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Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região - 1º Grau PJe - Processo Judicial Eletrônico Consulta Processual Número: 0010673-24.2013.5.19.0008 26/05/2014 Classe: AÇÃO TRABALHISTA - RITO ORDINÁRIO Tipo Partes Nome AUTOR SIND DOS TRABALHADORES NAS IND URBANAS NO ESTADO DE AL - CNPJ: 12.156.691/0001-04 JOAO VIEIRA DOS SANTOS NETO - OAB: AL7332 CARMIL VIEIRA DOS SANTOS - OAB: AL2693B ROSALIO LEOPOLDO DE SOUZA - OAB: AL3567 MARIANA ANGELICA BUARQUE DA ROCHA ULISSES - OAB: AL11328 SÉRGIO BATISTA DE LIMA - OAB: AL4940 RÉU COMPANHIA ENERGETICA DE ALAGOAS - CEAL - CNPJ: 12.272.084/0001-00 ALEXANDRE JOSE AUSTREGESILO DE ATHAYDE BREGA - OAB: AL5272 Id. 10070 86 Data da Assinatura Documento Documentos 23/05/2014 11:49 Sentença Sentença Tipo

TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 19ª REGIÃO 8ª VARA DO TRABALHO DE MACEIÓ - AL PROCESSO Nº 0010673-24.2013.5.19.0008 (RECLAMAÇÃO TRABALHISTA) SENTENÇA VISTOS, ETC... I - RELATÓRIO: SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS URBANAS NO ESTADO DE ALAGOAS SITUEA, na condição de substituto processual, interpôs Reclamação Trabalhista em face da COMPANHIA ENERGÉTICA DE ALAGOAS CEAL (ELETROBRAS DISTRIBUIÇÃO ALAGOAS), ambos qualificados, postulando pagamento dos consectários contidos na peça de ingresso. Regularmente notificada, a Reclamada compareceu a audiência e após recusar a primeira proposta de conciliação e dispensar a leitura da inicial, apresentou defesa, contestando no mérito as demais pretensões. Alçada fixada conforme inicial. Réplica do autor. encerrada. Em audiência de prosseguimento, sem mais provas ou requerimentos, a instrução foi Razões finais, reiterativas por ambas as partes. Malograda a segunda tentativa conciliatória. É o Relatório. Passa-se a decidir. II FUNDAMENTAÇÃO: 1. QUESTÕES INCIDENTAIS: DA IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA SUSCITADA PELA RECLAMADA. Pretende a reclamada a redução do valor da causa para R$ 7.500,00. Num. 1007086 - Pág. 1

À praxe, no processo do trabalho é que o valor atribuído à causa tem como finalidade garantir a recorribilidade da decisão (art. 2º, 3º da Lei n. 5.584/70) e determinar o rito a ser observado (art. 852-A, da CLT), devendo a impugnação ao valor da causa ser apresentada nas razões finais (art. 2º, 1º, Lei 5.584/70). Tendo em vista que a alçada foi fixada em valor superior a 02 salários mínimos, assegurando-se às partes a recorribilidade da decisão e que o reclamado quedou-se inerte no momento processual adequado à apresentação da impugnação, temos por prejudicada a apreciação da impugnação apresentada na contestação. 2. DA PRELIMINAR DE INÉPCIA DA INICIAL SUSCITADA PELA RECLAMADA EM RELAÇÃO AO PEDIDO DE DIFERENÇAS DE HORAS EXTRAS. Sem razão. A inicial preenche os requisitos contidos no artigo 840 da CLT, no que diz respeito aos fundamentos e as causas de pedir remota e próxima, bem com quanto aos pedidos. Dessa forma, razão não assiste à Ré quanto à alegação de inépcia do pleito em tela, posto que perfeitamente possível de ser apreciado juridicamente. Afasta-se. 3. DA PREJUDICIAL DE MÉRITO: PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. Acolhe-se a argüição da prescrição qüinqüenal suscitada para, com base no artigo 7º, inciso XXIX da CF/88, declarar inteiramente prescritos os créditos trabalhistas supostamente devidos aos substituídos em relação ao período anterior aos cinco anos anteriores da data da postulação da Reclamação, ou seja, anteriores a 20 de novembro de 2008, pelo que com arrimo no artigo 269, IV, do CPC, de aplicação subsidiária ao processo do trabalho, ex vi do artigo 769 da CLT, resolve-se o processo, com julgamento do mérito, no particular. 