Os eclipses do Sol e da Lua

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Os eclipses do Sol e da Lua O que é um eclipse? Cada objeto do Sistema Solar produz sombra, uma vez que é capaz de impedir que a luz emitida pelo Sol atinja regiões situadas logo atrás dele. Essa sombra se torna aparente sempre que algum outro corpo celeste entra nesta região escura. Nosso planeta também lança sombra no espaço. O comprimento médio da sombra da Terra é de 1 380 000 quilômetros, mais de três vezes a distância média Terra-Lua. O cone de sombra possui uma base com diâmetro de quase 10 000 quilômetros. Dizemos que ocorre um eclipse quando um corpo celeste penetra na sombra produzida por outro corpo celeste. Assim, para que um eclipse ocorra, é necessário que pelo menos três corpos estejam envolvidos. No caso do nosso planeta, os eclipses envolvem o Sol, a Terra e a Lua. Neste caso, dizemos que um eclipse ocorre sempre que qualquer parte da Terra entra na sombra produzida pela Lua, ou a Lua entra na sombra produzida pela Terra. No primeiro caso teremos um eclipse solar enquanto que, no outro caso, o eclipse será lunar. Por que ocorrem os eclipses Como consequência de seus movimentos orbitais sempre haverá momentos em que o Sol, a Lua e a Terra estarão alinhados. Essa é a condição primária para termos um eclipse: o Sol, a Lua e a Terra devem estar, aproximadamente, ao longo de uma linha reta. No entanto, como veremos, essa condição não é a única exigida para a ocorrência de um eclipse. 03

Quando a sombra da Lua atinge a Terra, as pessoas que estão nesta região de sombra, veem o Sol, parcialmente ou totalmente, coberto pela Lua. Neste caso temos um eclipse solar. Quando a Lua entra na sombra da Terra, as pessoas que se encontram nas regiões onde é noite, veem a Lua fi car, parcialmente ou totalmente, escurecida. Neste caso temos um eclipse lunar. 04

No entanto, precisamos ter cuidado ao falar da sombra da Terra ou da Lua. As sombras da Terra e da Lua são compostas de duas partes: o cone onde a sombra é mais escura chamado umbra, e uma região mais clara chamada penumbra. Na fi gura abaixo, pode ser vista a formação da umbra e penumbra e como seria a aparência da Lua, dependendo de que ponto se encontra, dentro da sombra da Terra. Naturalmente os eclipses, mais espetaculares, ocorrem quando um corpo celeste penetra na umbra, produzida por outro. 05

Eclipse Lunar Um eclipse lunar ocorre quando a Lua passa através da sombra da Terra. A próxima imagem mostra como isso pode ocorrer. Na figura abaixo podemos ver a metria deste geo- evento. Uma vista de cima nos mostraria, esquematicamente, a seguinte geometria: A parte mais escura da sombra da Terra, a umbra, cobre uma região de cerca de 1,4 milhões de km de mento, mais de quatro vezes a distância Terra-Lua, a, que compri- é de 384 000 km! Diferentemente de um eclipse solar, que é visível apenas numa pequena região sobre a Terra, um eclipse lunar é visível em todas as regiões da Terra onde é noite e a Lua pode ser vista. 06

Devido a este fato os eclipses lunares são mais freqüentes num determinado ponto da Terra do que os solares. Entretanto, a ocorrência de eclipses lunares não é tão simples como pode parecer pela descrição dada acima. Já vimos que para que ocorra um eclipse lunar é preciso que os três corpos envolvidos, o Sol, a Terra e a Lua, estejam distribuídos nessa ordem e, aproximadamente, em linha reta, ou seja, a Terra deve estar entre o Sol e a Lua. Isso nos diz então que, para ocorrer um eclipse lunar, a Lua deve estar em sua fase que chamamos de Lua Cheia. No entanto, esse alinhamento, somente, não é sufi ciente para que ocorra o eclipse. As órbitas descritas pelos planetas, em torno do Sol, defi nem um plano, ao qual damos o nome de eclíptica. Praticamente, todos os planetas estão no mesmo plano, com exceção do planeta Mercúrio e dos planetas anões Ceres, Plutão, Eris, Makemake e Haumea. No entanto, os satélites ao girarem em torno dos planetas, não descrevem órbitas no mesmo plano que o descrito pelos planetas em torno do Sol. Dito de outro modo, os satélites não descrevem órbitas no plano da eclíptica. 07

