INOCULAÇÃO VIA FOLIAR COM Azospirillum brasilense ASSOCIADA A DOSES DE NITROGÊNIO EM COBERTURA NA CULTURA DO MILHO SAFRINHA José Roberto Portugal (1), Orivaldo Arf (2), Amanda Ribeiro Peres (3), Aline Aparecida Franco (4) e Douglas de Castilho Gitti (5) Introdução Para a cultura do milho, o nutriente de maior importância é o nitrogênio, visto que é o mais absorvido e o que mais limita a produção (ROBERTO et al., 2010), como também o que mais onera o custo de produção (SILVA et al., 2001). Como os riscos de perda da lavoura ou de redução na produtividade do milho safrinha são grandes, é difícil determinar a quantidade de N a aplicar, já que a deficiência hídrica altera a absorção e o metabolismo do N na planta (FERREIRA et al., 2002). A inoculação de sementes de milho com Azospirillum brasilense vem ganhando destaque em função de algumas vantagens quando comparado a adubação mineral, principalmente por não existirem perdas do N fixado, como ocorre com fertilizantes minerais, isso gera melhor aproveitamento deste nitrogênio pelas plantas (SOARES, 2009). No Brasil, esta técnica pode gerar uma economia de 30 a 50 kg ha -1 de nitrogênio na forma de adubo sintético (FANCELLI, 2010). De acordo com Hungria (2011), a inoculação das sementes associada à adição de 24 kg ha -1 de N na semeadura e 30 kg ha -1 de N no estádio de florescimento, proporciona rendimentos médios em torno de 7000 kg ha -1 e desta forma, viabiliza a safrinha em regiões onde é possível produzir duas safras por ano. São escassos os trabalhos com inoculação via foliar nas culturas em geral, portanto, o trabalho teve como objetivo avaliar o desempenho agronômico da cultura do milho, em função da inoculação com Azospirillum brasilense via foliar associada à aplicação de doses de nitrogênio em cobertura. 1,3 Engenheiros-Agrônomos, Mestrandos na Universidade Estadual Paulista, Câmpus de Ilha Solteira, Av. Brasil, 56, 15385-000 Ilha Solteira, SP. jrp_agro@yahoo.com.br; amandarperes_agro@yahoo.com.br 2 Engenheiro-Agrônomo, Dr., Professor da Universidade Estadual Paulista, Câmpus de Ilha Solteira, Av. Brasil, 56, arf@agr.feis.unesp.br 3,4 Engenheira-Agrônoma, Doutoranda na Universidade de São Paulo, Câmpus Luiz de Queiroz, Av. Pádua Dias, 11, 13418-900 Piracicaba, SP. alinefranco_itba@hotmail.com 5 Engenheiro-Agrônomo, Doutorando na Universidade Estadual Paulista, Câmpus de Ilha Solteira, Av. Brasil, 56, 15385-000 Ilha Solteira, SP. gittidouglas@hotmail.com [1]
Material e Métodos O experimento foi desenvolvido no ano de 2013, na Fazenda de Ensino, Pesquisa e Extensão da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira UNESP, localizada no município de Selvíria - MS (latitude 22 º 23 ' S e longitude 51 º 27 ' W), com precipitação pluvial média anual de 1.300 mm, temperatura média de 23,7 ºC e tipo climático A w, segundo a classificação de Köppen. Os valores diários de precipitação pluvial, temperatura mínima e temperatura máxima do ar, foram registrados durante a condução do experimento (Figura 1). O solo é classificado, de acordo com Embrapa (2006), em LATOSSOLO VERMELHO Distrófico típico argiloso. Figura 1. Variação diária da precipitação pluvial e da temperatura mínima e máxima do ar, durante o período de condução da pesquisa. O preparo do solo foi realizado com escarificador e com grade niveladora. Foi utilizado o sistema de semeadura convencional, sendo o milho como cultura anterior. O delineamento experimental foi o de blocos casualizados com 8 tratamentos dispostos em esquema fatorial 4x2. Os tratamentos foram constituídos de quatro doses de nitrogênio na forma de sulfato de amônio (0, 30, 60 e 90 kg ha -1 ), na presença e ausência do inoculante aplicado via foliar. As parcelas foram constituídas de 5 linhas de 5 m de comprimento, sendo consideradas como área útil as 2 linhas centrais. [2]
