NOÇÃO DE ACIDENTE E INCIDENTE



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Transcrição:

FICHA TÉCNICA NOÇÃO DE ACIDENTE E INCIDENTE Níveis GDE Temas Transversais Síntese informativa Nível 1 Nível Atitudinal Tema 1 - Conhecimento de si próprio como Condutor; Tema 2 - Atitudes e Comportamentos Causas e consequências dos acidentes rodoviários Noção de incidente, acidente e quase acidente Tipos de acidentes Noção de investigação de acidentes SUGESTÕES DE OPERACIONALIZAÇÃO FORMAÇÃO TEÓRICA Nível 1 Nível Atitudinal - Conhecimentos Básicos de Segurança Rodoviária Objectivos Métodos e Recursos Reflectir sobre a noção de incidente, acidente e quase acidente no trânsito rodoviário Conhecer os vários tipos de acidentes e suas consequências Discutir a forma de evitar os acidentes mais frequentemente ocorridos na via pública Metido expositivo Método interrogativo Método activo Grupos de discussão Trabalhos de grupo Portaria nº 536/2005, de 22 de Junho Cap. I, Sec. I, 2 1

NOÇÃO DE ACIDENTE E INCIDENTE Todos os condutores devem ter uma noção de como é constituído o sistema rodoviário e de quais as situações que podem ocorrer durante a condução. Este conhecimento é importante para que possam ser agentes de segurança rodoviária, protegendo-se em situações críticas e tendo igualmente a capacidade para solucionar problemas. Assim, para ter uma noção abrangente do que se passa no sistema rodoviário português, é importante ter algumas noções de incidentes, acidentes e quase acidentes. CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DOS ACIDENTES RODOVIÁRIOS Portugal era, na década de 80, o país europeu com mais elevada taxa de mortalidade rodoviária, estando actualmente entre os 14 mais seguros em termos de sinistralidade na estrada. Muito por causa de inúmeras medidas tomadas, aos mais diversos níveis de alterações legislativas, a saber: maior e mais eficaz controlo e fiscalização dos condutores, maior segurança proporcionada pelos veículos ao nível dos sistemas de segurança activa e passiva, melhoria das infra-estruturas rodoviárias e dos sistemas de emergência médica, para além de uma consciencialização e mudança de comportamentos ao nível dos condutores. 1865 1750 1748 1651 1554 1457 1629 1466 1469 1356 1360 1263 1165 1068 971 1135 1094 874 850 854 Decréscimo médio anual Vítimas mortais 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Evolução das Vítimas Mortais Fonte: Relatório Anual da Sinistralidade Ano 2007 ANSR 2

250 Acidentes c/ vítimas 200 150 Vítimas mortais Feridos graves Combustível 100 50 0 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Consumo de combustível e indicadores de sinistralidade: 1988-2007 Fonte: Relatório Anual da Sinistralidade Ano 2007 ANSR As consequências da sinistralidade são medidas em mortos, feridos graves e feridos ligeiros, quando dos ferimentos resultantes não é necessária hospitalização. Analisando os dados da sinistralidade rodoviária ao longo dos anos, podemos concluir que os meses mais perigosos para andar na estrada são os meses de verão (Julho e Agosto) os dias da semana mais perigosos são a 6ª feira e o sábado, que os acidentes mais graves ocorrem entre as 0 horas (meia-noite) e as 6 horas da manhã. NOÇÃO DE INCIDENTE, ACIDENTE E QUASE ACIDENTE Os incidentes podem ser considerados como eventos não previsíveis que ocorrem no sistema rodoviário. São geralmente obstruções ao normal e regular funcionamento do sistema, constituindo perturbações de ordem variada. Imagine-se a situação de alguém que conduz numa auto-estrada e que a certa altura fica sem combustível. Esta situação pode ser considerada como um incidente uma vez que se trata de um acontecimento inesperado. Neste caso o condutor é forçado a parar o carro na berma e pode constituir um perigo para os outros condutores. 3

Suponhamos agora que, pelo facto de lhe ter faltado combustível o condutor teve de parar o seu carro na via, o que fez com que outro veículo colidisse com ele. Neste caso estamos perante um acidente. Em termos formais um acidente caracteriza-se por ser uma ocorrência que decorra ou tenha origem na via pública, e que envolva pelo menos um veículo. Para que seja considerado acidente, destes acontecimentos devem resultar vítimas e/ou danos materiais. Portanto, um acidente é um acontecimento não previsto nem planeado do qual resultem danos morais, patrimoniais ou pessoais. TIPOS DE ACIDENTES Dependendo do tipo de dano causado, o acidente pode ser considerado como acidente com vítimas (de onde resulta um dano para, pelo menos, um indivíduo) acidente mortal (tratando-se de um acidente de onde decorra pelo menos uma vitima mortal), ou acidente com feridos graves (do qual resulta pelo menos um ferido grave, ou seja cujos danos corporais obriguem o indivíduo a um período de hospitalização superior a 24 horas, mas onde não há a ocorrência de qualquer morte). A natureza dos acidentes no sistema rodoviário português são caracterizados como pertencendo a três grandes grupos: atropelamento, colisão e despiste. A maioria dos acidentes são colisões entre veículos, entre veículos e pessoas ou animais (atropelamentos) e contra obstáculos fixos (despistes). O condutor deve adequar, permanentemente, o seu comportamento às condições da via e do veículo, que se alteram a todo o momento, requerendo uma constante adaptação às situações de trânsito. Para tanto, ao nível da tarefa da condução, precisa de recolher e interpretar correctamente a informação, analisando-a a fim de tomar uma decisão e executar um conjunto de manobras, caso a caso. NOÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES Ao nível do conhecimento genérico sobre investigação de acidentes, deve-se motivar o condutor a compreender que a importância da recolha e na análise de todos os dados e que todos os sinais físicos sobre os utentes da via, a via e os veículos intervenientes. Sobre os utentes intervenientes em acidentes, é essencial averiguar o momento em que percepcionaram o perigo, as manobras realizadas, velocidade a que os veículos circulavam, etc. 4

Meio Ambiente Veículo Organização Condutor A análise de um acidente implica a construção de uma versão verosímil da forma como o mesmo aconteceu, depois de se ter interpretado todos os dados recolhidos sobre as pessoas, a via e os veículos. No sistema rodoviário interagem 4 vectores, a saber: utente, veículo, ambiente rodoviário e organização, mas é ao primeiro dos vectores que se atribui, segundo diversos estudos internacionais, a maior parte das causas dos acidentes, presente em cerca de 90% dos acidentes, factores relacionados com o condutor. E apenas os restantes 10% têm um dos outros 3 vectores como causa principal. Factores como a distracção, ansiedade, pressa, stress, fadiga, agressividade, inexperiência, erros diversos, etc. são factores relacionados com o condutor. E, tal como as estatísticas indicam, são estes factores de risco, que muitas vezes provocam o excesso de velocidade, ao não cumprimento das regras do Código da Estrada e às manobras perigosas, apontadas em todos os relatórios policiais como as principais causas dos acidentes. 5