APLICAÇÃO DO CONCEITO DO SELO PROCEL EDIFICA EM EDIFICAÇÃO DO CAMPUS DE PALMAS/UFT Nathália Canêdo de Lima Silva 1 ; Mariela Cristina Ayres de Oliveira 2 ; 1 Aluna do Curso de Arquitetura e Urbanismo; Campus de Palmas; e-mail:nathaliacanedo137@gmail.com PIBIC/CNPq 2 Orientadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo; Campus de Palmas; e-mail: mariela@mail.uft.edu.br RESUMO Esta pesquisa objetiva investigar o potencial da etiquetagem para a eficiência energética de edificações no âmbito do Regulamento Técnico da Qualidade do Nível de Eficiência Energética de Edifícios comerciais, de Serviços e Públicos RTQ-C. Para tal, foram aplicados os conceitos do Selo Procel Edifica no edifício Bloco de Apoio Logístico e Acadêmico I (BALA I) no campus da Universidade Federal do Tocantins, Campus de Palmas. Através do estudo de caso do edifício busca-se avaliar o nível de eficiência deste edifício Público pela eficiência de sua envoltória de seu sistema de iluminação e seu sistema de ar condicionado. Assim, a partir da aplicação dos métodos prescritos no RTQ-C e em valores contidos principalmente na NBR 15220-2 e em algumas outras se chegou a classificação geral da edificação, cuja classificação foi C. Com os resultados pode-se avaliar se são necessárias ou não mudanças significativas na concepção arquitetônica do edifício analisado (Bloco de Apoio Logístico e Acadêmico I). Frente aos resultados percebeu-se que o bloco poderia ter melhor classificação se adotassem medidas propostas pelo regulamento e condizentes com o clima do local em que se encontram. Palavras-chave: Eficiência energética; Selo Procel Edifica; RTQ-C. INTRODUÇÃO Sabe-se que o Brasil possui um dos maiores parques hidrelétrico do mundo, que responde a cerca de 90% da energia utilizada no país e cresce a cada dia. No entanto, esse fato não impediu que ocorresse a crise energética em 2001, onde o país foi forçado a um racionamento. No Brasil, os setores residencial, comercial e público representaram, em 2008, 45% do consumo de eletricidade, sendo que, os setores comercial e público, representaram 22,7% e, dentre as fontes utilizadas nos setores comercial e público em 2008, a energia elétrica representou respectivamente 86,8% e 83,3% (BRASIL, 2009). Em vista dessas questões, foi promulgada em 2001 a Lei n. 10.295, que dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia (BRASIL, 2001a). Em seguida, o Decreto n 4059 de 19 de dezembro de 2001 (BRASIL, 2001b) que estabeleceu níveis máximos de consumo e mínimos de eficiência energética de máquinas e aparelhos consumidores de energia fabricados ou comercializados no País, bem como as edificações construídas. O Decreto criou o Comitê Gestor de Indicadores de Eficiência energética (CGIEE) e especificamente para edificações, o Grupo Técnico para Eficientização de Energia nas Edificações no País GT-Edificações - para regulamentar e elaborar procedimentos para avaliação da
eficiência energética das edificações construídas no Brasil visando ao uso racional da energia elétrica (BRASIL, 2001b).Para isso, contou-se com a colaboração do Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro), e utilizou-se um programa criado ainda em 1993, o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), para difundir a ideia do selo Procel, e a eficiência energética tornou-se um elemento de marketing. Nascido a partir do selo Procel para equipamentos, surge o Procel Edifica: Plano de Ação para Eficiência Energética em Edificações que tem o objetivo de construir as bases necessárias para racionalizar o consumo de energia nas edificações no Brasil. Dentre suas muitas vertentes de ação, há os denominados Subsídios à Regulamentação, onde são determinados os parâmetros para verificação do nível de eficiência energético das edificações. Nessa vertente surgiu o Regulamento Técnico de Qualidade do Nível de Eficiência energética de edifícios comerciais, de serviços e públicos (RTQ-C) e seus complementares como o Regulamento de Avaliação de conformidade do nível de Eficiência Energética de Edificações Comerciais de serviço e publicas (RAC-C), ambos publicados pelo Inmetro. A partir da aplicação dos quesitos necessários contidos nesse documento na edificação, é que é permitido ao edifício obter a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) do Inmetro. Além do aspecto construtivo e do racionamento, é importante levar em consideração que o selo promove avanços na qualidade térmica da edificação, logo que, a economia de energia e qualidade térmica estão intrinsecamente conectadas. Como