22º DOMINGO DO TEMPO COMUM 03 de setembro de 2017 O discípulo segue os passos do Mestre Leituras: Profeta Jeremias 20, 7-9; Salmo 62 (63), 2.3-4.5-6.8-9; Carta de São Paulo aos Romanos 12, 1-2; e Mateus 16, 21-27. COR LITÚRGICA: VERDE Animador: Celebramos a páscoa de Jesus Cristo que se revela e amadurece nas inúmeras pessoas e comunidades que, renunciando a si mesmas e carregando a cruz, doam suas vidas em favor dos valores da Boa-Nova do Reino. Necessitamos nos fazer discípulos dóceis, para aprendermos de Jesus, em seu seguimento, a dignidade e a plenitude da vida. Iniciando o mês da Bíblia deixemos que a Palavra de Deus nos converta ao amor, ao perdão e ao serviço dos irmãos e irmãs mais necessitados. 1. Situando-nos brevemente A Igreja no Brasil, no mês de setembro, dedica uma atenção particular à Bíblia, motivando o povo de Deus à leitura, à celebração e principalmente à vivência da Palavra. Estamos em plena Semana da Pátria. Enfim, quantos fatos e acontecimentos precisam ser lembrados na celebração deste domingo e que nos ajudam a perceber e celebrar os sinais do Reino de Deus entre nós? Os textos bíblicos de hoje nos encorajam no testemunho cristão, precavendo-nos da mediocridade que pode conduzir-nos por sendas intermináveis ou obscuras. Na acolhida da Palavra de Deus, na oração e partilha do Pão do Céu, elevemos nossa ação de graças pelas conquistas do povo brasileiro e clamemos por justiça e igualdade, por respeito e cidadania. Vivemos numa realidade que clama por reconciliação e paz, que ganha sentido e força à luz do mistério pascal de Cristo que celebramos. Supliquemos à Virgem da Conceição Aparecida que olhe para o povo brasileiro, do qual ela é protetora. A Virgem Maria é chamada Mãe da divina providência, porque nos foi dada por Deus providentíssimo como mãe providente, que por sua intercessão nos providencia os bens celestes (SANTA SÉ. Coletânea de missas de Nossa Senhora. Brasília: Edições CNBB, 2016, n.40). 1
2. Recordando a Palavra Fazia pouco tempo, Pedro havia proclamado Jesus como o Messias, o Filho do Deus vivo (Cf. Mt 16, 16). Mas sua cabeça, ainda não tinha mudado. O povo de Israel aguardava um Messias de sucesso, poderoso, rico e intocável. Com Pedro não era diferente: julgava que Jesus devia ser bem assim. Mas hoje fica meio intrigado com Jesus; sente uma espécie de decepção em relação ao Mestre. Ir até a sede do poder, Jerusalém, era o objetivo de Jesus. Sentia-se na obrigação de ir. E, pelo que Ele já observava sobre a tirania do poder central injusto (político, econômico, religioso), em Jerusalém, Jesus não teve dúvidas: sua vida corria perigo; sentia-se marcado para morrer. Fugir? Impossível! Tinha que enfrentar e assumir as resistências que se lhe oporiam, inclusive com muito sofrimento e até com a morte; mas para ressuscitar ao terceiro dia. O Messias, sofrer e morrer? Ah! Isso não, jamais! Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!, repreendeu Pedro. Jesus reagiu duro com Pedro: Vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!. Satanás tem a ver com Adversário, quer forçar Jesus a assumir outro rumo, o rumo de um messianismo de riqueza e poder temporal, em total descompasso com a lógica de Deus. Pedro ainda não havia entendido em que sentido Jesus era o Messias. Então Jesus explica qual é o rumo de seu messianismo. Pensa no Servo Sofredor de Deus, que liberta o mundo por sua dedicação até a morte. Mas ninguém é obrigado a segui-lo. Se alguém quiser me seguir, diz Jesus. Portanto, trata-se de uma escolha pessoal. Optar por segui-lo significa assumir a mesma sorte e o mesmo destino de Jesus: renunciar a si mesmo e tomar a cruz. E o resultado final de tal opção é: encontrar a vida. Toda a riqueza, poder e sucesso do mundo não são a garantia de qualidade de vida plena, eterna, e sim a justiça do Reino de Deus: quando o Filho do Homem vier na glória do seu Pai, então ele retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta. As expressões fortes de Cristo frente à tentação de Pedro para que ele rejeite a cruz, nos mostra que a vida cristã