Processo de liquidação



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Transcrição:

Processo de liquidação Regra geral, a sociedade dissolvida entra imediatamente em liquidação, permitindo que se realizem as operações necessárias para que os bens sociais fiquem em condições de ser partilhados pelos sócios. Na liquidação, apura-se o activo e o passivo, cobram-se as contas e realizam-se os pagamentos em falta, pagando-se as dívidas da sociedade, e divide-se o remanescente pelos sócios. A partir da dissolução, caso a liquidação e partilha não se realizem em simultâneo, à firma da sociedade deve ser aditada a menção «sociedade em liquidação» ou «em liquidação». O pacto social pode estipular que a liquidação seja feita administrativamente, e os sócios podem deliberar o mesmo com a maioria que for exigida para a alteração do contrato. O pacto social e as deliberações dos sócios podem regulamentar a liquidação em tudo quanto não estiver previsto na lei. Se tiver ocorrido dissolução administrativa por via oficiosa, a liquidação é também efectuada pelo serviço de registo competente. Liquidação através de partilha imediata Se, à data da dissolução, a sociedade não tiver dívidas, os sócios podem partilhar imediatamente os bens sociais em espécie, se o pacto social assim o previr, ou se os sócios o deliberarem unanimemente. O activo que restar destina-se: - ao reembolso do montante das entradas efectivamente realizadas (ou seja, o valor da participação social de cada sócio); - se não puder ser feito o reembolso integral, o activo existente é distribuído pelos sócios, de forma a que a diferença para menos recaia em cada um deles na proporção que lhes couber nas perdas da sociedade (calculadas na proporção das participações sociais de cada sócio); - se depois de feito o reembolso integral, existir um saldo positivo, este será repartido na proporção aplicável à distribuição de lucros; - os liquidatários podem excluir da partilha as importâncias estimadas para os encargos da liquidação até à extinção da sociedade. Liquidação por transmissão global 1

A liquidação também se pode fazer por transmissão global. Neste caso, em cumprimento de uma disposição do pacto social ou de uma deliberação dos sócios, todo o património da sociedade dissolvida pode ser transmitido para algum ou alguns sócios, pagando-se aos outros em dinheiro. No entanto, esta transmissão tem de ter o acordo escrito de todos os credores da sociedade. O facto de haver dívidas fiscais não exigíveis à data da dissolução não obsta a esta partilha. No entanto, todos os sócios são responsáveis por estas dívidas, ilimitada e solidariamente. Antes de ser iniciada a liquidação devem ser organizados e aprovados os documentos de prestação de contas da sociedade, reportados à data da dissolução. A administração deve fazê-lo dentro dos 60 dias seguintes à dissolução da sociedade; caso o não faça, esse dever cabe aos liquidatários. Duração da liquidação A liquidação da sociedade deve estar encerrada e a partilha aprovada no prazo de dois anos a contar da data em que a sociedade se considere dissolvida. No entanto, o pacto social ou os sócios podem estabelecer um prazo inferior. Este prazo só pode ser prorrogado por deliberação dos sócios e por tempo não superior a um ano. Não estando a liquidação encerrada e a partilha aprovada nestes prazos, o serviço de registo competente pode efectuar a liquidação por via administrativa. Actuação dos liquidatários Os membros da administração da sociedade passam a ser os seus liquidatários a partir do momento em que esta se considere dissolvida. Tal apenas não sucederá de existir cláusula do contrato de sociedade ou deliberação dos sócios em contrário. Assim, em qualquer momento e independentemente de justa causa, os sócios podem deliberar a destituição de liquidatários, bem como nomear novos liquidatários, em acréscimo ou em substituição dos existentes. Uma pessoa colectiva não pode ser nomeada liquidatário, excepto as sociedades de advogados ou de revisores oficiais de contas. Se houver mais do que um liquidatário, cada um tem poderes iguais e independentes para os actos de liquidação, a menos que o pacto social ou os sócios deliberem noutro sentido. No entanto, para alienar bens da sociedade, é necessária a intervenção de, pelo menos, dois liquidatários. Os liquidatários têm, em geral, os deveres, os poderes e a responsabilidade dos membros do órgão de administração da sociedade. 2