Se a órbita que a Lua descreve em torno da Terra estivesse exatamente no mesmo plano que o da órbita terrestre, em torno do Sol (ou seja, no plano da eclíptica), teríamos um eclipse do Sol e da Lua a cada mês. Mas isso não acontece. Sabe por quê? A órbita da Lua é inclinada 5,2 graus, com relação à eclíptica, ou seja, em relação ao plano da órbita que a Terra descreve em torno do Sol. Consequentemente, na maioria dos meses do ano, a Lua está situada bem acima ou abaixo da eclíptica e, por esse motivo, não consegue eclipsar o Sol, nem ser eclipsada pela Terra. 08

Então, qual é a condição para que ocorram eclipses? A trajetória da Lua em torno da Terra descreve um plano que corta o plano da trajetória da Terra em torno do Sol. Damos o nome de nodos aos pontos em que os dois planos se cruzam. Um deles é o nodo ascendente e o outro, é o nodo descendente e eles estão diametralmente opostos, afastados 180. Observe que, no momento em que a Lua estiver passando em um dos nodos, ou estiver próxima a um deles, ela estará no plano da eclíptica, ou seja, no mesmo plano do movimento da Terra em torno do Sol. Nesse momento, Sol-Terra-Lua estarão alinhados (ou quase alinhados). Lua Sol Nodo Descendente Órbita da Terra Nodo Ascendente Órbita da Lua 09

Assim, só haverá eclipse lunar quando a Lua estiver próxima a um dos dois nodos orbitais e o tipo e duração do eclipse dependerá da localização da Lua em relação a eles. Por esse motivo só ocorre eclipse lunar quando a Lua está na fase de Lua Cheia, ou seja, para um observador situado no Sol a Lua estará atrás da Terra. Os vários tipos de eclipses lunares Existem três tipos de eclipses lunares Total Um eclipse lunar é total, apenas, quando o disco da Lua entra, totalmente, na umbra da Terra. Penumbral Um eclipse lunar é penumbral, quando o disco da Lua cruza, somente, a penumbra da Terra. Sem eclipse Eclipse Parcial/Penumbral Eclipse Total (Umbral) Eclipse Total (Umbral) Eclipse Parcial/Penumbral Eclipse Parcial/Penumbral Trajetória do Eclipse Lunar no Nodo descendente Parcial Um eclipse lunar é parcial, quando o disco da Lua entra, parcialmente, na umbra da Terra. 10

Muitas pessoas acreditam que, ao falarmos de eclipse total da Lua, estamos dizendo que o nosso satélite natural irá desaparecer, momentaneamente, do céu. Isso é um erro, pois mesmo quando está totalmente eclipsada, a Lua ainda é parcialmente visível. Ela irá assumir uma coloração avermelhada devida à luz do Sol que incidiu na atmosfera terrestre e foi desviada para a umbra. 11

Os eclipses do Sol Foi o astrônomo alemão Johannes Kepler quem nos mostrou que os planetas não descrevem órbitas circulares. Suas órbitas em torno do Sol são elípticas e o Sol ocupa um dos focos dessa elípse. A consequência disso é que a distância Terra-Sol não é sempre a mesma. A Terra se aproxima do Sol chegando à distância de 147 098 074 km e, a esse ponto mais próximo de sua órbita damos o nome de periélio. Seis meses depois, nosso planeta está no ponto mais distante do Sol, a cerca de 152 097 701 km, ponto que recebe o nome de afélio. A distância média da Terra ao Sol, que chamamos de unidade Astronômica, é cerca de 149 597 871 km. O mesmo ocorre com a Lua no seu movimento em torno da Terra. Sua órbita também é uma elipse. A maior aproximação entre a Terra e a Lua se dá em um ponto chamado perigeu. Nesse ponto, nosso planeta e seu único satélite natural estão a cerca de 363 104 km de distância. O maior afastamento ocorre quando a Lua atinge o apogeu de sua órbita, fi cando a cerca de 405 696 km da Terra. 12

