CONSULTA Nº 164.517/2013



Documentos relacionados
ASSUNTO: Peculiaridades do transporte de pacientes pelo SAMU 192. RELATOR: Cons. Luiz Augusto Rogério Vasconcellos

MINISTÉRIO DA SAÚDE (MS)

CONSULTA Nº /2015

CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO. PARECER COREN-SP 002/2012 CT PRCI n /2012 e Ticket

CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO. PARECER COREN-SP 032/2012 CT PRCI n /2012 e Ticket

PARECER CREMEC Nº 07/ /02/2011

RESOLUÇÃO CFM N º 1.834/2008

EMENTA: Auditoria Hospitalar Relação Contratual entre Hospitais e Operadoras de Saúde CONSULTA

CONSULTA Nº /2012

PARECER CRM/MS N 11/2012 PROCESSO CONSULTA CRM-MS N 03 / 2012 ASSUNTO: Falta a plantão médico PARECERISTA: Conselheiro Faisal Augusto Alderete Esgaib

MINUTA DE RESOLUÇÃO CFM

Interessado: Dr. M.M.S. Assunto: Escala de plantão de sobreaviso. Medico Plantonista de sobreaviso. Desligamento com ou sem aviso prévio.

Imprimir. Em 29 de março do mesmo ano, o dr. R.S.S. respondeu ao interessado nos seguintes termos:

Estado do Rio Grande do Sul Secretaria da Saúde Complexo Regulador Estadual Central de Regulação das Urgências/SAMU. Nota Técnica nº 10

CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO. PARECER COREN-SP 012/2012 CT PRCI n /2012

FABIANA PRADO DOS SANTOS NOGUEIRA CONSELHEIRA CRMMG DELEGADA REGIONAL UBERABA

Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo Autarquia Federal Lei nº 3.268/57

PROJETO DE LEI N.º 175, DE Relator: Deputado Paulo Abi-Ackel.

PARECER CRM/MS N 06/2012 PROCESSO CONSULTA CRM-MS N 28/2011. ASSUNTO: Guarda de Prontuário Médico


CONSULTA Nº /2012

PARECER COREN-SP 028 /2013 CT. PRCI n e Ticket:

PARECER Nº, DE RELATORA: Senadora MARTA SUPLICY I RELATÓRIO

Considerando a Portaria nº 1.168/GM, de 15 de junho de 2004, que institui a Política Nacional de Atenção ao Portador de Doença Renal;

EMENTA: Remuneração profissional - cobrança de encaixes CONSULTA

Funcionamento das comissões hospitalares metropolitanas que funcionam sob a gestão do Imip RELATOR: Cons. Mauro Luiz de Britto Ribeiro

PARECER CFM 22/14 INTERESSADO:

PARECER COREN-SP CT 055/2013. PRCI nº Tickets nº , , , , , , , , 307.

POLÍTICA CARGOS E SALÁRIOS

PARECER CONSULTA Nº 006/2012 CRM/PA PROCESSO CONSULTA Nº 387/2012 PROTOCOLO N 2844/2012 INTERESSADO: N.B

Brasília, 27 de maio de 2013.

Gestão Democrática da Educação

PROCESSO N. 515/08 PROTOCOLO N.º PARECER N.º 883/08 APROVADO EM 05/12/08 INTERESSADA: SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, CULTURA E ESPORTES

PORTARIA 1.600, DE 7 DE JULHO DE

POLÍTICA DE EXERCÍCIO DE DIREITO DE VOTO DEX CAPITAL GESTÃO DE RECURSOS LTDA.

Transporte inter-hospitalar de pacientes - Resolução: 1672 de 2003 *****

CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO

COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA PROJETO DE LEI Nº 3.630, DE 2004

Perguntas F requentes Relacionadas à Inscrição de Entidades de Assistência Social nos Conselhos Municipais de Assistência Social e do Distrito Federal

Dúvidas e Esclarecimentos sobre a Proposta de Criação da RDS do Mato Verdinho/MT

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE SÃO PAULO

SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE SANTA CATARINA - CREMESC -

PARECER CREMEC nº 31/ /09/2008

Normas de regulamentação para a certificação de. atualização profissional de títulos de especialista e certificados de área de atuação.