Por deliberação dos sócios pode o liquidatário ser autorizado a: - continuar temporariamente a actividade anterior da sociedade; - contrair empréstimos necessários à efectivação da liquidação; - alienar o património global da sociedade; - trespassar o estabelecimento da sociedade. O liquidatário deve: - ultimar os negócios pendentes; - cumprir as obrigações da sociedade; - cobrar os créditos da sociedade; - reduzir a dinheiro o património residual, excepto no que toca à partilha em espécie entre os sócios do activo restante, após a satisfação ou a garantia do cumprimento dos direitos dos credores, se assim estiver previsto no contrato ou se os sócios assim o deliberarem unanimemente; - propor a partilha dos haveres sociais. Exigibilidade de débitos e créditos da sociedade Excepto em caso de insolvência ou de acordo diverso entre a sociedade e um seu credor, a dissolução da sociedade não torna exigíveis as suas dívidas. No entanto, os liquidatários podem antecipar o seu pagamento, embora os prazos tenham sido estabelecidos em benefício dos credores. As cláusulas de diferimento da prestação de entradas caducam na data da dissolução da sociedade, mas os liquidatários só poderão exigir dessas dívidas dos sócios as importâncias que forem necessárias para satisfação do passivo da sociedade e das despesas de liquidação, depois de esgotado o activo social, sem incluir neste os créditos litigiosos ou considerados incobráveis. Os créditos sobre terceiros e sobre sócios por outras dívidas devem ser reclamados pelos liquidatários, embora os prazos tenham sido estabelecidos em benefício da sociedade. Pagamento das dívidas da sociedade Os liquidatários devem pagar todas as dívidas da sociedade que o activo social dê para pagar. Podem ainda proceder à consignação em depósito nos seguintes casos: - quando, sem culpa sua, não puder efectuar a prestação ou não puder fazê-lo com segurança, por qualquer motivo relativo à pessoa do credor; - quando o credor estiver em mora. Se se verificarem estas circunstâncias, os liquidatários devem proceder à consignação em depósito do objecto da prestação. Esta consignação não pode ser revogada pela sociedade, excepto se provar que a dívida se extinguiu por outro facto. 3

Partilha do activo após pagamento aos credores Depois de terem sido satisfeitos ou acautelados os direitos dos credores da sociedade, o activo restante pode ser partilhado em espécie, se assim estiver previsto no pacto social ou se os sócios unanimemente o deliberarem. O activo restante é destinado ao reembolso do montante das entradas efectivamente realizadas. Esse montante é a fracção de capital correspondente a cada sócio, independentemente, quando tenha havido entradas em espécie (ou seja, em bens), do que o pacto social dispuser para o caso de os bens com que o sócio realizou a entrada terem valor superior àquela fracção nominal. Se não puder ser feito o reembolso integral, o activo existente é distribuído pelos sócios, de forma a que a diferença para menos recaia em cada um deles na proporção da parte que lhe competir nas perdas da sociedade; para esse efeito, ter-se-á em conta a parte das entradas devida pelos sócios. Se depois de feito o reembolso integral existir saldo positivo, este será repartido na proporção aplicável à distribuição de lucros. Os liquidatários podem excluir da partilha as importâncias estimadas para encargos da liquidação até à extinção da sociedade. Contas a prestar pelos liquidatários Os liquidatários devem prestar, nos três primeiros meses de cada ano civil, contas da liquidação, as quais devem ser acompanhadas por um relatório pormenorizado do estado da liquidação. O relatório e as contas anuais dos liquidatários devem ser organizados, apreciados e aprovados nos mesmos termos que os documentos de prestação de contas da administração, com as necessárias adaptações. Relatório, contas finais e deliberação dos sócios As contas finais dos liquidatários devem ser acompanhadas por um relatório completo da liquidação e por um projecto de partilha do activo restante. Os liquidatários devem declarar expressamente no relatório que estão satisfeitos ou acautelados todos os direitos dos credores e que os respectivos recibos e documentos probatórios podem ser examinados pelos sócios. As contas finais devem ser organizadas de modo a discriminar os resultados das operações de liquidação efectuadas pelos liquidatários e o mapa da partilha, segundo o projecto apresentado. 4

