GUARDA COMPARTILHADA GERALDO, M. L.

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Transcrição:

GUARDA COMPARTILHADA GERALDO, M. L. GERALDO, Maria Luisa Guarda Compartilhada. Trabalho de Curso de Graduação em Direito da Faculdade de Apucarana. Apucarana-Pr. 2012. RESUMO Esse trabalho estuda a guarda dos filhos à luz do principio da Doutrina da Proteção Integral da criança, prevista pela Constituição Federal de 1988, pelo Estatuto do Menor e do Adolescente e o novo Código Civil. Trata das situações decorrentes das rupturas conjugais, o poder pátrio, a conceituação, requisitos e os aspectos polêmicos e legais da Guarda Compartilhada, vantagens e desvantagens, refletindo a respeito da convivência e importância do novo modelo de guarda no ordenamento jurídico brasileiro. Palavras-chave: guarda dos filhos, ruptura conjugal e guarda compartilhada. ABSTRACT This study examines child custody in light of the principle of the Doctrine of Integral Protection of Children scheduled by the 1988 Federal Constitution, the Statute of Children and Adolescents and the new Civil Code. These situations arising from marital disruptions, paternal power, the conceptualization, requirements and legal and polemical aspects Guard Shared, advantages and disadvantages, reflecting the importance of coexistence and respect the new model keeps the Brazilian legal system. Keywords: child custody, marital breakdown and custody. 1. INTRODUÇÃO O presente estudo da guarda compartilhada é de suma importância e relativamente novo para o ordenamento jurídico, doutrina e jurisprudência. O objetivo desse estudo é apresentar que a lei deve proteger o menor quanto a sua formação quando da ruptura conjugal, através de uma guarda dos filhos que vise os interesses materiais, mentais, morais, emocionais e espirituais.

A justificativa para a implantação da guarda compartilhada está no estudo da realidade social e judiciária com objetivo de garantir um melhor desenvolvimento da criança e a igualdade dos genitores na responsabilidade no processo integral dessa formação. O objetivo principal da guarda compartilhada é assegurar o interesse do menor conforme a Constituição Federal, o Código Civil Brasileiro e o Estatuto do Menor e do Adolescente, garantindo a ele uma estabilidade emocional após a separação, dissolução da sociedade estável ou divórcio, enfocando a responsabilidade de ambos os genitores, atenuando os efeitos negativos advindos com essa ruptura. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Ao longo do tempo, o poder familiar sofreu modificações no contexto social e jurídico, que dispõe sobre o direito sucessório dos filhos, direito de filiação, adoção e poder paternal. A influência do direito romano, germânico e eclesiástico é a notória no direito pátrio brasileiro. Preocupação com a proteção dos filhos é assegurada com a Lei do divórcio número 6515/77. Direitos e deveres, iguais assegurados da sociedade conjugal só surgem na Constituição Federal de 1988 e nos dispositivos legais do Estatuto da Criança e Adolescente e nas mudanças contidas no Código Civil de 2002. Ao longo da evolução humana, o instituto do poder pátrio deixou de ser representado pela figura patriarcal, passando a ser tratado em igualdade pelos genitores em prol do melhor interesse do filho. O texto constitucional e o ECA estabelecem deveres de sustento, guarda e educação dos filhos e o cumprimento das determinações judiciais. Conclui-se que o poder familiar é de grande importância para a estrutura família onde os pais têm direitos e deveres para com o futuro dos filhos, cabendo ao Estado a fiscalização e controle desse exercício, punindo em caso de descumprimento.