A distância média Terra-Lua é de cerca de 384.000 km. Como consequência da variação das distâncias, Terra-Sol e Terra-Lua, os tamanhos angulares do Sol e da Lua, vistos da Terra, variam ligeiramente a medida que eles se aproximam ou se afastam da Terra. Veja, por exemplo, os diferentes tamanhos aparentes da Lua quando ela está no apogeu e no perigeu. 13

O Sol e a Lua têm, na época de hoje, quase o mesmo tamanho aparente no céu. Embora o Sol seja cerca de 400 vezes maior do que a Lua, ele se encontra quase 400 vezes mais longe de nós do que o nosso satélite natural. Isso faz com que, tanto o Sol como a Lua, tenham quase o mesmo tamanho angular no céu, cerca de meio grau (0,5). Sol Lua Razão Sol/Lua Diâmetro (km) 1 392 000 3474 399,88 Distância (média) à Terra 149 600 000 (??) 384.400 389,178 Como resultado disso, a Lua, como vista da Terra, parece em algumas datas previstas, cobrir parcial ou totalmente o disco do Sol, produzindo um dos eventos mais espetaculares da natureza, o eclipse do Sol. Os vários tipos de eclipses solares O tipo de eclipse solar que será observado depende da distância Terra-Lua, durante o evento. Existem três tipos de eclipses solares. 1- Eclipse Total: Se o Sol e a Lua estiverem alinhados apropriadamente, então a parte mais escura da sombra da Lua atinge alguma pequena região na superfície da Terra. Qualquer um que esteja nesta pequena região não conseguirá ver o disco solar, presenciando um eclipse total do Sol. 14

Um eclipse total do Sol ocorre toda vez que a umbra da Lua, atinge a superfície da Terra, como mostra a fi gura abaixo. Isso quer dizer que o alinhamento deve ser Sol-Lua-Terra, ou seja, eclipses solares só ocorrem durante a fase de Lua Nova. Entretanto, se a Lua estiver um pouco mais próxima de nós, o sufi ciente para que seu disco aparente no céu tenha o mesmo tamanho que o disco aparente do Sol, pode ocultar completamente o Sol, produzindo um eclipse solar total. A geometria de um eclipse solar total é ilustrada na figura abaixo. 15

2- Eclipse Parcial: As pessoas que se encontram dentro da penumbra da Lua verão apenas uma parte do Sol eclipsado pela Lua, presenciando então um eclipse parcial do Sol. Para essas pessoas, nosso satélite parece ter um diâmetro aparente ligeiramente menor do que o do Sol. Isso faz com que o disco lunar não consiga cobrir totalmente o disco solar, mesmo que os dois corpos estejam perfeitamente alinhados. 3- Eclipse Anelar: Quando a sombra da Lua não alcança a superfície da Terra o resultado é um eclipse anelar do Sol. À medida que a Lua continua sua trajetória no sentido leste, o contorno mais externo de sua sombra se moverá na mesma direção a uma velocidade de cerca 1 500 km por hora, numa estreita faixa sobre a superfície da Terra. Esse estreito caminho percorrido pela sombra da Lua na superfície da Terra é chamado de trajetória do eclipse, como mostrado (linhas vermelhas) na figura a seguir. Devido a este movimento a duração de um eclipse num ponto específico nunca é superior a 7 minutos. 16

Como observar um eclipse solar Devemos ser bastante cautelosos ao observar um eclipse solar. Sem dúvida esse é um espetáculo imperdível, mas que, se não tivermos precauções pode causar danos irreparáveis e irreversíveis a nossa saúde. Sabemos que não devemos, jamais, de modo algum, olhar para o disco brilhante do Sol, que aparece todos os dias no céu. O que está sendo mostrado é a chamada fotosfera solar, a região do Sol que emite uma grande quantidade de radiação visível e invisível. Nossos olhos não estão preparados para suportar isso. Mesmo alguns segundos de observação do disco solar podem causar danos permanentes à retina dos nossos olhos. Esse danos podem ir, de uma cegueira parcial até mesmo a uma irreparável cegueira total. Mesmo uma simples olhadinha, de um segundo, pode causar danos sérios aos seus olhos. Lembre-se: A retina do olho humano não é sensível à dor e, portanto, os efeitos dos danos que a radiação solar está causando nela não são sentidos durante a observação. Pode até mesmo acontecer que os danos provocados por uma observação do Sol a olho nu (sem proteção), só venham a aparecer horas depois do evento. Lembre-se: Seus olhos não avisarão que danos irreversíveis estão sendo acumulados e que sua visão está sendo destruída. 17