O relatório e as contas finais dos liquidatários devem ser submetidos a deliberação dos sócios. Na mesma deliberação é nomeado o depositário dos livros, documentos e demais elementos da escrituração da sociedade, que devem ser conservados pelo prazo de cinco anos. Responsabilidade dos liquidatários para com os credores sociais Os liquidatários que, com culpa, indicarem falsamente nestes documentos apresentados à assembleia, que os direitos de todos os credores da sociedade estão satisfeitos ou acautelados, são pessoalmente responsáveis, se a partilha se efectivar, para com os credores cujos direitos não tenham sido satisfeitos ou acautelados. No entanto, estes liquidatários que tiverem pago aos credores, podem exigir que os sócios lhes paguem essas quantias, excepto se tiverem agido com dolo, ou seja, se tiverem agido com intenção de prejudicar os sócios. Entrega dos bens partilhados Depois da deliberação dos sócios e em conformidade com esta, os liquidatários entregam a cada sócio os bens que pela partilha lhes couberem, e executam as formalidades necessárias à transmissão dos bens atribuídos aos sócios, se forem necessárias. Se aos sócios forem atribuídos bens para a transmissão dos quais seja necessária escritura pública ou outra formalidade, os liquidatários outorgarão essa escritura ou executarão essas formalidades. Responsabilidade pelo passivo superveniente Encerrada a liquidação e extinta a sociedade, os antigos sócios respondem pelo passivo social não satisfeito ou acautelado, até ao montante que receberam na partilha, independentemente do disposto quanto a sócios de responsabilidade ilimitada. As acções necessárias para o pagamento dessas dívidas podem ser propostas contra a generalidade dos sócios, na pessoa dos liquidatários, que são considerados representantes legais daqueles para este efeito. A sentença proferida relativamente à generalidade dos sócios constitui caso julgado em relação a cada um deles. O antigo sócio que satisfizer alguma dívida, tem direito de regresso contra os outros, de maneira a ser respeitada a proporção de cada um nos lucros e nas perdas. 5

Os liquidatários darão conhecimento da acção a todos os antigos sócios, pela forma mais rápida que lhes for possível, e podem exigir destes provisão adequada para encargos judiciais. Os liquidatários não podem escusar-se a exercer estas funções. Se entretanto tiverem falecido, essas funções serão exercidos pelos últimos gerentes ou administradores ou, no caso de falecimento destes, pelos sócios, por ordem decrescente da sua participação no capital da sociedade. Partilha adicional após a liquidação e extinção da sociedade Depois de encerrada a liquidação e extinta a sociedade, e verificando-se que existem bens não partilhados, compete aos liquidatários propor a partilha adicional pelos antigos sócios, reduzindo os bens a dinheiro, se não for acordada unanimemente a partilha em espécie. Neste caso, as acções para cobrança de créditos da sociedade podem ser propostas pelos liquidatários, que, para o efeito, são considerados representantes legais da generalidade dos sócios. No entanto, qualquer deles pode propor acção limitada ao seu interesse. A sentença proferida relativamente à generalidade dos sócios constitui caso julgado para cada um deles e pode ser individualmente executada, na medida dos respectivos interesses. Procedimento administrativo de liquidação O procedimento administrativo de liquidação inicia-se através de requerimento da sociedade, dos seus membros, dos respectivos sucessores, dos seus credores ou dos credores de sócios quando resulte da lei que a liquidação deva ser feita por via administrativa. No requerimento apresentado pela sociedade devem ser indicados um ou mais liquidatários, tendo a respectiva aceitação de ser comprovada, ou ser solicitada a sua nomeação pelo conservador do registo comercial. Quando o requerimento for apresentado por outros interessados, a designação de liquidatários compete ao conservador, salvo indicação de liquidatários pela entidade comercial. Se a dissolução tiver sido declarada no âmbito do procedimento administrativo de dissolução, o pedido de liquidação considera-se efectuado no requerimento de dissolução, salvo nos casos em que a dissolução tenha sido requerida pela empresa e esta não tenha optado nesse momento pela liquidação por via administrativa. 6

