O Brasil no RDH 2001

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Política de Escopo Geográfico de Certificação de Produtor para o Comércio Justo Fairtrade

Transcrição:

RELATÓ RIO DE DESENVOLVIMENTO HUMANO 2001 www.undp.org/hdr2001 EMBARGADO ATÉ 10:00 a.m TMG, 10 DE JULHO DE 2001. Contatos do PNUD: Brasil: José Carlos Libânio (61) 329-2011 Fax (61) 329-2099 libanio@undp.org.br Nova Yorque: Trygve Olfarnes (212) 906-6606 Fax (212) 906-5364 trygve.olfarnes@undp.org O Brasil no RDH 2001 Valor do IDH do Brasil aumenta e o país permanece na mesma posição no ranking O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) brasileiro aumentou entre 1998 e 1999, e o Brasil permaneceu na mesma posição no ranking de 162 países, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) de 2001. O país ocupa a 69ª posição no novo ranking, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com um IDH de 0,750. O Brasil permanece no grupo dos países com desenvolvimento humano médio (de 0,500 a 0,799). O Brasil ocupava a 74ª posição no RDH 2000, mas o ranking listava 174 países, ao invés dos 162 listados no RHD 2001. Devido a inconsistências estatísticas, 12 países foram retirados da classificação do IDH no Relatório deste ano, entre os quais seis que estavam à frente do Brasil: Antígua, Saint Kitts, República Dominicana, Seychelles, Granada e Cuba. Por esse motivo, e também porque foram adotadas as séries estatísticas mais recentes para o cálculo das variáveis que compõem o IDH, NÃO SE PODE COMPARAR O RANKING DO IDH PUBLICADO NO RDH 2000 referente ao ano de 1998 COM AQUELE PUBLICADO AGORA, NO RDH 2001 referente ao ano de 1999. Porém, para permitir a comparação correta com a classificação anterior, o PNUD calculou o valor do IDH de 1998, apenas para os 162 países listados no RDH 2001, utilizando as mesmas recentes séries estatísticas usadas para estimar o IDH de 1999, o que permitiu a elaboração do novo ranking relativo a 1998. Nessa classificação, o Brasil permanece na 69ª posição entre esses 162 países. A tabela abaixo informa os dados para o Brasil, referentes a 1998 (novo cálculo para 162 países) e 1999 (tal como consta do RDH 2001). Brasil Ranking do IDH (162 países) Expectativa de vida Adultos alfabetiza dos Taxa de matrícula PIB per capita (PPP US$) Índice de saúde Índice de educação Índice de renda IDH 1998 69º 67,3 anos 84,5% 78,3% 7.071,70 0,70 0,82 0,71 0,746 1999 69º 67,5 anos 84,9% 80,0% 7.037,00 0,71 0,83 0,71 0,750

A melhora no IDH brasileiro foi provocada por avanços em duas das três dimensões que compõem o índice: saúde e educação. O índice específico para a saúde cresceu de 0,70 para 0,71. A razão da melhora foi o aumento da esperança de vida ao nascer do brasileiro, de 67,3 anos para 67,5 anos. No caso do índice de educação, houve um aumento da taxa de matrícula combinada para os três níveis de ensino (fundamental, médio e superior), de 78,3% para 80%, assim como da taxa de alfabetização de adultos, que passou de 84,5% para 84,9%. No caso da dimensão renda, o índice específico permaneceu em 0,71, uma vez que a variação negativa do PIB per capita entre 1998 e 1999, de PPC US$ 7.071,70 para PPC US$ 7.037,00, foi marginal, não chegando a afetar o valor deste índice específico. Cabe ressaltar que esses valores, utilizados para o cálculo do IDH estão expressos em dólares PPC (Paridade do Poder de Compra), calculados pelo Banco Mundial 1. Desempenho brasileiro comparado ao resto do mundo Segundo a classificação adotada pelo RHD, o Brasil se insere em três grupos de países: entre os 26 territórios da América Latina e Caribe; entre os 71 países de renda média (PIB per capita entre US$ 756,00 e US$ 9.265,00); e entre os 112 países em desenvolvimento. O desempenho brasileiro no IDH é superior à média dos dois últimos grupos, mas fica aquém da média de seus vizinhos geográficos. O IDH latino-americano e caribenho no Relatório 2001 ficou em 0,760, contra 0,750 do brasileiro. O PIB per capita superior e a maior taxa de matrícula não são suficientes para compensar as defasagens do país em expectativa de vida e alfabetização de adultos, como se pode ver na tabela abaixo. Expectativa de vida (em anos) Adultos alfabetizados (%) Taxa de matrícula (%) PIB per capita (PPP US$) RDH 2001 Índice Índice de Índice de saúde educação de renda IDH Brasil 67,5 84,9 80 7.037 0,71 0,83 0,71 0,750 América Latina 69,6 87,8 74 6.880 0,74 0,83 0,71 0,760 Países em desenvolvimento 64,5 72,9 61 3.530 0,66 0,69 0,59 0,647 Países de renda média 69,5 85,7 74 5.310 0,74 0,82 0,66 0,740 A comparação dos indicadores mostra uma desproporção entre a renda per capita dos brasileiros e seu grau de desenvolvimento em saúde e educação. Mesmo com um PIB per capita 25% menor do que o do Brasil, o grupo de 71 países de renda média, por exemplo, tem uma expectativa de vida dois anos maior, além de um percentual levemente superior de adultos alfabetizados. A seguir, os três índices específicos do IDH 2001 do Brasil em comparação com as médias mundial, dos países ricos da OCDE e da América Latina 1 A utilização da taxa PPC faz com que um dólar tenha o mesmo poder de compra sobre o PIB doméstico (por exemplo do Brasil) que o dólar EUA tem sobre o PIB dos Estados Unidos da América. Assim, o PPC US$ (dólar PPC) permite uma comparação normalizada dos níveis de preços reais entre países, diferentemente das taxas de câmbio normais que podem sobre ou subvalorizar o poder de compra.

