História do voleibol, parte 1

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Transcrição:

História do voleibol, parte 1 La historia del voleibol, parte 1 History of the volleyball, part 1 Mestre em Ciência da Motricidade Humana (CMH) pela UCB do RJ (Brasil) Nelson Kautzner Marques Junior nk-junior@uol.com.br Resumo O objetivo da revisão foi escrever a história do voleibol. Unitermos: Voleibol. Esporte. Treino. História. Abstract The objective of the review was to write the volleyball history. Keywords: Volleyball. Sport. Training. History. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires - Año 17 - Nº 169 - Junio de 2012. http://www.efdeportes.com/ 1 / 1 Introdução O voleibol foi criado em 1895 pelo norte-americano William Morgan da ACM com o nome de mintonette. Esse esporte foi elaborado baseado no basquetebol e no tênis 1, sendo menos vigoroso do que o basquete ele proporcionou fácil prática dos idosos da ACM 2. Também, o voleibol era uma atividade mais lúdica do que a ginástica e poderia ser jogado no ginásio durante o rigoroso inverno americano. Após a sua criação, o voleibol ficou restrito a ACM de Holioke em Massachusetts, nos Estados Unidos, no qual Morgan era diretor de Educação Física. Mas numa conferência na Universidade de Springfield ocorreu uma demonstração da mintonette, onde foi sugerido que o nome desse esporte fosse alterado para voleibol porque as batidas na bola caracterizam o nome do jogo 3. O voleibol chegou ao Brasil em 1915 ou 1916, onde começou a ser jogado. Também iniciou a sua prática em outros países. A figura 1 apresenta a chegada do voleibol em alguns pontos do mundo 4 :

Figura 1. Ano de chegada do voleibol 4 A criação e o desenvolvimento do voleibol aconteceram no ginásio, mas aos poucos ele passou a ser praticado na areia da praia. O início do voleibol na areia possui três versões 5 : 1ª. Nas praias do Uruguai foi visto a prática desse esporte em 1914, bem no período da 1ª Guerra Mundial (GM). 2ª. O voleibol na areia surgiu no Outrigger Canoe Club, em 1915, sediado na praia de Waikiki, ilha de Oahu, Havaí. Ele era jogado por um pequeno grupo de empresários. 3ª. Começou a ser praticado nos anos 20, na praia de Santa Mônica, Califórnia, Estados Unidos. Isso ocorreu porque foram construídos diversos clubes na costa norte-americana. Em Santa Mônica foram fundados 11 clubes, os principais eram Beach Club e Swimming Club. Os campeonatos entre as equipes desses clubes ocorriam no fim de semana. O voleibol na areia no Brasil foi introduzido por volta de 1933, em frente do hotel Atlântico e Londres, em Copacabana, pelo carioca Altamiro da Fonseca Braga 6. Local próximo da rua Santa Clara. Logo a modalidade se difundiu pelas praias do Rio de Janeiro e posteriormente por todo o Brasil. Apesar do voleibol na quadra e na areia ser jogado em diversos países, sua difusão aconteceu lentamente, mas foi na 1ª (14-18) e na 2ª (39-45) GM que os soldados norteamericanos ajudaram popularizar esse esporte 7. No momento de lazer após as batalhas, eles jogavam voleibol, sendo observados pelos prisioneiros de guerra que aprenderam o esporte. A figura 2 mostra o jogo de voleibol entre os soldados:

