A Informação Empresarial Simplificada (IES) - 2011 Os novos formulários da Informação Empresarial Simplificada (IES) / Declaração Anual de Informação Contabilística e Fiscal só agora ficaram disponíveis no Portal das Finanças em virtude das profundas alterações introduzidas em alguns dos anexos da IES em consequência da adopção dos novos normativos contabilísticos: o Sistema de Normalização Contabilística (SNC) e o Regime da Normalização Contabilística para as Microentidades (NCM), aprovados, respectivamente, pelo Decreto-Lei n. 0 158/2009, de 13 de Julho, e Decreto-Lei nº 36-A/20ll, de 9 de Março. Os modelos actuais da IES foram aprovados pela Portaria nº 64-A/2011, de 3 de Fevereiro, contudo, apenas no final do mês de Julho foram disponibilizados os respectivos formulários para entrega da declaração. Novo prazo para entrega da IES Por regra, a IES deve ser enviada até 15 de Julho, independentemente de esse dia ser útil ou não útil. Para os sujeitos passivos de IRC que adoptem um período de tributação diferente do ano civil, deverá ser apresentada até ao 15. dia do 7. mês posterior à data do termo desse período, reportando-se a respectiva informação: ao período de tributação para efeitos dos anexos de IRC e anexos estatísticos; e ao ano civil (cujo termo se inclua naquele período de tributação) para efeitos dos anexos do IVA e do Imposto do Selo. Excepcionalmente, em 2011, a entrega da IES será efectuada até 16 de Setembro, de acordo com o Despacho de 18 de Julho de 2011 do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Já em 30 de Maio, reconhecendo as dificuldades para disponibilização atempada da aplicação informática, havia sido adiado o prazo de entrega da
IES para 16 de Agosto. No entanto, considerando que os procedimentos informáticos necessários à disponibilização da aplicação para entrega da IES só ficaram concluídos no final do mês de Julho, o prazo de entrega foi prorrogado por mais um mês. De acordo com o referido Despacho, o adiamento do prazo para a entrega da IES não poderia ir para além de 16 de Setembro, porque, se fosse, colocava em causa o cumprimento das obrigações legais de âmbito comunitário e internacional relativas a estatísticas estruturais das empresas, as Contas Nacionais Provisórias e Contas Públicas, por parte do INE, e a divulgação de várias estatísticas de grande importância para os decisores económicos, por parte do Banco de Portugal. Principais alterações na IES Em face das alterações introduzidas nos normativos contabilísticos e correspondente legislação fiscal, foi necessário proceder à actualização de alguns modelos de formulários que fazem parte integrante da IES e designadamente: - Anexo A - DRC - informação empresarial simplificada (entidades residentes que exercem, a titulo principal, actividade comercial, industrial ou agrícola e entidades não residentes com estabelecimento estável); - Anexo B - IRC - informação empresarial simplificada (empresas do sector financeiro); - Anexo C - IRC - informação empresarial simplificada (empresas do sector segurador); - Anexo D - IRC - informação empresarial simplificada (entidades residentes que não exercem, a título principal, actividade comercial, industrial ou agrícola); - Anexo F - IRC - benefícios fiscais; - Anexo G - IRC - regimes especiais (sociedades e outras entidades sujeitas ao regime de transparência fiscal); - Anexo I - IRS - informação empresarial simplificada (sujeitos passivos de IRS com contabilidade organizada); - Anexo L - IVA - elementos contabilísticos e fiscais; - Anexo M - IVA - operações realizadas em espaço diferente da sede;
- Anexo R - informação estatística - informação empresarial simplificada (entidades residentes que exercem, a titulo principal, actividade comercial, industrial ou agrícola, entidades não residentes com estabelecimento estável e EIRL). Mantêm-se em vigor a folha de rosto e os restantes anexos, aprovados pelas Portarias n 208/2007, de 16 de Fevereiro, e nº 8/2008, de 3 de Janeiro. A IES e o Anexo No que respeita ao Anexo (quadro Q05 do Anexo A), a sequência das notas não segue os normativos contabilísticos, apresentando uma sequência própria. No entanto, a informação agora solicitada na IES é equivalente à exigida no Anexo. Uma vez que o Anexo se assume como a principal fonte de informação qualitativa das Empresas contribuindo decisivamente para a fiabilidade da informação financeira, é por isso de extrema importância que as entidades tenham um Anexo bem preparado por forma a facilitar o preenchimento da IES. Parte considerável da informação a preencher na IES é quantitativa, sendo validada pelo sistema por forma a assegurar a coerência da informação (se persistirem erros, o sistema não permite que a IES seja submetida). Contudo, a informação narrativa, de natureza qualitativa, deverá complementar a informação quantitativa, no sentido de melhorar a compreensão de toda a informação contida na IES. De facto, a informação prestada com mais qualidade aumenta a transparência da informação no seu todo. Espera-se que os quadros da IES sejam preenchidos pelas empresas com informação detalhada e rigorosa. Em alguns casos, a IES vai além das divulgações exigidas nas notas às contas (Anexo), nomeadamente, na desagregação da informação relacionada com fluxos de caixa, partes relacionadas, custos de empréstimos obtidos, contratos de construção, subsídios e apoios do governo. A importância da IES
