ANO. 2016 DO MUNICÍPIO DE IPECAETA- BAHIA PODER EXECUTIVO ANO. VI - EDIÇÃO Nº 00782 DE SETEMBRO DE 2016 1 A Prefeitura Municipal de Ipecaeta, Estado Da Bahia, Visando a Transparência dos Seus Atos Vem PUBLICAR. PARECER PROCESSO Nº 033/2016 CERTIFICAÇÃO DIGITAL SOBRE O CÓDIGO DE CONTROLE : QW + JGFR 245 HBGCVMWL1533122934 Prefeitura Municipal Ipecaeta - Bahia Gestor: Marcell Silva Gomes Secretario (a) Aqui a Prefeitura Presta contas à População dos seus Atos Editor: Cedro editora Gráfica - Jornal Folha do Estado Leia o Diário Oficial do Município na Internet ACESSE www.ipecaeta.ba.gov.br
2 DO MUNICÍPIO DE IPECAETA - BAHIA PODER EXECUTIVO PARECER PROCESSO Nº 033/2016 RELATÓRIO Trata-se de consulta formulada pela Comissão Permanente de Licitação da Prefeitura Municipal de Ipecaetá, por intermédio de sua Pregoeira Titular, solicitando parecer jurídico acerca do Pregão Presencial n, 033/2016, tendo como objeto a Contratação de empresa para prestação de serviços de manutenção em computadores e aquisição de materiais de informática para atender diversas secretarias municipais da Prefeitura Municipal de Ipecaetá Bahia, na forma do Anexo I e Termo de Referência do edital, conforme solicitado no processo de licitação nº 033/2016. A Empresa L PEIXOTO RIOS COMUNICAÇÃO - ME, pessoa jurídica de direito privado, com sede na Rua Cornélio Rodrigues dos Santos, nº11, Centro, Capela do Alto Alegre/BA, inscrita no CNPJ sob o nº. 10.886.210/0001-82, interpôs tempestivamente RECURSO ADMINISTRATIVO referente ao Pregão Presencial n. 033/2016, em desacordo a sua desclassificação do presente certame, conforme segue abaixo: Segundo alegação do recorrente, a pregoeira titular do município de Ipecaetá desclassificou sua empresa do certame licitatório 033/2016, tendo em vista a ausência do CNAE, vinculado ao CNPJ da dita empresa. Inicialmente, destacamos que os documentos de habilitação numa licitação devem ser aqueles que se referem à empresa que participou do certame, e todos os documentos devem ser apresentados para verificar a capacidade da concorrente no processo licitatório. Os memoriais das razões de recurso encontram-se na fl., Contrarrazões às fls.. A Ata de Julgamento encontra-se nas fls. A pregoeira
3 DO MUNICÍPIO DE IPECAETA - BAHIA PODER EXECUTIVO manteve sua decisão quanto à desclassificação da empresa L. Peixoto Rios Comunicação ME, denegando o recurso. É o relatório. DO MÉRITO A empresa recorrente requer a revisão da decisão que a desclassificou no certame, em razão da mesma não possuir em seu CNPJ atividade econômica compatível com o objeto da licitação, desta forma não atenderia as normas do processo de licitação. Entretanto a Empresa recorrente informou nas razões do recurso que possui CNAE semelhante ao exigido e que já desenvolveu atividade em outros entes municipais semelhantes a exigida na licitação. A recorrente afirma ainda, que está apta a prestar os serviços de manutenção de computadores e distribuição de materiais de informática, que em suas subclasses discrimina ainda objetos superiores ao licitado. Da lei federal 8.666/93 podemos observar que, o próprio ato convocatório pode fixar requisitos que condicionem a participação de um licitante em potencial. Estabelece-se ainda, que cada processo de licitação, possui um objeto e persegue determinado interesse de natureza coletiva. Sendo justificadas, certas restrições e exigências, para se atingir com plenitude o interesse coletivo, sendo responsabilidade da administração. Assim, para atingir a finalidade pública, o edital pode prever limitações, contudo, jamais extrapolar os limites da lei 8.666/93 e ferir o caráter competitivo do certame. Nesta toada, verificamos que, a utilização de outros critérios fora os que já são apresentados pela lei, deve ser com o único intuito de contribuir para o sucesso licitatório, sem causar prejuízos ou diminuição da competição entre os participantes. Nas palavras do festejado Marçal Justen Filho, criar
