BLOQUEIO EM CONTA BANCÁRIA
PENHORA EM CONTA BANCÁRIA EM EXECUÇÃO FISCAL SISTEMA BACEN-JUD 2.0 1 Em se tratando de execução fiscal, o magistrado pode, via Sistema BACEN-UD 2.0, solicitar o bloqueio/desbloqueio de contas e de ativos financeiros ou a pesquisa de informações bancárias. Conforme a sistemática usual, a ordem de penhora em conta bancária ocorre apenas após o requerimento pela parte exequente, após o prazo de cinco dias a contar da citação, quando inexistentes o pagamento da dívida ou a garantia do débito. A citação é a comunicação formal ao executado sobre a existência do processo judicial que o torna parte do processo, sujeitando-o a constrições patrimoniais. A penhora em conta bancária tem precedência sobre outras modalidades de constrição judicial, como penhora de imóveis ou títulos. Atualmente, a penhora em conta bancária é o primeiro ato após a citação, em caso de ausência de pagamento em cinco dias. Em termos técnicos, as ordens judiciais protocolizadas no BACEN-JUD 2.0 constituem arquivos eletrônicos transmitidos pelas varas ou juízos emissores e recebem a confirmação da transmissão com um número de protocolo. REALIZAÇÃO DA PENHORA ON-LINE Ao longo do dia são protocolados pedidos de bloqueio. Após as 19 horas, o Banco Central consolida as ordens de todo o país, gera arquivos de remessa e os transmite às instituições financeiras até as 23 horas e 30 minutos. As instituições recebem os arquivos contendo as ordens judiciais para cumprimento no mesmo dia. As determinações judiciais (exceto transferências) são cumpridas até o dia útil bancário seguinte, em regra. 1 Material elaborado em fevereiro de 2014.
Em seguida, as instituições geram arquivos de resposta e os enviam ao Banco Central, até as 23 horas e 59 minutos, quando serão submetidos a processo de validação. Após a validação, os arquivos de resposta são consolidados e transmitidos para visualização do juízo emissor, até 8 horas da manhã do dia útil bancário seguinte. Em qualquer caso, é possível dizer que se ocorrido o bloqueio em determinado momento, valores ingressados após, em tese, não serão bloqueados. Isso porque a instituição financeira já terá cumprido a ordem judicial e encaminhará o resultado ao Banco Central não mantendo a conta penhorada. Igualmente, a ocorrência de penhora em uma conta implica em penhora nas contas dos demais bancos, do valor integral do débito eis que não há comunicação entre os bancos para que os bloqueios somados não excedam o valor do débito. Nesse caso, o excesso será desbloqueado. Ocorrem casos em que determinadas instituições não enviam a tempo o seu arquivo de resposta. Independente das razões que causaram o atraso no envio, essas instituições serão consideradas inadimplentes, e figurarão em relação de não respostas. Convém destacar que essa inadimplência não permite extrair conclusões acerca do efetivo cumprimento ou não da determinação judicial. Ao receber as respostas das instituições financeiras, o magistrado emite ordem judicial de transferência do valor da condenação para conta judicial, em estabelecimento oficial de crédito. Na mesma ordem de transferência, o juiz deverá informar se mantém ou desbloqueia o saldo remanescente, caso
existente. O prazo para interposição de recursos começa a contar da data da notificação, pelo juízo, à parte, do bloqueio efetuado em sua conta. ALTERNATIVAS JUDICIAIS A assessoria jurídica deve ser informada assim que possível sobre eventual bloqueio em conta bancária, fornecendo, se possível, o extrato relativo à penhora como exemplificado na próxima página. Há um determinado procedimento que deve ser seguido para que o bloqueio seja considerado válido AGRAVO LEGAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL. BANCEJUD. DESBLOQUEIO DE VALOR ÍNFIMO. 1. Tratando-se de valor irrisório frente ao débito, correspondente a menos de um por cento do valor executado, não se justifica o bloqueio BACENJUD, por razões de economia processual. De modo análogo ao que dispõe o 2º do art. 659 do CPC, a penhora em valor ínfimo não justifica a movimentação do aparato judiciário. Precedentes. (TRF4, AG 5016091-43.2014.404.0000, Primeira Turma, Relator p/ Acórdão Joel Ilan Paciornik, juntado aos autos em 11/09/2014) AGRAVO DE INSTRUMENTO. BLOQUEIO DE VALORES, VIA BACENJUD, DETERMINADO DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE. REMISSÃO DA DÍVIDA. LIMITES. PRAZO PARA OPOSIÇÃO DE EMBARGOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO EXECUTADO SOBRE A PENHORA ON LINE EFETIVADA. [...] 2. A constrição de ativos financeiros da executada por meio do Sistema Bacenjud depende de requerimento expresso da exequente, não podendo ser determinada ex officio pelo magistrado. 3. O artigo 16 da Lei de Execuções Fiscais requer que exista uma intimação formal do início do prazo para a oposição dos embargos. Não tendo ocorrido a intimação formal da executada para oposição de embargos no prazo de 30 dias, não há como se reconhecer ter decorrido in albis o prazo para oposição de embargos de devedor. 4. Agravo de instrumento parcialmente provido. (TRF4, AG 5024110-72.2013.404.0000, Segunda Turma, Relator p/ Acórdão Otávio Roberto Pamplona, juntado aos autos em 18/12/2013) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. BLOQUEIO VIA BACEN- JUD. PROVENTOS. IMPENHORABILIDADE. 1. Nos termos do art. 649, IV, do CPC, são absolutamente impenhoráveis as verbas oriundas de proventos de aposentadoria. (TRF4 5030018-13.2013.404.0000, Quarta Turma, Relator p/ Acórdão Luís Alberto D'azevedo Aurvalle, juntado aos autos em 19/02/2014)