Se o simples fato de olhar para o Sol em um dia comum não é algo agradável devido à sensação de desconforto e a dificuldade de manter o olhar fixo em algo tão brilhante, o mesmo não acontece durante um eclipse solar. Nesse momento, com o disco solar coberto pela Lua, o brilho solar está bastante diminuído e aí se torna bem mais tentador dar uma olhadinha. E isso é um grande erro! Olhar para o Sol, durante um eclipse, mesmo que ele já esteja perto da sua totalidade, é tão perigoso quanto olhar para seu disco em um dia qualquer. Olhar o disco solar usando qualquer ajuda de equipamentos, seja um simples binóculo, um telescópio ou mesmo o visor de uma câmera fotográfi ca, é ainda mais perigoso! Então, como observar um eclipse solar? Durante um eclipse parcial ou anular do Sol ou então durante um eclipse total, mas fora do período de totalidade, você deve usar métodos indiretos para ver o disco solar ou então, equipamento de proteção para os olhos. O disco solar pode ser observado usando-se fi ltros solares profi ssionais, que bloqueiam a parte da radiação solar que é maléfi ca aos nossos olhos. Lembre-se: Óculos escuros não são seguros para observar o Sol nem o uso de pedaços de fi lmes de fotografi a ou de Raio-X! 18

O método mais seguro é por meio de uma projeção, indireta, do disco solar. Para isso você deve projetar a imagem do disco solar sobre um pedaço de papel ou cartão, usando binóculos (com uma das lentes cobertas), um telescópio ou um outro pedaço de cartolina, no qual você fez, anteriormente, um pequeno furo de cerca de 1 milímetro de diâmetro. Essa imagem projetada do Sol pode ser observada sem qualquer risco para a sua saúde. No entanto, lembre-se que ninguém, de modo algum, deve ajustar a posição do binóculo, telescópio ou mesmo da cartolina, olhando através desses objetos para o Sol. Observar o disco solar através da tela de uma câmera digital, seja ela fotográfica ou de vídeo, é seguro para você, mas não para a câmera. A exposição direta ao Sol irá danificar certamente o chip CCD que a câmera possui. 19

O período de tempo de um eclipse total do Sol tem duração muito pequena. Esse intervalo entre início e fim da totalidade é divulgado pelos observatórios astronômicos e o simples uso de um despertador ajudará você a saber o instante em que deve cessar a observação visual, desde que protegida por equipamentos adequados para este fim. Lembre-se que a duração da totalidade, assim como o instante de seu início e seu fim, dependem do local onde o eclipse está sendo observado. Os valores são calculados para cada cidade. O que você observa durante a TOTALIDADE do eclipse do Sol A estrutura do Sol é dividida pelos astrônomos da seguinte forma (do centro para a superfície): região central zona radiativa zona convectiva fotosfera cromosfera coroa solar 20

Vamos comentar, apenas, as camadas que se situam acima da superfície do Sol. Fotosfera - É a superfície do Sol. No entanto, a fotosfera é uma região muito pouco profunda, não tendo mais do que 500 quilômetros de espessura. Se a compararmos com a estrutura global do Sol, podemos fazer uma analogia dizendo que a fotosfera é mais fi na do que a casca de uma maçã. A temperatura na fotosfera varia de cerca de 5800 K no seu topo até 7500 K na sua base, sendo efetivamente a região de gás mais frio que envolve todo o Sol. As manchas solares são regiões mais frias que se formam na fotosfera solar. Cromosfera - É a região que está localizada logo acima da fotosfera. Sua espessura é de cerca de 10 000 quilômetros e sua temperatura varia de 5 000 K, próximo à fotosfera, até várias centenas de milhares de Kelvin, no seu limite superior. Entretanto atente para o fato de que estes limites não são bem defi nidos e os valores citados acima, tanto para as espessuras destas camadas como para suas temperaturas, podem variar bastante. Coroa solar - É região situada acima da cromosfera que se estende para fora do Sol por uma distância equivalente a vários raios solares. A coroa é uma região altamente rarefeita e, curiosamente, o gás que a forma possui uma temperatura bastante alta, atingindo cerca de 2 000 000 Kelvins! 21

