no mercado de trabalho

Documentos relacionados
A situação da mulher no mercado de trabalho

REGIÃO METROPOLITANA DE FORTALEZA Especial 8 de Março Dia Internacional da Mulher

O MERCADO DE TRABALHO EM 2011

Melhoria no mercado de trabalho não foi suficiente para garantir uma inserção menos desigual às mulheres

A inserção das mulheres no mercado de trabalho do Distrito Federal

Diretoria de Pesquisas - DPE Coordenação de População e Indicadores Sociais - COPIS Gerência de Indicadores Sociais - GEISO 17/12/2014

A INSERÇÃO DOS NEGROS NOS MERCADOS DE TRABALHO METROPOLITANOS

A inserção do negro no mercado de trabalho no Distrito Federal

A DESIGUALDADE ENTRE NEGROS E NÃO-NEGROS NO MERCADO DE TRABALHO, NO PERÍODO

A DESIGUALDADE ENTRE NEGROS E NÃO-NEGROS NO MERCADO DE TRABALHO, NO PERÍODO

Melhoria no mercado de trabalho não garantiu igualdade de condições às mulheres

A PRESENÇA FEMININA NO MERCADO DE TRABALHO NAREGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO 2015

A INSERÇÃO DOS NEGROS NO MERCADO DE TRABALHO EM 2012

IBGE divulga a Síntese de Indicadores Sociais Publicação traz dados sobre trabalho, rendimento, condições de moradia, pobreza e educação

MERCADO DE TRABALHO NO DISTRITO FEDERAL EM 2015

O TRABALHO DAS MULHERES NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO EM 2013: MUDANÇAS E PERMANÊNCIAS

Pesquisa Mensal de Emprego - PME

A INSERÇÃO DOS NEGROS NO MERCADO DE TRABALHO EM 2012

Como superar a precariedade do emprego feminino

EVOLUÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO NO MUNICÍPIO DE PELOTAS

Relatório sobre a realidade juvenil no município de Campinas. 18 outubro 2013

MELHORA DO MERCADO DE TRABALHO PROSSEGUE EM 2007 DETERMINANDO A MENOR TAXA DE DESEMPREGO DOS ÚLTIMOS 11 ANOS

MERCADO DE TRABALHO NA REGIÃO METROPOLITANA DE FORTALEZA EM 2011

Tabela População segundo a existência de plano de saúde - Ceilândia - Distrito Federal Plano de Saúde Nº %

OS NEGROS NOS MERCADOS DE TRABALHO METROPOLITANOS NOVEMBRO DE 2015

MERCADO DE TRABALHO NA CIDADE DE PORTO ALEGRE

DESIGUALDADE DE OPORTUNIDADES DE TRABALHO ENTRE NEGROS E NÃO-NEGROS

Transcrição:

A Desigualdade de Gênero no mercado de trabalho Eugenia Troncoso Leone 1 Agradeço ao GT Gênero da Abep a oportunidade de participar desta mesa redonda e agradeço, principalmente, a Moema Guedes que me fez pessoalmente o convite e possibilitou que juntamente com Lilia Montali e Amilton Moretto possamos dialogar sobre a desigualdade de gênero no mercado de trabalho, seus avanços e desafios. Minha exposição irá destacar as diferenças de gênero no mercado de trabalho e apontar os principais desafios para diminuir essas diferenças. Antes de começar a falar das diferenças de gênero no mercado de trabalho é importante mencionar que no estudo que vou apresentar foram usadas duas fontes de dados: primeiro, a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2009 e, posteriormente, a Rais (Relação Anual de Informações Sociais) de 2010. Esta última constituída por registros administrativos que as empresas preenchem e enviam para o Ministério do Trabalho. A Rais permite um melhor detalhamento do emprego formal com relação à Pnad. 1 Professora Assistente Doutora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Coordenadora do Grupo de Trabalho População e Trabalho da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep).