Figura 2. No lazer da 2ª GM, norte-americanos brincam de voleibol 7 Segundo Melo 8, estudando o passado permite ao indivíduo entender o presente e desenvolve um pensamento crítico. Isso pode dar base ao que ele poderá encontrar no seu exercício profissional 9. Logo, essa revisão será dividida em três partes, com o intuito de explicar em detalhes cada tema, nessa revisão o artigo trata sobre os países de destaque do voleibol na quadra e será apresentada a mudança das regras. Países de destaque no voleibol mundial e as modificações das regras Inicialmente o voleibol era praticado apenas nos respectivos territórios de cada país, aos poucos, começou ocorrer jogos entre as nações. Em 1927 no Japão, aconteceu uma partida feminina entre Japão versus China, onde o número de jogadoras era de 9 contra 9 e não existia rodízio 10. Portanto, quem estava na rede atuava no ataque e no bloqueio, no fundo de quadra, eram as jogadoras especialistas na defesa. Esse jogo foi realizado num estádio aberto, e teve a presença de um grande público. Outro momento importante do voleibol, foi o 1º Campeonato Europeu Masculino, de 1948, onde a disputa contou apenas com 6 seleções (1º Thecoslováquia, 2º França, 3º Itália e as demais seleções foram compostas por Holanda, Portugal e Bélgica) 10. Os jogos foram competidos em quadra aberta, tendo cerca de proteção em volta do local da partida para evitar que a bola atingisse o público. Essas primeiras disputas e confrontos amistosos entre o países mostraram que o voleibol começava a despertar interesse entre as nações como esporte de alto rendimento. Porém, foi na União Soviética que o voleibol teve grande difusão. A aparição do voleibol na União Soviética aconteceu em 1920 10 e a Revolução Russa ocorreu em 7 de novembro de 1917, momento que

esse país tornou-se socialista 11. Segundo Guimarães e Matta 12, a União Soviética deu muito atenção ao voleibol porque esse esporte identificava-se com a ideologia política desse país. As características do jogo de voleibol são similares ao comunismo, podendo ser descritas da seguinte maneira: Ser coletivo, favorecer a interdependência e a cooperação, e ter a possibilidade de ser praticado por qualquer pessoa, independente de idade ou sexo e em virtude da diminuição da agressividade pela ausência de contato físico, já que o campo é dividido pela rede. Deste modo, a agressividade é manifestada sobre a bola (Guimarães e Matta 12, p. 82). Através dessas informações, pode-se entender porque outros países do bloco socialista (Polônia, Bulgária, Cuba, China, Thecoslováquia, etc.) deram também bastante atenção ao voleibol e posteriormente tornaram-se potências esportivas nessa modalidade ao lado da União Soviética. O 1º Mundial Masculino de Voleibol aconteceu em Praga, Thecoslováquia, em 1949. Nesse mundial a maioria dos passes eram feitos de toque, os ataques costumavam ser realizados no meio da rede através de bola alta, não existia linha dos 3 metros, existindo especialização dos jogadores de defesa (ficavam no fundo da quadra) e de ataque (jogavam na rede) 13. Os primeiros colocados foram países do bloco socialista (1º União Soviética, 2º Thecoslováquia, 3º Bulgária, 4º Polônia e 5º Romênia), mostrando a importância que essas nações davam a essa modalidade. A figura 3 mostra uma partida do Mundial de 49: Figura 3. Jogo entre Bulgária e Itália durante o Mundial de 1949 13 Os Campeonatos Mundiais Masculinos de 52, 56, 60, 62, 66, 70 e 74, aconteceu amplo domínio do bloco socialista (Tchecoslováquia, Polônia, Romênia, Alemanha Oriental e Bulgária),

