Resíduos de construção e demolição 1. A quem este documento de apoio se dirige: Aos produtores e aos operadores de gestão de resíduos de construção e demolição (RCD). 2. Porque é que os operadores de gestão de RCD são obrigados a preencher MIRR? Por serem pessoas singulares ou coletivas que procedem ao tratamento de resíduos a título profissional (alínea c) do n.º 1 do artigo 48.º do Decreto-Lei n.º178/2006, de 5 de setembro, na sua redação atual (RGGR). Incluem-se as operações que se encontram sujeitas a licenciamento, mas também as operações de tratamento que estão isentas de licenciamento, tais como: A incorporação de RCD em obra valorização interna A britagem de RCD na obra de origem ou em local análogo pertencente à mesma entidade 3. E quais os produtores de RCD que têm de submeter o MIRR? Os produtores de RCD têm de submeter o MIRR se (alíneas a) e b) do n.º 1 do artigo 48.ºdo RGGR): Produzirem resíduos perigosos ou Tiverem mais de 10 trabalhadores Neste caso, devem selecionar o enquadramento produtor de resíduo, ficando disponível para preenchimento o formulário B. Alerta-se que resíduos como latas de tinta ou diluente vazias, óleos usados ou panos absorventes contaminados com óleo são classificados como resíduos perigosos. O MIRR não tem de ser submetido para cada obra per si como estabelecimento. Os resíduos produzidos em cada uma das obras, de carácter temporário (duração inferior a um ano), devem ser declarados no MIRR do estabelecimento da organização que se localiza mais perto da referida obra. Desta forma, as obras que têm uma duração superior a um ano (e que verifiquem os critérios suprarreferidos) devem ser registadas como estabelecimento para efeitos de preenchimento do MIRR. Também se enquadram como estabelecimento para preenchimento de MIRR enquanto produtores de resíduos os locais afetos a obras, como sejam os estaleiros, onde se efetua a armazenagem preliminar de RCD. Neste caso, e se todos os resíduos produzidos nas obras forem concentrados no estaleiro, apenas o estaleiro é considerado como estabelecimento. A armazenagem preliminar, que consiste na deposição controlada de resíduos, por período não superior a um ano, antes de se verificar a operação de recolha, no próprio local de produção (nas instalações onde é produzido), ou em (outras) instalações (do próprio produtor) onde os
resíduos são descarregados (operação de deposição controlada) a fim de serem preparados para posterior transporte para outro local para efeitos de tratamento, não carece de licenciamento, e não é uma operação de tratamento de resíduos. Assim, não deve ser selecionado nestas situações o enquadramento operador de gestão de resíduos. 4. Quando existem vários produtores de resíduos na mesma obra quem se assume como o produtor dos RCD? No caso de existirem vários produtores de resíduos na mesma obra, deve ser analisado o regime contratual, no sentido de averiguar a quem pertence a responsabilidade dos mesmos. Considera-se como responsável pelos resíduos para efeitos de preenchimento MIRR quem desenvolve a atividade produtora dos mesmos, a menos que esta responsabilidade seja transferida contratualmente para terceiros. Nesta situação será a entidade terceira a preencher MIRR enquanto produtor de resíduos. 5. Os materiais/produtos reutilizados devem ser registados no MIRR? Os materiais/produtos reutilizados não são considerados resíduos e não são por isso objeto de registo no MIRR. Alerta-se no entanto que devem ser cumpridos os requisitos para que a utilização destes materiais/produtos possa ser classificada como reutilização, conforme parágrafos seguintes. De acordo com a definição constante da alínea nn) do Artigo 3.º do RGGR, a reutilização traduzse em qualquer operação mediante a qual produtos ou componentes que não sejam resíduos são utilizados novamente para o mesmo fim para que foram concebidos configurando, assim, um meio de prevenção de resíduos e não uma operação de gestão de resíduos. Neste contexto, os materiais/produtos que sejam novamente utilizados na aceção da definição anterior, desde que, por razões de segurança ou saúde pública, obedeçam às especificações técnicas e certificação/homologação respetivas dos produtos virgens que pretendem substituir não são considerados resíduos e, deste modo, o seu encaminhamento e gestão não recai no âmbito da legislação em matéria de resíduos. São exemplos de reutilização de materiais, a reutilização de lâmpadas fluorescentes, de portas ou de janelas. Também, de acordo com o Artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 46/2008, de 12 de março, considera-se que poderá haver lugar à reutilização de solos e rochas em obra, desde que não contenham substâncias perigosas, quer na obra de origem, quer noutra obra sujeita a licenciamento ou comunicação prévia, e ainda nos restantes destinos previstos no n.º 2 do mesmo artigo. Essa reutilização não deve, ainda, gerar efeitos adversos sobre o ambiente, nomeadamente através da criação de perigos para a água, o ar, o solo, a fauna e a flora, perturbações sonoras ou odoríficas ou de danos em quaisquer locais de interesse e na paisagem. 6. Os resíduos de solos e rochas devem ser registados no MIRR? Sim, exceto se forem reutilizados em obra nas condições previstas no Artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 46/2008, de 12 de março e descritas na resposta anterior.
