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Transcrição:

filosofia clássica indiana 2011-2012 1ºSemestre Carlos João Correia

hotṛ/ṛg/o; udgātṛ/sāmaveda/e; adhvaryu/yajur/n; brāhmaṇa/atharva/s yajña (sacrifício): brahman/ṛtā/dharma

Puruṣa [Gigante, Pessoa, Homem] tinha mil cabeças, mil olhos, mil pés (...) O Puruṣa não é mais do que tudo o que é, tudo o que foi e tudo o que será. Ele é o senhor do que é imortal, pois ele cresce para lá do alimento. (...) Todos os seres são um quarto dele; imortal, no céu, os três quartos. Dele nasceu a energia criadora (Virāj =Śakti=Prakṛti) mas da energia criadora nasceu Puruṣa Quando os deuses ergueram [estenderam] o sacrifício [yajña] tinham o Puruṣa por oblação (...) Como ele, os deuses, os sādhyas e os poetas [foram] sacrificados Neste sacrifício, no qual tudo foi oferecido, nasceram as estrofes, os cânticos, a métrica e as fórmulas (...) Quando desmembraram o Puruṣa, em quantas partes o dividiram? (...) O que se tornou a sua boca, o que aconteceu aos seus braços? As suas coxas, os seus pés, que nome receberam? A sua boca torna-se no Brāhmaṇa O guerreiro [Kṣatriya] foi o produto dos seus braços As suas coxas são os artesãos [Vaiṣyas] dos seus pés nasceu o servidor [Śūdras]. A Lua nasceu da sua mente, do seu olhar nasceu o Sol. Indra e Agni nasceram da sua boca e do seu sopro vital, o Vento [Vāyu]. Do seu umbigo o espaço do meio surgiu; da sua cabeça, o céu. Dos seus pés surgiu a terra e dos seus ouvidos os ocasos(...) Com o sacrifício os deuses sacrificaram o sacrifício Ṛgveda 10:90

Prajāpati, o Senhor das Criaturas, emergiu, mas, logo que tomou consciência de si, chorou, visto que não conseguia descortinar nenhum propósito na sua existência. E exclamou: Por que razão nasci, se fui criado do que não tem nenhum fundamento? À medida que chorava, as suas lágrimas tornaram-se na Terra. As lágrimas que afastou tornaram-se no Ar e aquelas que empurrou para cima tornaram-se no Céu que tudo cobre. Prajāpati quis então ter descendência e praticou austeridade. Engravidou e deu origem aos Demónios (āsura) e então pôs de lado o seu corpo que se transformou na Noite. Prajāpati recriouse, formando seres vivos; pondo de lado novamente o seu corpo, este tornou-se no luar. Criou novamente para si um novo ser, criando as estações das suas axilas e o crepúsculo do seu corpo. Finalmente, criou os Deuses (deva) da sua boca e quando novamente pôs de lado o seu novo corpo criou o Dia. Taittirīya Brāhmaṇa 1 ii.2.9.[f26]

No começo, este mundo era apenas um único ātman formado como um puruṣa. Olhou em volta e não viu nada a não ser ele próprio. A primeira coisa que ele disse foi, Eu sou! e através disso o nome eu veio à existência. Por isso, mesmo hoje, quando se chama alguém, ele diz primeiro, sou eu e depois é que acrescenta outro nome. O primeiro ser recebeu o nome puruṣa porque antes disso queimou todos os males. (...) O primeiro ser teve medo; por isso, temos medo quando estamos sós. Então ele pensou para si mesmo: de quem devo ter medo se não existe ninguém além de mim? Deste modo, o medo abandonou-o, pois do que poderia ter medo? Afinal, alguém só pode ter medo de outrem. Mas ele não tinha nenhum prazer; e assim ninguém tem prazer quando está só. Quis ter companhia. Então ele tornou-se tão grande como um homem e uma mulher num abraço íntimo. Depois ele dividiu o seu corpo em dois, dando origem ao homem (pati) e à mulher (patnī). Certamente é essa a razão pela qual Yājñavalkya costumava dizer: Nós os dois somos como duas partes de um bloco. O espaço aqui, por conseguinte, é completamente preenchido pela mulher. Ele copulou com ela e da sua união seres humanos nasceram. Então ela pensou para si própria: Depois de me ter criado de si próprio [ātman] como pode copular comigo? Então ela tornou-se uma vaca, mas ele tornou-se um boi...desta forma cada par de macho e fêmea foi criado, mesmo até às próprias formigas. (...) Sacrifício a este deus. Sacrifício àquele deus. As pessoas dizem estas coisas, mas na realidade cada um destes deuses é a sua própria criação, porque ele [ātman] é todos estes deuses Bṛhadāraṇyaka Upaniṣad 1.4.1-1.4.6

As pessoas não o vêem porque ele é incompleto quando é chamado respiração na medida em que ele é o respirar, fala quando ele é o falar, visão quando ele é o ver, audição quando ele é o ouvir e mente quando ele é o pensar. Isto são apenas nomes para as suas actividades. Se alguém o considera como sendo uma delas, não o compreende, visto que ele está incompleto em cada uma. Devemos considerá-las, todas elas, como sendo manifestações do seu si (ātman), visto que nele todas elas se tornam um só. Este mesmo ātman é o caminho para o mundo inteiro, pois seguindo-o conhece-se o mundo inteiro (...). Isto que é o mais íntimo que é possível, este ātman é mais querido do que um filho, é mais querido do que a riqueza, é mais querido do que quer que seja. Se um ser humano acha que há algo mais querido do que o ātman e alguém lhe diz que perderá o que ele considera tão querido, é viável que isso aconteça. Deste modo, um ser humano deve considerar o ātman como o mais querido. Quando um homem considera o seu ātman como o mais querido para ele, o que ele considera querido nunca perecerá. (...) No começo este mundo era apenas brahman e ele soube-o através de si (ātman) pensando: Eu sou brahman. Como resultado, ele tornou-se o todo. (...) Se um ser humano sabe eu sou brahman deste modo, ele torna-se todo o mundo. Nem os deuses poderão alguma vez impedi-lo, pois ele tornou-se o seu próprio ātman. Deste modo, quando um ser humano venera outra divindade, pensando, Ele é um e eu sou outro, não compreende. (...) No começo este mundo era apenas o ātman, apenas um Bṛhadāraṇyaka Upaniṣad 1.4.7-1.4.10

Deves tornar-te tu próprio (ātman) na tua ilha, sendo tu próprio (ātman) o refúgio, com mais nada como teu refúgio Dīgha Nikāya [Mahāparinibbāna Sutta] 16:2.26 (ii.100) Se alguém sabe que o ātman lhe é querido, deve guardá-lo bem. Dhammapada XII (157)