com melhor desempenho para a União Soviética que foi campeã mundial por 3 vezes 4. A partir do Mundial Masculino de 78, 82, 86, 90, 94, 98, 02 e 06, apareceram outras forças no voleibol (Japão, Itália, França, Holanda, Iugoslávia), inclusive da América do Sul (Brasil e Argentina) e do Norte (Estados Unidos). Porém, nos mundiais, destaca-se a seleção italiana, primeiro país a ser campeão 3 vezes consecutivas ('90, '94 e '98), tendo um dos jogadores mais completos do mundo, o ponta Giani. Entretanto, essa geração italiana nunca conseguiu vencer uma Olimpíada. Os Jogos Olímpicos de 64, 68, 72, 76 e de 80 os melhores resultados foram dos países do bloco socialista (União Soviética, Tchecoslováquia, Cuba, Polônia, Romênia, Alemanha Oriental e Bulgária) porque essas seleções eram compostas por jogadores mais altos e fortes, facilitando no ato de atacar e bloquear 14. Outra escola que teve destaque foi o Japão, representante dos asiáticos, através de um voleibol composto por muitas fintas e priorizando o ataque de bolas rápidas para suprir a menor estatura, foi campeão olímpico em 72 15. Um momento importante do voleibol masculino foi a Olimpíada de 1976, o jogador polonês Tomaz foi considerado o criador do ataque dos 3 metros 16. Sua seleção perdia para a União Soviética por 2 sets a 1, mas suas cortadas do fundo da quadra ajudaram a polônia a conseguir uma espetacular vitória de 3 sets a 2. Naquela ocasião, o ataque dos 3 metros não era usado, a partir desse momento todas as seleções adotaram essa tarefa ofensiva. Outro registro histórico dessa final, entre União Soviética e Polônia, foi o 1º jogo de voleibol televisado para o mundo. Também, um dado curioso, as duas seleções utilizaram para se preparar para essa Olimpíada a periodização de Matveev. Apesar de Tomaz ser considerado o inventor da cortada dos 3 metros, segundo o ex-levantador do América do Rio de Janeiro da década de 60, Nelson, a equipe americana tinha um atacante de ponta que cortava com precisão dos 3 metros (Dados não publicados, 1990). Nelson conta: Quando o passe saia errado e ficava difícil para o levantador efetuar a distribuição da jogada, Artur com seu 1,90 m tratava de praticar o remate da linha dos 3 metros, todos consideravam esse atleta maluco. Hoje Artur é dentista na Tijuca. Os Jogos Olímpicos de 84, 88, 92, 96, 00, 04 e 08, no voleibol masculino, aconteceu a aparição de novas forças da Europa (Itália, Holanda e Iugoslávia), e também da América do Sul (Brasil e Argentina) e do Norte (Estados Unidos). Entre esses países quem teve participação marcante no voleibol olímpico, foi os Estados Unidos na Olimpíada de 84 e 88 com o seu bicampeonato. Essa seleção revolucionou a maneira de jogar, reduziu o número de passadores para 2 ou 3, o bloqueador passou a interpretar para onde ia ser levantada a bola e o uso da estatística era um guia para ações do treinador 17. A figura 4 expõe a seleção norte-americana campeã olímpica em 1984:

Figura 4. Estados Unidos campeão olímpico em 1984 (http://info.specialolympic.org/) Não se pode esquecer, que outra seleção foi sensação na Olimpíada de 84, o Brasil, apesar da derrota de 3 a 0 para os norte-americanos, contribuiu muito para o voleibol da época e atual. Foi o país que se preocupou em forçar o máximo o saque, criando o Jornada nas Estrelas (hoje em desuso) e o saque em suspensão (o Viagem ao Fundo do Mar ), usado por todas as seleções do voleibol atual. Também, foi o 1º país sul-americano a ganhar uma medalha olímpica, a de prata 18. A figura 5 e 6 mostra a Geração de Ouro, com a medalha de prata, posteriormente, em 1992, essa seleção passa a ser chamada de Geração de Prata como referência ao principal título desse grupo. Figura 5. A medalha de prata foi de muita lamentação para os brasileiros 18