4. DO MÉRITO 4.1 DAS DIFERENÇAS DE HORAS EXTRAS. Postula o autor o pagamento de diferenças de horas das extras pagas a menor aos seus empregados e ex-empregados, submetidos à jornada semanal de 37 (trinta e sete) horas e 30 (trinta) minutos, adotando para cálculo o divisor de 187,5, no decorrer dos seus contratos de trabalho, inclusive com parcelas vencidas e vincendas, até a efetiva implantação, além dos reflexos nas férias, FGTS, aviso prévio, 13º salário, RSR, ADL, adicional de periculosidade/insalubridade, adicional noturno, verbas rescisórias, anuênios, adicional de transferência e demais verbas salariais. Aduz que em razão de norma coletiva, os empregados da reclamada são submetidos a uma jornada diária de 07h30 (sete horas e trinta minutos) e semanal de 37h30 (trinta e sete horas e trinta minutos) trabalhando de segunda a sexta-feira. seria 187,5. Assevera que a Ré, na apuração das horas extras utiliza o divisor 220 quando o correto Em defesa a Ré refutou as alegações do autor aduzindo que não há previsão nos acordos coletivos de trabalho celebrado entre as partes assegurando que o divisor de horas tenha equivalência com a jornada efetivamente laborada. Num. 1007086 - Pág. 2

Afirma que os seus instrumentos individuais de trabalho respeitam as regras previstas no art. 7º, incisos VI, XIII e XXVI da Constituição Federal, bem como há previsão no instrumento particular de trabalho que o divisor a ser utilizado é de 220 para apuração do salário-hora (id 690574). É incontroverso no autos o labor na jornada de 07h30 pelo empregados da reclamada, exceto aqueles que laboram em turnos de revezamento e em jornadas especiais. Observa-se do comprovante de pagamento do mês 08/2011 (id 416592, pág. 10) do paradigma JOSÉ CÍCERO DA SILVA, matrícula 19372, que as horas permanentes (verba 232) foram calculadas utilizando o divisor 220 [(salário + anuênio)/220 x 1,5 x 17horas extras] obtendo-se o valor de R$ 472,52 a título de horas extras [(R$3.065,13 + R$1.011,49)/220 x 1,5 x 17]. Consabe-se que nos termos do art. 64 da CLT "o salário-hora normal, no caso de empregado mensalista, será obtido dividindo-se o salário mensal correspondente à duração do trabalho, a que se refere o art. 58, por 30 (trinta) vezes o número de horas dessa duração." Dessa forma, para fins de apuração do valor hora a ser utilizado no cálculo das horas extras, o divisor, deve corresponder ao resultado da multiplicação do número de horas trabalhadas por dia pelo número de dias efetivamente trabalhados, dividido pelo número de dias úteis da semana e multiplicado pelo número médio de dias do mês, independentemente da carga horária semanal ou mensal contratada, até porque a jornada de 44 horas semanais não deve prevalecer sobre a carga horária efetivamente cumprida pelo trabalhador. No caso vertente, os ACT s 2011/2012 e seguintes (id 416482, 419718, 690647 e 692412) demonstram que desde maio/2011 a jornada diária dos trabalhadores da reclamada, com exceção daqueles que laboram em turnos de revezamento e horários especiais, foi reduzida para 07h30, perfazendo uma carga horária 37,5 horas semanais (7,5 x 5 = 37,5) Assim, o divisor, corresponderá a multiplicação do número de horas trabalhadas por dia (07h30) pelo número de dias efetivamente trabalhados (05), dividido pelo número de dias úteis da semana (06) e multiplicado pelo número médio de dias do mês (06), chegando-se ao valor de 187,5 (7,5x5 6x30=187,5). Considerando que o Direito do Trabalho é regido pelo Princípio da Primazia da Realidade, em que se busca reconhecer o que ocorre no mundo dos fatos, bem como os ACT s constituem norma mais favorável ao trabalhador em relação às previstas no contrato individual de trabalho, não há razão para adoção do divisor 220, utilizado para carga horária semanal de 44 horas. Ademais, na há se falar em incidência do princípio da irretroatividade e em ato jurídico perfeito, visto que as diferenças de horas extras pleiteadas tem por base as ACT s 2011/2012 e seguintes acostadas aos autos (id e aplicáveis ao período de sua vigência. Sobre o tema segue a jusrisprudência colhida dos TRT s da 4ª e 14ª Região. JORNADA DE TRABALHO - DIVISOR DE 187,5. ART. 64 DA CLT. HORA EXTRA - BASE DE CÁLCULO. REFLEXO NO CÁLCULO DO DESCANSO SEMANAL REMUNERADO. ART. 7º, A, DA LEI N. 7.415/1985. I - Para calcularse o valor do salário hora, regularmente, utiliza-se o divisor de 220, nos casos em que o empregado