EXERCÍCIO DAS AULAS 5 e 6 Este é um exercício prático relacionado às AULAS 5 e 6. Vocês devem escolher um filme qualquer (ficcional, documental, curta ou longa, não importa) e analisar UMA VARIÁVEL, UM PONTO ESPECÍFICO desse filme. Esse ponto é justamente a questão da VERDADE, do REAL que discutimos em aula. Um exemplo de análise vai neste mesmo arquivo: fiz algumas reflexões iniciais sobre essa questão no ILHA DAS FLORES e relacionei em uma análise bem inicial e breve. Normas pro exercício e critérios de avaliação: 1. deve ser enviado por e-mail ou entregue impresso até o dia 29 de abril (dia da prova teórica). Os que não chegarem na minha caixa de e-mail até a zero hora de 30 de abril serão desconsiderados (ou 24 horas do dia 29, como queiram). Os impressos devem ser entregues na hora da prova; 2. a análise deve ter no mínimo 20 linhas e no máximo 30 linhas (times new roman corpo 12, A4, margens de 2cm). Caso queiram inserir figuras, elas contam separadas do texto. Se forem mandar por e-mail, só cuidem pra que as figuras não sejam tão pesadas. O arquivo deve ter, no máximo no máximo, 1mb; 3. se forem analisar Ilha das Flores, que não seja na parte em que fiz a análise que vai no final deste arquivo; 4. não tenham medo de escrever besteira, porque o que conta é o argumento e a lógica
do que vocês vão apresentar, além da coerência com a teria que foi apresentada em aula; 5. tenham medo, sim, do crime contra a ortografia e afins, porque vai ser descontado; 6. lembrem de sempre: a) referenciar qualquer citação bibliográfica (vejam dicas no material que está no site com as normas pro artigo final) e b) referenciar o filme que viram. As referências (livro/s e filme/s) e títulos das análises não contam nas 30 linhas de limite; 7. o formato do arquivo pode ser pdf, doc ou odt (do openoffice); 8. a entrega do exercício e o respeito às normas aqui estabelecidas acrescenta 0,5 ponto à nota da prova. Se tirarem dez na prova, o meio ponto vai pro trabalho em grupo (a nota vai pro aluno, não pro grupo, claro). Se tirarem dez no trabalho em grupo, o meio ponto vai pro trabalho final. Se tirarem dez em tudo, bom, aí vocês são muito bons mesmo e eu vejo com o Detran se dá pra transferir o meio ponto pra carteira de motorista de vocês; 9. a não entrega do exercício ou o não respeito às normas estabelecidas pro trabalho acarreta em -0,5 na prova, no trabalho em grupo ou no trabalho final. Se alguém tirar zero em todas essas avaliações, eu penso em um serviço a ser prestado pra comunidade. Qualquer dúvida sobre o trabalho ou a análise em si, podem me procurar em aula mesmo ou mandar e-mail pra <penkala@gmail.com>.
No primeiro quadro já existe uma provocação. O curta de ficção já avisa que não é um filme de ficção. A trilha sonora nos remete a algo verdadeiro : O Guarany é a música de abertura de um tradicional programa radiofônico que remete à notícia e, portanto, aos sentidos de verdade e objetividade. O nome do programa, A voz do Brasil, reforça a idéia de que é o povo quem vai falar (ou de que alguém irá falar pelo povo). O filme resgata esse imaginário sobre a música e aquilo a que ela remete para nos reforçar a afirmativa inicial, de que não se trata de uma ficção. Estaria sugerindo que o que será apresentado a seguir seja uma espécie de reportagem? No quadro seguinte, outro reforço e outra afirmativa: Existe um lugar chamado Ilha das Flores. Assim, estabelece no existe o sentido de comprovação de um real externo ao filme e que lhe serve de referência. Ao dizer que Deus não existe (terceiro quadro), o diretor expressa uma idéia que dá o tom de todo o curta (além de resgatar a afirmativa de existência ou não do quadro anterior, insinuando-se como sabedor de uma verdade. Embora muitas vezes parecendo mais uma historinha cômica sobre uma determinada coisa (sobre o tomate, o mercado, o lucro, a comida, o lixo), Ilha das flores é um filme
fortemente engajado em uma crítica social irônica que já é delineada nesse terceiro quadro. Ele nos provoca a pensar: se existe um lugar miserável como a Ilha das Flores, existirá Deus? Além de engajado numa causa social importante, Jorge Furtado propõe, desde esse início até a mensagem final, uma profunda discussão filosófica a respeito do ser humano e suas necessidades básicas. Ao final do curta, que, talvez com exceção da dona Anete e do Sr. Suzuki, apresenta apenas questões reais, o tom de comicidade aplicado desde o início é perdido em meio à gravidade da situação dos que vivem dos restos dos porcos na Ilha das Flores. Ao encerrar essa pequena narrativa sobre a condição humana, Jorge Furtado insere, junto à locução em off, um arranjo de guitarra de O Guarany. Em off, o texto diz assim (trecho do roteiro final 1 ): (72) O tomate / plantado pelo senhor Suzuki, / trocado por dinheiro com o supermercado, / trocado pelo dinheiro que dona Anete trocou por perfumes extraídos das flores, / recusado para o olho do porco, / jogado no 1 Com algumas correções de erros de digitação e/ou ortográficos.
(veja quadros na página a seguir) lixo / e recusado pelos porcos como alimento / está agora disponível para os seres humanos da Ilha as Flores. (73) O que coloca os seres humanos da Ilha das Flores depois dos porcos na prioridade de escolha de alimentos é o fato de não terem dinheiro nem dono. (74) O ser humano se diferencia dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por ser livre. (75) Livre é o estado daquele que tem liberdade. (76) Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.
Nos créditos finais, a palavra verdade aparece na explicação sobre a autoria do texto dito (o que encerra o filme), esclarecendo que na verdade aquele texto é de um romance. Assim ocorre com a trilha de Carlos Gomes. Dando autoria ao texto dito e ao fundo musical, Jorge Furtado separa tais sentidos daquilo que ele apresenta como não sendo
um filme de ficção. Ele procede da mesma forma com relação aos personagens da dona Anete (e família), sua cliente de perfumaria, o Sr. Suzuki e a aluna Ana Luiza, assim como às locações. Dessa forma é que o filme separa o ficcional de todo o conteúdo mais importante, o conteúdo de verdade. Ou seja, é só assim que ele pode realmente ser assumido como não ficcional. E isso é reiterado quando o último quadro dessa série diz: O RESTO É VERDADE. É assim que o filme se afirma como não ficção mas, principalmente, que afirma a gravidade de tudo o que mostra, gravidade esta intensificada por ser documentada, testemunhada.