Figura 6. Quando Bernard foi chamado para receber a medalha, ele ergueu a bandeira brasileira e comemorou 18 Em 1992, o Brasil revolucionou quando obteve o seu 1º título olímpico, composta por uma seleção com atacantes de elevada estatura (Equipe base: oposto Marcelo Negrão de 1,98 m, ponta Tande de 1,98 m de tênis fica com 2,01 m, ponta Giovane de 1,96 m e central Carlão de 1,96 m o capitão), todos os jogadores atacavam de várias posições da quadra 19, exceto o central Paulão (2,00 m), que era especialista nas bolas rápidas pelo meio da rede. Também, a equipe tinha um excelente levantador, Maurício (1,84 m), que fazia uma distribuição das jogadas que dificultava o bloqueio dos adversários. Nessa Olimpíada o Brasil foi pior no ranking estatístico do passe 20, mostrando como o levantador é determinante na construção do ataque 21 e confirmando como o ataque é o fundamento mais correlacionado com a vitória de uma seleção 22. A figura 7 apresenta os campeões olímpicos de 1992:

Figura 7. 1ª medalha de ouro do Brasil em esporte coletivo (http://globoesporte.globo.com/) A Olimpíada de 2004, o Brasil foi campeão, chamou a atenção dos especialistas do voleibol, dispunha de um ataque de alta velocidade pelas pontas, no meio da rede e na linha dos 3 metros 17. Essa alta velocidade tinha o intuito de não dar tempo para o adequado posicionamento do bloqueio 22. Isso foi conseguido graças ao levantador Ricardo, um armador acima da média. Em 2008, as seleções masculinas que mais impressionaram nos Jogos Olímpicos, foram a dos Estados Unidos (medalha de ouro) e da Rússia (medalha de bronze), pelo ataque veloz e pelo alto e bom bloqueio, porém, o diferencial dos norte-americanos para os demais era o fenomenal levantador Ball de 2,00 m e o excelente oposto Stanley que tinha um potente ataque e saque. A figura 8 mostra os sensacionais levantadores Ricardo e Ball: Figura 8. Levantadores que fizeram sucesso nas Olimpíadas (http://globoesporte.globo.com/) Os Mundiais Femininos de Voleibol de 52, 56, 60, 62, 67, 70 e 74 aconteceu domínio do bloco socialista (Tchecoslováquia, Polônia e Romênia), com destaque para a União Soviética, obtendo 4 títulos mundiais 23. A escola asiática também teve sucesso nessa época, através do Japão (3 títulos mundiais) e da Coréia do Sul. Nos mundiais de 78, 82, 86 e 90 apareceram outras forças do voleibol (Peru e Estados Unidos), mas os maiores vencedores foram China e Cuba.

China jogava com bolas de velocidade e defendia muito o ataque, enquanto que Cuba dispunha de excelente ataque, por causa da impulsão das suas jogadoras e da boa força rápida do membro superior de remate. Contudo, todas as seleções mundiais de destaque no cenário internacional possuíam elevada estatura que possibilitava adequado alcance da mão na bola (no bloqueio e na cortada), boa força rápida (no salto, deslocamento e no golpe na bola), domínio dos fundamentos e tática de jogo muito bem executada 24. A partir de 94, 98, 02 e 06 algumas potências antigas do voleibol feminino continuaram entre as melhores (Cuba, China, Rússia, Coréia do Sul e Estados Unidos), mas Brasil e Itália forma os novos destaques, começaram a ter resultados expressivos. No Mundial de 94 realizado no Brasil, com final no ginásio do Ibirapuera em São Paulo, o Brasil perdeu de 3 a 0 para Cuba, que dispunha de jogadores fantásticas como Mireya e Regla Torres 25. Porém, algo chamou atenção, após as jogadoras receberem as medalhas e tocar o hino cubano, os torcedores comemoraram de pé e gritando muito o vice-campeonato das brasileiras. Uma manifestação do público não vista até então no voleibol. Os Jogos Olímpicos de 64, 68, 72, 76 e 80, os melhores resultados no voleibol feminino pertenceram ao bloco socialista (Hungria, Polônia e Romênia), tendo a União Soviética como o país mais vitorioso, conseguindo 3 títulos (68, 72 e 80). A escola asiática também teve sucesso nessa época (Japão e Coréia do Sul), o Japão obteve 2 títulos (64 e 76). A partir de 84, 88, 96, 00, 04 e 08, apareceram outras forças no voleibol feminino olímpico (Peru, Estados Unidos e Brasil), a União Soviética, posteriormente Rússia, continuou entre os melhores dessa modalidade devido o ataque forte e o excelente bloqueio, beneficiada pela elevada estatura de suas jogadoras. A China representante da escola asiática manteve, segundo Tubino 26, tradição em esportes que exigem alta flexibilidade, o caso do voleibol. Ela foi campeã em 84 e esteve bem posicionada em 88 (3º lugar), 96 (2º lugar), 04 (1º lugar) e 08 (3º lugar). Porém, Cuba, foi a grande vencedora olímpica do voleibol feminino, sendo a primeira equipe a ser campeã por três vezes consecutivas (92, 96 e 00). Essa seleção dispunha de uma elevada impulsão para cortar e atacar, causando um diferencial da sua força rápida em relação às demais concorrentes. Por exemplo, a atacante cubana de ponta Mireya golpeava a bola no ataque numa altura de 3,35 m, enquanto que as bloqueadoras alcançavam uma média de 3 m 4. Consultando Marques Junior 27, o máximo que uma jogadora de voleibol atinge no ataque é 3,30 m. Dados mais recentes mostraram o mesmo, o alcance máximo da cortada é de 3,30 m e no bloqueio é de 3,20 m 28. Portanto, um maior alcance no ataque e no bloqueio proporciona mais facilidade no jogo 29, ou seja, cortada e bloqueio são os fundamentos mais determinantes na vitória de uma equipe de voleibol 31. Logo, entende-se o motivo da supremacia cubana nos anos 90. A figura 9 apresenta a seleção cubana num momento de alegria:

