Meio Interestelar (cap. 14)

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Transcrição:

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Meio Interestelar Propriedades: Temperatura; Densidade; Composição; Opacidade Nuvens Interestelares: nuvens escuras, nebulosas de emissão, nuvens moleculares Linha de emissão em 21 cm 2

Meio Interestelar (MIS) MIS = meio entre as estrelas: nele estrelas nascem para ele retornam elementos de estrelas velhas ao explodirem Quantidade de materia do MIS º M contida em estrelas Ingredientes do MIS: gas + poeira 3

Extensa regiao do MIS (30 ) 4

Gas: Meio Interestelar - constituido atomos + moleculas pequenas - regioes com gas: transparentes a todos comprimentos de com exceçao de linhas de absorçao estreitas: Poeira: o gas praticamente não bloqueia radiaçao - Composiçao mais complexa - Aglomerados de atomos e moleculas: similar fumaça, nevoa, poeira de giz - Luz de estrelas + distantes: não penetra poeira densa (~ farol de carro que nao penetra neblina densa) - Diametro particula de poeira: d g = 10-7 m ª λ visivel 5

Opacidade do MIS Gás: átomos e moléculas (pequenas) praticamente não bloqueia radiação eletromagnética. Poeira: grãos de poeira (silicatos, etc.) - interfere na passagem da luz proveniente das estrelas maiores concentrações um maior efeito de extinção da luz. 6

Extinção ou Opacidade Dimensão dos grãos: d g ~10-7 m ~ λ (luz visível) Luz pode ser absorvida ou espalhada por poeira com: d g λ radiaçao Extinção (absorção ou espalhamento) da luz: tanto maior quanto menor λ Regioes com poeira IS: transparentes a ondas de radio e IV: d g << λ(radio), λ(iv) opacas a λs do UV, raio X e raios gama: d g >> λ. Nuvens densas de poeira são melhor observáveis no infravermelho ou em rádio (10-6 m a 10-3 m), Para λs mais curtos (óptico, ultravioleta): elas são opacas nuvens escuras. 7

Lembrando do o espectro eletromagnetico 8

Opacidade Avermelhamento Como opacidade: tanto > quanto < λ Luz de estrelas mais distantes perde λs curtos (azuis) Alem de ter brilho menor, estrelas parecem + vermelhas Estrela fica menos brilhante e + vermelha por causa da absorçao ~ processo que produz pôr do Sol avermelhado na Terra: poeira do horizonte absorve os λs azuis e deixa passar os vermelhos 9

Avermelhamento A absorção maior dos λs mais azuis das estrelas distantes (além da diminuição do brilho total) faz com que elas sejam observadas mais avermelhadas do que realmente são avermelhamento interestelar: extinção visual Poeira IS: pode aumentar magnitude aparente (m) e a cor (B-V) avermelhamento: m = C 2,5 log F + A V A V 1 λ 10

Fluxo Cor: B-V = m B -m V = -2,5 log (F B / F V ) F B > F V B < V [B-V] < 0 Estrela quente, azulada F B < F V B > V [B-V] > 0 Estrela fria, avermelhada 11

Desavermelhamento Linhas do espectro de absorçao das estrelas: não são afetados pela poeira presente no caminho entre a estrela e o observador Determinando tipo espectral e classe de luminosidade (pelo espectro) T e cor intrínseca da estrela (B-V) o. Verifica-se o quanto o valor observado [B-V] foi aumentado pela extinção: E(B-V)=[B-V] (B-V) o Correção do avermelhamento: A V = 3.1E(B V) 12

A diminuição geral da luz das estrelas pela matéria interestelar é chamada extinção. Extinção afeta o brilho aparente m = C 2,5 log F + Aλ logo, pode afetar a distância d m M = 5log pc + 10 Aλ ( m M ) Reescrevendo da seguinte forma: A λ log d = + 1 5 Como A λ é positivo, a distância é realmente menor. 13

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Propriedades Gerais Estrelas membros de um sistema Galáxia imersas em um meio gás & poeira MIS Temperatura do MIS: desde alguns graus Kelvin até alguns 10 3 K (dependendo da proximidade de 1 estrela ou fonte de radiaçao) <T> ~100 K << 273 K = 0 o C meio interestelar é muito frio 17

Densidades do gas difuso Densidade média ~ 10-24 g cm -3 Gás 1 átomo/cm 3 = 10 6 atomos/m 3 Poeira 1 partícula para 10 12 átomos (1/trilhao) Se juntassemos gas+poeira do MIS contido num volume do tamanho da Terra (a essa densidade): caberia em alguns dedais! (demonstrar) Como entao tal material tao rarefeito e esparso: bloquear luz da estrela de modo tao eficaz? Resposta ao paradoxo: vastissima extensao do MIS: Distância típica entre estrelas ~ 1 pc* Tamanho típico das estrelas ~ 10-7 pc 10-7 pc 1 pc *1parsec = 206.265 UA ~ 3,1 10 16 m ~ 3,3 al) 18

