Turma e Ano: Master A (2015) Matéria/Aula: Direito Civil Família e Sucessões Aula 24 Data: 09.07.2015 Professor: Andréa Amin Conteúdo: Substituição: Fideicomisso; Direito de acrescer; cálculo da legitima. Monitora: Carmen Shimabukuro SUBSTITUIÇÃO Vamos continuar recheando o testamento. O tema é substituição. É a possibilidade de indicar substitutos para aqueles que primeiro tinham sido designados para herdar ou legar e que por algum motivo não puderam ou não quiseram receber a cota, e para evitar a caducidade da deixa testamentaria já indica um substituto. Com a indicação do substituto se evita que aquela bem, aquela herança ou legado siga o principio da sobra, ir, volte para o monte e siga a regra da sucessão legitima. Temos 3 espécies de substituição: 1. VULGAR 2. RECÍPROCA 3. FIDEICOMISSÁRIA 4. Substituição COMPENDIOSA** Temos tb uma substituição chamada de substituição COMPENDIOSA. Esta é como se fosse uma substituição mista, pois vai mesclar substituição vulgar com a substituição fideicomissária. Isso veremos como funciona. 1.SUBSTITUIÇÃO VULGAR Temos o testador, isso vale tanto para herança qto legado, e ele indica A como primeiro beneficiado do legado. Diz que caso A não possa ou não queira receber, esse legado será entregue para B. caso B não possa ou não queira receber, o legado será entregue a C e D, por exemplo. Caso estes não queiram receber o legado vai para E. 1
Se a disposição for inicialmente cumprida, a disposição subsequente fica prejudicada. Só quem estiver indicado que recebe e o resto estará prejudicado. Aqui não se tem sucessores em sequencia. Já no fideicomisso quer beneficiar mais de uma pessoa em sequencia. Ex quero que cada um ao seu tempo possa exercer direitos sobre herança ou legado deixado. Primeiro indica uma pessoa que será o beneficiado e qdo acontecer alguma coisa (condição resolutiva, termo final ou fideicomisso vitalício) ai outra pessoa que o ultimo indicado vai necessariamente herdar. Acaba beneficiando mais de uma pessoa em sequência. Já no vulgar quero beneficiar uma pessoa. Se ela já recebe, todos os outros indicados não receberão. O antecedente prejudica o subsequente. Essa substituição vulgar é singular. A lei não impede que se faça indicação para A, por exemplo, pura e simples, ex deixo a fazenda para A. caso A não queira a minha fazenda vai para B que, contudo terá um encargo a cumprir. Daí B não quer aceitar, então o bem vai para C e D sujeito a uma condição suspensiva. Posso ter uma disposição pura e simples, para o substituto ter um encargo, logo tenho liberdade para assim agir. isso só vale para a disponível. Não vale para a legitima. No caso de C e D se C não quer aceitar, então a cota de C acresce para D, pois a disposição é conjunta. Isso gera um direito, chamado de direito de acrescer. A substituição vulgar é a mais simples que se tem. 2.SUBSTITUIÇÃO RECÍPROCA Está no art 1950 do CC: Art. 1.950. Se, entre muitos co-herdeiros ou legatários de partes desiguais, for estabelecida substituição recíproca, a proporção dos quinhões fixada na primeira disposição entender-se-á mantida na segunda;/ se, com as outras anteriormente nomeadas, for incluída mais alguma pessoa na substituição, o quinhão vago pertencerá em partes iguais aos substitutos. Esse artigo tem duas partes. Preciso ter muita gente herdando ou legando e precisa ter cotas diferenciadas entre eles. Fazendo uma representação disso: tenho o testador (vale tanto para herança como legado) faz deixa testamentaria em favor de A, B,C e D. Deixa da seguinte maneira: A deixa 1 parte = 1/10 2
B deixa 2 partes = 2/10 C deixa 3 partes = 3/10 D deixa 4 partes = 4/10 Qdo se faz uma substituição recíproca quer dizer que caso qq um dos indicados não possa ou não queira receber, os demais o substituirão ou vice versa. Ex B não quer, então A, C e D o substitui. Qdo eles se substituírem entre si, tem que manter a proporção inicialmente indicada pelo testador. ex A não quiser receber, esse 1/10 será entregue B, C e D pois indicados como substitutos recíprocos. Como se partilha o 1/10? Mantêm se a proporção. Desse 1/10 vou manter para B 2 partes, para C 3 partes e para D 4 partes. A segunda parte do art 1950: se, com as outras anteriormente nomeadas, for incluída mais alguma pessoa na substituição, o quinhão vago pertencerá em partes iguais aos substitutos Inicialmente fiz a deixa para A, B, C e D e disse que se qq deles não quiser, os demais os substituíram. Posso dizer os demais e tb E substituirão a cota daquele que não pode ou não quer receber. Aqui botei o E que inicialmente não tinha sido contemplado.botei ele no banco de reserva. B. C, D e E vão suceder A mas como manterei a mesma proporção se E não tinha sido beneficiário de qq cota? Nesse caso, divido a cota de A igualitariamente, cada um deles recebera um pedaço, logo será um quarto para B, o mesmo para C, D e E. Aqui é o testador que manda na brincadeira, ele é o dono da bola. Estamos dentro da disponível. 3.SUBSTITUICAO FIDEICOMISSÁRIA Beneficia mais de uma pessoa em sequencia. Será beneficiado tanto o primeiro indicado como seu sucessor. Qdo se institui fideicomisso em sucessão testamentária, temos a seguinte representação: temos o testador que no fideicomisso recebe um nome: por ser instituidor do fideicomisso é chamado de fideicomitente. Ele vai dispor de uma herança ou legado em favor do primeiro beneficiado, chamado de fiduciário. Ele pode 3