Índice de saúde As 3 dimensões do IDH 0.95 0.90 0.85 0.80 0.75 0.70 0.71 0.65 0.60 0.71 0.83 Índice de renda Índice de educação Países ricos América Latina Brasil Mundo Na verdade, como já ocorreu em outros Relatórios, se dependesse apenas de sua renda per capita, o Brasil ocuparia uma posição mais privilegiada na classificação. Os brasileiros têm o 57ª maior PIB per capita entre os 162 países pesquisados. Ao mesmo tempo, porém, ocupam a 79ª posição no índice relativo à educação, e o 95º lugar no índice que mede as condições de saúde. A título de exemplo, Croácia (PPC US$ 7.387,00) e Bielorrússia (PPC US$ 6.876,00), que têm PIBs per capita semelhantes ao brasileiro, ocupam, respectivamente, a 46ª e a 53ª posições no ranking do IDH. Ou seja, estão até 10 posições (no caso dos croatas) à frente na classificação do IDH. O Brasil, entretanto, não é o único com uma grande defasagem entre a renda média de sua população e o grau de desenvolvimento humano. Países sub-saarianos como África do Sul, Botswana e Gabão, e até mesmo europeus, como a Turquia, têm diferenças ainda maiores entre sua posição no ranking de renda e no do IDH: -49, -55, -44 e 21 posições, respectivamente. O Brasil tem uma defasagem de 12 posições na sua classificação do IDH em comparação à classificação do PIB per capita. É difícil comparar países com características tão diferentes quanto Brasil e África do Sul, mas uma pista para explicar o fato de ambos terem populações com graus de desenvolvimento humano inferiores ao de sua renda média é a desigualdade. Medida pelo índice de Gini, ambos apresentam resultados entre os mais desfavoráveis no mundo. Numa escala em que 100 representa a desigualdade total, e 0, a igualdade absoluta, brasileiros e sul-africanos têm índices de 59,1 e 59,3, respectivamente. Esses graus de desigualdade só não são maiores do que os da Suazilândia (60,9) e da Nicarágua (60,3). Traduzindo-se a desigualdade de outra maneira, a renda dos 10% mais ricos da população brasileira é 48,7 vezes maior do que a dos 10% mais pobres (1997). O Brasil é um bom exemplo do que acontece de modo geral no continente. Segundo o RDH 2001, em 13 de 20