Gás: Composiçao Quimica linhas de absorçao formadas pelo gas IS quando luz de estrela distante interage com o gas ao longo da linha de visada Absorçao de radiaçao pelo gas depende: T, r, abundancia do gas Como distinguir estas das linhas de abs. da atmosfera da estrela? linhas da estrela sao + largas linhas do gas IS: + finas Nuvem de gas isolada produzira linhas de emissao do gas 19

Composiçao quimica 70% Hidrogênio molecular (H 2 ) atômico: neutro (HI) ionizado (HII) ~ 30% He < 1% elementos pesados (metais) Distribuição: nuvens densas (n ~ 10 3 cm -3 ) meio inter-nuvens (n < 1 cm -3 ) 20

Composiçao Quimica Gás: Abundancia de alguns elementos mais pesados (alguns metais ) como: C, O, Si, Mg, Fe << que no SS e nas estrelas Razao possivel: esses elementos sao usados para formar poeira IS! 21

Composiçao Quimica Poeira: Observada no IV Constituida de: silicatos, C, Fe: sub-abundantes no gas! Possivelmente tambem contem: gelo sujo = agua congelada + amonia + metano + outras moleculas: semelhante a cauda de cometas 22

Nuvens interestelares Gas e poeira: podem aglomerar-se em nuvens ou nebulosas Nebulosa de Emissao Nebulosa de Poeira Nuvens moleculares 23

Nebulosas Nebulosas são nuvens de gás e de poeira. Quando ocorre o obscurecimento da luz nuvem escura Se a nuvem espalha a luz de uma estrela na direcao do observador nebulosa de reflexão Se nuvem é aquecida por estrela e emite radiacao nebulosa de emissão. 24

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Nebulosa de reflexão NGC1999, constelação de Orion. Nebulosas de reflexao: refletem a luz de estrela proxima em nossa direcao 26

Nebulosas de Emissão São nuvens de gas que têm brilho por emitirem radiação. Nuvens que contêm pelo menos uma estrela jovem O ou B, que produz radiação no UV. Esta radiação de alta energia ioniza o gás (HII) nas regiões próximas à estrela: quando este se recombina (eletrons com ions): nuvem produz radiaçao visivel 27

Na recombinação dos elétrons com os núcleos ocorre emissão na faixa espectral do visível nuvem brilha. Cor vermelha: devido a ats. de H emitindo na regiao vermelha do espectro e tambem a luz das estrelas quentes embebidas na nuvem Nebulosa de emissão de Orion, região H II 28

Via Lactea: mosaico de 180 Regiao com 12 29

12 do mosaico anterior: com estrelas, gas e poeira M20 M8: D=14 pc M=2600 Msol T= 7500 K n= 80x10 6 m -3 M20: D= 4pc M= 150 Msol T= 8200 K n= 100x10 6 m -3 Trifide (4 pc): M8 3 regioes de poeira: nuvens escuras 30

Nebulosas de emissao e nuvens escuras M16 M8 31

Nebulosas de Emissão: caracteristicas Espectroscopia fornece informações sobre as propriedades do gás interestelar. As linhas espectrais da nebulosa se sobrepõem ao espectro da estrela. Pelas medidas da largura das linhas no espectro da nebulosa obtém-se sua temperatura (nas proximidades da estrela): T ~ 8000K. 32

Nuvens de Poeira Cerca de 90% do meio interestelar: composto por regiões escuras (sem estrelas ou nebulosas brilhantes) nuvens de poeira Mais frias e mais densas que suas vizinhanças (10 3 a 10 6 vezes mais). n max = 1000 ats./cm 3 (densidade dos melhores vacuos em laboratorio) Maioria: dimensões maiores que nosso SS (40 UA); formas irregulares; ocupam 2 a 3% do volume total do MIS. Principal componente é o gás! (como resto do MIS): mas importante quantidade de poeira absorção da luz comprimentos de onda no infravermelho são melhor 33 detectadas

Nuvem Escura observada no optico (altas densidades de poeira): é invisivel Ex. Rho Oph 34

Rho Oph no infravermelho: A poeira emite no IV dai nao é escura Nuvem de Poeira no IV 35

Nebulosa Cabeça do Cavalo (no optico): nuvem escura 36

Observaçao de Nuvens de Poeira Atraves de espectros opticos (quando ha estrela ionizante) Emissao radio do gas H neutro (nuvens de poeira sao frias e ricas em gas H neutro!): Linha de λ = 21 cm permite estudar propriedades de todas nebulosas de poeira e gas propriedades do MIS 37

Linha de 21 cm (Hidrogênio neutro) No átomo de H: movimento orbital do elétron ao redor do núcleo (1 próton) & Movimento rotacional do próton e do elétron ao redor de seus próprios eixos: spin Apenas duas configurações no estado fundamental (n=1): spins paralelos e spins anti-paralelos. estado de maior energia 38