Durante o eclipse total do Sol você poderá observar algumas de suas partes que não são visíveis normalmente. Estamos falando da coroa solar, a região do Sol que está situada acima da cromosfera. Pode ser até que você tenha sorte e consiga presenciar um fl are solar, eventos explosivos muito intensos que ocorrem na superfície do Sol. Estes eventos se caracterizam por produzir um intenso brilho em certas regiões da atmosfera solar. Um único fl are pode liberar uma quantidade de energia equivalente a 100 milhões de bombas de fusão de hidrogênio. 22

Com um pouco mais de sorte, você poderá ver até mesmo a cromosfera do Sol. A cromosfera é muito mais fraca do que a fotosfera. Isto faz com que ela somente seja visível durante os eclipses solares, quando pode ser vista como um clarão rosa. Com muito mais sorte ainda... quem sabe? Você irá presenciar um belíssimo evento, que é a formação de uma proeminência solar, uma enorme massa de gás, mais frio, projetada para fora do limbo solar e que fi ca suspensa na coroa, fi na e quente, do Sol. 23

Essa imagem de uma enorme proeminência em forma de alça, foi obtida em 1999 pela sonda espacial Solar and Heliospheric Observatory (SOHO), um projeto conjunto NASA/ESA que está em órbita em torno do Sol, a 1,5 milhões de quilômetros da Terra. As áreas mais quentes aparecem na imagem com uma cor quase branca enquanto que as áreas vermelhas mais escuras indicam temperaturas mais frias. Algumas vezes estas proeminências podem ser imensas em tamanho, capazes de escapar da atmosfera do Sol. Já foi fotografada uma proeminência que se lançava para fora do disco solar por uma distância equivalente a mais de 35 vezes o tamanho da Terra. Este tipo de proeminência quando ocorre na direção da Terra é capaz de afetar as comunicações, os sistemas de navegação e as redes de potência energética, produzindo auroras visíveis no céu noturno em latitudes mais altas. 24

Outros belíssimos efeitos também são vistos durante um eclipse solar. Um deles é o chamado contas de Baily. Essas contas são vistas na parte bem pequena do Sol que ainda aparece iluminada durante um eclipse total. Elas surgem devido a um fato bem interessante: a Lua está ocultando o disco solar, mas o limbo do nosso satélite não é uma circunferência suave. Ela é recortada por vales e montanhas que fazem parte do relevo da Lua. À medida que o disco lunar encobre o disco solar, a luz do Sol ainda é capaz de alcançar a Terra, passando através dos vales que existem no limbo lunar e sendo obstruída pelas montanhas, que ali se encontram. É essa passagem ou não de luz solar que forma as várias contas que observamos. Um outro efeito muito interessante é o anel de diamantes que aparece um pouquinho antes do início da totalidade de um eclipse solar. Esse anel nada mais é do que o último fl ash brilhante de luz solar visto na Terra, antes da totalidade do eclipse estar formada. Visto da Terra, realmente lembra um diamante em um anel que as mulheres conhecem como um solitário. No entanto, tenha cuidado: tanto as contas de Baily como o anel de diamantes, são formados por partes da fotosfera do Sol ainda visíveis e, portanto, não devem ser observadas sem o uso de uma proteção adequada para os olhos. 25

