DESTAQUES DO RELATÓRIO Carteira Recomendada Nossa Carteira Recomendada do Tesouro Direto para os próximos 30 dias continua considerando principalmente o desafio fiscal nos próximos anos como principal fator de risco para a esperada queda da taxa de juros. No ambiente externo, o mercado já precifica uma nova alta do juro americano. Acreditamos que a carteira de títulos públicos para os próximos trinta dias deve conter 100% dos novos recursos em Tesouro IPCA (vencimento em 2024). A exposição nula em prefixado deve-se a falta de prêmio contido nestes títulos frente a nossa expectativa de taxa de juros para os próximos anos. Reiteramos que a nossa sugestão é manter o título até o vencimento, sendo que se não for essa a estratégia de investimento, a alocação em Tesouro Selic deve ser analisada, apesar da esperada queda dos juros. Cenário Macroeconômico Reduzimos nossa projeção para o fim deste ano para 9,75% (ante 10,25%), mas seguimos mais cautelosos em abraçar a tese de juros muito baixos já em 2017. No cenário externo, é crescente o consenso de que o Federal Reserve irá aumentar os juros este ano mais do que muitos esperavam, o que gera alguma pressão nas taxas de câmbio e de juros no Brasil. Por outro lado, internamente, um cenário construtivo para o ajuste fiscal, inflação em queda e atividade econômica fraca, não é difícil de se imaginar que o Banco Central corte a Selic de forma mais rápida. Projeções Econômicas Ano 2016 2017E 2018E Crescimento Real do PIB (%) -3,6% -0,2% 2,8% Taxa de câmbio - Final (R$/US$) 3,26 3,50 3,65 IPCA (% aa) 6,3% 4,2% 4,5% Meta SELIC - Final (%) 13,75% 9,75% % Dívida Bruta total (% do PIB) 69,5% 77,5% 81,8% Fonte: Bradesco Corretora
CARTEIRA RECOMENDADA Nossa Carteira Recomendada do Tesouro Direto para os próximos 30 dias continua considerando principalmente o desafio fiscal nos próximos anos como principal fator de risco para a esperada queda da taxa de juros. No ambiente externo, o mercado já precifica uma nova alta do juro americano. Com o cenário econômico atual, continuamos alocando preferencialmente em títulos indexados à inflação, com juro real próximo de 5,3% e vencimento mais curto possível (2024). Nossa recomendação é que o investidor não venda o título antes do vencimento, dada a possível volatilidade da taxa de juros nos próximos trimestres com impacto no preço do título. Para os investidores com perspectiva de curto prazo (aplicações com prazo menor que 1 ano), o Tesouro Selic ainda é a melhor opção. Para os próximos 30 dias mantivemos a totalidade da carteira em títulos indexados à inflação. Acreditamos que a carteira de títulos públicos para os próximos trinta dias deve conter 100% dos novos recursos em Tesouro IPCA (vencimento em 2024). A exposição nula em prefixado deve-se a falta de prêmio contido nestes títulos frente a nossa expectativa de taxa de juros para os próximos anos. Reiteramos que a nossa sugestão é manter o título até o vencimento, sendo que se não for essa a estratégia de investimento, a alocação em Tesouro Selic deve ser analisada, apesar da esperada queda dos juros. MACRO-OVERVIEW A despeito das perspectivas mais fortes de elevações dos juros americanos, no geral os desenvolvimentos ao longo deste mês aumentaram a margem para cortes da Selic. De fato, reduzimos nossa projeção para o fim deste ano para 9,75% (ante 10,25%), mas seguimos mais cautelosos em abraçar a tese de juros muito baixos já em 2017. No cenário externo, é crescente o consenso de que o Federal Reserve irá aumentar os juros este ano mais do que muitos esperavam. De fato, após recentes declarações de dirigentes do Fed e dados de atividade econômica