7. Como se regista a valorização interna de RCD? A valorização de RCD, nomeadamente a britagem de RCD e subsequente integração na mesma obra constitui uma operação de gestão de resíduos, em concreto, de utilização de RCD em obra, sendo-lhe consequentemente aplicável o Artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 46/2008. Refere-se que nos casos de a britagem de RCD se verificar na obra de origem ou em local análogo à produção do resíduo pertencente à mesma entidade, é dispensada de licenciamento de acordo com o n.º 3 do Artigo 13.º do Decreto-Lei nº 46/2008 e alínea e) do Artigo 23.º do RGGR. A alínea c) do n.º 3 do Artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 46/2008 também isenta de licenciamento as operações de reciclagem que impliquem a reincorporação de RCD no processo produtivo de origem. Se a valorização dos RCD ocorrer no próprio estabelecimento, devem ser escolhidos os perfis MIRR de Produtor de resíduos e Operador de Gestão de Resíduos (processamento final de resíduos) ou Operador de Gestão de Resíduos (processamento intermédio de resíduos), conforme aplicável: No Formulário B (associado ao perfil Produtor de resíduos) deve ser identificado o próprio estabelecimento enquanto destinatário e transportador dos resíduos em causa. No Formulário C1 (associado aos perfis de Operador de gestão de resíduos) deve ser identificado o próprio estabelecimento enquanto origem e transportador dos resíduos. O Formulário C2 (associado ao perfil Operador de Gestão de Resíduos (processamento intermédio de resíduos) deve ser preenchido quando os RCD processados continuam a ser resíduos. O destinatário dos resíduos processados será: o O próprio estabelecimento quando os RCD processados forem utilizados/incorporados na mesma obra; o Outro estabelecimento/obra onde os RCD processados vão ser utilizados/incorporados; o Outro estabelecimento. Se a valorização dos RCD ocorrer em local análogo pertencente à mesma entidade, deve ser escolhido apenas o perfil MIRR de Produtor de resíduos com vista ao preenchimento do Formulário B (se cumprir os requisitos definidos no ponto 3.). O estabelecimento onde é feita a valorização deverá também efetuar o preenchimento do MIRR associado ao perfil MIRR Operador de Gestão de Resíduos (processamento final de resíduos) ou Operador de Gestão de Resíduos (processamento intermédio de resíduos), conforme aplicável. 8. Como se regista a valorização em obra de RCD recebidos de outras origens? O registo dos RCD recebidos, provenientes de outros produtores, e sujeitos a operações de gestão de RCD deve ser efetuado no formulário C1 do MIRR. Para esse efeito deve ser registada a operação efetuada e identificadas todas as origens dos resíduos recebidos, mesmo que o produtor dos mesmos seja o próprio estabelecimento. Os resíduos sujeitos a valorização em obra e que sejam posteriormente encaminhados para um outro destino devem ser declarados no formulário C2 Ficha sobre resíduos processados.