será marcada por constantes tentações do bem-bom da vida e do sofrimento. O discipulado será marcado por muitas adversidades e quedas, mas receberá o prêmio mediante a perseverança. De fato, não é fácil optar pelos rumos de Deus, isto é, sua Palavra de vida. O profeta Jeremias, num momento de crise pessoal, que o diga! Como ouvimos na primeira leitura, ele confessa ter sido seduzido por Deus: Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir.... Pois sua opção pela justiça de Deus custou-lhe muito sofrimento. Teve que suportar zombarias por todo lado (BORTOLINI, J. Roteiros Homiléticos, São Paulo: Paulus Editora, 2006, p.213). Sente que a Palavra do Senhor se tornou para ele fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro. Pensou até em fazer greve como profeta (Jr 20,9). Mas a voz de Deus era como um fogo ardente no seu peito. Não conseguia reprimi-la. Tal é a sorte do profeta. Quando ele tem uma mensagem desagradável e sempre de novo deve ferir os ouvidos Deus não o deixa em paz (J. Konings. Liturgia dominical.op. cit., p.181). 2
De fato, Deus não nos deixa em paz. Dentro de cada pessoa há sempre um fogo ardente a penetrar o corpo todo. Isso se expressa no Salmo 62 que cantamos hoje: A minh alma tem sede de vós (...) como a terra sedenta e sem água!. E não tem outra saída para cultivarmos esse Deus, senão oferecermo-nos a nós mesmos em sacrifício vivo, santo e agradável: este é verdadeiro culto a Deus. É o que ouvimos na segunda leitura. Em outras palavras, o que melhor se ajuda ao plano de Deus, sendo oculto que mais lhe agrada, é, acima de tudo, colocar nossos corpos a serviço da justiça do Reino, contra toda injustiça. O culto que mais agrada a Deus, é acima de tudo colocar nossos corpos a serviço da justiça do Reino, contra toda injustiça. Distinguir qual seja a vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito, e isso não se conformando com os esquemas deste mundo, mas transformando-nos e renovando nossa maneira de pensar e de julgar, eis o grande desafio para o discípulo e discípula do mestre Jesus. Assim como Jesus com sua morte e ressurreição destruiu o inimigo, assim é certa a vitória dos que o seguem no caminho da cruz. 3. Atualizando a Palavra Nós podemos desconfiar de uma Igreja que não conhece o martírio. Por quê? Porque o caminho dos cristãos não é diferente do caminho de Jesus. É feito de incertezas, mas também de coragem e esperanças; de lutas, mas também de vitórias; de cruz, mas também de ressurreição e vida; de não-conformismo, mas também de compromisso com o projeto de Deus. Disso nos falam Jeremias, Jesus e Paulo, Pedro, no evangelho de hoje, representa o medo que temos das consequências do cristianismo que enfrenta as forças contrárias à vida; Jeremias é a voz dos que sofrem fortemente os apelos da Palavra irresistível; Jesus nos mostra o caminho da vitória; Paulo nos fala do verdadeiro culto agradável a Deus. A Palavra de hoje, em síntese, nos encoraja no testemunho cristão, evitando que a mediocridade nos conduza a um beco sem saída (BORTOLONI, op. cit., p.212-213). Todos nós, como Jeremias e como Pedro, passamos pela tentação de querer apossarnos apenas do aspecto glorioso do mistério pascal, negando sua dimensão de renúncia à própria vida. A tentação do ser humano moderno é a realização humana através das próprias forças. Esquece-se de que a pessoa humana se transcende a si mesma a partir de Deus. É só perdendo-se a si mesmo pela doação da própria vida ao próximo por causa de Cristo que ele se realiza de verdade (BECKÄUSER, A. Viver em Cristo. Petrópolis/RJ Editora Vozes, 1992, p. 187). O destino do cristão, discípulo de Jesus, não pode ser diferente do destino do Mestre. O Evangelho de hoje é claro. Para estar com Ele são exigidas duas condições: renunciar a si mesmo é deixar de lado toda ambição pessoal. Em outros termos, temos aqui a repetição da primeira bem-aventurança: ser pobre (cf. Mt 5,3). Carregar a própria cruz é enfrentar, com as mesmas disposições de Jesus, o sofrimento, perseguição e morte por causa da justiça que provoca o surgimento do Reino... É a ultima bem-aventurança, a dos perseguidos por causa da justiça (cf. 5,11). Ser discípulo de Jesus, portanto é reviver a síntese das bem-aventuranças (BORTOLINI, op. cit., p. 215). 3