animadores, as curvas de juros agora precificam como quase certa uma elevação já nesta quarta-feira, e outras provavelmente depois. Já conhecemos quais são os efeitos disso: juros mais altos nos EUA reduzem relativamente a atratividade dos mercados emergentes (inclusive o Brasil), gerando pressão nas taxas de câmbio e nas curvas de juros destes países. Claramente, este movimento foi responsável por boa parte da volatilidade do Real neste último mês, que chegou a quase R$3,20/US$ e mesmo nos juros mais longos há uma semana atrás. No entanto, o cenário interno tem mais do que compensado essas pressões e tem ajudado a reduzir as taxas de juros. Em primeiro lugar, o otimismo na aprovação das reformas fiscais tem prevalecido. Além disso, a inflação tem dado sinais claros de melhora, como os números do IPCA de Fevereiro confirmaram. Neste mesmo sentido, revisamos nossa projeção de inflação este ano para 4,2% (ante 4,7%). Do lado da atividade econômica, o resultado fraco do PIB do 4º trimestre confirma o longo caminho que temos pela frente para retomar o crescimento. De fato, em um cenário construtivo para o ajuste fiscal, inflação em queda e atividade econômica fraca, não é difícil de se imaginar que o Banco Central corte a Selic de forma mais rápida. Neste sentido, reduzimos nossa projeção de Selic para o final de 2017 e 2018 para 9,75% e 9,0% respectivamente (de 10,25% e 9,25% anteriormente), o que implica dois cortes de 1,0% em Abril e Junho e um corte final de 0,50% em Julho. Contudo, seguimos cautelosos em abraçar a tese de juros muito mais baixos do que isso já este ano, como alguns analistas tem levantado. De fato, em um ambiente onde ainda persistem incertezas quanto ao ajuste fiscal de longo prazo, acreditamos que o Banco Central faça uma parada estratégica nos cortes de juros, para só cortar mais em 2018.
Renda Fixa Títulos Públicos No último relatório disponível, as vendas do Tesouro Direto em Janeiro/2017 atingiram R$2.474 milhões, enquanto os resgates totalizaram R$2.206 milhões. Os títulos remunerados por índices de preços responderam pelo maior volume emitido, alcançando 50% do total. Na sequência, aparecem os títulos indexados a Selic, com participação de 26% e por fim, os títulos prefixados, com 24%. O estoque do Tesouro Direto alcançou R$42 bilhões, com uma alta de 2% em relação ao mês anterior. Títulos públicos disponíveis para compra Posição em Título Taxa de Rendimento (% a.a.) Indexados ao IPCA Tesouro IPCA+ 2024 (NTNB Princ) 15/08/2024 5,28% Tesouro IPCA+ 2035 (NTNB Princ) 15/05/2035 5,13% Tesouro IPCA+ 2045 (NTNB Princ) 15/05/2045 5,13% Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2026 (NTNB) 15/08/2026 5,32% Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035 (NTNB) 15/05/2035 5,15% Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTNB) 15/08/2050 5,14% Prefixados Tesouro Prefixado 2020 (LTN) 01/01/2020 9,73% Tesouro Prefixado 2023 (LTN) 01/01/2023 10,28% Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2027 (NTNF) 01/01/2027 10,24% Indexados à Taxa Selic Tesouro Selic 2023 (LFT) 01/03/2023 - Atualizado em: 14-03-2017 12:02 Fonte: Tesouro Nacional Evolução dos Principais Indicadores nos Últimos 30 Dias A curva de juros segue sendo impactada principalmente pela ainda tímida recuperação econômica e pelo comportamento da inflação, que segue com tendência de queda. Em 12 meses o IPCA desacelerou para 4,76%, nível próximo do centro da meta de 4,5%. Com essa tendência de queda da inflação, o mercado segue precificando a taxa de juros em um digito no final do ano (para o final do próximo ano a expectativa do mercado é de 8,75%). O principal risco para essa queda consistente da taxa de juros ainda é o quadro fiscal brasileiro. Curva DI Futuro (em %) BM&F 13,50 13,25 12,75 12,25 11,75 11,25 10,75 10,25 9,75 9,25 abr-17 out-17 abr-18 out-18 abr-19 out-19 abr-20 out-20 abr-21 out-21 13/01/2017 14/02/2017 13/03/2017 Fonte: Bloomberg
