REQUERIMENTO (Do Sr. Flávio Bezerra) Requer o envio dessa Indicação ao Poder Executivo, por intermédio do Ministério do Trabalho que conceda carteira de licença de pesca da lagosta aos pescadores já inscritos no SINE-IDT, que receberam o seguro-defeso em anos anteriores e que comprovadamente exercem a atividade. Senhor Presidente: Nos termos do art. 113, inciso I e 1 o, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, requeiro a V. Exª. o encaminhamento ao Ministério do Trabalho a Indicação em anexo, com a finalidade de sugerir a concessão da carteira de licença de pesca da lagosta aos pescadores já inscritos no SINE-IDT, que receberam o seguro-defeso em anos anteriores e que comprovadamente exercem a atividade. Sala das Sessões, em de maio de 2009. Deputado FLÁVIO BEZERRA
INDICAÇÃO N o, DE 2009 (Do Sr. Flávio Bezerra) Requer o envio dessa Indicação ao Poder Executivo, por intermédio do Ministério do Trabalho que conceda carteira de licença de pesca da lagosta aos pescadores já inscritos no SINE-IDT, que receberam o seguro-defeso em anos anteriores e que comprovadamente exercem a atividade de pesca. Excelentíssimo Senhor Ministro do Trabalho: A atividade de pesca extrativa marítima e estuarina gera aproximadamente cerca de 800 mil empregos diretos e cerca de três milhões de pessoas que dependem direta ou indiretamente do setor. Contudo, a produção de pescado tem diminuído dia a dia, conforme relatos da FAO que estima que entre 47 e 50% dos estoques pesqueiros marinhos encontram-se sob exploração plena - não havendo, portanto, qualquer possibilidade de expansão das suas capturas em bases sustentáveis - entre 15 e 18% está sobre-explotados, e 9 a 10% já entraram em colapso, encontrando-se exauridos ou em recuperação. Por conseguinte, com a diminuição da quantidade de pescado, há a necessidade de se terem barcos mais potentes e maiores, para que permita aos pescadores alcançarem profundidades e distâncias maiores.
Assim sendo, os pescadores têm sido obrigados a adquirirem embarcações consideradas como industriais, por terem mais de 10 toneladas de arqueação bruta, em razão da necessidade de atingirem a profundidade de até 150 metros, uma vez que com embarcações artesanais a pesca não ultrapassa 20 metros de profundidade. Entretanto, essas embarcações não ultrapassam as 20 toneladas de arqueação bruta, que corresponde ao máximo de 15 metros, com capacidade de até 10 tripulantes e com produção estimada em 6 toneladas de pescados em um período de 22 dias no mar, estimando a produção em real em R$ 6.000,00, os quais deverão ser divididos entre os tripulantes e o dono da embarcação. Mas mesmo assim são consideradas industriais e, portanto, os pescadores que trabalham nessas embarcações são considerados pescadores profissionais e não pescadores artesanais. Portanto, os pescadores de embarcações com mais de 10 toneladas são os mais prejudicados, uma vez que ao trabalharem em barcos considerados industriais, não tem o direito de receber o SEGURO DEFESO no período em que a pesca está proibida e em decorrência desta proibição por lei e da falta de recursos das embarcações pesqueiras pequenas em manterem seus salários, ficam neste período sem nenhum recurso financeiro para a manutenção de sua família. Assim, diante desta realidade, os pescadores são obrigados a agirem na clandestinidade e a solicitarem aos proprietários de barcos artesanais de menor porte (jangadas, canoas, botes, etc) a sua inclusão no rol dos pescadores que compõe a embarcação artesanal, passando assim a ter direito ao seguro defeso com a entrega do atestado de pescador artesanal ao Ministério do Trabalho. Fato que se agrava, com a obrigação do pescador no pagamento de uma quantia a ser estipulado pelo proprietário da embarcação artesanal, por ter seu nome incluído no rol dessas embarcações.