Na atualidade os países têm atribuído a guarda conjunta e os juízes estão convencidos que os genitores podem cooperar, mesmo com objeções aparentes, ou infundadas no processo. A guarda está ligada ao lado material do poder familiar. É a relação direta entre pais e filhos, com direitos e deveres para ambas as partes, podendo ainda ser concedida terceiros (tutela). Com as constantes separações conjugais, nasce diante dessa ruptura a necessidade de decidir e estabelecer a guarda dos filhos. Entre as modalidades da guarda temos a alternada, a compartilhada, a de nidação ou aninhamento, unilateral e a compartilhada, sendo que somente as de compartilhamento e unilateral estão previstas no ordenamento jurídico brasileiro. A guarda compartilhada surge com intuito de equilibrar a estrutura familiar, suprindo deficiências de outros modelos de guarda. Muitos fatores devem ser analisados para o sucesso da guarda compartilhada, como a idade das crianças, distância da moradia do pai e da mãe, capacidade individual dos pais, comprometimento dos pais em garantir o melhor para os filhos. Para avaliar se o modelo da guarda esta tendo êxito, deve ser considerar as atitudes dos filhos; observando suas condutas, desempenho escolar e relacionamentos familiares, com os amigos e colegas da escola. O diálogo com a criança é crucial mesmo antes da vigência do casamento ou do período pós-separação, oportunizando e adotando formas que visam o melhor interesse. O instituto da guarda compartilhada no Brasil é recente, mas tem sido aplicada pela legislação atendendo o princípio do melhor interesse ao menor. São direitos assegurados à criança e ao adolescente direito à vida, à saúde, à educação, à liberdade, ao respeito, à dignidade, à convivência familiar. Direitos esses comprometidos quando os pais estão em conflitos conjugais. Na guarda compartilhada ambos os pais são responsáveis solidariamente na educação e na vigilância dos filhos menores, pois há partilha da guarda, contudo deve se analisar casos em que o menor é autorizado e até incentivado. Dados comprovam que a presença dos pais na vida dos filhos contribui para o seu desenvolvimento mental e físico, diminue o sentimento de

rejeição e convivência com papéis masculino e feminino, paterno e materno e contribue ainda para que o genitor não guardião a estar cumprindo os alimentos. O modelo apresenta também desvantagens como os litígios entre os casais e a alternância de residências. Fato que esse que dificulta esse instituto, pois muitos genitores mostram insatisfação, descontentamento com as atitudes do outro genitor, causando prejuízos para o bem estar do menor. 3. CONCLUSÃO Diante da realidade das dissoluções dos vínculos decorrentes de casamento e da união estável o sonho de manter uma família unida torna-se mais distante e aceitar o fracasso e as adversidades advindas é um grande desafio para a sociedade hoje. O instituto da guarda compartilhada surgiu com a finalidade de amenizar os transtornos causados a criança e ao adolescente após a ruptura conjugal. Ela decorre do poder familiar e ambos os genitores tem o dever e o direito de zelar, guarda, criar e educar a prole com carinho, afeto e educação. No contexto atual do ordenamento jurídico brasileiro. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e a elaboração do estatuto do menor e do Adolescente em 1990, o direito ao convívio com os genitores é expressamente garantido, sendo de fundamental importância para o desenvolvimento e crescimento saudável do menor. O sucesso na guarda compartilhada depende exclusivamente de um bom entendimento entre os genitores havendo dialogo e interesse de ambos de participar ativamente da vida dos filhos. Conclui-se que o instituto da guarda é uma forma de minimizar os danos causados aos filhos pela não convivência com os pais, devendo ser aplicada de acordo com a situação de cada caso concreto, onde deve prevalecer o bem estar da criança e do adolescente primorando pelo Principio da Dignidade Humana e dos dispositivos legais do Estatuto da Criança e do Adolescente e da Carta Magna. Hoje o modelo de guarda satisfatório e aquele em que os pais

dividem as responsabilidades visando proteção integral á criança e ao adolescente. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Contêm as emendas constitucionais posteriores. Brasília, DF: Senado, 1988. BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Senador Osmar Dias. 6. ed. Brasília - DF: Senado Federal Subsecretaria de Edições Técnicas, 2007. Código Civil. Presidência da República. Casa Civil. Brasília-DF, 2002. Disponível em: <www.planalto gov.br> CCIVIL/LEIS/2002/L10406.htm. GRISARD FILHO, Waldyr. Guarda Compartilhada - Quem Melhor para Decidir? São Paulo: Pai Legal, 2002. GRISARD FILHO, Waldyr. Guarda compartilhada: um novo modelo de responsabilidade parental. 3. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005,