Demônios invadindo a Terra: de que modo os eclipses afetam o ser humano? Em épocas mais antigas os eclipses, tanto da Lua como do Sol, eram motivo de terror. Alguns povos antigos chegaram a desenvolver cerimônias para afastar os demônios que estavam provocando aquele estranho fenômeno. Alguns batiam tambores para afastar os maus espíritos. Outros acendiam fogueiras para mostrar o caminho de volta ao Sol. A imagem mostrada abaixo pertence a um atlas europeu de 1827, onde os Incas são representados, em desespero, durante um eclipse. 26

Todo esse terror cresceu bastante durante a Idade Média, quando o misticismo se abateu sobre o mundo europeu e a ciência foi dominada pela Igreja. Somente com o advento do telescópio e a descoberta de que outros planetas também possuíam satélites, e que esses também eram eclipsados, é que o entendimento dos eclipses melhorou. Para isso, foi necessário que Johannes Kepler mostrasse, ao mundo, suas três famosas leis do movimento planetário: 1ª- Os planetas descrevem órbitas elípticas (e não circulares como até então se imaginava); 2ª- O Sol ocupa, não o centro, mas um dos focos dessa trajetória elíptica; 3ª- Os planetas possuem velocidades diferentes ao longo de suas órbitas, sendo mais rápidos quando estão próximos ao Sol e mais lentos quando estão mais distantes. 27

Sempre ocorreram eclipses? Certamente que não! Hoje vemos eclipses solares porque o disco da Lua no céu algumas vezes, cobre perfeitamente o disco solar. Isso ocorre porque o diâmetro aparente da Lua, no céu é aproximadamente o mesmo que o do Sol quando vistos da Terra. No entanto isso nem sempre foi assim. Há cerca de 100 milhões de anos, a Lua estava muito mais próxima da Terra do que agora. Com o passar dos tempos, o efeito da atração gravitacional entre a Terra e a Lua fez com que a Lua fosse lentamente se afastando do nosso planeta. Devido a esse efeito, chamado de aceleração de maré, a Lua se afasta cerca de 3,8 centímetros da Terra a cada ano e, em um futuro distante, estará sufi cientemente afastada de nós, para que não possamos mais ver um eclipse total do Sol. Estima-se que em cerca de 600 milhões de anos a distância Terra Lua terá sido aumentada em cerca de 23 500 quilômetros, o que signifi ca que o disco aparente lunar não será mais capaz de cobrir o disco aparente do Sol. Isto será verdade quando, simultaneamente, a Lua estiver no seu ponto orbital mais próximo da Terra (perigeu) e a Terra no seu ponto mais afastado do Sol (afélio). 28

Um outro fator que complicará a existência de futuros eclipses solares é o fato de que o Sol, durante seu processo de evolução estelar, irá aumentar de diâmetro. Na escala de tempo citada acima (600 milhões de anos), certamente o Sol terá um diâmetro bem maior que o mostrado agora. Ele estará, lentamente, caminhando para se tornar uma estrela gigante vermelha. O aumento do diâmetro do Sol signifi ca um maior disco solar aparente no céu. Com o concomitante aumento da distância Terra-Lua, é muito improvável que possam ocorrer eclipses solares nessa época, ainda bastante remota para nós. Por que cada eclipse só é visível em alguns lugares? Ocorre que a sombra projetada pela Lua sobre a superfície da Terra é que defi ne a área que verá o eclipse solar. Vimos que essa sombra se divide em duas partes: umbra e penumbra. A região coberta pela umbra verá um eclipse total do Sol, enquanto que a região coberta pela penumbra verá somente um eclipse parcial do Sol. Como o diâmetro da Lua é bem menor que o da Terra, a sombra projetada pela Lua não cobrirá toda a superfície da Terra, apenas uma pequena parte. Por essa razão o eclipse solar, quando ocorre, só é visto em algumas partes do globo terrestre. 29

No dia 29 de março de 2003 a Estação Espacial Internacional (International Space Station ISS) fotografou a sombra da Lua se deslocando sobre a Terra. Já o eclipse lunar é bem mais visto. Quando ocorre um eclipse lunar, todo o hemisfério é capaz de ver a Lua, ou seja, todo o hemisfério noturno da Terra presencia o fenômeno. Somente a parte iluminada do nosso planeta é que não é capaz de observá-lo. Devido aos movimentos da Terra e da Lua em suas órbitas, os eclipses, tanto lunares como solares, não ocorrem sempre nas mesmas regiões da Terra. Os astrônomos, por meio de cálculos, cujos resultados são reunidos nas chamadas efemérides astronômicas, podem prever com bastante antecedência, sobre que regiões da superfície da Terra a umbra e a penumbra da Lua irão passar, assim como, os tempos de início e fim de cada um desses fenômenos. 30

