline%20Esther%20Schiavoni.pdf [Acesso em 13/04/2013] 9