No mês de Fevereiro o Tesouro Nacional realizou leilão com montante 8,7% ao mês anterior, sendo que a LTN foi o título com maior volume leiloado (R$ 36,7 bi). Entre os ativos cetipados o maior destaque foi o aumento de R$ 13,2 bilhões no estoque de CDI e o aumento de R$ 11,7 bilhões nas cotas de fundos. A poupança, por sua vez, não teve grande alteração no mês de fevereiro, após o elevado saque líquido de R$ 8,7 bilhões em janeiro, sendo que seu rendimento superou a inflação novamente, considerando a recente queda da inflação. Ativos Financeiros R$ Milhões Janeiro Fevereiro Var. Leilões de Títulos Públicos (Total) 66.201 71.958 8,7% LTN 30.089 36.728 22,1% Taxa Média (vencimento 2020) 10,70% 10,30% NTN-F 7.553 6.212-17,8% Taxa Média (vencimento 2023) 10,90% 10,53% NTN-B 11.544 11.452-0,8% Taxa Média (vencimento 2022) 5,76% 5,73% LFT 17.014 17.565 3,2% CETIP Estoque 4.423.724 4.450.741 28.155 CDB 546.533 548.459 1.926 CDI 527.334 540.630 13.296 Cotas de Fundos 1.909.659 1.921.367 11.708 Debêntures 795.297 796.565 1.268 Letra Financeira 308.990 310.548 1.558 LCIs e LCAs ² 244.190 242.588-1.602 CRIs 74.045 72.822-1.223 CRAs 17.677 17.762 85 Janeiro Fevereiro Rent. Fev. Poupança SBPE Captação Líquida -8.716-487 0,67% ² Cetip Expectativa de Mercado para IPCA ao final de 2017 Com o último dado de inflação divulgado, a expectativa do mercado para a inflação neste ano apresentou nova redução. Na última semana a expectativa do mercado para a inflação deste ano reduziu de 4,36% para 4,19%, enquanto a expectativa para o próximo ano se manteve em 4,5%. Nossos economistas alteraram a expectativa para o IPCA deste ano de 4,7% para 4,2%. Com esse cenário mais benigno para a inflação, a taxa de juros deve manter a tendência de queda (ver gráfico com a curva de juros na página anterior). 6,5 6,0 5,5 5,0 4,5 4,0 Fonte: Boletim Focus, Banco Central
Curvas de Títulos Públicos As curvas dos títulos públicos recuaram de forma intensa em todos os títulos por mais um mês, com destaque para a curva de juro real, que chegou próximo do nível de 5%. A curva de juro prefixado permanece invertida até o vencimento 2019 (ver gráfico da LTN abaixo), dada a esperada queda da taxa de juros nos próximos trimestres. Os vencimentos mais longos (após 2022) seguem refletindo a possível alta do juro americano no curto prazo (ver gráfico da NTN-F abaixo). LTN Evolução das Taxas - LTN 18 e LTN 22 Rendimento (Pré-fixado) abr-17 ago-17 dez-17 abr-18 ago-18 dez-18 abr-19 ago-19 dez-19 9-jan-17 3-fev-17 13-mar-17 jul-16 ago-16 set-16 out-16 nov-16 dez-16 jan-17 fev-17 mar-17 BLTN 0 01/01/18 LTN 2022 6,25 NTN-B 6,75 Evolução das Taxas - NTN-B 19 e NTN-B50 6,00 6,50 6,25 Rendimento (IPCA + %) 5,75 5,50 5,25 6,00 5,75 5,50 5,25 5,00 ago-18 ago-19 ago-20 ago-21 ago-22 ago-23 ago-24 ago-25 ago-26 9-jan-17 3-fev-17 13-mar-17 5,00 jul-16 ago-16 set-16 out-16 nov-16 dez-16 jan-17 fev-17 mar-17 NTN-B 2019 NTN-B 2050 NTN-F Evolução das Taxas - NTN-F 23 e NTN-F 27 Rendimento (Pré-fixado) 8,50 jan-18 mar-19 mai-20 jul-21 set-22 nov-23 jan-25 mar-26 jul-16 ago-16 set-16 out-16 nov-16 dez-16 jan-17 fev-17 mar-17 09/jan/17 03/fev/17 13/mar/17 Fonte: Anbima e Bloomberg NTN-F 2023 NTN-F 2027
