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Transcrição:

a vontade de sentido

Coleção Logoterapia Logoterapia & Educação: fundamentos e prática, Thiago A. Avellar de Aquino, Bruno F. Damásio e Joilson P. da Silva (orgs.) A vontade de sentido: Fundamentos e aplicações da logoterapia, Viktor E. Frankl

A vontade de sentido Fundamentos e aplicações da logoterapia Viktor E. Frankl Edição ampliada, com um novo posfácio do autor

Título original: The Will to Meaning: Foundations and Applications of Logotherapy ISBN: 0-452-01034-9 1969, 1988 by Viktor E. Frankl Todos os direitos reservados, inclusive o direito de qualquer tipo de reprodução. Esta edição foi publicada sob licença da Plume, integrante do Penguin Group (USA) Inc. Tradução: Ivo Studart Pereira Direção editorial: Zolferino Tonon Assistente editorial: Jacqueline Mendes Fontes Revisão: Iranildo Bezerra Lopes Thiago Augusto Dias de Oliveira Diagramação: Ana Lúcia Perfoncio Capa: Marcelo Campanhã Impressão e acabamento: PAULUS Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Frankl, Viktor E., 1905-1997. A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da logoterapia / Viktor E. Frankl; [tradução Ivo Studart Pereira]. Ed. ampl., com um novo posfácio do autor. São Paulo: Paulus, 2011. (Coleção Logoterapia) Título original: The will to meaning: foundations and applications of logotherapy ISBN 978-85-349-3268-4 1. Logoterapia I. Título. II. Série. 11-07498 CDD-616.8916 Índices para catálogo sistemático: 1. Logoterapia 616.8916 1ª edição, 2011 paulus - 2011 Rua Francisco Cruz, 229 04117-091 São Paulo (Brasil) Tel (11) 5087-3700 - Fax (11) 5579-3627 www.paulus.com.br editorial@paulus.com.br ISBN 978-85-349-3268-4

Para Gordon W. Allport In memoriam

Prefácio Este livro é o resultado de uma série de palestras que fui convidado a ministrar durante os cursos de verão da Faculdade de Teologia Perkins, na Southern Methodist University (Dallas, Texas). A específica tarefa conferida a mim àquela época foi a de explicar o sistema que caracteriza a logoterapia. Apesar de vários autores indicarem o fato de que a logoterapia, em contraste com as outras escolas da psiquiatria existencial, desenvolveu, propriamente, uma técnica psicoterapêutica, pouco se toca na questão de que a logoterapia, também, foi a última escola de psicoterapia conceitualizada de modo sistemático. 1 Tratando dos fundamentos do sistema, os capítulos desta obra desenvolverão os pressupostos básicos e os princípios fundamentais subjacentes à logoterapia, que formam uma cadeia de elos que se conectam reciprocamente através de três conceitos principais: 1) a liberdade da vontade; 2) a vontade de sentido; e 3) o sentido da vida. 1) A liberdade de vontade envolve o debate determinismo versus pandeterminismo. 2) A vontade de sentido é discutida em sua distinção sobre os conceitos de vontade de poder e vontade ¹ Juan Battista Torello, em sua introdução à edição italiana de Em busca de sentido, fez essa observação. 7

de prazer, do modo como foram desenvolvidos pelas psicologias adleriana e freudiana, respectivamente. Para ser mais preciso, o termo vontade de poder foi cunhado originalmente por Nietzsche, não por Adler, e o conceito de vontade de prazer é de minha autoria, não tendo sido colocado nesses termos exatos por Freud. O princípio do prazer, aliás, deve ser analisado sob a luz de um conceito mais abrangente, o do princípio da homeostase. 2 Através da crítica a ambas as categorias, chegaremos à elaboração da teoria da motivação na logoterapia. 3) A questão do sentido da vida fará referência à discussão relativismo versus subjetivismo. As aplicações da logoterapia, neste livro, também serão trabalhadas em três correntes. Primeiramente, a logoterapia é aplicável como tratamento de neuroses noogênicas; em segundo lugar, a logoterapia também trata das neuroses psicogênicas, isto é, das neuroses na acepção convencional do termo; e, em terceiro lugar, a logoterapia constitui um tratamento para as neuroses somatogênicas, ou melhor, para doenças de origem orgânica em geral. Como vemos, todas as dimensões do ser humano estão contempladas nessa sequência de temas. No capítulo introdutório desta obra, a logoterapia é colocada em perspectiva de comparação perante as outras escolas de psicoterapia e, especificamente, com a corrente existencial das psicoterapias. O último capítulo trará uma perspectiva de diálogo entre a logoterapia e a teologia. 2 O princípio da realidade, por sua vez, serve aos propósitos do princípio do prazer, da mesma maneira pela qual este serve aos propósitos do princípio da homeostase. Por essa razão, não foi necessário incluir explicitamente o princípio da realidade em nossa teoria. 8

