Museu do Homem do Nordeste



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Fluxo luminoso ( ): é a quantidade de luz emitida por uma fonte, medida em lúmens (lm), na tensão nominal de funcionamento.

1. CABEAMENTO ESTRUTURADO

Transcrição:

c a p a À esquerda: painel recebe luz de sanca no teto, e um gibão de couro, de rasgos laterais. Acima: iluminação proveniente de spots articuláveis e nichos com fibra ótica. Acima: luz homogênea emitida de sancas destaca fotografia e vestimenta típica. Abaixo, pequenos objetos iluminados por fibras óticas. Museu do Homem do Nordeste Por Claudia Sá Fotos: Marcelo Marona Contrastes de luz realçam exposição UM PASSEIO PELA FORMAÇÃO DA CULTURA NORDESTINA. É o que propõe o Museu do Homem do Nordeste, localizado no Recife, capital pernambucana. Fundada em 1979, pelo sociólogo Gilberto Freyre, a instituição é fruto da fusão dos antigos museus do Açúcar, de Antropologia e de Arte Popular, e possui uma coleção de cerca de 15 mil peças. O local, provido de dois pavimentos, foi desativado em 2003 para reforma, e reaberto em dezembro último, graças à conclusão do projeto museográfico e de revitalização do primeiro piso, elaborado pelas arquitetas Janete Costa e Roberta Borsói (veja Nota do Editor no final desta matéria). O design da montagem consistiu na construção de cheios e vazios, com a inclusão de vitrines, nichos, bases e suportes para receber as peças, imagens e textos de forma limpa, afirmou Roberta. A obra, que incluiu a instalação de sistemas de climatização e de audiovisual e reformulação do roteiro da exposição, foi coroada pela iluminação, projetada pela arquiteta e lighting L U M E A R Q U I T E T U R A 13

designer Márcia Chamixaes, uma das titulares do escritório Via Arquitetura. Os demais ambientes, que ficam no pavimento superior, ainda estão em obras. Segundo a lighting designer, o objetivo do projeto era exibir o layout expositivo sem se mostrar em primeiro plano. Evidenciamos a presença de cada objeto, valorizando suas formas, dimensões, cores e texturas, de acordo com seu significado dentro do contexto da mostra, afirmou. Expostas em quatro salas, que juntas somam 750 metros quadrados, as obras incluem objetos de tamanhos variados, que vão de um açucareiro de ouro, por exemplo, a esculturas e mobiliário. Para realçá-las, Márcia optou por uma luz pautada pelos contrastres obedecendo os índices de iluminância adequados para cada objeto. Índices de iluminância aplicados Quadros a óleo: 150 lux Textos e mapas impressos: 200 a 300 lux Gobelinos: 50 lux Porcelanas: 200 lux Metais: 300 lux Cristais: 200 a 300 lux Plumárias: 50 lux Palhas e fibras naturais: 100 lux Joias e bijuterias: 500 lux Imagens em madeira com policromia e ouro: 150 lux Tecidos: 50 lux Roupas/fantasias: 100 lux Luz geral Para permitir que os objetos em exposição fossem destacados com precisão, o projeto estabeleceu uma luz ambiental tênue, em torno de 25 lux. Esse valor lumínico foi alcançado com o aproveitamento das sobras, provenientes da iluminação do acervo, combinadas com a aplicação de películas nas janelas, que atenuam a incidência de luz do Sol. Açucareiro de ouro iluminado lateralmente por fibra ótica. Nível da iluminação geral de 25 lux permite o destaque das obras expostas. 14 L U M E A R Q U I T E T U R A

Plumária e objetos sensíveis são iluminados com fibra ótica. Sistema de fibra ótica Plumárias, tecidos, peças de porcelana... Essas e outras relíquias de pequenas dimensões, expostas em vitrines e nichos, foram iluminadas por spots ligados a cabos de fibra ótica alimentados por lâmpadas halógenas de 75W, a 3000K. Os formatos dos objetos determinaram os pontos de emissão de luz: lateral, frontal, de cima para baixo ou mesmo posterior. A fibra ótica permite a condução da luz de maneira precisa, segura e sem radiação infravermelha e ultravioleta, o que é fundamental para a preservação das peças mais sensíveis, afirmou a lighting designer. O diretor da Fasa Fibra Ótica, Wilson Sallouti, responsável pela implantação do sistema, ressalta que a fibra ótica não transporta calor; oferece alto índice de reprodução de cor e a manutenção, que se resume à troca periódica de lâmpada, é feita à distância. Ou seja, sem a necessidade de contato direto com o acervo. Ele explica que nesse tipo de iluminação a luz é emitida por uma fonte e transportada pelos cabos de fibra ótica até terminais que ficam na outra extremidade. Com apenas uma lâmpada é possível transportar a luz por diversos cabos óticos, informou. Os níveis de iluminamento definidos variam entre 50 lux e 150 lux, de acordo com os materiais de cada item, seguindo as recomendações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e da assessoria de museólogos da própria instituição. A fibra ótica também foi utilizada para delinear obras, como fotografias e pinturas. Pequenos objetos iluminados por sistema de fibra ótica. L U M E A R Q U I T E T U R A 15

Spots instalados em trilhos eletrificados iluminam objetos de grandes dimensões. Na vitrine, obras miúdas são destacadas com fibra ótica. Grandes objetos Para destacar painéis de fotografias e textos, objetos de metal e cerâmica e peças, como mobiliário e esculturas agrupadas, a lighting designer criou sistemas de iluminação dimerizáveis, com spots articuláveis instalados em trilhos eletrificados abrigados em rasgos no forro. Essas luminárias, que possuem controle de ofuscamento, abrigam dois tipos de lâmpada: PAR 30 de 75W e PAR 20 de 50W. Ambos os modelos possuem temperatura de cor a 3000K, índice de reprodução de cor (IRC) de 100% e foco de 30. Para os objetos que necessitavam de um índice de iluminação maior, utilizei PAR 30, e para os que precisavam de índices de iluminação mais baixos, PAR 20, explicou a lighting designer. Alguns objetos, como um painel fotográfico, um gibão e um tapete gobelim, receberam uma iluminação homogênea, fornecida por lâmpadas fluorescentes tubulares de 32W, a 3000K, instaladas em sancas no teto e em nichos laterais. Nota do Editor. In memorian Janete Costa. Arquiteta pernambucana que faleceu em 28 de novembro de 2008, aos 76 anos, sem ver a obra do Museu do Homem do Nordeste fi nalizada, projeto que considerava um presente para Pernambuco. Janete cursou a Faculdade Nacional de Arquitetura - Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, e Planejamento de Interiores no Instituto Joaquim Nabuco, em Recife. É responsável por cerca de 3.000 projetos,entre residências, edifícios públicos, palácios de governo, clubes, cinemas, teatros, escritórios e museus, executados em todo o Brasil e no exterior ao longo de 50 anos de atividades. Ficha técnica Projeto luminotécnico: Via Arquitetura Iluminação & Design Coordenação: Márcia Chamixaes Museografi a: Janete Costa e Roberta Borsoi Museologia: Regina Batista / CPN Consultoria Museológica e Vânia Brayner e equipe curatorial do museu Automação: Jürgen Kriese Fibra Ótica: Fasa Fibra Ótica Luminárias: Luminárias Projeto e Interpam Iluminação Lâmpadas: Philips e Osram Foto: Sofia Mattos 16 L U M E A R Q U I T E T U R A

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