fazer a entrega da herança ou legado com fiduciário mas sempre receberá uma propriedade resolúvel. O que vai levar a resolução dessa propriedade, do seu direito como fiduciário pode ser o termo, condição ou vitalício. Suponha que o fiduciário falece. Nesse momento a propriedade se resolve e não entra na sucessão dele e o fideicomissário que era titular de um direito eventual. Primeiro recebe o fiduciário e depois a herança e o legado vão para o fideicomissário. São dois graus de substituição, de beneficiários. O primeiro grau é destinado ao fiduciário e os segundo grau ao fideicomissário. São substituições sucessivas. Não há fideicomisso de terceiro grau. Não se pode fazer indicação de quem substituirá o fideicomissário. Se fizer será considerado como não escrita. O que se pode fazer é indicar como fideicomissário determinada pessoa, ex prole eventual de determinada pessoa. Mas poso dizer que caso essa pessoa não queira ter prole já indico substituto para esse fideicomissário. O mesmo se faz ao fiduciário. Dentro do polo do fiduciário posso fazer a substituição vulgar, ex Huguinho que é o fiduciário não quer ou não pode receber o legado, mas tem como substituto Zezinho e Luizinho. Enqto o fiduciário esta no exercício da propriedade resolúvel, o fideicomissário esta no direito sujeito a eventualidade, não pode exercer direito sobre a herança ou legado, mas pode tomar medidas assecuratórias de seu direito. Pode exigir que o fiduciário dê uma caução, garantia, de que qdo ele vier a falecer ou advento do termo não sofrera prejuízo por má gestão. Exerce o direito de proteger esse direito eventual, não é caso de exercício sobre o bem. o titular de um bem que esta sob condição suspensiva, que só pode ser exercida com implemento da condição suspensiva, não pode exercer o direito por ainda não ser eficaz, mas pode tomar medidas acautelatórias de seu direito. Ex notificar, pedir caução. Novidade do fideicomisso de hj comparando com o de CC de 1916. A figura do fideicomissário se restringe a prole eventual de terceiro. o fideicomissário tem que ser prole eventual. Antigamente não se tinha restrição, podia indicar como fideicomissário tanto uma pessoa viva ao tempo da abertura de sucessão como prole eventual de terceiro. Hj o art 1952 diz: Art. 1.952. A substituição fideicomissária somente se permite em favor dos não concebidos ao tempo da morte do testador. Parágrafo único. Se, ao tempo da morte do testador, já houver nascido o fideicomissário, adquirirá este a propriedade dos bens fideicometidos, convertendo-se em usufruto o direito do fiduciário. 4
Ex testador diz que o legado será entregue a Pedrinho. Qdo Pedrinho vier a falecer o legado passara par ao filho da prima do testador Ana. Ana não tem filho. aberta a sucessão esta instituida o fideicomisso. O legado é entregue ao fiduciário. Pode ser exigido desde logo uma caução pelo fiduciário, mas pode deixar isso para momento oportuno. O fideicomissário nem nasceu. O fiduciário pode usar, fruir e inclusive dispor do bem, pois tem propriedade resolúvel. Quem adquirir essa propriedade pertencente ao fiduciário vai adquirir propriedade resolúvel. Suponha que Ana tenha falecido e ela não tinha prole. Então haverá caducidade e o terceiro que comprou a propriedade resolúvel, passa a ter propriedade plena. Suponha que o fideicomissário ainda não foi concebido e o fiduciário é vitalício. O fiduciário morreu. Era hora de entregar o bem ao fideicomissário mas este ainda não existe. Como resolve isso? Nesse caso tem se aplicado analogicamente o pz do art 1800, 4º. Tem pz de 2 anos para conceber a prole. O pz começa a ser contado a partir do falecimento do fiduciário. anos. No caso de renuncia do fiduciário a prole tem que ser concebido no pz de 2 Outros autores entendem que esse pz de 2 anos pode ser estendido de acordo com a vontade do testador. Já outros dizem que tem que ser o pz de 2 anos mesmo (nesse sentido entendimento da professora, pois traz segurança jurídica). Se a prole não foi concebida nesse pz é caso de sobrepartilha, pois caduca. Mesmo que findo o inventario, surgir um bem novo que terá que ser destinada aos herdeiros legítimos, faz se a sobrepartilha. Como fica o p único do art 1952? Parágrafo único. Se, ao tempo da morte do testador, já houver nascido o fideicomissário, adquirirá este a propriedade dos bens fideicometidos, convertendo-se em usufruto o direito do fiduciário. Suponha que Ana teve o filho, que conta com 3 anos. O p único assim coloca a questão: o fiduciário passa ser usufrutuário e o fideicomissário o proprietário. Esse usufruto pode ser a termo, sob condição ou vitalício, ie, as mesas regras de termino do direito do fiduciário são aplicadas a esse usufruto convertido. A vantagem do usufruto é principalmente para eventuais herdeiros do fideicomissário. A pré morte do fideicomissário põe fim ao fideicomisso. Mesmo eu o fideicomissário tenha herdeiros, estes não receberão, afinal o direito do fideicomissário 5
ainda não estava em exercício, era um mero direito a receber ao bem, era um direito eventual, poderia ou não ocorrer. Qdo ele pré falece acaba o fideicomisso e com isso acaba se o direito eventual. Tudo se consolida na figura do fiduciário. Quem ficará com os bens serão ao futuros herdeiros do fiduciário. Agora no usufruto: o fideicomisso foi convertido em usufruto. O fideicomissário pré falece. Mesma coisa. O usufruto continua. Já a nua propriedade transmite se. No caso do usufruto os herdeiros eventuais do nu proprietário (fideicomissário) receberão. (38:42) 6