4 DO MUNICÍPIO DE IPECAETA - BAHIA PODER EXECUTIVO empecilhos para a participação de particulares numa licitação pode, inclusive, causar prejuízos a própria Administração. Assim vejamos: Ora, a Administração necessita tanto de segurança, quanto de vantajosidade em suas contratações. A finalidade da licitação é selecionar a proposta com a qualidade adequada, pelo menos preço possível. A conjugação de ambos os valores conduz à necessidade de ponderação nas exigências de habilitação. Não é correto, por isso, estabelecer soluções extremadas. É indispensável estabelecer requisitos de participação, cuja eliminação seria desastrosa. Mas tais requisitos devem ser restritos ao mínimo necessário para assegurar a obtenção de uma prestação adequadamente executada. (Marçal Justen Filho. Comentários à Lei de Licitações e contratos administrativos. 15 ed. Dialética, 2010). Destarte, entendemos que ao restringir o certame licitatório através do CNAE, o caráter competitivo pode ser violado e pode ser frustrada a busca pela proposta mais vantajosa e apta a realizar o interesse coletivo. Pois, muitas vezes ao atribuir o código CNAE ao certame licitatório, outros códigos presentes da ficha cadastral da pessoa jurídica mesmo que compatíveis com o objeto licitado, são ignorados entre outras situações. Outrossim, a exigência disposta em edital de que a empresa interessada deve comprovar especialização no ramo da atividade licitada é um meio apto a diminuir os riscos da contratação. Entretanto pode se configurar não tanto vantajoso para a Administração, e por conseguinte, pode frustrar o regime legal do processo licitatório em alguns casos, que essa comprovação seja sempre através da apresentação do código CNAE. No caso dos autos, a apresentação do código CNAE foi previsto em edital, como condição para classificação da empresa participante. Sobre o tema, destacamos o entendimento do TCU Tribunal de Contas da União, no Acórdão 1203/2011 no julgamento de uma empresa impedida de participar de um certame licitatório por que seu CNPJ
5 DO MUNICÍPIO DE IPECAETA - BAHIA PODER EXECUTIVO apresentava atividade não exatamente idêntica ao objeto licitado, ainda que houvesse grande proximidade entre as atividades e outros meios de provar sua aptidão. O TCU no julgamento reprovou a exigência, como colacionamos a seguir: Enfim, não havia razão jurídica ou administrativa para conferir-se arbitrariamente tamanha proeminência à formalidade de anotação cadastral, mais até que ao conjunto de fatores que indicavam a aptidão da licitante a participar da competição e a oferecer propostas que aumentariam a sua competitividade (Acórdão n 1203/2011, Plenário, rel. Min. José Múcio Monteiro). No que pese o entendimento acima mencionado, o caso dos autos a empresa licitante, apresentou atestado de capacidade técnica emitido por outra municipalidade para demonstrar a sua compatibilidade com o objeto da licitação. No entanto, tal documento não mostrou-se suficiente para suprir a ausência do CNAE, além disso a sua atividade vinculada ao CNPJ da empresa está totalmente diverso ao exigido no edital de abertura do processo licitatório. Portanto, mesmo a recorrente tendo apresentado atestado de capacidade técnica, não apresentou o CNAE vinculado ao CNPJ compatível para comprovar a sua prestação de serviços iguais ao objeto licitado, pelo contrario seu ramo de atividade apresenta-se totalmente diverso do exigido, demonstrando sua incompatibilidade a pretensão contida no processo. DA CONCLUSÃO Ante o exposto, com base nas razões de fato e de direito narradas, esta assessoria jurídica, se manifesta pelo CONHECIMENTO do recurso interposto, mas pela sua improcedência.
6 DO MUNICÍPIO DE IPECAETA - BAHIA PODER EXECUTIVO TendoemvistaqueoramodeatividadeconstantedoCNAEvinculadoao CNPJ do recorrente é totalmente diferente a atividade exigida na licitação, configurando-se totalmente incompatível ao objeto licitado. Com base no art. 1, 4º da Lei nº 8.666/93, subam os autos à apreciação superior. É o que nos parece ser. SMJ Fábio Luiz Ribeiro Serafim Procurador do Município OAB/BA 42.012