países da América Latina e Caribe para os quais há dados para os anos 90, os 10% mais pobres têm menos de 1/20 da renda dos 10% mais ricos. Essa alta desigualdade de renda põe milhões em extrema pobreza e limita severamente o efeito do crescimento sobre a (redução da) pobreza. Assim, a América Latina e Caribe podem atingir a meta da Declaração do Milênio de reduzir a pobreza à metade até 2015 apenas se a região gerar mais crescimento econômico e se esse crescimento beneficiar desproporcionalmente mais os pobres, acrescenta o Relatório. Porém a desigualdade de renda é insuficiente para explicar todas as defasagens. Na América Latina, os países campeões de desigualdade, como Nicarágua, Honduras e Bolívia, tendem a ser mais pobres do que os países africanos em igual situação, porém, ao contrário dos países sub-saarianos, conseguem classificações no ranking do IDH superiores ao seu ranking de renda. O Brasil é 14º na América Latina e Caribe O Brasil é o 14º colocado em desenvolvimento humano entre os 26 países da América Latina e Caribe. Trata-se de uma das regiões com maiores disparidades no mundo: o IDH do mais bem colocado, Barbados, é quase o dobro do pior colocado, o Haiti, e sua renda per capita, nada menos do que 10 vezes superior mesmo as duas ilhas estando distantes não mais do que algumas centenas de quilômetros uma da outra. Da mesma forma, a classificação brasileira varia muito quando se analisam as várias dimensões do desenvolvimento humano. O Brasil está em uma posição intermediária graças, principalmente, ao seu PIB per capita. Os brasileiros têm a 9ª maior renda média da região, mas estão muito mais mal colocados no que se refere à expectativa de vida e à percentual de adultos alfabetizados: na 20ª posição em ambos os casos. O país tem também um desempenho relativamente bom na taxa de matrícula. É o 4º colocado na região, mas o peso desse indicador é menor do que o da renda na composição final do IDH. AMÉRICA LATINA e CARIBE Adultos alfabetizados (%) Taxa de matrícula (%) Ranking IDH País Expectativa de vida (em anos) PIB per capita (US$ PPP) IDH 31 Barbados 76,6 97 77 14.353 0,864 34 Argentina 73,2 96,7 83 12.277 0,842 37 Uruguai 74,2 97,7 79 8.879 0,828 39 Chile 75,2 95,6 78 8.652 0,825 41 Costa Rica 76,2 95,5 67 8.860 0,821 42 Bahamas 69,2 95,7 74 15.258 0,820 49 Trinidad e Tobago 74,1 93,5 65 8.176 0,798 51 México 72,4 91,1 71 8.297 0,790 52 Panamá 73,9 91,7 74 5.875 0,784 54 Belize 73,8 93,1 73 4.959 0,776 61 Venezuela 72,7 92,3 65 5.495 0,765 62 Colômbia 70,9 91,5 73 5.749 0,765 64 Suriname 70,4 93 83 4.178 0,758 69 Brasil 67,5 84,9 80 7.037 0,750 73 Peru 68,5 89,6 80 4.622 0,743 78 Jamaica 75,1 86,4 62 3.561 0,738 80 Paraguai 69,9 93 64 4.384 0,738 84 Equador 69,8 91 77 2.994 0,726 86 República Dominicana 67,2 83,2 72 5.507 0,722 93 Guiana 63,3 98,4 66 3.640 0,704 95 El Salvador 69,5 78,3 63 4.344 0,701 104 Bolívia 62,0 85 70 2.355 0,648 106 Nicarágua 68,1 68,2 63 2.279 0,635 107 Honduras 65,7 74 61 2.340 0,634 108 Guatemala 64,5 68,1 49 3.674 0,626 134 Haiti 52,4 48,8 52 1.464 0,467