Eugenia Troncoso Leone A primeira desigualdade de gênero na ocupação das pessoas diz respeito à condição de atividade. Considerando somente as pessoas de 15 anos e mais e com base na Pnad de 2009, a primeira diferença a observar é que a taxa de participação dos homens supera em quase 20 pontos percentuais a das mulheres. A taxa de participação que é o percentual de pessoas em idade ativa que compõe a força de trabalho, sejam ocupadas ou procurando trabalho, era no caso dos homens 80,2% em 2009 conforme a Pnad e a das mulheres 57,9%. Ainda que a taxa de participação feminina seja 20 pontos percentuais inferior à masculina é importante ressaltar que o Brasil tem uma das maiores taxas de participação feminina da América Latina. Já a taxa de desemprego que expressa a parcela da PEA que se encontra desempregada, esta é entre as mulheres quase o dobro da dos homens (11% no caso das mulheres contra 6% no caso dos homens). Assim, a primeira desigualdade de gênero importante na ocupação das pessoas é o elevado desemprego das mulheres. Ou seja, continua o problema de absorção das mulheres no mercado de trabalho brasileiro. 80 A desigualdade de gênero no mercado de trabalho Ao examinar as taxas de desemprego conforme idade (neste estudo foram considerados 3 grupos de idades: os jovens de 15 a 24 anos; os adultos de 25 a 54; e os adultos maiores de 55 anos) o que se observa é que o nível de desemprego dos jovens é muito alto (tanto para homens como para mulheres), mas é bem mais alto entre as mulheres (13,9% no caso dos homens jovens e 23,1% no caso das mulheres jovens). Porém, entre as pessoas adultas (de 25 a 54 anos) o desemprego das mulheres é o dobro do dos homens (4,3% para os homens e 8,7% para as mulheres). Assim, podemos acrescentar que o desemprego feminino, principalmente da mulher adulta, é uma desigualdade de gênero importante no mercado de trabalho. Feitos esses comentários sobre a condição de atividade, vamos examinar um pouco como as pessoas podem se inserir na atividade econômica. As pessoas ocupadas podem se inserir:»» Empregados assalariados;»» Empregados domésticos;»» Empregadores;»» Autônomos;

»» Não remunerados;»» Trabalhadores para o próprio consumo e para a autoconstrução. O emprego assalariado (seja este para estabelecimentos ou para famílias) representa aproximadamente 2/3 da ocupação total. Assim, o resto da ocupação, o que não é trabalho assalariado (empregadores, autônomos, não-remunerados e autoconsumo e autoconstrução) representa aproximadamente 1/3 da ocupação total. Essa proporção é muito elevada, o que indica a existência de problemas de absorção das pessoas no mercado de trabalho no Brasil. O emprego assalariado participa com 64,3% da ocupação total de homens e com 69,2% no caso das mulheres. Assim, há 5 pontos percentuais de diferença em favor das mulheres, o que faz pensar que a situação das mulheres é melhor do que a dos homens. Mas devemos observar que o emprego assalariado pesa mais na ocupação de mulheres por causa do emprego doméstico, que pesa 17% na ocupação total de mulheres. Se o emprego doméstico não fosse contabilizado na ocupação total, o peso do emprego assalariado na ocupação feminina cairia para 58,1% e na ocupação masculina para 63,4% (uma diferença agora de 5 pontos percentuais em favor dos homens). No emprego assalariado é importante que os contratos de trabalho estejam regidos pela Lei, seja CLT ou Estatuto do Servidor Público (emprego formal). A CLT estabeleceu em 1943 as regras mínimas de relações de trabalho: salário mínimo, jornada de trabalho, férias anuais e muitos outros direitos definidos por lei. Ter carteira de trabalho assinada pode facilitar o crédito ao consumidor, como prova de que o trabalhador(a) está, de fato, empregado. O percentual de emprego com carteira no total do emprego assalariado é de 69% no caso dos homens e 63% no caso das mulheres. Ou seja, o emprego assalariado do homem é mais formal do que o da mulher. Mas, novamente, se não considerássemos o emprego doméstico, o emprego formal da mulher subiria para 75% do emprego assalariado feminino e o do homem para 70% do emprego assalariado masculino. Ou seja, o emprego assalariado da mulher é menos formal devido A desigualdade de gênero no mercado de trabalho Eugenia Troncoso Leone 81