trabalha 44 horas semanais; sendo a jornada semanal de 36 horas, como no caso dos bancários, o divisor é de 180. Contudo, se a jornada do obreiro não coincidindo com uma dessas hipóteses, sem regra autônoma a respeito, nada obsta que o divisor seja o resultado da jornada semanal dividida por seis e multiplicada por trinta, a exemplo de 37,5 horas semanais, que resulta num divisor de 187,5. Aliás, trata-se de aplicação da norma do art. 64 da CLT. II - A base de cálculo das horas extras será composta pelas parcelas remuneratórias de natureza salarial e adicionais previstos em lei, acordo ou convenção coletiva. III - As horas extras habituais, ou Num. 1007086 - Pág. 3

seja, quando presentes na periodicidade do pagamento do obreiro, integram o cálculo do descanso semanal remunerado (inteligência do art. 7º, a, da lei n. 7.415/1985. Recurso desprovido.(trt-14 - RO: 68520070051400 RO 00685.2007.005.14.00, Relator: JUIZ MÁRIO SÉRGIO LAPUNKA, Data de Julgamento: 13/12/2007, SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DETRT14 n.082, de 18/12/2007) DIVISOR DE HORAS EXTRAS. O reclamante tem jornada convencional de 7h30, em 05 dias por semana. O total de horas semanais trabalhadas é de 37h30. Assim sendo, dividindo-se este montante pelo número de dias úteis na semana, ou seja, 06 dias, obtém-se o fator 6,25 que, multiplicado pelos 30 dias do mês, leva ao divisor 187,5. Improspera o recurso patronal que pretendeu fixar o divisor em 220. (TRT 23ª Região, 1ª Turma, 00884.2006.004.23.00-9, Relator Des. Tarcísio Valente, DJE 12.04.2007) Assim, as horas extras laboradas pelos empregados e ex-empregados da reclamada submetidos à jornada diária de 07h30, de segunda a sexta-feira, com exceção dos que laboram em turnos de revezamento e em jornadas especiais, deverão ser calculadas com base no divisor de 187,5, sendo devidas as diferenças havidas a partir de 01 de maio de 2011, conforme ACT s 2011/2012 e seguintes anexadas aos autos, com reflexos em férias, FGTS, aviso prévio, 13º salário, RSR, ADL, adicional de periculosidade, adicional noturno, adicional de transferência e verbas rescisórias. Indeferem-se os reflexos sobre adicional de insalubridade, uma vez a base de cálculo deste é o salário mínimo, e sobre os anuênios, pois estes são calculados sobre o salário base. Para tanto, determina-se realização de perícia contábil, ocasião em que o Sr. Perito deverá atentar para o seguinte: a) Apuração das horas extras mais adicional de 50%, observando-se o divisor de 187,5, deduzindo-se as quantias pagas em igual título; b) a evolução salarial dos subsituídos; c) base de cálculo das horas extras: salário mais anuênios; d) apuração das diferenças havidas a partir de 01 de maio de 2011, com reflexos em férias, FGTS, aviso prévio, 13º salário, RSR, ADL, adicional de periculosidade, adicional noturno, adicional de transferência e verbas rescisórias. Para fins de liquidação do julgado deverá a Reclamada, no prazo de 30 (trinta) dias do trânsito em julgado da presente decisão, juntar aos autos os comprovantes de pagamento de todos os empregados e ex-empregados que laboraram na jornada de 07h30, de segunda a sexta-feira, e prestaram horas extras a partir de 01 de maio de 2011. Presente a assistência sindical e as condições estabelecidas pela Lei 5574/80, deferem-se os honorários advocatícios no percentual de 15% sobre o valor da condenação ora imposta. Procedente em parte a presente reclamação trabalhista, prejudicada a análise do benefício da Justiça Gratuita. III- CONCLUSÃO: ISTO POSTO, de acordo com os fundamentos acima expostos, julgo PROCEDENTE EM PARTE a presente Reclamação Trabalhistas proposta pelo SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS URBANAS NO ESTADO DE ALAGOAS - SITUEA em face de COMPANHIA ENERGÉTICA DE ALAGOAS CEAL (ELETROBRAS DISTRIBUIÇÃO ALAGOAS) para Num. 1007086 - Pág. 4

