Curso Online MEDIUNIDADE & ESPIRITUALIDADE com Maísa Intelisano Aula 03 - Fenomenologia orgânica e psíquica da Mediunidade Bloco 01 - Reflexão Maísa Intelisano
AULA 3 FENOMENOLOGIA ORGÂNICA E PSÍQUICA DA MEDIUNIDADE BLOCO 1 Reflexões: Todas as criaturas são médiuns Ramatis A polêmica em torno de Hercílio Maes e Ramatis Aspectos da manifestação e do estudo da mediunidade Paralelo entre os pensamentos de Ramatis e Kardec Olá. Nesta aula, além desta reflexão sobre o texto de Ramatis, vamos falar da ação da mediunidade sobre nosso corpo físico e nosso funcionamento psicológico, descrevendo sintomas e características de sua manifestação. Vamos lá? Antes de começarmos nosso estudo, é preciso situar o texto de Ramatis do ponto de vista histórico e cultural. O livro Mediunismo, de onde extraímos o capítulo 3 para estas reflexões, foi publicado em 1960, num tempo em que não se dispunha de tanto conhecimento sobre a mediunidade no Brasil, além daquele divulgado e ensinado pelos próprios espíritas em seus centros e federações. O médium que o psicografou, Hercílio Maes, era, ele mesmo, espírita, tendo, antes, sido teosofista, maçom e rosa-cruz. Seus livros psicografados, quase todos de Ramatis, seguem, a exemplo de Kardec, o modelo de perguntas e respostas, sendo as perguntas feitas por ele e as respostas dadas pelo espírito através dele, por inspiração. Apesar de se permitir refletir sobre outras linhas espiritualistas, no entanto, seu pensamento é bastante influenciado pelo Espiritismo praticado no Brasil na época, o que transparece não só nas perguntas como também nas respostas do espírito que, embora não se declare espírita, acaba adotando linguajar e conceitos dessa linha em suas respostas, talvez respeitando a visão do próprio médium. Podemos, portanto, considerar este um texto espírita, escrito por um espírita e destinado a leitores espíritas, muito embora alguns dos conceitos e ensinamentos passados ali possam fugir ao ensinado e praticado por muitos espíritas e incomodar profundamente muitos adeptos do Espiritismo. Mas, quando falamos de Maes e Ramatis, nada é simples. Considerados espiritualistas demais em sua forma de pensar e se expressar, o médium e o espírito foram muito criticados em alguns segmentos do Espiritismo, por supostamente desvirtuar conceitos centrais do pensamento de Kardec, sendo inclusive banidos dos materiais de estudo em muitas casas. Em contrapartida, o conteúdo considerado mais ecumênico e universalista por outros, atraiu um grande número de simpatizantes e seguidores que consideravam a doutrina espírita muito restrita. Entre espíritas e espiritualistas simpáticos a Ramatis, há ainda divergência quanto ao que Hercílio Maes teria psicografado de modo fiel e a quais ideias de Ramatis teriam sido mal interpretadas durante o processo de redação dos livros, em face de a psicografia de Maes ser do tipo inspirativa (não mecânica) e totalmente consciente, passível de sofrer muita influência do médium. O fato é que Maes, Ramatis e os livros produzidos por sua parceria tornaram-se polêmicos e muito questionados, havendo os que os seguem de forma quase fanática e os que os criticam de forma contundente. 2
Entre uns e outros, preferimos nos ater à análise neutra do conteúdo, como o próprio Maes sugeriu, argumento este também criticado por alguns espíritas. Em nossa opinião, o que importa numa mensagem mediúnica não é o nome de quem a assina, a forma como é transmitida ou o estilo em que é passada, mas o conteúdo, analisado de forma isenta e racional. E, nesse aspecto, embora muito do que Maes psicografou seja bem questionável, muito é também bastante sensato e válido, merecendo estudo mais atento. Esse é o caso do texto que estudamos neste bloco. Neste texto, Ramatis complementa o conceito de mediunidade natural, estudado na aula anterior, dizendo que a intuição seria o tipo de mediunidade mais avançado, por ser conquista do espírito, fruto de seus próprios avanços espirituais, funcionando como uma percepção natural, direta e mais pura da realidade espiritual. Fala também da mediunidade de prova, quando, questionado sobre o desconforto causado pelo surgimento da mediunidade à maioria dos médiuns iniciantes, ele responde que só a mediunidade natural não oferece desconforto ou perturbação, uma vez que a mediunidade de prova é capacidade concedida, gerada artificialmente no corpo espiritual do médium antes de sua reencarnação, exigindo, por isso, adaptação e estudo para