Chama a atenção o fato de o Brasil ter uma expectativa de vida média para seus habitantes não apenas nove anos menor do que a do 1º colocado, Barbados, mas também quase três anos e meio inferior à da Colômbia (cuja longevidade é ceifada pelas mortes provocadas pela guerrilha e pelo narcotráfico), dois anos e meio mais curta do que a do Paraguai e dois anos menor do que a de El Salvador, dois países que estão bem atrás do Brasil na classificação geral do IDH (80º e 95º lugares, respectivamente ). Não se trata de um problema novo, mas da dificuldade de resolvê-lo com eficácia ao longo do tempo. Entre o período 1970-75 e 1995-2000, o Brasil conseguiu aumentar a expectativa de vida de sua população em menos de oito anos uma evolução inferior à média latinoamericana. Há várias explicações possíveis, que vão desde as mortes ocorridas nos primeiros anos de vida, até as provocadas por epidemias como a Aids, passando pelas causas violentas. Entre 1970 e 1999 o país registrou grande avanço na redução da mortalidade infantil (até um ano de idade), que caiu de 95 para 34 óbitos a cada mil bebês nascidos vivos. Apesar disso, a taxa brasileira ainda é mais alta, por exemplo, do que a paraguaia (27 mortes por mil nascimentos) e praticamente igual à salvadorenha (35 por mil). Quando se estende a análise à mortalidade até cinco anos, percebe-se uma evolução até mais dramática, com a taxa caindo de 135 óbitos por mil nascimentos em 1970 para 40 por mil em 1999. Porém a comparação com outros países mostra a taxa brasileira novamente mais alta do que a de países mais mal colocados no ranking do IDH, como são os casos de Jamaica (11 por mil), Paraguai (32/mil) e Equador (35/mil). Some-se a isso uma grande incidência de mortes violentas provocadas por assassinato e trânsito e o resultado é uma probabilidade relativamente alta de um brasileiro nascido entre 1995 e 2000 não chegar aos 40 anos de idade: 11,3% um risco quase duas vezes maior do que o enfrentado por um argentino ou por um chileno. O problema é mais grave para os homens: de cada mil bebês do sexo masculino nascidos vivos, apenas 593 chegarão aos 65 anos de vida. Entre as mulheres, essa relação é de 754 por mil. No longo prazo, IDH brasileiro sobe acima da média Entre as tabelas que integram o RDH 2001 há uma que traça a evolução dos índices de desenvolvimento humano dos países desde 1975 até 1999, a intervalos de cinco anos. Não há dados para todos os 162 países em todos os anos da série, mas as estatísticas disponíveis são suficientes para mostrar que ao longo desses 24 anos, a evolução do IDH brasileiro foi ligeiramente mais acentuada do que a média mundial e a dos países latino-americanos. Em 1975, o índice do Brasil era de 0,641, a média dos países da América Latina e Caribe, de 0,653, e a média mundial era 0,592. Em 1999, esses valores haviam subido para 0,750, 0,732 e 0,684, respectivamente. Isto é, o IDH brasileiro subira 17%, enquanto o latino-americano aumentara 12%, e o mundial, 16%. Vale notar que esse desenvolvimento atingiu um grande número de países que conseguiram saltar dos patamares de IDH baixo para o médio, e do médio para o alto, ao longo desse período. A tendência de evolução do IDH brasileiro se mantém nos últimos anos. Tomando-se apenas os últimos cinco anos, nota-se que o crescimento do índice foi de 2,2%, um resultado superior à média do continente (1,8%) e à da maioria dos vizinhos.

0.770 0.750 Brasil África do Sul 0.750 0.730 0.710 0.690 0.690 0.712 0.710 0.734 0.722 0.702 0.670 0.676 0.681 0.661 0.650 0.648 0.641 0.630 1975 1980 1985 1990 1995 1999 O gráfico acima mostra dois países que partiram de patamares semelhantes de desenvolvimento humano em 1975 e chegaram a resultados diferentes duas décadas e meia depois, exemplificando a tese sobre a importância das políticas públicas defendida pelo RDH 2001. Em meados dos anos 70, os sul-africanos tinham um IDH de 0,648, contra 0,641 dos brasileiros. Nos 15 anos seguintes percorreram trajetórias semelhantes, com avanços ora maiores no Brasil, ora na África do Sul. Em 1990, estavam praticamente empatados, com índices de, respectivamente, 0,710 e 0,712. Começou então a se intensificar a epidemia de Aids nos dois países. Com uma política mais eficaz de combate à doença, o Brasil seguiu sua trajetória de evolução no desenvolvimento humano, enquanto a África do Sul sofria revezes graves. Cinco anos depois, em 1995, o IDB brasileiro chegava a 0,734, contra 0,722 do sul-africano. Mas cinco anos, e o índice desse país caía para 0,702, enquanto o do Brasil subia a 0,750. Apesar de ter um PIB per capita maior do que o brasileiro (PPC US$ 8.908 contra PPC US$ 7.037), uma taxa de matrícula superior (93% contra 80%) e o mesmo percentual de alfabetização de adultos (84,9%), a África do Sul está 25 posições atrás do Brasil no ranking do RDH 2001. Tudo por causa da expectativa de vida de sua população: 53,9 anos, ou 13,6 anos menor do que a brasileira. Segundo projeções da Divisão de População das Nações Unidas, no período 1995-2000 o Brasil teve um aumento de 3% no número de mortes por causa da Aids. Já na África do Sul o impacto da doença foi quase 14 vezes maior: 41%, ou 654 mil mortes a mais. Enquanto a expectativa de vida dos brasileiros poderia ter sido 0,4 anos maior nesses anos se não fosse a doença, a epidemia já roubou 6,6 anos da esperança de vida ao nascer dos sul-africanos. E o que é pior: segundo as mesma projeções, entre 2000 e 2005 a expectativa de vida do país deve cair para apenas 47,4 anos, ou 18 anos a menos do que seria se não houvesse a Aids.