Foi utilizado o híbrido simples DKB 390 VT PRO, de ciclo precoce e grão semiduro amarelo-alaranjado. A inoculação via foliar foi realizada com inoculante Masterfix Gramineas com as estirpes AbV 5 e AbV 6 de A. brasilense (2x10 8 células viáveis ml -1 ) na dose de 200 ml ha -1. A semeadura foi realizada no dia 02/01/2013, com espaçamento de 0,90 m entrelinhas e adubação no sulco de semeadura com 250 kg ha -1 da formulação 08-28-16. A inoculação via foliar da bactéria, bem como a adubação de cobertura foram realizadas quando as plantas estavam no estádio de desenvolvimento V 6 (seis folhas expandidas), nessa fase a cultura se encontrava com 22 DAE (dias após a emergência), sendo que ambos realizados no final da tarde, visando melhor eficiência da inoculação e da adubação de cobertura, visto que nesse período ocorrem temperaturas mais amenas. Foi utilizado pulverizador costal com ponta de jato cone vazio e vazão de 180 L ha -1. No intuito de manter a cultura livre da competição com plantas daninhas, aplicouse atrazina e tembotriona, nas doses de 1.000 e 100 g ha -1, respectivamente. Por ocasião do florescimento, ou seja, aos 48 DAE, foi realizada a estimativa do teor de clorofila foliar com a utilização do clorofilômetro portátil (modelo CFL 1030), sendo realizada as leituras no terço médio de 5 folhas opostas e abaixo da espiga principal, nas duas linhas centrais de cada parcela. Ainda, no florescimento, foram coletadas três plantas por parcela para avaliação de massa de matéria seca. Na fase R 3 (grãos pastosos), foram realizadas em cinco plantas as avaliações de diâmetro de colmo (segundo internódio a partir da base da planta), altura de plantas e altura de inserção de espiga. A colheita foi realizada no dia 16/05/2013, aos 127 DAE. Os resultados foram submetidos ao teste F da análise de variância, comparando-se as médias dos tratamentos com A. brasilense pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. As médias de doses de N em cobertura foram submetidas à análise de regressão, ajustandose modelos de equações significativas pelo teste F. Resultados e Discussão Durante a condução do experimento a campo, ocorreram valores de precipitação compatíveis para um bom desenvolvimento da cultura para essa modalidade de cultivo, demonstrando um acumulado de 603,22 mm desde a semeadura até o momento da colheita [3]
(Figura 1). No entanto, poucos dias após o florescimento houve um período entre os dias 02/03 e 12/03, onde ocorreu veranico, dessa maneira, esse período sem chuvas pode ter comprometido a produção de grãos. De acordo com os dados, verifica-se que a população final de plantas (Tabela 1) não foi influenciada pela inoculação e doses de nitrogênio, no entanto, demonstra valores coerentes para essa modalidade de cultivo. Tabela 1. Valores médios de população final de plantas (PF), índice de clorofila foliar (ICF), massa de matéria seca (MMS), massa de mil grãos (MM) e produtividade (PR) de milho safrinha em função da inoculação via foliar com A. brasilense e doses de nitrogênio aplicadas em cobertura. Selvíria (MS), 2013. Tratamentos PF ICF MMS MM PR Plantas ha -1 g pl -1 g kg ha -1 Inoculação (I) Presença 48.750 55,94 119,09 b 319,34 6.098 a Ausência 46.736 58,43 137,47 a 311,54 5.405 b Dose de N (D) 0 kg ha -1 49.027 54,09¹ 126,37² 316,65 5.847 30 kg ha -1 47.083 56,86 140,12 311,59 5.917 60 kg ha -1 47.777 58,61 126,54 312,02 5.558 90 kg ha -1 47.083 59,19 120,09 321,51 5.685 I 1,003 4,149 16,707** 12,996** 11,770** Teste F D 0,395 3,493* 3,528* 4,627** 0,641 I x D 0,5397 0,288 1,068 8,256** 0,306 CV (%) 6,76 6,05 9,91 1,94 9,94 ** e * significativo a 1% e 5% de probabilidade, respectivamente e NS não significativo; Médias seguidas por letra distinta nas colunas diferem pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade; CV coeficiente de variação. (1) y= 54,63+0,0567x. (2) y= 128,09+0,397x - 0,0056x² O índice de clorofila foliar (Tabela 1) apresentou resultado significativo apenas para as doses de N aplicadas, demonstrando que, com o aumento das doses de N, ocorre aumento linear do índice de clorofila foliar. O nitrogênio é um dos constituintes da molécula de clorofila, portanto, é de se esperar que o aumento das doses de N, aumente também o teor de clorofila nas folhas. A massa de matéria seca (Tabela 1) foi influenciada de forma negativa pela inoculação, onde a presença da bactéria proporcionou diminuição no acúmulo de matéria seca nas plantas. Já as doses de N, resultaram de forma quadrática, onde apresenta ponto de máximo acúmulo de matéria seca com a dose de 35,4 kg ha -1 de nitrogênio. [4]