ao alto peso do emprego doméstico sem carteira. Na ocupação total, o emprego assalariado com carteira corresponde a 44,1% da ocupação masculina e 39,4% da ocupação feminina. As diferenças de gênero no resto das ocupações que não são trabalho assalariado também são importantes. Na ocupação não assalariada se destaca a maior proporção de empregadores e trabalhadores por conta própria no caso dos homens e a maior proporção de não remunerados e autoconsumo no caso das mulheres. Eugenia Troncoso Leone 82 A desigualdade de gênero no mercado de trabalho A Rais permite destacar importantes diferenças de gênero no emprego assalariado formal de estabelecimentos, ou seja, aquele trabalho assalariado com carteira que não é emprego doméstico e que, como foi destacado anteriormente, correspondia a 44,1% da ocupação total no caso dos homens e 39,4% no caso das mulheres. Serão levadas em consideração as variáveis: grupo ocupacional, tamanho do estabelecimento e escolaridade. Estas três variáveis serão cruzadas com rendimentos e tempo de serviço. A Tabela 1 mostra os 9 grupos ocupacionais conforme a Rais ordenados conforme a importância que assumem para o sexo masculino. Os grupos ocupacionais refletem uma combinação de considerações sobre setor de atividade e nível educacional. Entre os homens, os primeiros três grupos ocupacionais (trabalhadores manuais da produção de bens e de serviços industriais, trabalhadores dos serviços e vendedores do comércio e trabalhadores dos serviços administrativos) concentram quase 66,2% do emprego formal de homens, sendo que o primeiro grupo (dos manuais) absorve 30% desse emprego. As mulheres com emprego formal, por sua vez, estão distribuídas em um leque maior de grupos ocupacionais, pois 26,3% são trabalhadoras de serviços e vendedoras do comércio; 27,5% estão nos serviços administrativos; 15,5% são profissionais das ciências e das artes e 14,4% são técnicas de nível médio. Esses quatro grupos ocupacionais são responsáveis, em conjunto, por 83,7% de emprego formal de mulheres.

Tabela 1 Distribuição do emprego formal de homens (H) e mulheres (M), Percentual de Mulheres (% M), razão entre os rendimentos médios dos homens e das mulheres (RMH/RMM) em percentagem e tempo médio no emprego, conforme grupo ocupacional (Brasil, 2010) H M % M RMH/RMM em % Tempo médio no emprego (anos) H M Produção de bens (Processos discretos) 30,6 8,1 16,1 52,8 3,1 2,9 Serviços e vendas 21,5 26,3 47,1 32,9 3,9 3,9 Serviços administrativos 14,1 27,5 58,7 32,1 5,2 4,7 Técnicos de nivel médio 8,4 14,4 55,5 44,0 5,9 7,6 Profissionais das ciências e das artes 7,0 15,5 61,7 68,6 7,3 8,2 Agropecuários, florestais e da pesca 5,4 1,0 12,1 25,2 3,3 2,6 Produção de bens (Processos contínuos) 4,8 1,8 21,5 59,0 4,4 3,3 Poder público e dirigentes de organizações 4,3 4,9 44,9 57,9 6,2 7,0 Reparação e manutenção 3,9 0,6 10,3 104,0 4,1 5,1 Total 100,0 100,0 41,6 21,3 4,3 5,4 Fonte: Rais 2010 Grupo Ocupacional Quanto aos rendimentos é evidente que naqueles grupos ocupacionais onde há uma maior concentração de mulheres as diferenças de rendimento em favor dos homens são maiores. É o caso, por exemplo, dos profissionais das ciências e das artes onde o rendimento médio dos homens supera o das mulheres em 68,6%, sendo que as mulheres representam 61,7% dos trabalhadores desse grupo ocupacional. O tempo médio no emprego das mulheres é maior nos grupos ocupacionais em que há uma concentração maior de mulheres. No caso dos profissionais das ciências e das artes as mulheres têm um tempo médio no emprego de 8,2 anos, enquanto o tempo médio no emprego dos homens é de 7,3 anos. Ou seja, os homens apesar de apresentarem tempo médio no emprego menor do que as mulheres são melhor remunerados. Assim, as diferenças de rendimento em favor dos homens nos diferentes grupos ocupacionais são desigualdades de gênero importantes no mercado de trabalho. Uma diferença notória entre homens e mulheres no emprego formal reside na forte presença masculina em ocupações decorrentes da produção A desigualdade de gênero no mercado de trabalho Eugenia Troncoso Leone 83