consequência da concepção arquitetônica apropriada, no sentido de reduzir o consumo de energia, estão: as melhorias no desempenho energético, térmico e lumínico da edificação; a contribuição com o desenvolvimento de projetos e edificações sustentáveis; a redução de impactos ao meio ambiente associados à geração de energia, e o desenvolvimento energético e ambiental sustentáveis. MATERIAL E MÉTODOS A fim de se criarem meios para a etiquetagem de edifícios, comerciais, de serviços e públicos, foram lançadas normas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), são elas: NBR 6488, NBR 6689, NBR 5413, NBR 5410, NBR 7256, NBR 15215, NBR 15220-2, NBR 15220-3, NBR 15569, NBR 16401. Além dessas também foram utilizaras as ASTM E1918-06, ASHRAE 7419-88, ANSI/AHRI Standard 560-2000 e a ISO 9050. A partir dessas normas desenvolveu-se o RTQ-C (Regulamentos técnicos da qualidade para o nível da eficiência energética de edifícios comerciais de serviço e públicos). Assim, é a partir destes regulamentos que se baseia este trabalho e este foi o material utilizado, além das anotações de campo, projeto executivo da edificação e fotos retiradas em loco. No primeiro momento, deve-se analisar se o edifício estudado seguia todos os pré-requisitos necessários para a obtenção do Selo Procel (ANEXO PORTARIA INMETRO nº 372/2010), pois o RTQ-C delimita os edifício aptos para a etiquetagem a edifícios com área total útil de 500m² e/ou com tensão de
abastecimento superior ou igual a 2,3kV. Visto isso, a etiquetagem de eficiência energética de edifícios pode ser realizada através dos métodos prescritivo ou de simulação. Ambos devem atender aos requisitos relativos ao desempenho da envoltória, à eficiência e potência instalada do sistema de iluminação e à eficiência do sistema de condicionamento do ar de forma que para cada sistema possa-se encontrar um equivalente numérico, que será aplicado na equação geral. Para a realização deste estudo de caso foi utilizado o método prescritivo. No caso da envoltória o primeiro passo foi analisar os pré-requisitos e comparar seus resultados com os valores contidos na norma de acordo com a zona bioclimática (NBR 15220-3) de acordo com a zona bioclimática (NBR 15220-3). Após essa análise, faz-se o procedimento de determinação da eficiência baseado em um indicador de consumo obtido através de uma equação obtida no Anexo portaria INMETRO nº 372/2010. Para iluminação a NBR 5413 define os níveis de iluminação necessários para diversos atividades. O procedimento de determinação da iluminação pode ser feito por dois métodos (ANEXO PORTARIA INMETRO nº 372/2010): o método da área do edifício, e o método das atividades do edifício. Para este estudo de caso, utilizou-se o método da área do edifício, logo que ele é um método mais simplificado e se adequa bem ao edifício estudado. Para o procedimento para a obtenção do nível de eficiência do sistema de condicionamento de ar pode-se utilizar dois métodos desenvolvidos a partir da NBR 16401 e da Portaria INMETRO/ MDIC nº 215 de 23 de julho de 2009, um para aparelhos avaliados pelo PBE/ INMETRO e outro para aparelhos não avaliados e sistemas centrais. A partir disso, foi necessário coletar informações sobre quantos e quais aparelhos estão contidos na edificação. Neste caso, foi necessária uma análise em campo dessas informações, coletando a potência de cada aparelho. Por fim, para se chegar ao nível total do edifício estudado aplicou-se a equação dada no RTQ-C, além de considerar os pré-requisitos gerais e as possíveis bonificações. RESULTADOS E DISCUSSÃO O resultado obtido pela análise da iluminação do edifício através do método da área do edifício chegou aos seguintes valores considerando a função do edifício como escritórios e a área total iluminada 1282,34m² : Densidade de Potencia de Iluminação Limite Nível A B C D Densidade de Potencia de 9,7 11,2 12,6 14,1 Iluminação Limite (W/m²) 1 1 Valores retirados do ANEXO PORTARIA INMETRO nº 372/2010, tabela 4.1
