1 CONSULTA Nº 164.517/2013 Assunto: Sobre como SAMU deve proceder em certas situações na sala de Regulação Médica do 192, procedimentos em diversas situações, na sala de Regulação Médica do 192, devido o número de chamados de emergência ser maior que os recursos disponíveis no momento. Relatores: Conselheiro Renato Françoso Filho e Dr. Claus Robert Zeefried, Membro da Câmara Técnica Interdisciplinar de Urgência e Emergência. Ementa: O Médico Regulador deve ser capacitado também nas técnicas de Intervenção em Suporte Avançado à Vida, além da capacitação em Regulação Médica, e vice-versa para os Médicos Intervencionistas. O consulente Dr. O.J.M.F.S., relata fatos de casos ilustrativos que ocorrem no dia a dia do SAMU, e solicita parecer do CREMESP sobre como proceder em diversas situações na sala de Regulação Médica do 192, devido o número de chamados de emergência ser maior que os recursos disponíveis no momento. A partir destas considerações, pergunta: correta? caracteriza omissão de socorro? 1) A decisão de sair no segundo chamado foi 2) Não sair para a segunda ocorrência, 3) O Médico Regulador pode determinar que outro profissional (não médico) da sala de regulação assuma a Regulação Médica? 4) Ele, Médico Regulador, pode permanecer em seu posto e mandar para as ocorrências, 2ª e 3ª, uma unidade sem médico (UBS) ou o Resgate do Bombeiro, partindo do princípio que no momento este é o melhor recurso disponível?
2 PARECER A Câmara Técnica Interdisciplinar de Urgência e Emergência, após a análise detalhada da Consulta em tela e de estudos da legislação pertinente à atividade pré hospitalar (Portarias, Resoluções e Pareceres) emite à seguir o seu parecer, baseado adicionalmente no Código de Ética Médica, o qual foi devidamente subscrito por este Conselheiro: Foram consultadas e estudadas as seguintes Portarias: - Portaria 2.048/GM, de 5.11.2002, que Regulamenta Tecnicamente os Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência; - Resolução CFM 1.671/03, de 29.07.2003, que reconhece o Atendimento Pré Hospitalar como um serviço de saúde de responsabilidade médica; - Portaria 1.863/GM, de 23.09.2003, que institui a Política Nacional de Atenção às Urgências; - Portaria 1.864/GM, de 23.09.2003, que institui o componente pré hospitalar móvel da Política Nacional de Atenção às Urgências (SAMU) e seus Núcleos de Educação em Urgências (NEU); - Portaria 2.657/GM, de 16.12.2004, que estabelece as atribuições das Centrais de Regulação Médica; - Portaria 1.600, de 7.07.2011, que reformula a Política Nacional de Atenção às Urgências; - Portaria 2.026, de 24.08.2011, que aprova as Diretrizes para a Implantação do SAMU e sua Central de Regulação Médica. Após análise criteriosa dos presentes autos, temos a esclarecer pontualmente aos questionamentos ora apresentados: chamado foi correta? 1ª Pergunta: A decisão de sair no segundo Resposta da 1ª pergunta: Considerando que esta Câmara não concorda com a simultaneidade de atividades médicas de alta responsabilidade e complexidade, qual seja, o Médico Regulador não pode, e não deve,
3 exercer as atividades de Médico Intervencionista no mesmo turno/plantão de trabalho; a decisão de deixar seu posto na Sala de Regulação para atender a um chamado não foi a melhor conduta que poderia ter tomado. Isto porque, durante sua ausência ele deixou de exercer suas funções de Regulação Médica conforme previsto na Portaria 2.048/GM, de 05.11.2002, que regulamenta tecnicamente os Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência. Esta Portaria descreve claramente no seu Capitulo II, nos itens 1 (Atribuições do Médico Regulador), subitens 1.1 (Atribuições Técnicas) e 1.2 (Atribuições Gestoras) as suas funções. Vale ressaltar que em momento nenhum a Portaria prevê que o Médico Regulador deva sair de seu posto na Sala de Regulação para atender pacientes. Mister se faz destacar que, à despeito desta Câmara ter julgado incorreta a decisão do Médico Regulador, ele merece um voto de Louvor por ter considerado como prioritário o atendimento à um paciente grave, à luz de sua formação profissional. A mesma Portaria 2.048 prevê, no seu Capítulo IV, item 1, que a equipe profissional que deve compor o SAMU, onde se constata claramente a distinção entre Médico Regulador e Médico Intervencionista como profissionais de atividades distintas. A Resolução CFM nº 1.671/03, prevê textualmente: O próprio médico regulador terá de se submeter à formação específica e habilitação formal para a função, e acumular, também, capacidade e experiência na assistência médica pré hospitalar, o que não significa que ele tenha que exercer estas funções simultaneamente. 