Prevendo eclipses solares Eclipses solares podem ser previstos com grande antecedência. Se sabemos o dia e a hora da ocorrência de um eclipse solar, é possível prever outros eclipses solares usando o que chamamos de ciclos de eclipses. Existem dois ciclos capazes de prever eclipses solares. São eles: o ciclo Saros e o ciclo Inex. Ciclo Saros É o melhor conhecido e prevê eclipses solares com bastante precisão. Um ciclo Saros dura 6585,3 dias, o que significa um pouco mais do que 18 anos. Isso quer dizer que, após esse período, um eclipse solar, praticamente idêntico, irá ocorrer. A diferença mais notável entre os dois eclipses será um deslocamento de 120 em longitude (devido à fração de dia (0,3) que aparece no período do ciclo Saros) e uma pequena variação em latitude. Um ciclo Saros sempre começa com um eclipse parcial do Sol próximo a uma das regiões polares da Terra e então se desloca ao longo do globo terrestre através de uma série de eclipses, anulares ou totais, terminando na região polar oposta àquela onde iniciou. Um ciclo Saros dura entre 1226 a 1550 anos e registra entre 69 a 87 eclipses, sendo que entre 40 a 60 deles serão eclipses totais do Sol. Quando um ciclo Saros termina, um novo ciclo Saros começa, ou seja o ciclo Saros é contínuo Ciclo Inex O ciclo Inex é pobre, mas é bem conveniente, na classificaçào de eclipses. O ciclo Inex não tem a mesma continuidade que o ciclo Saros, ou seja: quando o ciclo Inex termina, ele recomeça um tempo mais tarde, o que justifica o seu nome, in-ex. 31

Eclipses em outros planetas Vimos que, para termos alguns tipos de eclipses é necessário que o tamanho aparente entre dois corpos celestes seja praticamente o mesmo. Felizmente, vivemos em uma época em que os diâmetros aparentes do Sol e da Lua são suficientes para permitir que o disco solar seja encoberto pelo disco lunar, produzindo assim o eclipse total do Sol. Isso, entretanto, não ocorre em todos os outros planetas do Sistema Solar. Imediatamente, descartamos Mercúrio e Vênus da discussão de eclipses solares. O motivo é que esses planetas não possuem satélites e, portanto, nada que possa encobrir o disco solar. Em Marte, um observador na sua superfície veria somente eclipses parciais do Sol. Seus dois satélites, Fobos e Deimos, são pequenos demais para ter um diâmetro aparente capaz de cobrir o disco solar visto a partir daquele planeta. No entanto, eclipses de seus satélites são bastante comuns. Vários eclipses marcianos já foram fotografados, tanto pelas sondas que estão em sua superfície, como a partir de módulos em órbita em torno deste planeta. 32

Um observador colocado nos planetas gigantes Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, também veria vários eclipses. Esses planetas possuem muitos satélites, o que torna comum esse tipo de evento. O único problema é que, por serem formados em sua maior parte por gás, esses planetas não possuem uma superfície sólida na qual um observador possa estar. Frequentemente, vemos as sombras dos quatro grandes satélites de Júpiter (Io, Europa, Ganimedes e Calisto), projetadas sobre a superfície do grande planeta. Esse fenômeno é bastante frequente e se deve à baixa inclinação do eixo de Júpiter. Os outros três planetas gigantes, por terem um eixo de inclinação bem mais alto que o de Júpiter, têm eclipses somente em certos períodos durante suas órbitas. Phobos Deimos 33

Eclipses não são exclusividade de planetas. O pequeno planeta anão, Plutão, também tem eclipses, provocados pelo maior de seus três satélites, Caronte (os outros dois satélites são Nix e Hydra). Plutão Nix Caronte Hydra 34