Rentabilidade dos Títulos Públicos Posição em Rentabilidade Bruta (%) Títulos Últ. Mês 30 dias anterior No ano 12 meses Prefixados Tesouro Prefixado 01/01/2018 1,07 1,09 3,16 16,28 Tesouro Prefixado 01/01/2019 1,34 1,51 4,37 21,55 Tesouro Prefixado 01/01/2020 1,28 - - - Tesouro Prefixado 01/01/2021 1,04 2,38 6,49 30,6 Tesouro Prefixado 01/01/2023 0,71 3,53 8,5 39,66 Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 01/01/2021 1,01 2,05 5,8 26,15 Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 01/01/2023 0,74 2,75 6,93 30,92 Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 01/01/2025 0,6 3,38 7,91 35,61 Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 01/01/2027 0,35 3,67 8,38 38,81 Indexados à Taxa Selic Tesouro Selic 01/03/2021 0,68 0,71 2,22 13,47 Tesouro Selic 01/03/2023 0,6 - - - Indexados ao IGPM Tesouro IGPM+ com Juros Semestrais 01/07/2017 0,78 0,61 2,58 11,81 Tesouro IGPM+ com Juros Semestrais 01/04/2021 0,83 1,28 4,36 15,01 Tesouro IGPM+ com Juros Semestrais 01/01/2031 0,24 2,83 6,99 21,18 Indexados ao IPCA Tesouro IPCA+ 15/05/2019 0,99 1,1 3,26 13,03 Tesouro IPCA+ 15/08/2024-0,5 2,59 5,28 20,66 Tesouro IPCA+ 15/05/2035-0,34 6,24 10,67 39,17 Tesouro IPCA+ 15/05/2045-0,9 - - - Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/05/2017 0,63 0,6 1,95 11,24 Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/08/2020 0,88 1,17 3,76 13,53 Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/08/2024-0,11 2,1 4,66 18,16 Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/08/2026-0,28 2,17 5,16 19,34 Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/05/2035 0,15 3,93 7,42 25,96 Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/05/2045 0,15 4,9 8,7 29,66 Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 15/08/2050-0,35 5,16 9,26 31,8 Fonte: Tesouro Nacional
DISCLAIMER Este relatório foi preparado pelas equipes de análise de investimentos da Ágora Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. ( Ágora ) bem como da Bradesco S.A. Corretora de Títulos e Valores Mobiliários ( Bradesco Corretora ), sociedades controladas pelo Banco Bradesco BBI S.A. ( BBI ). O presente relatório se destina ao uso exclusivo do destinatário, não podendo ser, no todo ou em parte, copiado, reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Ágora e da Bradesco Corretora. Este relatório é distribuído somente com o objetivo de prover informações e não representa uma oferta de compra e venda ou solicitação de compra e venda de qualquer instrumento financeiro. As informações contidas neste relatório são consideradas confiáveis na data em que este relatório foi publicado. Entretanto, as informações aqui contidas não representam por parte da Ágora ou da Bradesco Corretora garantia de exatidão dos dados factuais utilizados. As opiniões, estimativas, projeções e premissas relevantes contidas neste relatório são baseadas em julgamento do(s) analista(s) de investimento, envolvido(s) na elaboração deste relatório ( analistas de investimento ) e são, portanto, sujeitas a modificações sem aviso prévio em decorrência de alterações nas condições de mercado. Declarações nos termos do art. 17 da Instrução CVM 483: O(s) analista(s) de investimento declara(m) que as opiniões contidas neste relatório refletem exclusivamente suas opiniões pessoais sobre os títulos públicos e seus emissores e foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à Ágora, à Bradesco Corretora, ao BBI e demais empresas do Grupo Bradesco. A remuneração do(s) analista(s) de investimento está, direta ou indiretamente, influenciada pelo resultado proveniente dos negócios e operações financeiras realizadas pela Ágora, Bradesco Corretora e BBI. Analistas Renda Fixa Altair Maurílio Pereira Caio Lombardi André Sonnervig Economista Chefe Dalton Gardimam Economista Tarik Migliorini