Linha de 21 cm do HI HI levemente excitado: assume o estado de spins paralelos - o elétron decai espontanemente para o estado de menor energia (spins anti-paralelos) : Emissão de fóton com λ = 21 cm: E=hc/λ Colisões atômicas são suficientes para elevar a energia do HI para os estado excitado, que corresponde aos spins paralelos. Energia necessaria para produzir essa transiçao: energia termica: kt com T= 100 K 39

Processo de emissão de fóton de λ=21 cm por um elétron em órbita ao redor do núcleo de um átomo de hidrogênio. 40

Gráfico intensidade vs. freqüência, mostrando a freqüência na qual o fóton é emitido, produzindo a linha de 21cm. Essa emissao em radio: atravessa facilmente o MIS, mesmo regioes com muita poeira e chega até nos 41

Nuvens Interestelares Gás ionizado por estrelas quentes: 10 4 K: Regioes HII (nebulosas de emissao) Gás Neutro: Regiões HI: T = 50 a 100 K detectadas pela linha de 21 cm. 42

Nuvens Interestelares Em geral: temperatura densidade nuvens frias: até 10 4 10 5 cm -3 nuvens de gás quente: 10 2 cm -3 43

Nuvens Moleculares Gigantes Além das regiões HI e HII, existem as nuvens moleculares gigantes: densas e ricas em gas molecular e poeira T ~ 10K; n ~ 1-3 10 5, 10 6 cm -3 ; M > 10 4 M R ~ 3,3 10 2 pc berçários estelares 1 M ~ 2 10 33 g 44

Nuvens Moleculares Compostas predominantemente de moléculas dimensões >> que nebulosas de emissão densidades de até 10 12 m -3 = 10 6 cm -3 Emissão ocorre quando há mudanças no estado rotacional das moléculas. Diferenças de energia são pequenas emissão principalmente de ondas rádio. CO, CN, OH, CH 3, CH 2, CN. 45

Moléculas & Poeira Moleculas e poeira: sempre aparecem associadas: Por que? A presença de poeira nas nuvens tem um efeito de preservar as moléculas contra radiação de altas energias, que poderia destruí-las. Poeira também pode agir como catalisadora na formação de moléculas propiciam um local para átomos juntarem-se e dissipar a energia da reação que de outra forma poderia dissociar moleculas recem formadas. 46

Observações das Nuvens Moleculares O principal conteúdo destas nuvens: H 2 mas não emite nem absorve radiação rádio (somente no UV menores λs) não fornece informações sobre a estrutura da nuvem. A linha de 21cm só é emitida pelo H atômico e não molecular. Necessario observar outras moléculas (ex.: CO, HCN, NH 3, H 2 O, H 2 CO): mas são milhões a bilhoes de vezes menos abundantes que o H 2. 47

Estudo da Nuvens Moleculares atraves dessas moleculas Nuvens moleculares não se encontram isoladas. Formam complexos com dimensões de até ~100 pc Os maiores complexos contêm gás suficiente para formar milhões de estrelas como o Sol. Cerca de 1000 complexos desse tipo são encontrados em nossa Galáxia. 48

Formação de Estrelas Vimos no Cap. 11 que estrelas formam-se a partir do colapso gravitacional de nuvens (escuras ou moleculares) Nuvem massiva e fria o bastante para: F G > F P : massa de Jeans Nuvem de: D= 10 14 a 10 15 km = 100 pc T= 10 K n= 10 9 parts./m 3 =10 3 parts./cm 3 (gas) gravitacionalmente instavel conteudo de poeira: importante para resfriar o gas à medida que contrai e + tarde para formacao de planetas: mas constitui fraçao desprezivel da M total da nuvem 49

À esquerda nuvem interestelar de gás e poeira, chamada Barnard 86. No lado direito aparece o aglomerado estelar jovem NGC6520. 50

Nebulosa Rosette (região H II, estrelas tipo O, B) Sitios com estrelas recem formadas e estrelas jovens Fontes de raios-x (possivelmente estrelas do tipo T Tauri) 51

Regiao de M20 (Trifide): mostra 3 estagios da formacao estelar: Nuvem progenitora Fragmentos colapsando Nebulosas de emissao contendo estrelas recem formadas 52

Nebulosa Trífide M20, na constelação de Sagitário, a 9000 anos-luz de distância, exemplo de um berçário de estrelas. 53

Pilares Gasosos (Nebulosa da Águia) 54

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Fragmentos de formacao estelar 56

Nebulosa Tarântula (30 Doradus) rico berçário estelar: A. Neb. do Cone, em Monoceros. B. Antares: luz espalhada por grãos de diferentes tamanhos C. CG4 neb. de reflexão D. IC2944 neb. de emissão + Glóbulos de Bok 57