Neste livro, procurei incluir os últimos desenvolvimentos da logoterapia, no que se refere à formulação dos princípios individuais e ao material de ilustração. No entanto, a tentativa de oferecer uma visão mais completa da totalidade do sistema me obriga a incluir algum material já utilizado em meus livros anteriores. 3 Aquilo que conceituei como vácuo existencial constitui um desafio à psiquiatria e à psicologia atualmente. Cada vez mais pacientes se queixam de um sentimento de vazio e de falta de sentido, fenômeno que, sob meu ponto de vista, parece derivar de dois fatos. Ao contrário do animal, os instintos não dizem ao homem o que ele tem de fazer. E, ao contrário do homem de gerações atrás, a tradição não lhe diz mais o que ele deveria fazer. Frequentemente, mal sabe mais o homem o que ele, basicamente, deseja fazer. Ao invés disso, acaba por, simplesmente, reproduzir o que as outras pessoas fazem (conformismo), ou fazer o que os outros querem que ele faça (totalitarismo). Espero obter sucesso em passar ao leitor minha convicção de que, apesar do desmoronamento das tradições, a vida conserva um sentido específico para cada indivíduo, e, ainda mais, que esse sentido se conserva literalmente até o último suspiro. E o psicoterapeuta pode mostrar a seu paciente que a vida nunca cessa de ter um sentido. A rigor, ele não pode mostrar-lhe o que é o sentido, mas pode indicar-lhe que há um sentido, e que a vida o conserva: a vida se ³ Consultar Viktor E. Frankl, Man s Search for Meaning: An Introduction to Logotherapy, Prefácio de Gordon W. Allport, Beacon Press, Boston, 1962 (edição em brochura: Washington Square Press, Nova Iorque, 1963); The Doctor and The Soul: From Psychotherapy to Logotherapy, edição revisada, Alfred A. Knopf, Nova Iorque, 1965 (edição em brochura: Bantam Books, Nova Iorque, 1967); Psychotherapy and Existentialism: Selected Papers on Logotherapy, Washington Square Press, Nova Iorque, 1967 (edição em brochura: Clarion Books, 1968). 9

mantém cheia de sentido, sob quaisquer condições. Como ensina a logoterapia, até os aspectos trágicos e negativos da vida, como, por exemplo, o sofrimento inevitável, podem tornar-se conquistas humanas, por meio da atitude que o indivíduo adota sob tais circunstâncias. Em contraposição a quase todas as escolas existencialistas, a logoterapia não é de modo algum pessimista, mas, sim, realista, à medida que enfrenta a tríade trágica da existência humana: dor, morte e culpa. A logoterapia pode com justiça ser considerada otimista, por mostrar ao paciente como transformar o desespero num triunfo humano. Numa época como a nossa, que assiste ao declínio das tradições, a psicologia deve ter como principal tarefa dotar o homem da habilidade de encontrar sentido. Num tempo em que os Dez Mandamentos parecem, para muitos, ter perdido sua validade incondicional, o homem deve aprender a ouvir os dez mil mandamentos implicados nas dez mil situações que constituem a vida. Sobre isso, espero que o leitor descubra que a logoterapia fala às necessidades do momento. Viktor E. Frankl M.D., Ph.D. Viena, Áustria 10