A IES nasceu em Janeiro de 2007 e consiste numa forma de entrega, por via electrónica e de forma totalmente desmaterializada, dando cumprimento às obrigações declarativas de natureza contabilística, fiscal e estatística. A IES permite o cumprimento simultâneo de 4 obrigações declarativas: Administração Fiscal Ministério da Justiça INE Banco de Portugal Até à entrada em funcionamento da IES, as empresas estavam obrigadas a prestar a mesma informação sobre as suas contas anuais a diversas entidades públicas, através de meios diferentes: tinham de fazer o depósito das contas anuais e o correspondente registo, em papel, junto das conservatórias do registo comercial; tinham de entregar a declaração anual de informação contabilística e fiscal ao Ministério das Finanças (Direcção Geral dos Impostos); tinham de entregar informação anual de natureza contabilística sobre as suas contas ao INE para efeitos estatísticos; tinham de entregar informação anual de natureza estatística sobre as suas contas ao Banco de Portugal. Os formulários da IES condensam toda a informação necessária ao cumprimento destas quatro obrigações legais. O Ministério das Finanças envia ao Ministério da Justiça a informação constante dos formulários que respeite ao depósito da prestação de contas, cabendo ao Ministério da Justiça disponibilizar ao INE e ao Banco de Portugal a informação que lhes respeita. O incumprimento das obrigações integradas na IES é sancionado nos termos previstos na legislação respeitante a cada uma dessas obrigações. Isto significa que, se a IES não for entregue, a empresa em causa fica sujeita às sanções previstas na legislação fiscal, na legislação do registo comercial e na legislação do sistema estatístico nacional. No que respeita à obrigação de depósito da prestação de contas, as empresas têm simplesmente de entregar a IES e pagar o custo respeitante ao registo da prestação de contas para cumprir essa obrigação de registo. Isto significa que o depósito da prestação de contas deixou de ser feito em papel, junto das conservatórias de registo comercial e passou a ser feito
electrónica e automaticamente, em simultâneo com o cumprimento de outras obrigações de natureza fiscal e de natureza estatística. A aplicação informática promove imediatamente o registo do acto e gera automaticamente o texto para ser publicado no site das Publicações do Ministério da Justiça. A IES aumenta a eficiência e assegura a simplificação do processo declarativo para as empresas e minimiza os custos para a Administração Pública Reduzem-se custos para as empresas: - A IES é mais barata que a prestação de contas (a IES custa 85.. A prestação de contas nas conservatórias custava, no mínimo, em 2005,126 ); - As empresas poupam em deslocações e na produção de documentos em formatos diferentes para 4 entidade públicas. A economia portuguesa fica mais competitiva, porque passa a ser mais transparente e a existir mais informação sobre o mercado português. A informação aos investidores passa a ser mais actual, porque será disponibilizada para consulta mais rapidamente. A informação estatística sobre as contas passa a abranger a totalidade das empresas portuguesas, o que permite uma visão mais fidedigna e completa da economia nacional para os investidores. A IES apresenta-se como um instrumento de responsabilidade social, visto que a prestação de contas por parte das empresas visa essencialmente dotar os agentes económicos e partes interessadas de informação útil na tomada de decisões, sendo necessário garantir a crescente fiabilidade e transparência da informação prestada. A IES oferece, por exemplo: Informação desagregada por área geográfica e sectorial/actividades económicas. Confirmação de que as Contas se encontram ou não aprovadas - apenas estão sujeitas a registo comercial as contas aprovadas. Se for assinalado o campo "contas não aprovadas", a IES apresentada não permite o cumprimento da obrigação de registo da prestação de contas. Logo que as contas se mostrem aprovadas, deve proceder-se ao envio de uma nova IES. Confirmação de que o Relatório de Gestão foi preparado e assinado.
Informação acerca da Certificação Legal de Contas. Acesso a uma Certidão Permanente de Registo Comercial que pode ser disponibilizada a terceiros. Informação disponível numa base de dados de acesso público. A IES é considerada uma referência a nível mundial, no que respeita à utilização de dados administrativos para fins estatísticos na área económica. De acordo com a informação do Conselho Superior de Estatística, são frequentes os convites para apresentação da IES nos mais diversos fóruns internacionais. ÁREA JURÍDICA SETEMBRO 2011