A Cigarra e a Formiga (versão Carla Flores) CRÉDITO: Carla Cavichiolo Flores/Positivo Informática O verão terminava, e as folhas das árvores já começavam a amarelar, anunciando a chegada do outono. E lá ia a incansável Dona Formiga, de lá para cá, carregando folhas, migalhas e tudo o que pudesse servir de provisão para o inverno. Enquanto isso, deitada à sombra de uma folha, Dona Cigarra cantava. Ao ver tanto esforço, perguntou para Dona Formiga: Por que não para e vem desfrutar deste lindo dia? Afobada, Dona Formiga respondeu: Preciso garantir meu suprimento de alimento para o inverno! Ignorando a resposta, Dona Cigarra continuou a cantar. O tempo passou... E o inverno chegou com toda a sua força. A neve cobriu a relva verde, e Dona Cigarra começou a passar fome. Sem ter a quem recorrer, decidiu bater à porta de Dona Formiga: Como vai, Dona Formiga? perguntou. Como pode ver, eu estou muito bem respondeu. Cambaleando, Dona Cigarra implorou: Sinto fome e não tenho para onde ir. E o que você fez durante todo o verão, enquanto eu trabalhava? Dona Cigarra, envergonhada, respondeu: Cantava. Cantava? Pois agora dance! Deve-se sempre prever o dia de amanhã. 1
O lobo e o cordeiro Era um dia de calor na mata, e o cordeiro decidiu matar a sua sede num riacho. Quando ele menos esperava, foi surpreendido por um lobo muito esfomeado! Disse o lobo: Ora, ora... Você sujou a água que eu estava bebendo! Por causa disso, você será o meu jantar! E o cordeiro respondeu: Mas isso é impossível! Eu bebi água rio abaixo, muito à frente do lugar onde você estava bebendo! No ano passado, você me tratou mal. Como tenho bastante fome e guardo mágoa de você, irei devorá-lo! No ano passado, eu ainda não era nascido, senhor Lobo! retrucou o pobre cordeiro. Se não foi você, foi seu irmão! E você é quem irá pagar por isso! rosnou o lobo. Sou filho único, senhor Lobo! Então, foi seu pai, seu tio ou seu avô. Não importa! E o lobo comeu o cordeiro. Onde não há lei, prevalece a razão do mais forte. 2
O leão e o camundongo Depois de uma caçada, o leão estava satisfeito: havia capturado um ratinho, que seria perfeito para um jantar. Quando o leão percebeu que a presa era apenas um filhote, decidiu não comer o ratinho. Em vez disso, ofereceu amizade e até proteção ao pequeno bichinho, até que ele tivesse idade para cuidar de si mesmo. Tempos depois, o leão ficou preso em uma rede de caçadores... Por sorte, o ratinho apareceu, roeu as cordas da rede e salvou o seu amigo. É nas horas difíceis que se conhece os verdadeiros amigos! 3
A raposa e as uvas Certa raposa esfomeada encontrou uma parreira carregada de lindos cachos de uva e logo ficou com água na boca. Mas estavam tão no alto que nem pulando ela os alcançava. Contrariada, a raposa torceu o focinho. Estão verdes! Uvas verdes, só para cachorros! Quando virou as costas para ir embora, um vento derrubou uma folha. Ao ouvir o barulho, a raposa voltou depressa para procurar as deliciosas uvas. Quem desdenha quer comprar! 4
A raposa e o galo Certo dia, um galo estava descansando em um galho. A raposa estava passando por perto e logo imaginou fazer do galo o seu almoço. Mas o galho era muito alto para a raposa alcançá-lo. Rapidamente, a raposa pensou em como fazer o galo descer. A raposa disse: Senhor Galo! Não sabe da novidade? Agora nossas raças são amigas! Finalmente há paz no reino animal! O galo respondeu: É verdade, Raposa? Sim! Eu mesma quase não acreditei. Venha aqui, desça para comemoramos! O galo, que não era nada bobo, disse: Vamos esperar mais alguns instantes! Lá vêm uns cães de caça. Quando eles chegarem, poderemos comemorar todos juntos! Rapidamente, a raposa respondeu: Ahm... Melhor deixar a comemoração para mais tarde! Até mais, senhor Galo! E a raposa foi embora, em busca de outro almoço. Cuidado com as amizades repentinas. 5
A tartaruga e a lebre (versão Carla Flores) CRÉDITO: Carla Cavichiolo Flores/Positivo Informática Na floresta, vivia uma lebre que adorava gabar-se de sua agilidade. Passava os dias contando seus feitos. Em um dia de verão, apareceu nas redondezas uma tartaruga que, aos brados, se pôs a desafiar a lebre para uma corrida. A lebre caiu numa gostosa gargalhada e disse: Disputar uma corrida? Isso só pode ser brincadeira! Ao que a tartaruga respondeu: Você parece estar com medo de perder! Desdenhando, a lebre acertou os detalhes do evento. No dia, hora e lugar marcados, lá estavam as duas, prontas para o desafio. Ao ser dado o sinal de largada, a lebre disparou na frente. A tartaruga, sem tomar conhecimento, iniciou o percurso a passos lentos. Após algum tempo, muito à frente de sua rival, a lebre sentiu-se entediada e decidiu tirar uma soneca para esperar pela tartaruga. Horas mais tarde, ao ouvir o zumbido de uma abelha, a lebre despertou. Assustada, olhou em volta e notou que as pegadas da tartaruga já se perdiam no horizonte e, depressa, voltou a correr. Só que era tarde demais: a tartaruga já estava para cruzar a linha de chegada. A lebre ainda fez uma última tentativa, mas tropeçou e caiu humilhada e frustrada. Ovacionada pela torcida, a tartaruga chegou vitoriosa em primeiro lugar. Devagar e sempre, chega-se na frente. 6
O macaco e o gato Um macaco e um gato moravam com uma família. Os dois aprontavam das suas sempre que podiam, surripiavam um bolinho aqui, um pãozinho acolá. Um dia, a família colocou algumas castanhas para assar e saiu. O macaco, com muita vontade de comer as castanhas, mas nenhum pouco a fim de se queimar, falou ao gato: Você é tão rápido e habilidoso! Aposto que consegue tirar as castanhas do fogo sem queimar as patinhas! E, assim, foi o gato roubar as castanhas! Por mais ágil que fosse, o gato queimou as patas. Quando finalmente terminou de tirá-las e virou-se para o macaco, para aproveitarem o banquete puxa!, o macaco havia comido tudo! Nunca confie em um ladrão! 7
O sapo e o boi (versão Barbara Espínola) CRÉDITO: Barbara Espínola /Positivo Informática Era uma vez um boi muito forte, imponente. Certa tarde, ele cruzou com um sapo sujo e malvestido. O sapo ficou com muita inveja daquele boi vistoso, e chamou seus amigos. Vejam só esse boi, como ele é grande e elegante! Se eu quisesse, também poderia ser assim! O sapo começou a estufar a barriga, e logo já estava quase o dobro que o seu tamanho original. Quando os amigos disseram que não estava grande como o boi, o sapo continuou estufando e ficando cada vez maior. Como ainda estava longe de tornar-se do tamanho do boi, o sapo continuou estufando, estufando, estufando... Até estourar! Seja sempre você mesmo. 8