Brasil está em 18º no ranking de Pobreza Humana Além do IDH, o RDH 2001 traz vários índices que medem outros aspectos do desenvolvimento humano. Entre eles, destaca-se o Índice de Pobreza Humana (IPH), que é dividido em duas classificações: uma para os países desenvolvidos, e outra para os demais. A razão disso é que a definição do que é pobreza em um país rico difere muito da de um país pobre ou em desenvolvimento. No ranking 2001 do IPH para os países em desenvolvimento, o Brasil aparece em 18º lugar entre 90 territórios classificados. Houve mudanças no cálculo do índice em relação ao Relatório de 2000 (quando o Brasil ficou em 21º lugar entre 85 países), o que impede uma comparação entre os dois anos. O IPH brasileiro no ranking 2001 ficou em 12,9%. Segundo a metodologia do IPH, esse valor reflete a porcentagem de brasileiros com privações graves nos mesmos três aspectos do desenvolvimento humano medido pelo IDH: longevidade, conhecimento e padrão de vida digno. No caso do Brasil, o índice é uma média ponderada dos 11,3% de crianças nascidas vivas que não devem ultrapassar os 40 anos de idade, 15,1% de adultos analfabetos, 17% da população sem acesso a água tratada e 6% de crianças até 5 anos de idade com deficiência de peso. Índice de Pobreza Humana (IPH) Brasil Pessoas que não devem ultrapassar os 40 anos Taxa de analfabetismo de adultos População sem acesso a água potável Menores de 5 anos com insuficiência de peso Pessoas vivendo com até US$ 1/dia Pessoas abaixo da linha de pobreza de US$ 2/dia IPH (padrão Ano RDH 2001) 2000 14,2% 11,3% 15,5% 24,0% 6,0% 5,1% 17,4% 2001 12,9% 11,3% 15,1% 17,0% 6,0% 9,0% 22,0% Se usarmos a mesma metodologia adotada no RDH 2001 com os dados do ano anterior, vemos que o índice de pobreza humana brasileiro diminuiu nesse período de 14,2% para 12,9% da população. Considerando-se que os indicadores de longevidade e conhecimento permaneceram inalterados, o responsável pela queda no IPH foi um dos dois aspectos que compõem a dimensão de padrão de vida digno: a população sem acesso a água tratada caiu de 24% para 17%. Entretanto uma comparação com os dados do RDH 2000 revela que aumentou a quantidade de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza, seja ela medida segundo a linha de pobreza de PPP US$ 2,00 por dia (de 17,4% para 22%), seja segundo o critério do número de pessoas sobrevivendo com menos de PPP US$ 1,00 por dia (de 5,1% para 9%). Vale observar ainda que vários países mais bem classificados do que o Brasil no ranking do IDH apresentam percentuais de pobreza humana mais elevados do que o brasileiro, como são os casos da Arábia Saudita, Tailândia e Líbia, por exemplo.

Brasil avança na classificação do desenvolvimento humano ajustado por gênero (IDG) O Índice de Desenvolvimento Humano ajustado ao Gênero (IDH-G) do Brasil cresceu de 0,736 no RDH 2000 para 0,743 no Relatório deste ano. Assim, a posição brasileira nesse ranking também melhorou: passou de 66ª entre 143 países para 64ª em 146 classificados. Também na comparação com o ranking do IDH o desempenho brasileiro é superior em uma posição. Índice de Desenvolvimento Humano ajustado ao Gênero (IDG) Esperança de vida Taxa de alfabetização Taxa de matrícula PIB per capita PPP US$ Mulheres Homens Mulheres Homens Mulheres Homens Mulheres Homens 71,2 anos 63,3 anos 84,5% 84,5% 82% 78% 3.830 9.483 71,8 anos 63,9 anos 84,9% 84,8% 80% 79% 4.067 10.077 O IDH-G brasileiro cresceu a despeito de os indicadores mostrarem praticamente nenhuma variação significativa entre um ano e outro. A esperança de vida de ambos os sexos cresceu na mesma proporção, bem como o PIB per capita. E a leve vantagem feminina na taxa de alfabetização é contrabalançada pela diminuição da diferença na taxa de matrícula entre os gêneros. Como de praxe, a comparação do Brasil com outros países que estão na mesma faixa classificatória do IDH mostra uma vantagem brasileira na eqüidade de gênero em relação aos países árabes, como Arábia Saudita (68º no IDH e 75º no IDG), e uma desvantagem em relação a países do Sudeste Asiático, como Filipinas (70º no IDH e 62º no IDG). As Filipinas, aliás, são um bom exemplo de emancipação feminina também em outro aspecto medido pelo RDH: o empowerment (poderio) feminino. Os filipinos são governados por uma presidenta e estão listados em 46º lugar na classificação da participação segundo o gênero. O Brasil ficou novamente fora desse ranking por falta de dados, mas com apenas 5,9% de mulheres no Parlamento (um dos indicadores), o país tem uma das menores taxas de poderio feminino na esfera política.