Figura 9. Cuba campeã olímpica em 1996 (www.melhordovolei.com.br/) O voleibol brasileiro feminino em Jogos Olímpicos obteve em 80 e 84 apenas um 7º lugar. Nessas duas Olimpíadas, as principais jogadoras eram as atacantes de ponta Isabel e Vera Mossa e a levantadora Jaqueline. Essa modalidade começou a melhorar os resultados quando a seleção feminina juvenil obteve colocações expressivas, ficando em 4º lugar no Mundial Juvenil de 85 e tendo a ponteira Ana Lúcia como a 2ª melhor jogadora. Algumas jogadoras desse mundial serviram à seleção brasileira no Mundial Adulto de 86, sob o comando do técnico Jorjão, a equipe conseguiu um honroso 5º lugar. Em 87 e 89, a seleção juvenil conseguiu um bicampeonato mundial, Ana Moser foi eleita a melhor jogadora do mundial de 87. Muitas das jogadoras bicampeãs mundiais juvenis estiveram presentes em diversas conquistas olímpicas do Brasil (4º lugar em 92, 3º lugar em 96 e 3º lugar em 00). Porém, depois da derrota para Rússia nas semifinais da Olimpíada de 04, quando faltava pouco para o Brasil fechar o set, o feminino foi chamado de amarelão olímpico (Ficou em 4º lugar). Ele conseguia bons resultados em diversas disputas, mas na Olimpíada o máximo que obteve foi um 3º lugar nos Jogos de 1996. Em 2008, a seleção feminina estava renovada e tinha a excelente levantadora Fofão, sendo comandada pelo técnico Zé Roberto (ouro em 92 com o masculino). O Brasil foi campeão olímpico invicto, vencendo na final os Estados Unidos. Terminado o jogo, o técnico da seleção brasileira brincou: Somos amarelo ouro. A figura 10 expõe o Brasil campeão em 2008:

