Antoine de Saint-Exupéry

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Mostrei minha obra-prima à gente grande, perguntando se meu desenho lhes dava medo. Responderam:

Mostrei a minha obra-prima aos crescidos e perguntei se o desenho lhes metia medo.

Julgo que, para a sua partida, ele aproveitou uma migração de aves selvagens.

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Transcrição:

Antoine de Saint-Exupéry Tradução de Frei Betto

Título original: Le petit prince Copyright 2015 by Geração Editorial Ltda. 1ª edição Janeiro de 2015 Grafia atualizada segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, que entrou em vigor no Brasil em 2009 Editor e Publisher Luiz Fernando Emediato Diretora Editorial Fernanda Emediato Produtora Editorial e Gráfica Priscila Hernandez Assistente Editorial Adriana Carvalho Capa, Projeto Gráfico e Diagramação Alan Maia Preparação Sandra Martha Dolinsky Revisão Marcia Benjamim Daniela Nogueira DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Saint-Exupéry, Antonie de, 1900-1944. O pequeno príncipe / Antonie de Saint-Exupéry ; [tradução Frei Betto]. -- São Paulo : Geração Editorial, 2015. Título original: Le petit prince. ISBN 978-85-8130-307-9 1. Literatura infantojuvenil I. Título. 14-11992 CDD: 028.5 Índices para catálogo sistemático 1. Literatura infantojuvenil 028.5 2. Literatura juvenil 028.5 GERAÇÃO EDITORIAL LTDA. Rua Gomes Freire, 225 Lapa CEP: 05075-010 São Paulo SP Telefax: (+ 55 11) 3256-4444 E-mail: geracaoeditorial@geracaoeditorial.com.br www.geracaoeditorial.com.br Impresso no Brasil Printed in Brazil pe pe ppe pe ppe pe pe

pe pe ppe pe ppe pe pe Para Léon Werth Peço perdão às crianças por dedicar este livro a um adulto. Tenho uma boa razão: esse adulto é meu melhor amigo no mundo. Outro motivo: ele é capaz de compreender inclusive os livros infantis. E um terceiro motivo: ele vive na França, onde passa fome e frio. Precisa de carinho. Se todos esses motivos não forem suficientes, dedico este livro, então, à criança que esse adulto foi um dia. Todos os adultos um dia foram crianças. (Porém, raros se lembram disso.) Assim, corrijo minha dedicatória: PARA LÉON WERTH, QUANDO ERA CRIANÇA.

1 uando eu tinha seis anos, vi uma ilustração fantástica em um livro sobre florestas virgens.

O livro se intitulava Histórias vividas. A gravura mostrava uma jiboia engolindo um animal. Eis a reprodução do desenho: 7

pe pe ppe pe ppe pe pe Dizia o livro: Há serpentes que engolem um bicho inteiro, sem mastigar. Por isso, ficam sem poder se locomover, e, portanto, dormem durante seis meses para fazer a digestão. Pensei muito sobre as aventuras na selva, e com lápis de cor, fiz meu primeiro desenho. Meu Desenho Número 1 era assim: 8

pe pe ppe pe ppe pe pe Mostrei minha obra-prima aos adultos e perguntei se tinham medo do meu desenho. Eles responderam: Quem tem medo de um chapéu?. Meu desenho não era de um chapéu. Era de uma jiboia que havia devorado um elefante. Decidi, então, desenhar o interior da barriga da serpente para que os adultos pudessem entender melhor. Eles sempre precisam de explicações detalhadas... Meu Desenho Número 2 era assim: 9

Os adultos me aconselharam a deixar de lado a mania de desenhar cobras, vistas por fora ou por dentro, e procurar estudar geografia, história, matemática e gramática. Foi assim que, aos seis anos, abandonei uma promissora carreira de pintor. Fui desencorajado pelo fracasso de meu Desenho Número 1 e de meu Desenho Número 2. Os adultos nunca conseguem compreender nada sozinhos, e é cansativo para as crianças ter sempre que explicar as coisas para eles. Tive que escolher outra profissão, e aprendi a pilotar aviões. Voei por todo o mundo. E, nisso, a geografia me foi muito útil. Bastava manter os olhos bem abertos e eu sabia dizer se voava sobre a China ou sobre o Arizona. nmmmxmmmxmmmxmmmxmmm

mxmmmxmmmxmmmxmmmxmmmxmmmxmmmxm Isso é muito importante quando se fica perdido durante a noite. Assim, ao longo da vida, tive bastante contato com muita gente séria. Vivi muito tempo entre adultos. Conheci-os de perto. E isso não fez melhorar a opinião que tenho deles. Quando eu encontrava um que me parecia um pouco mais inteligente, mostrava meu Desenho Número 1, que guardara comigo. Era um jeito de saber se ele era mesmo inteligente. Quase sempre a resposta era a mesma: Isso é um chapéu. Então eu me calava, nada dizia sobre cobras, selvas e estrelas. Entrava no jogo dele, e falava sobre baralho, golfe, política e gravatas. Assim, o adulto ficava contente por ter conhecido um homem tão sensato... n 11 nmmmxmmmxmmmxmmmxmmm