material de bens, enquanto as mulheres estão dispersas, principalmente, em ocupações decorrentes de atividades não diretamente ligadas a produção material de bens, seja de apoio administrativo, nos serviços e no comércio, nas ciências e nas artes e como técnicas de nível médio. Tabela 2 Distribuição do emprego formal de homens (H) e mulheres (M), percentual de mulheres (% M) e razão entre os rendimentos médios do homem (RMH) e os rendimentos médios da mulher (RMM) em porcentagem, conforme tamanho do estabelecimento e sexo e tempo médio no emprego (Brasil, 2010) Eugenia Troncoso Leone 84 A desigualdade de gênero no mercado de trabalho Tamanho do Estabelecimento H M % M RMH/RMM % Tempo médio no emprego (anos) Até 4 vínculos ativos 8,0 8,8 44,2 17,4 3,0 2,5 De 5 a 9 vínculos ativos 8,2 7,9 40,9 17,8 3,0 2,5 De 10 a 19 vínculos ativos 9,4 8,8 40,0 17,5 2,9 2,7 De 20 a 49 vínculos ativos 12,5 10,7 37,8 19,2 2,9 3,1 De 50 a 99 vínculos ativos 9,2 7,0 35,0 21,5 3,1 3,4 De 100 a 249 vínculos ativos 11,7 8,9 35,2 24,6 3,7 4,2 De 250 a 499 vínculos ativos 9,3 7,9 37,7 29,5 4,6 5,6 De 500 a 999 vínculos ativos 8,6 8,4 41,0 34,1 5,4 6,5 1000 ou mais vínculos ativos 23,1 31,7 49,4 30,7 7,8 8,8 Total 100,0 100,0 41,6 21,4 4,5 5,4 Fonte: Rais, 2010. Quanto à distribuição do emprego formal de homens e mulheres conforme o tamanho do estabelecimento o que se destaca é uma frequência bem maior de mulheres (31,7% contra 23,1%) nos estabelecimentos de grande porte (1000 ou mais vínculos). Nestes estabelecimentos de grande porte a proporção de mulheres no emprego total, desta faixa de tamanho, é das maiores (49,4%) praticamente a metade. É exatamente nos estabelecimentos de grande porte onde as diferenças de salário entre homens e mulheres são maiores. Assim, por exemplo, naqueles estabelecimentos com 500 a 999 vínculos ativos, o rendimento médio dos homens supera em H M

34% o rendimento médio das mulheres. Os estabelecimentos nesta faixa de tamanho concentram 41% de mulheres. Outro aspecto a destacar é que as mulheres têm em média mais anos no emprego que os homens (Tabela 2). Um aspecto importante da segregação das mulheres no mercado de trabalho manifesta-se nas diferenças de renda. Para explicitar melhor as diferenças de remuneração é considerado o nível de escolaridade dos trabalhadores. A Tabela 3 mostra que, no emprego formal, a escolaridade das trabalhadoras é bastante superior à dos trabalhadores. Essa vantagem feminina reflete vários aspectos: a maior escolaridade das mulheres no conjunto da população, os postos de trabalho no emprego formal de mulheres exigem nível superior de escolaridade e o fato de que as mulheres de famílias com condição socioeconômica mais desfavorecida e que possuem menor grau de escolaridade ainda têm uma participação menor na atividade econômica (HOFFMANN; LEONE, 2004) 2. Tabela 3 Grau de Instrução e razão entre os rendimentos médios do homem (RMH) e rendimentos médios da mulher (RMM) (Brasil, 2010) Fundamental Incompleto 20,9 10,2 25,8 41,5 Fund. completo, médio incompleto 24,3 16,6 32,7 38,0 Médio completo, Superior Incompleto 43,1 50,0 45,2 41,7 Superior Completo 11,7 23,2 58,5 68,9 Total 100,0 100,0 41,6 21,4 Fonte: Rais 2010. Grau de Instrução Homem Mulher % Mulheres RMH/RMM % A comparação dos rendimentos médios de homens e mulheres, considerando o nível de escolaridade, evidencia em primeiro lugar que qualquer que seja o nível de escolaridade A desigualdade de gênero no mercado de trabalho Eugenia Troncoso Leone 85 2 Hoffmann, R.; Leole, E. Participação da mulher no mercado de trabalho e desigualdade da renda domiciliar per capita no Brasil: 1981-2002. Nova Economia. Revista do Departamento de Ciências Econômicas da UFMG. Belo Horizonte. Vol. 14 nº. 2 maio-agosto, 2004.