melhor aproveitamento. Em outro trecho, Ramatis ratifica a explicação de Kardec em O Livro dos Médiuns, afirmando que todos nós, sem exceção, somos médiuns, pois todos sofremos influência dos espíritos e todos influenciamos o meio em que vivemos e outras mentes, encarnadas ou desencarnadas, uma vez que somos também espíritos. Mas também explica que, apesar de estarmos todos sujeitos a essa influência, a maioria de nós não tem consciência dela e, por isso, não percebe sua própria mediunidade, o que torna o termo médium, então, mais adequado àqueles que já são capazes de perceber essa influência de forma mais clara e ostensiva, podendo, inclusive, fazer uso mais controlado dessa capacidade. E diz também que, embora todos tenhamos alguma sensibilidade mediúnica a influências espirituais positivas e negativas, depende de nós percebermos e acatarmos mais aquelas que são positivas, pela nossa própria postura diante da vida, do mundo, das pessoas e dos fatos. Assim, por sintonia, atrairemos para perto de nós as influências espirituais que mais tenham afinidade com o nosso modo de pensar e agir. Mesmo os médiuns que trabalham com desobsessão, por exemplo, atuando no esclarecimento de espíritos em desequilíbrio, podem se proteger da influência mais negativa deles pela intenção que carregam ao realizarem o trabalho. Ramatis fala ainda por que devemos estudar Kardec: por ser o primeiro roteiro estruturado, organizado e sistematizado para o estudo e a prática segura e saudável da mediunidade (na época, além de Kardec, só existia o Método das Cinco Fases, criado por Edgard Armond na FEESP na década de 50), exatamente como dissemos nas reflexões da aula anterior. E ele acrescenta, em outro trecho, que devem buscar estudar e praticar a mediunidade de forma mais dedicada aqueles que já vivenciam fenômenos estranhos, os quais não têm explicação e já podem estar causando algum tipo de desconforto ou desequilíbrio. No entanto, vale destacar que, embora Maes se refira à doutrina espírita como caminho para o estudo, Ramatis responde de forma neutra, sem apontar um caminho exclusivo, preocupando-se mais em destacar a necessidade de desenvolvimento ético e espiritual do médium, do que esta ou aquela doutrina para esse desenvolvimento. Ramatis ratifica ainda o conceito de mediunidade como capacidade intrínseca do ser humano, independentemente da religião que professe e do nome que se dê, trazendo vários exemplos de médiuns ao longo da história, complementando o quadro que apresentamos na aula anterior, e atribuindo ao Espiritismo apenas o mérito de tratar dessa faculdade de forma mais aberta e clara, sem que seja, por isso, proprietário da mediunidade. Ele argumenta também que, não é porque se pratica mediunidade numa determinada casa que ela seja necessariamente espírita, desvinculando a mediunidade do Espiritismo, colocando-a como atributo da consciência humana, sem vínculo exclusivo com qualquer religião. Ele ainda destaca a importância de, mais do que se preocupar com o fenômeno, os médiuns atentarem para seu comportamento, buscando ser sempre mais éticos 3
em suas ações, importante aspecto da doutrina espírita muitas vezes ignorado ou negligenciado pelos próprios adeptos. Ramatis afirma também que a mediunidade evolui com o ser humano que a pratica. Portanto, ela pode mudar em vários aspectos ao longo da vida do médium, refinando-se à medida que a própria pessoa cresce e amadurece espiritualmente, e ao longo da história humana, à medida que o conhecimento avança. Assim, os fenômenos podem mudar em tipo, intensidade, frequência e até em nível de consciência. Na sexta pergunta, ele fala dos fenômenos de efeitos físicos (materializações) e seu objetivo: despertar nas pessoas mais céticas o interesse pela realidade espiritual. Da década de 60 para cá, o número de fenômenos desse tipo diminuiu bastante, pois a realidade espiritual, embora ainda bastante incompreendida e cercada de mitos e lendas, já é bastante familiar a grande parte das pessoas. Exatamente como previu Ramatis nesse texto. Como vimos, Ramatis não trata só de coisas polêmicas e sem sentido, como querem alguns. Várias de suas passagens trazem informações importantes para o estudo da mediunidade e da espiritualidade. Cabe a nós filtrar o que pode ser proveitoso para esse estudo em qualquer material que chegue às nossas mãos. Sem preconceito e com senso crítico. Esse é o objetivo dessas reflexões. Vejo vocês no próximo bloco. Até lá! 4