Figura 10. Seleção feminina campeã olímpica em 2008 (http://pioesportivo.blogspot.com/) O voleibol a partir da sua criação até o momento atual teve diversas regras que foram sendo modificadas ao longo dos anos 31. A seguir, são apresentadas as mudanças mais marcantes que o autor considera: 1988 O 5º set é jogado pelo tie-break, com intuito de reduzir a duração das partidas e proporcionar um produto mais atraente para a transmissão da TV. 1994 É permitida a defesa com qualquer parte do corpo com o intuito de manter a bola mais tempo no ar, o jogador pode tocar na rede se não estiver participando da jogada com o objetivo da partida parar menos, a bola pode tocar na rede evitando que o jogo tenha menos interrupção e a linha de serviço é em toda quadra para gerar um serviço mais forçado e facilitar o retorno do sacador para a defesa. Por exemplo, o atleta sacou da região central e imediatamente ele volta para o seu local de defesa, sendo no meio da quadra. 1996 A bola, quando cruza a rede por fora da antena, pode ser recuperada. Essa regra permite que a bola fique mais tempo no ar, gerando mais emoção para o público. 1998 As partidas são jogadas sem vantagem, com marcador de até 25 pontos ou 2 pontos de diferença. O 5º set é através do tie-break de 15 pontos ou 2 de vantagem. Esse marcador sem vantagem torna a partida mais rápida e facilita o entendimento do jogo para o público. Todas as partidas possuem tempo técnico obrigatório de 1 no 8º e no 16º ponto (isso só não ocorre no tie-break) para permitir descanso dos atletas, comercial da TV e mais instrução dos treinadores. Cada equipe tem direito a um pedido de tempo de 30" (antigamente era dois tempos por set) para o técnico passar as modificações táticas. É incluído o líbero, atleta que atua no passe e na defesa, com o objetivo da bola ficar mais tempo no ar (idéia dos japoneses para tentar chegar

próximo das potências do voleibol). Os técnicos podem movimentar-se em frente ao banco de reservas e dar instruções com intuito de facilitar o trabalho dos jogadores. A bola passa a ser colorida para gerar melhor visualização no ato de passar e defender o ataque. Conclusão Através dessa revisão o leitor conheceu como o voleibol foi criado e ficou sabendo sobre as principais potências desse esporte. Também o artigo informou sobre as principais modificações das regras. Em conclusão, a história do voleibol é importante para o professor entender porque determinados países possuem êxito nessa modalidade. Referências 1. Rizola Neto A (2003). Uma proposta de preparação para equipes jovens de voleibol feminino. 113 f. Dissertação (Mestrado, Unicamp, Campinas). 2. GPS (1993). Regras oficiais do voleibol. Rio de Janeiro: Grupo Palestra Sport, 1993. p. 1. 3. Marques Junior N (2010). Seleção de testes para o jogador de voleibol. Mov Percep 11(16):169-206. 4. Bizzocchi C (2004). O voleibol de alto nível. 2ª ed. São Paulo: Manole. p. 1-53. 5. Afonso G (2004). Voleibol de praia: uma análise sociológica da história da modalidade (1985-2003). 225 f. Dissertação (Mestrado, UFPR, Paraná). 6. Marques Junior N (2005). Sugestão de uma periodização para o voleibol amador de duplas na areia masculino. 201 f. Monografia (Especialização, UGF, RJ). 7. Shewman B (1995). Spreading the gospel. Volleyball 6(5):88-96. 8. Melo, V. (1997). Porque devemos estudar a história da educação física/esportes nos cursos de graduação? Motriz 3(1):56-61. 9. Melo V (2006). História da educação física e do esporte no Brasil. 3ª ed. São Paulo: Ibrasa, 2006. p. 11-26. 10. Lirola D (2006). Estudio y análisis de la participación técnico-táctica del jugador líbero en el voleibol masculino de alto rendimiento. 517 f. Tese (Doutorado, Universidad Politécnica de Madrid, Espanha). 11. González H (1989). A revolução russa. 3ª ed. São Paulo: Moderna. p. 5. 12. Guimarães G, Matta P (2004). Uma história comentada da transformação do voleibol: do jogo ao desporto espetáculo. Rev Educ Fís (-):79-88. 13. Russo P (1995). Grand hotel. Volleyball. 1(11):22-3.

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