os rendimentos médios masculinos são sempre superiores aos femininos e, em segundo lugar, que no nível superior de escolaridade, as diferenças de rendimento são ainda maiores que nas ocupações que exigem apenas o nível fundamental ou médio de escolaridade, ainda quando a representatividade do emprego formal é maior para as mulheres. Conforme a tabela 3, no nível superior de escolaridade o rendimento médio dos homens supera em 69% o rendimento médio das mulheres. Eugenia Troncoso Leone 86 Por último vou fazer algumas referências as diferenças de gênero no emprego formal distinguindo os setores público e privado. É importante destacar que no Brasil, 22,7% do emprego formal é gerado pelo setor público. Além disso o rendimento médio do setor público é 75,9% maior que o do setor privado. Essa diferença de rendimentos em favor do setor público está estreitamente relacionada com a elevada proporção de empregos públicos que exigem nível superior de escolaridade. Tabela 4 Diferenças de rendimento entre homens e mulheres nos setores privado e público (Brasil, 2010) A desigualdade de gênero no mercado de trabalho Setor Privado H M % M Fundamental Incompleto 20,4 10,2 23,1 30,2 Fund. Completo, Médio Incom. 26,0 19,1 30,6 50,4 Médio completo, Sup. Incom. 45,1 55,8 42,6 57,5 Superior Completo 8,5 14,9 51,2 75,4 Total 100,0 100,0 37,5 33,1 Setor Público H M % M RMH/RMM em % RMH/RMM em % Fundamental Incompleto 13,2 8,3 46,2 53,7 Fund. Completo, Médio Incom. 15,4 10,5 48,2 55,0 Médio completo, Sup. Incom. 41,2 38,5 55,9 51,3 Superior Completo 30,1 42,7 65,8 66,3 Total 100,0 100,0 57,6 38,8 Fonte: Rais, 2010.

A Tabela 4 mostra a desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres no emprego formal dos setores privado e público. Na média geral a remuneração dos homens é bem maior do que a das mulheres. Essa diferença é de 33% no setor privado e 39% no setor público. As diferenças entre homens e mulheres são muito maiores se controlamos o nível de escolaridade. Como já mencionado as mulheres são a maioria dos empregados com nível superior de educação, mas tanto no setor público quanto, principalmente, no setor privado as maiores diferenças de remuneração ocorrem exatamente entre os empregados que têm nível superior de educação. No setor público essa diferença é 66% enquanto no setor privado alcança 75%. As menores diferenças de renda entre homens e mulheres ocorrem entre empregados com ensino fundamental incompleto. Os homens ganham mais mesmo neste nível de escolaridade, mas a diferença é de 53,7% no emprego público e 30,2% no setor privado. Com base nessa informação que analisei, dando ênfase às diferenças de gênero no emprego formal, quais seriam os desafios para diminuir as diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho? Primeiro, reduzir o desemprego da mulher, principalmente da adulta. Isso é um problema, ou seja, o desemprego é muito alto, e, portanto, é necessário descobrir formas de diminuí-lo. O desafio também perpassa em oferecer alternativas ao emprego doméstico e melhorar o emprego existente, aumentando a formalização. Vimos que o emprego doméstico pesa 17% na ocupação feminina, mas a formalização é muito baixa. Sendo assim, dentro do emprego em estabelecimento, é necessário incentivar a criação do emprego com carteira assinada, isto é, com um contrato que garanta a aplicação das leis do trabalho. Além disso, é indispensável ampliar o emprego formalizado no setor privado e incorporar as mulheres com menor nível de instrução, uma vez que, atualmente, as mulheres com baixo nível de instrução são absorvidas apenas no emprego doméstico. A desigualdade de gênero no mercado de trabalho Eugenia Troncoso Leone 87

Por último, outro desafio, seria diminuir as diferenças salariais entre emprego público e privado, dando acesso às mulheres a ocupações melhores e a cargos de chefia. Eugenia Troncoso Leone 88 A desigualdade de gênero no mercado de trabalho