Contudo, frisa-se que o pescador apenas aceita agir na clandestinidade, devido a sua condição de pobreza e hipossuficiência e falta de oportunidade, que o obriga a fazer concessão e mesmo irregularidades para prover o sustento de sua família que vive como pescador. Acresço ainda, que os proprietários das embarcações de pequeno porte, gastam com combustíveis, óleo lubrificante, redes de pesca, reparos diversos no motor, despesas realizadas na época do defeso, gastos com mão de obra e investimento necessários para a manutenção e conservação da embarcação, não permitindo aferirem lucro no caso de continuarem a ter que cumprir a legislação atual em relação aos pescadores contratados para atuarem como tripulantes. Ademais, ao considerar esses proprietários dessas embarcações de ate o limite de 20 toneladas, como industriais, sendo obrigados a registrarem todos os seus tripulantes como contribuintes individuais e não podendo assim utilizar-se da legislação que caracteriza o pescador artesanal, torna a atividade para o pequeno proprietário de pesca inviável financeiramente e não tendo assim como manter seus pescadores no período do defeso. De tal modo, que tão importante é o tamanho da embarcação, que a legislação utilizase do tamanho da embarcação para definir o pescador artesanal, conforme o disposto no Art.9º do Decreto 3.668/00, de 22 de novembro de 2000, que ora descrevo: Art. 9 (...) (...) Parágrafo 14 Considera-se pescador artesanal aquele que, individualmente ou em regime de economia familiar faz da pesca sua profissão habitual ou meio principal de
vida, desde que: I não utilize embarcação; II utilize embarcação de ate seis toneladas de arqueação bruta, ainda que o auxilio de parceiro; III na condição, exclusivamente, de parceiro outorgado, utilize embarcação de ate dez toneladas de arqueação bruta. Assim, a legislação vigente, utiliza-se do tamanho da embarcação para definir o pescador como artesanal ou profissional e conseqüentemente, definir em qual categoria o pescador artesanal está enquadrado pela Previdência Social. Tal definição pela Previdência Social trouxe benefícios aos pescadores, pois passou a considerar o pescador com proprietário de embarcação de até 10 toneladas, mesmo utilizando-se da ajuda de parceiros será considerado segurado especial, tendo assim benefícios próprios, inclusive o direito de receber o seguro defeso. Contudo, caso o pescador trabalhe em uma embarcação com mais de 10 toneladas, mesmo em regime de parceria, será considerado contribuinte individual, não podendo receber o seguro defeso, pois terá que ser registrado pelo proprietário do barco e será considerado pescador profissional. Portanto, caberá aos proprietários de pequenas embarcações que ultrapassem 10 toneladas, pagarem por todas as despesas previdenciárias, impostos e manutenção de seu barco, mesmo no período em que estão impedidos por lei de exercer a sua única atividade para garantir o sustento de sua embarcação e de seus tripulantes. Acontece que a quantidade de tonelagem permitida por embarcação, não condiz com a realidade, uma vez que ao ultrapassarem as 10 toneladas, ficam impedidos de trabalharem em regime de parcerias com os pescadores, sendo obrigados a contratarem os pescadores como funcionários e manterem o contrato de trabalho por
prazo indeterminado, mesmo no período do defeso em que estão impedidos de pescarem pelo tempo em que a lei determinar. Por fim, esses pequenos proprietários não têm condições de manter seus funcionários, o pagamento de impostos e a manutenção das embarcações, pois em mais de 6 meses do ano estão impedidos de exercerem suas atividades, sem terem lucros, mas somente despesas. Assim, os pescadores que trabalham nessas embarcações ficam obrigados a procurarem alternativas para o recebimento do seguro defeso, pois se não o fizerem não receberão seus salários dos pequenos proprietários de embarcações e nem o seguro defeso pago pelo governo federal. Diante do exposto, requeremos a V.Exa, que considere os argumentos apresentados e conceda a licença de pesca para os pescadores que trabalham nas embarcações pequenas com limite máximo de 20 toneladas e que estejam devidamente inscritos no SINE-IDT, e que comprovadamente receberam o seguro defeso nos anos anteriores e que exerçam como a única atividade a pesca, responsável pelo sustento de suas famílias. Sala das Sessões, maio de 2009. Dep. FLAVIO BEZERRA