2ª Pergunta: Não sair para a segunda ocorrência, caracteriza omissão de socorro? Resposta da 2ª pergunta: Não, desde que o Médico Regulador destine algum recurso para o atendimento desta ocorrência, uma vez que esta é uma de suas obrigações técnico administrativas, conforme previsto no Capítulo II da Portaria 2.048, que diz textualmente:
4 Ao médico Regulador devem ser oferecidos os meios necessários, tanto de recursos humanos, como de equipamentos, para o bom exercício de sua função, incluída toda a gama de respostas pré hospitalares previstas neste Regulamento e portas de entrada de urgências com hierarquia resolutiva previamente definida e pactuada, com atribuição formal de responsabilidades. A mesma Portaria diz ainda: Entidades/Corporações/Organizações : Regulação Médica de Outras Os Corpos de Bombeiros Militares (incluídas as corporações de bombeiros independentes e as vinculadas às Polícias Militares), as Polícias Rodoviárias e outras organizações da Área de Segurança Pública deverão seguir os critérios e os fluxos definidos pela regulação médica das urgências do SUS, conforme os termos deste Regulamento. Conforme Portaria 2.657/GM, de 16.12.2004, que prevê as atribuições das Centrais de Regulação Médica, cita no seu Capítulo X, textualmente: X - pactuar ações conjuntas com outros atores envolvidos na atenção integral às urgências, como a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, a Policia Militar, a Polícia Rodoviária, os Departamentos de Trânsito, as Concessionárias de Rodovias, as Empresas Privadas de Transporte e Atendimento de Urgência, entre outros. Cabe, a nosso ver, ao gestor maior da Saúde Pública, Municipal ou Estadual, a quem estiver subordinado o SAMU, esta referida pactuação previamente. 3ª Pergunta: O Médico Regulador pode determinar que outro profissional (não médico) da sala de regulação assuma a Regulação Médica? Resposta da 3ª pergunta: Não, conforme previsto nas Portarias 2.048/GM, de 05.11.2002, 2.657/GM, de 16.12.2004 e a própria Resolução CFM nº 1.671/03. 4ª Pergunta: Ele, Médico Regulador, pode permanecer em seu posto e mandar para as ocorrências, 2ª e 3ª, uma unidade sem médico (UBS) ou o Resgate do Bombeiro, partindo do princípio, que o momento, este é o melhor recurso disponível?
5 Resposta da 4ª pergunta: Sim. Esta é, na realidade, uma de suas funções mais importantes, onde ele decide que recurso enviar para uma determinada ocorrência, levando em consideração todas as possíveis variáveis envolvidas na mesma, principalmente, o melhor recurso, de preferência o mais próximo e o encaminhamento para o hospital mais adequado para o caso. Nem sempre estas variáveis se completam e são passíveis de serem atendidas integralmente; neste momento, o Médico Regulador tem a prerrogativa muito importante de enviar o recurso mais próximo, que nem sempre é o mais adequado para a complexidade do caso, orientando a Equipe de Intervenção nas ações e manobras mantenedoras de vida, além de providenciar o rápido, ágil e eficiente acolhimento junto ao hospital, contatando o mesmo e alertando da chegada da referida ocorrência trazida por recurso móvel desprovido de médico. Isto tudo está previsto nas Portarias 2.048, 2.657 e na Resolução CFM 1.671/03. Esta é a razão pela qual o Médico Regulador deve ser capacitado também nas técnicas de Intervenção em Suporte Avançado à Vida, além da capacitação em Regulação Médica. E vice-versa para os Médicos Intervencionistas. Este é o nosso parecer, s.m.j. Conselheiro Renato Françoso Filho APROVADO NA REUNIÃO DA CÂMARA TÉCNICA INTERDISCIPLINAR DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA, REALIZADA EM 21/01/2014. APROVADO NA REUNIÃO DA CÂMARA DE CONSULTAS, REALIZADA EM 30.05.2014. HOMOLOGADO NA 4.608ª REUNIÃO PLENÁRIA, REALIZADA EM 03.06.2014.