Potencia Limite total (W/m²) 12438,69 14362,21 16157,48 18080,94 Potencia Total Instalada W/m² 16244,8 Tabela 1 - Densidade de Potência de Iluminação Limite Portanto, a comparação da potência total instalada no edifício e a potência limite, concluiuse que a Potência Total instalada é menor que a potencia limite para nível D (16244,8 W/m² < 18080,94 W/m² ). Quanto ao resultado da análise dos pré-requisitos chegou-se a conclusão de que não há não há ambientes maiores que 250m² e alguns ambientes não tem divisão de circuitos, os ambientes contam com pouca ou nenhuma contribuição de luz natural e não há Sistema de desligamento automático Os resultados obtidos após a analise dos aparelhos de ar condicionado, percebeu-se que eles são do tipo split e estão de acordo com a etiquetagem do INMETRO. Notou-se que em sua maioria (49 dos 54 contabilizados) são aparelhos de 12.000 Btus/h da marca YORK Split York High Wall Alps, mas também há alguns poucos aparelhos de 18.000 e 24.000 Btus/h. A partir da média feita através de seus equivalentes numéricos (EqNum), chegou-se a conclusão que quanto ao condicionamento de ar, o edifício recebe classificação B (EqNum = 4,4). Com relação a envoltória, através da análise das variáveis obteve-se a seguinte tabela que avalia o IC mínimo e máximo para cada nível: Níveis de eficiência Limite mínimo Limite máximo A --- 200,09 B 200,1 200,48 C 200,49 200,87 D 200,88 201,26 E 201,27 --- Tabela 2 - IC mínimo e máximo para cada nível de classificação. Assim, conclui-se que o nível de eficiência do edifício seria A, pois o ICenv = 189,51 está dentro deste limite. Apesar disso, nota-se que através dos pré-requisitos calculados transmitância térmica, absortância e aberturas zenitais concluiu-se que o nível de eficiência da envoltória é C, principalmente devido a transmitância térmica da cobertura. Entre as principais dificuldades encontradas para encontras os resultados está a duvida quanto a compatibilidade entre o que está contido no projeto do edifício e o que foi construído, tendo em vista as modificações que podem ter ocorrido no canteiro de obras. Além disso, outra dificuldade encontrada na analise do sistema de aparelhos de condicionamento de ar, é o fato de que não existe uma regra especifica que obrigue a utilização somente de aparelhos com Selo A de acordo com o INMETRO, por isso, a análise feita pode não ser definitiva, pois há sempre uma chance de que alguns aparelhos tenham sido trocados para outros com níveis B,C ou D, principalmente se levarmos em conta que o objeto do estudo de caso é um edifício institucional. Assim, a classificação final da edificação calculada através de seus equivalentes numéricos e
dos pré-requisitos analisados que é possuir circuito elétrico separado por uso final e água quente, conclui-se que o edifício está classificado no nível C. No entanto, foi necessário ainda avaliar os pré-requisitos gerais e bonificações, para a primeira é necessário avaliar se o edifício possui circuito elétrico separado por uso final, neste caso este pré-requisito é cumprido havendo um circuito para ar condicionado e outro para iluminação, quanto a agua quente, como não há esta tubulação na edificação, não é avaliado. Para as bonificações que são iniciativas que aumentam a eficiência energética, estas não aparecem. Assim, conclui-se, através do cálculo contido no RTQ-C, que a classificação do edifício é C, logo que o resultado final da equação foi PT = 3,118, que está entre 2,5 e 3,5 que são as variações para a classificação do nível C. É possível perceber com esta classificação que há pouca preocupação quanto a eficiência do prédio, principalmente no que se refere a Iluminação, logo que, apesar de ser um edifício localizado na cidade de Palmas, onde a incidência solar é bastante alta e o grau de iluminância também, praticamente todas as salas necessitam de iluminação artificial durante todo o dia. LITERATURA CITADA BRASIL. Decreto n. 4.059, de 19 de dezembro de 2001. Regulamenta a Lei n. 10.295, de 17 de outubro de 2001, que dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia. DIRETRIZES PARA OBTENÇÃO DO NÍVEL A PARA EDIFICAÇÕES COMERCIAIS, DE SERVIÇOS E PÚBLICAS ZONA BIOCLIMÁTICA 7. NC Núcleo de Edificações Comerciais, de Serviços e Públicas. Dezembro de 2012. 68p. PORTARIA INMETRO n 372 de 20 de maio de 2010, publicada no Diário Oficial da União de 21 de maio de 2010, seção 01, pagina 163. ASSOCIACAO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS ABNT - NBR 6488 Componentes de construção Determinação da condutância e da transmitância térmica Metódo da caixa quente protegida. Rio de Janeiro.1980. NBR 15 220-2 Desempenho térmico de edificações Parte 2: métodos de cálculo da trasmitância térmica, do atraso térmico e do fator solar de elementos e componentes de edificações. Rio de Janeiro, 2005. NBR 15 220-3 - Desempenho térmico de edificações Parte 3: Zoneamento Bioclimático Brasileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social. Rio de Janeiro, 2005 AGRADECIMENTOS "O presente trabalho foi realizado com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq Brasil"