9. Qual o enquadramento MIRR que deve ser selecionado? O enquadramento Produtor de resíduos deve ser selecionado para: Estabelecimentos que sejam os produtores iniciais de resíduos perigosos ou tenham mais de 10 trabalhadores; Estabelecimentos onde se efetue a armazenagem preliminar de resíduos. O enquadramento Operador de Gestão de Resíduos (processamento final de resíduos) deve ser selecionado para estabelecimentos: Que efetuam operações de gestão de RCD das quais não resulte qualquer resíduo secundário (proveniente dos resíduos tratados). Incluem-se, por exemplo, a britagem e/ou a incorporação de RCD em obra. O enquadramento Operador de Gestão de Resíduos (processamento intermédio de resíduos) deve ser selecionado para estabelecimentos: Que efetuem operações de gestão dos RCD a partir dos quais se produzam outros resíduos que são encaminhados para outro estabelecimento, ou sujeitos a outra operação de tratamento no próprio estabelecimento. Inclui-se, por exemplo, a britagem de RCD para utilização noutra obra, o processamento de RCD em conformidade com Especificações Técnicas do LNEC, ou quando da britagem de RCD resultem resíduos que não podem ser incorporados em obra e são encaminhados para outro operador. 10. O que preencher no formulário B? Enquadram-se aqui todos os resíduos que sejam produzidos inicialmente no estabelecimento, identificando: O destinatário dos resíduos, caso tenham sido encaminhados para outro estabelecimento; O próprio estabelecimento como destinatário dos resíduos, caso seja efetuada a britagem de RCD subsequente integração na mesma obra ou reincorporação no processo produtivo de origem; Outro estabelecimento pertencente à mesma entidade, quando a britagem e utilização dos RCD ocorre em local análogo pertencente à mesma entidade; 11. O que preencher no formulário C1? Devem ser registados todos os resíduos rececionados para tratamento no estabelecimento que tenha licenciamento para efetuar operações de gestão de RCD ou esteja isento de licenciamento, incluindo: Resíduos produzidos no próprio estabelecimento; Resíduos produzidos noutros estabelecimentos pertencentes à mesma entidade; Resíduos produzidos em estabelecimentos pertencentes a outras entidades (outras obras); Incorporação de RCD em obra, incluindo os RCD que tenha sido processados em conformidade com Especificações Técnicas do LNEC. Não devem ser registados no formulário C1: Os resíduos que sejam armazenados preliminarmente em estaleiros.
12. Como devo preencher os campos quantidade armazenada no início do ano e quantidade armazenada no final do ano do formulário C1? Apenas deve preencher estes campos se os resíduos não são tratados imediatamente (no ano do registo) e são armazenados temporariamente nas instalações a aguardar tratamento no estabelecimento. Neste caso não deve ser utilizada a operação D15 ou R13. Caso os resíduos rececionados sejam todos tratados imediatamente (no ano do registo) estes campos devem ser preenchidos com 0 (zero). 13. O que preencher no formulário C2? Devem ser registados todos os resíduos que: Sejam encaminhados tal-e-qual para outro estabelecimento após armazenamento (operações R13 ou D15); Sejam encaminhados para outro estabelecimento após tratamento, incluindo: o RCD que vão ser utilizados noutra obra (estabelecimento); o Resíduos que após tratamento sejam encaminhados para outros destinos, nomeadamente depois dos RCD serem processados em conformidade com Especificações Técnicas do LNEC; o Resíduos resultantes de britagem ou triagem (que não podem ser incorporados em obra) e tenham outro estabelecimento como destino. Sejam utilizados/incorporados em obra no mesmo estabelecimento. Não devem ser registados no formulário C2: Resíduos que após tratamento sejam considerados produtos/materiais (deixem de ser resíduos) encaminhados para outros destinos. 14. Em que situações deve ser utilizado o código de operação R5? O código de operação R5 deve ser registado para a incorporação e utilização de RCD em obra, processados em conformidade com Especificações Técnicas do LNEC, e ainda nas situações em que o processamento de RCD origina produtos ou materiais que deixam de ser resíduos. 15. Em que situações deve ser utilizado o código de operação R12? O código de operação R12 deve ser utilizado para a triagem e britagem de RCD e ainda para o processamento de RCD em conformidade com as Normas Técnicas do LNEC.