A lição que Pedro recebe ensinar-nos a olhar para Cristo, para ver nele a lógica de Deus; a olhar para os pobres, para ver neles o resultado da estratégica do adversário (...) Pois o sucesso e a ganância produzem os porões de miséria. Devemos analisar o sistema de Deus e o sistema do Adversário hoje. O sistema de Deus proíbe ao homem dominar seu irmão, porque Deus é o único dono ; os sistemas contrários são baseados na dominação do homem pelo homem. Quem quiser ser mensageiro do Reino de Deus experimentará na pele a incompatibilidade com os sistemas deste mundo. O mensageiro de Deus, seguidor de Jesus será rejeitado pela sociedade como corpo alheio. Tomando consciência disso, vamos rever nossa escala de valores e critérios de decisão. A mania do sucesso, o prazer de dominar, de aparecer, de mandar... já não valem. Vale agora o amor fiel, que assume a cruz, até o fim (KONINGS, J. Liturgia dominical. op. cit., p.182). 4. Ligando a Palavra com ação litúrgica Na liturgia eucarística, entraremos em contato direto com a presença viva da pessoa de Jesus Cristo feito pão e feito vinho, feito alimento. Seu Corpo entregue e seu Sangue derramado pela vida do mundo, sobre este altar. Eis o sacrifício vivo, santo e agradável da Deus, culto espiritual... e nós vamos participar deste sacrifício. Tomai e comei... tomai e bebei... é o convite de Jesus. Para quê? Exatamente para assimilar em nossos corpos, a entrega de Jesus e, assim, sermos nós também em Cristo uma entrega constante a serviço dos irmãos, sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, culto espiritual agradável a Deus. Por isso, terminada a ceia, o sacerdote a conclui com esta significativa oração: Restaurados à vossa mesa pelo pão da vida, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da caridade fortifique os nossos corações e nos leve a vos servir em nossos irmãos e irmãs. Por Cristo, nosso Senhor. Ao que toda a assembleia responde afirmativamente: Amém Maria ao pé da cruz de seu Filho nos revela que o discípulo deve acompanhar o Mestre ao final do seu destino e ser forte para suportar as perseguições e cruzes da caminhada. Oração dos fiéis: Presidente: Peçamos a Deus que nos ajude a tomar a decisão de seguir Jesus e não deixarmos de lado a nossa missão de profetas. 1. Senhor, que a Igreja consagrada ao anúncio do Evangelho de Jesus pregue sempre a justiça e o amor. Peçamos: Todos: Abençoai-nos e protegei-nos, Senhor. 2. Senhor, que os governantes possam se sentir responsáveis pela promoção da vida dos mais necessitados. Peçamos: 3. Senhor, ajudai-nos a ir ao encontro dos irmãos e irmãs que por algum motivo se afastaram de nossa comunidade. Peçamos: 4. Senhor, que possamos exercer nosso chamado ao profetismo diante das adversidades que encontramos em nossa sociedade. Peçamos: (Outras intenções) 4
Presidente: Senhor, ajude-nos a permanecer fiéis ao teu chamado, renunciando a nossa vontade para assumir a cruz de Cristo, que contigo vive e reina pelos séculos dos séculos.. III. LITURGIA EUCARÍSTICA ORAÇÃO SOBRE AS OFERENDAS: Ó Deus, o sacrifício que vamos oferecer nos traga sempre a graça da salvação, e vosso poder leve à plenitude o que realizamos nesta liturgia. Por Cristo, nosso Senhor. ORAÇÃO APÓS A COMUNHÃO: Restaurados à vossa mesa pelo pão da vida, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da caridade fortifique os nossos corações e nos leve a vos servir em nossos irmãos e irmãs. Por Cristo, nosso Senhor. RITO FINAL BÊNÇÃO E DESPEDIDA: Presidente: O Senhor esteja convosco. Todos: Ele está no meio de nós. Presidente: Concedei, ó Deus, ao povo cristão conhecer a fé que professa e amar a liturgia que celebra. Por Cristo, nosso Senhor. Presidente: Abençoe-vos o Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo.. Presidente: Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe. Todos: Graças a Deus. 5