condenar esta a proceder o pagamento de horas extras laboradas por seus empregados, submetidos à jornada diária de 07h30, de segunda a sexta-feira, com base no divisor de 187,5, bem como pagar as diferenças decorrentes da utilização do divisor de 220 horas a partir de 01 de maio de 2011, conforme ACT s 2011/2012 seguintes, anexadas aos autos, até a efetiva implantação, com reflexos nas férias, FGTS, aviso prévio, 13º salário, RSR, ADL, adicional de periculosidade, adicional noturno, adicional de transferência e verbas rescisórias. Tudo em fiel observância à Fundamentação supra, a qual passa a integrar o presente Dispositivo como se nele estivesse transcrito. Custas, a cargo da reclamada, no valor de R$ 600,00 (seiscentos reais), calculados sobre o valor da condenação ora arbitrada em R$ 30.000,00 (trinta mil reais), decorrente da presente sentença ilíquida. Honorários sindicais, a cargo da Reclamada, à luz de 15% sobre o valor da condenação. Após, o trânsito em julgado desta decisão expeça-se mandado de cumprimento da obrigação de fazer calcular horas extras com base no divisor de 187,5 - no prazo de 15 (quinze) dias da ciência do mandado, sob pena de pagamento de multa diária R$ 1.000,00 em caso de descumprimento com relação a cada empregado e ex-empregado beneficiário da presente decisão. Inclua-se o presente processo em pauta de audiência para tentativa de conciliação, após decorrido o prazo recursal. Considerando a complexidade da execução, em face da quantidade de empregados e ex-empregados da Reclamada, a execução está deverá ser processada em autos apartados de 10 (dez) substituídos. Quantum a ser apurado em perícia contábil, através de perito cadastrado nesta Vara, a ser devidamente acrescido de juros e correção monetária na forma do artigo 459 da CLT e súmulas 200 e 381 do TST. Na apuração das verbas objeto da condenação, defere-se a dedução de todas as parcelas eventualmente pagas e comprovadas nos autos, bem como a observância da respectiva evolução salarial dos substituídos e dos demais parâmetros fixados na fundamentação. Para fins de liquidação do julgado deverá a Reclamada, no prazo de 30 (trinta) dias do trânsito em julgado da presente decisão, juntar aos autos os comprovantes de pagamento de todos os empregados e ex-empregados que laboraram na jornada de 07h30, de segunda a sexta-feira, e prestaram horas extras a partir de 01 de maio de 2011. Após ciência da Liquidação, a respectiva quantia deverá ser paga ou garantida com bens livres e desembaraçáveis pelo reclamado, devidamente comprovado em juízo, no prazo de até 48h, sob pena de execução. Em caso de descumprimento do prazo acima, o valor da condenação deverá ser atualizado até a data do efetivo pagamento, com incidência da multa e dos juros de mora, na forma da Lei 8.177/91 (art. 39, 1º) e do art. 883 da CLT, e correção monetária, de acordo com os índices constantes das tabelas fornecidas pela Corregedoria Regional do Trabalho da 19ª Região. A atualização monetária deverá ser aplicada de conformidade com a Súmula 381 do TST (Ex OJ n.º 124 da SDI-1 do TST), isto é, tendo como época própria o mês subseqüente ao da respectiva prestação de serviços. Na forma do artigo 114, VIII, da Constituição da República, deve o demandado comprovar o recolhimento das contribuições sociais, cota do empregado - a ser deduzida de seu crédito - e do Num. 1007086 - Pág. 5

empregador, incidentes sobre as verbas salariais decorrentes da condenação (não há tributação sobre os valores de multa, de FGTS, títulos indenizatórios e demais parcelas excluídas pelo art. 28, 9º, da Lei 8.212/91 e Decreto 3.048/99, art. 214, 9º), sob pena de execução dos respectivos valores. Após a dedução da contribuição previdenciária devida (parte do empregado), autoriza-se a dedução e o recolhimento dos valores devidos a título de IRPF, que por sua vez incide sobre as mesmas verbas salariais já apontadas, nos termos do artigo 46 da Lei 8.540/96 e de acordo com os Provimentos n. 01/96 e 03/2005 da Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho e alterações posteriores. Intime-se a União Federal através da Procuradoria Geral Federal em Alagoas. Ciente as partes. (Súmula 197/TST). Maceió, 23 de maio de 2014. ADRIANA Ma. Câ. DE OLIVEIRA LIMA Juíza Substituta do Trabalho Num. 1007086 - Pág. 6