Em relação à massa de mil grãos (Tabela 1), houve interação entre a inoculação e as doses de N, o desdobramento está na Tabela 2. Pelos resultados, observa-se que em doses de N dentro de inoculação, a presença de inoculação proporcionou máximo valor de massa de mil grãos com a dose de 57 kg ha -1 de N e, na ausência de inoculação, a massa de mil grãos respondeu de forma linear ao aumento das doses de N. Quando se observa inoculação dentro de doses, verifica-se que nas doses 0 e 30 kg ha -1 de N, a presença de inoculação proporcionou acréscimos na massa de mil grãos. Tabela 2. Massa de mil grãos de milho safrinha, em função da aplicação de A. brasilense via foliar e doses de nitrogênio aplicado em cobertura. Selvíria (MS), 2013. Doses de N Equação de regressão Inoculação 0 30 60 90 Presença 327,6 a 318,0 a 313,8a 318,0 a y = 327,76 0,457x + 0,004x² 0,99 Ausência 305,7b 305,2b 310,3a 325,0 a y = 302,08 + 0,2104x 0,77 Médias seguidas por letra distinta nas colunas diferem pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. R 2 A produtividade de grãos (Tabela 1) foi beneficiada com a presença de inoculação com a bactéria Azospirillum brasilense, proporcionando acréscimo de 12,82% em produtividade, correspondendo a 693 kg ha -1 a mais na produtividade do milho safrinha. As doses de N não obtiveram resultados significativos para essa avaliação. Portugal et al. (2012), utilizando doses de N (0, 30, 60 e 90 kg ha -1 ) e inoculação via foliar com A. brasilense em milho de safra verão, obtiveram incremento de 868 kg ha -1 na produtividade de grãos, ou seja, aumento de 14,75% quando as plantas foram inoculadas. Mesmo que a inoculação tenha causado diminuição na massa de matéria seca, promoveu aumento na massa de mil grãos, provavelmente houve maior translocação de massa para os grãos do que para a planta, isso refletiu em maior massa de mil grãos e consequentemente maior produtividade de grãos. Conclusões As doses de nitrogênio aumentam de forma linear o índice de clorofila foliar. [5]
A massa de matéria seca responde de forma quadrática às doses de N e de forma negativa com a inoculação com A. brasilense. A inoculação com Azospirillum brasilense aumenta a produtividade de grãos do milho safrinha. Referências EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação de solos. 2.ed. Rio de Janeiro: Embrapa, 2006. 306 p. FANCELLI, A.L. Boas práticas para o uso eficiente de fertilizantes na cultura do milho. Piracicaba: International Plant Nutrition Institute Brazil, 2010. p.1-16. (Informações Agronômicas, 131). FERREIRA, V. M.; MAGALHÃES, P. C.; DURÃES, F. O. M.; OLIVEIRA L.E. M.; PURCINO, A. A. C. Metabolismo do nitrogênio associado à deficiência hídrica e sua recuperação em genótipos de milho. Ciência Rural, Santa Maria, v. 32, p. 13-17, 2002. HUNGRIA, M. Inoculação com Azospirillum brasilense: inovação em rendimento a baixo custo. Londrina: Embrapa Soja, 2011. 37p. (Documentos, 325). PORTUGAL, J.R.; ARF, O.; LONGUI, W.V. et al. Inoculação com Azospirillum brasilense Via Foliar Associada à Doses de Nitrogênio em Cobertura na Cultura do Milho. In: CONGRESSO NACIONAL DE MILHO E SORGO, 29, 2012, Águas de Lindóia. Anais... Águas de Lindóia: Associação Brasileira de Milho e Sorgo, 2012. p. 1413-1419. ROBERTO, V.M.O.; SILVA, C.D.; LOBATO, P.N. Resposta da cultura do milho a aplicação de diferentes doses de inoculante (Azospirillum brasilense) via semente. In: CONGRESSO NACIONAL DE MILHO E SORGO, 28, 2010, Goiânia. Anais... Goiânia: Associação Brasileira de Milho e Sorgo, 2010. p. 2429-2433. SILVA, E.C.; SILVA, S.C.; BUZETTI, S. et al. Análise econômica do estudo de níveis e épocas de aplicação de nitrogênio na cultura de milho no sistema plantio direto em solo de cerrados. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO RURAL, 5, Goiânia, 2001. Anais... Goiânia: ABAR, 2001. CD-ROM. SOARES, F.N. Leguminosas forrageiras. 2009. 36f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina Veterinária) Universidade Federal do Pará UFPA, Castanhal, 2009. [6]