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Transcrição:

CONTEXTO HISTÓRICO A situação existente em Portugal e no mundo durante o período da vida de Alfredo Dinis ficou marcada pela luta abnegada dos povos e dos trabalhadores, no sentido de melhorarem as suas condições de vida. Como acontecimento maior da história da Humanidade surge a vitória da Revolução Socialista de Outubro (Novembro no Ocidente) de 1917 na Rússia que inspirou milhões de seres humanos no mundo inteiro a continuarem essa luta. Em Portugal, a Revolução de 1910 depusera uma monarquia anacrónica e desacreditada, mas não alterara as estruturas económicas e sociais. Entretanto, os governos da I República (1910-1926) tornavam-se cada vez mais permeáveis às tentativas golpistas reaccionárias, respondendo com repressão e perseguição às lutas pela melhoria das condições de vida do movimento operário e sindical português, que se consolidou e fortaleceu grandemente nesses anos de forte agitação social. O exemplo inspirador da Rússia, futura União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, haveria de animar ainda mais essas lutas em Portugal, onde, em 6 de Março de 1921, nasceu o Partido Comunista Português (PCP). Mas com o triunfo do golpe de 28 de Maio de 1926, cedo a ditadura militar se transformou em ditadura fascista, correspondendo aos interesses dos monopólios e dos latifúndios associados ao imperialismo estrangeiro, impondo o seu jugo de forma terrorista sobre a população portuguesa. A liquidação do sindicalismo livre, a proibição dos partidos políticos, a perseguição dos seus dirigentes, as expulsões do ensino liceal e universitário e a criação de um monstruoso aparelho repressivo com prisões, deportações e assassinatos fizeram parte da ditadura fascista portuguesa (1926-1974). Foi nesse contexto que Alfredo Dinis cresceu e moldou fortemente o seu carácter combativo e revolucionário ante esse período sombrio, ingressando em 1936 nas Juventudes Comunistas, numa altura em que já trabalhava como operário metalúrgico em Almada, na Parry&Son, e prosseguia os seus estudos nocturnos como desenhador numa escola industrial. O fascismo português cedo se colocaria ao lado dos outros poderes fascistas, como no caso do apoio aos insurgentes fascistas de Franco contra a Espanha democrática na Guerra Civil (1936-1939) e no apoio ao nazi-fascismo na II Guerra Mundial (1939-1945). Após a saída da prisão, entretanto ocorrida em Maio de 1939, Alfredo Dinis desempenha destacado papel como responsável da Célula do Partido na Parry&Son e do Comité Local de Almada, contribuindo abnegadamente para o enorme sucesso das greves havidas em toda a região de Lisboa em finais de 1942. No ano seguinte é chamado ao Comité Regional de Lisboa, onde, em Julho e Agosto, contribui decisivamente para a importância das greves em Lisboa e Margem Sul do Tejo com mais de 50 mil trabalhadores envolvidos. Entrando na clandestinidade, escapa entretanto à violenta e brutal vaga repressiva do fascismo, e já nessa condição é eleito para o Comité Central do PCP, em Novembro de 1943, no III Congresso (I Ilegal) do Partido. Está presente nas organizações regionais de Lisboa, Margem Sul do Tejo e Ribatejo, de novo assumindo destacado papel na organização e condução das greves de 8 e 9 de Maio de 1944, sendo mesmo um dos membros do Comité Organizador das Greves do Partido. Nestas paralisações participam dezenas de milhares de operários e camponeses dessas regiões. No ano de 1945 é eleito para o Bureau Político do Comité Central do Partido, antes de ser assassinado pela PIDE, a 4 de Julho. O PCP constituir-se-ia, assim, na grande força da resistência antifascista em Portugal, numa luta diária pela restituição da liberdade e da democracia ao povo português. Implantação da República, 1910 Lenine a discursar na Praça Vermelha Golpe de 26 de Maio de 1926