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE MATO GROSSO

Campus de Franca TÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Estado do Rio Grande do Sul Secretaria da Saúde Complexo Regulador Estadual Central de Regulação das Urgências/SAMU. Nota Técnica nº 07

Regulamento sobre Gestão de Risco das Redes de Telecomunicações e Uso de Serviços de Telecomunicações em Situações de Emergência e Desastres

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE MATO GROSSO

CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PRAÇA DA REPÚBLICA, 53 - FONE CEP FAX Nº

PARECER CREMEC N.º 22/ /08/2012

PARECER CREMEC N.º 06/ /03/2014

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA COMISSÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 02/2010/CPG

Serviço o de Atendimento Móvel M Urgência- SAMU 192

EDUCAÇÃO MÉDICA CONTINUADA SANTA CASA DE SÃO JOAQUIM DA BARRA Delegacia Regional de Ribeirão Preto

Tema: Perícia Médica do Instituto Nacional do Seguro Social

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO

Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. INTERESSADO: Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro

Resolução Normativa PUC n o 015/10 ASSUNTO: COMISSÃO PRÓPRIA DE AVALIAÇÃO CPA - REGULAMENTAÇÃO

Aspectos Legais em APH

PARECER CREMEC N.º 05/ /02/2014

COMISSÃO DE LEGISLAÇÃO E PARECERES PARECER n.º 007/2013

POLÍTICA DE SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DE MATO GROSSO

Detalhamento por Localizador

CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SANTA CATARINA

NORMA INTERNA DE TREINAMENTO FAUUSP

RESOLUÇÃO Nº 101 DE 17 DE MARÇO DE 2005 (*)

OBJETIVO MATERIAIS NECESSÁRIOS DESCRIÇÃO DAS PRINCIPAIS ATIVIDADES

CME BOA VISTA ESTADO DE RORAIMA PREFEITURA MUNIPAL DE BOA VISTA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

A indicação de afastamento do trabalho e de aposentadoria tornou-se

Prestadores do SUS devem ser contratados;

Assunto: Representação acerca de procedimento licitatório - inexigibilidade.

RECOMENDAÇÃO CFM Nº 8/2015

Folha de informação rubricada sob nº. do processo nº. (a) P. CoBi nº.: 010/2004 Termo de Responsabilidade Internação Involuntária.

PROCESSO-CONSULTA CFM Nº 4.728/08 PARECER CFM Nº 10/09 INTERESSADO:

ANEXO III METAS DE PRODUÇÃO: POR SERVIÇO. AÇÕES METAS INDICADORES RESULTADOS 1. Recursos Humanos: 1.

NOTA TÉCNICA 07 /2014

CARTA DE OPINIÃO - IBGC 1 Comitê de Auditoria para Instituições Financeiras de Capital Fechado

NBA 10: INDEPENDÊNCIA DOS TRIBUNAIS DE CONTAS. INTRODUÇÃO [Issai 10, Preâmbulo, e NAT]

Regulamenta o art. 26 da Lei n.º , de 21/3/ Decreto 3990 de 30/10/2001

CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SANTA CATARINA

PARECER TÉCNICO I ANÁLISE E FUNDAMENTAÇÃO:

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO ESTADO DO PARANÁ

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA

CONSULTA Nº 6.452/2012

CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO. PARECER COREN-SP 014/2012 CT PRCI n /2012 e Ticket nº

Assunto: Mudanças trazidas pela Portaria GM/MS 475/2014

PARECER CFM nº 14/15 INTERESSADO: Sr. Newton de Souza Carneiro Realização de exame de ressonância magnética Cons. Aldemir Humberto Soares

CONSULTA FUNDAMENTAÇÃO. Quanto às obrigações do médico plantonista ou médico de guarda, o nosso Código de Ética Médica orienta que é vedado ao médico:

Transcrição:

1 CONSULTA Nº 164.517/2013 Assunto: Sobre como SAMU deve proceder em certas situações na sala de Regulação Médica do 192, procedimentos em diversas situações, na sala de Regulação Médica do 192, devido o número de chamados de emergência ser maior que os recursos disponíveis no momento. Relatores: Conselheiro Renato Françoso Filho e Dr. Claus Robert Zeefried, Membro da Câmara Técnica Interdisciplinar de Urgência e Emergência. Ementa: O Médico Regulador deve ser capacitado também nas técnicas de Intervenção em Suporte Avançado à Vida, além da capacitação em Regulação Médica, e vice-versa para os Médicos Intervencionistas. O consulente Dr. O.J.M.F.S., relata fatos de casos ilustrativos que ocorrem no dia a dia do SAMU, e solicita parecer do CREMESP sobre como proceder em diversas situações na sala de Regulação Médica do 192, devido o número de chamados de emergência ser maior que os recursos disponíveis no momento. A partir destas considerações, pergunta: correta? caracteriza omissão de socorro? 1) A decisão de sair no segundo chamado foi 2) Não sair para a segunda ocorrência, 3) O Médico Regulador pode determinar que outro profissional (não médico) da sala de regulação assuma a Regulação Médica? 4) Ele, Médico Regulador, pode permanecer em seu posto e mandar para as ocorrências, 2ª e 3ª, uma unidade sem médico (UBS) ou o Resgate do Bombeiro, partindo do princípio que no momento este é o melhor recurso disponível?

2 PARECER A Câmara Técnica Interdisciplinar de Urgência e Emergência, após a análise detalhada da Consulta em tela e de estudos da legislação pertinente à atividade pré hospitalar (Portarias, Resoluções e Pareceres) emite à seguir o seu parecer, baseado adicionalmente no Código de Ética Médica, o qual foi devidamente subscrito por este Conselheiro: Foram consultadas e estudadas as seguintes Portarias: - Portaria 2.048/GM, de 5.11.2002, que Regulamenta Tecnicamente os Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência; - Resolução CFM 1.671/03, de 29.07.2003, que reconhece o Atendimento Pré Hospitalar como um serviço de saúde de responsabilidade médica; - Portaria 1.863/GM, de 23.09.2003, que institui a Política Nacional de Atenção às Urgências; - Portaria 1.864/GM, de 23.09.2003, que institui o componente pré hospitalar móvel da Política Nacional de Atenção às Urgências (SAMU) e seus Núcleos de Educação em Urgências (NEU); - Portaria 2.657/GM, de 16.12.2004, que estabelece as atribuições das Centrais de Regulação Médica; - Portaria 1.600, de 7.07.2011, que reformula a Política Nacional de Atenção às Urgências; - Portaria 2.026, de 24.08.2011, que aprova as Diretrizes para a Implantação do SAMU e sua Central de Regulação Médica. Após análise criteriosa dos presentes autos, temos a esclarecer pontualmente aos questionamentos ora apresentados: chamado foi correta? 1ª Pergunta: A decisão de sair no segundo Resposta da 1ª pergunta: Considerando que esta Câmara não concorda com a simultaneidade de atividades médicas de alta responsabilidade e complexidade, qual seja, o Médico Regulador não pode, e não deve,

3 exercer as atividades de Médico Intervencionista no mesmo turno/plantão de trabalho; a decisão de deixar seu posto na Sala de Regulação para atender a um chamado não foi a melhor conduta que poderia ter tomado. Isto porque, durante sua ausência ele deixou de exercer suas funções de Regulação Médica conforme previsto na Portaria 2.048/GM, de 05.11.2002, que regulamenta tecnicamente os Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência. Esta Portaria descreve claramente no seu Capitulo II, nos itens 1 (Atribuições do Médico Regulador), subitens 1.1 (Atribuições Técnicas) e 1.2 (Atribuições Gestoras) as suas funções. Vale ressaltar que em momento nenhum a Portaria prevê que o Médico Regulador deva sair de seu posto na Sala de Regulação para atender pacientes. Mister se faz destacar que, à despeito desta Câmara ter julgado incorreta a decisão do Médico Regulador, ele merece um voto de Louvor por ter considerado como prioritário o atendimento à um paciente grave, à luz de sua formação profissional. A mesma Portaria 2.048 prevê, no seu Capítulo IV, item 1, que a equipe profissional que deve compor o SAMU, onde se constata claramente a distinção entre Médico Regulador e Médico Intervencionista como profissionais de atividades distintas. A Resolução CFM nº 1.671/03, prevê textualmente: O próprio médico regulador terá de se submeter à formação específica e habilitação formal para a função, e acumular, também, capacidade e experiência na assistência médica pré hospitalar, o que não significa que ele tenha que exercer estas funções simultaneamente. 2ª Pergunta: Não sair para a segunda ocorrência, caracteriza omissão de socorro? Resposta da 2ª pergunta: Não, desde que o Médico Regulador destine algum recurso para o atendimento desta ocorrência, uma vez que esta é uma de suas obrigações técnico administrativas, conforme previsto no Capítulo II da Portaria 2.048, que diz textualmente:

4 Ao médico Regulador devem ser oferecidos os meios necessários, tanto de recursos humanos, como de equipamentos, para o bom exercício de sua função, incluída toda a gama de respostas pré hospitalares previstas neste Regulamento e portas de entrada de urgências com hierarquia resolutiva previamente definida e pactuada, com atribuição formal de responsabilidades. A mesma Portaria diz ainda: Entidades/Corporações/Organizações : Regulação Médica de Outras Os Corpos de Bombeiros Militares (incluídas as corporações de bombeiros independentes e as vinculadas às Polícias Militares), as Polícias Rodoviárias e outras organizações da Área de Segurança Pública deverão seguir os critérios e os fluxos definidos pela regulação médica das urgências do SUS, conforme os termos deste Regulamento. Conforme Portaria 2.657/GM, de 16.12.2004, que prevê as atribuições das Centrais de Regulação Médica, cita no seu Capítulo X, textualmente: X - pactuar ações conjuntas com outros atores envolvidos na atenção integral às urgências, como a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, a Policia Militar, a Polícia Rodoviária, os Departamentos de Trânsito, as Concessionárias de Rodovias, as Empresas Privadas de Transporte e Atendimento de Urgência, entre outros. Cabe, a nosso ver, ao gestor maior da Saúde Pública, Municipal ou Estadual, a quem estiver subordinado o SAMU, esta referida pactuação previamente. 3ª Pergunta: O Médico Regulador pode determinar que outro profissional (não médico) da sala de regulação assuma a Regulação Médica? Resposta da 3ª pergunta: Não, conforme previsto nas Portarias 2.048/GM, de 05.11.2002, 2.657/GM, de 16.12.2004 e a própria Resolução CFM nº 1.671/03. 4ª Pergunta: Ele, Médico Regulador, pode permanecer em seu posto e mandar para as ocorrências, 2ª e 3ª, uma unidade sem médico (UBS) ou o Resgate do Bombeiro, partindo do princípio, que o momento, este é o melhor recurso disponível?

5 Resposta da 4ª pergunta: Sim. Esta é, na realidade, uma de suas funções mais importantes, onde ele decide que recurso enviar para uma determinada ocorrência, levando em consideração todas as possíveis variáveis envolvidas na mesma, principalmente, o melhor recurso, de preferência o mais próximo e o encaminhamento para o hospital mais adequado para o caso. Nem sempre estas variáveis se completam e são passíveis de serem atendidas integralmente; neste momento, o Médico Regulador tem a prerrogativa muito importante de enviar o recurso mais próximo, que nem sempre é o mais adequado para a complexidade do caso, orientando a Equipe de Intervenção nas ações e manobras mantenedoras de vida, além de providenciar o rápido, ágil e eficiente acolhimento junto ao hospital, contatando o mesmo e alertando da chegada da referida ocorrência trazida por recurso móvel desprovido de médico. Isto tudo está previsto nas Portarias 2.048, 2.657 e na Resolução CFM 1.671/03. Esta é a razão pela qual o Médico Regulador deve ser capacitado também nas técnicas de Intervenção em Suporte Avançado à Vida, além da capacitação em Regulação Médica. E vice-versa para os Médicos Intervencionistas. Este é o nosso parecer, s.m.j. Conselheiro Renato Françoso Filho APROVADO NA REUNIÃO DA CÂMARA TÉCNICA INTERDISCIPLINAR DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA, REALIZADA EM 21/01/2014. APROVADO NA REUNIÃO DA CÂMARA DE CONSULTAS, REALIZADA EM 30.05.2014. HOMOLOGADO NA 4.608ª REUNIÃO PLENÁRIA, REALIZADA EM 03.06.2014.