O procedimento administrativo de liquidação é instaurado oficiosamente pelo conservador, através de auto que especifique as circunstâncias que determinaram a sua instauração e no qual nomeie um ou mais liquidatários, quando: - a dissolução tenha sido realizada em procedimento administrativo de dissolução instaurado oficiosamente pelo conservador; - tiverem decorrido os prazos no Código das Sociedades Comerciais para a duração da liquidação sem que tenha sido requerido o respectivo registo de encerramento; - durante dois anos consecutivos, o titular do estabelecimento individual de responsabilidade limitada não tenha procedido ao depósito dos documentos de prestação de contas e a administração tributária tenha comunicado ao serviço de registo competente a omissão de entrega da declaração fiscal de rendimentos pelo mesmo período; - a Administração Tributária tenha comunicado ao serviço de registo competente a ausência de actividade efectiva do estabelecimento individual de responsabilidade limitada, verificada nos termos previstos na legislação tributária; - a Administração Tributária tenha comunicado ao serviço de registo competente a declaração oficiosa da cessação de actividade do estabelecimento individual de responsabilidade limitada, nos termos previstos na legislação tributária; - se verifique que o titular do estabelecimento individual de responsabilidade limitada não procedeu ao aumento de capital do estabelecimento; - o estabelecimento individual de responsabilidade limitada não tenha sido objecto de actos de registo comercial obrigatórios durante mais de 20 anos; - tenha ocorrido o óbito do titular do estabelecimento individual de responsabilidade limitada, comprovado por consulta a base de dados de serviço da Administração Pública; - o tribunal que decidiu o encerramento de um processo de insolvência por insuficiência da massa insolvente tenha comunicado esse encerramento ao serviço de registo competente. Se se tratar de liquidação de estabelecimento individual de responsabilidade limitada, a instauração do procedimento determina o registo oficioso de entrada em liquidação do estabelecimento. Notificação e participação da sociedade e dos interessados Neste procedimento, só são notificados a sociedade e os interessados nos seguintes casos: - quando a dissolução não tiver sido declarada por via administrativa; e - quando a dissolução tenha sido requerida pela empresa e esta não tenha optado nesse momento pela liquidação por via administrativa. Nomeação dos liquidatários e fixação do prazo de liquidação O conservador nomeia os liquidatários que lhe tenham sido indicados pela sociedade desde que verifique estar comprovada a aceitação dos mesmos. No entanto, quando 7

competir ao conservador a designação de liquidatários ou quando a empresa não tenha procedido à sua indicação, o conservador deve nomear um ou mais liquidatários de reconhecida capacidade técnica e idoneidade para o cargo. Se para o cargo de liquidatário não for designado revisor oficial de contas ou sociedade de revisores oficiais de contas, o conservador pode designar como perito uma de tais entidades, com base em indicação dada pela Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, designadamente para fundamentação da decisão no procedimento. Nos casos de liquidação oficiosa, o pagamento dos encargos com a remuneração dos liquidatários e dos peritos é da responsabilidade da empresa ou dos credores da empresa ou de sócios e cooperadores de responsabilidade ilimitada que comuniquem a existência de créditos e direitos que detenham sobre a empresa em causa, bem como a existência de bens e direitos de que esta seja titular, sem prejuízo de estes poderem exigir o pagamento desses encargos por parte da administração. No caso de os liquidatários nomeados terem sido indicados pela entidade comercial, a definição da respectiva remuneração e a responsabilidade pelo pagamento desta cabem exclusivamente à entidade comercial, não podendo a remuneração ser mais elevada do que a prevista para os liquidatários e peritos nomeados judicialmente. O conservador deve fixar o prazo para a liquidação, com o limite máximo de um ano, podendo ouvir os membros da empresa ou o titular do estabelecimento individual de responsabilidade limitada, bem como os administradores, gerentes ou membros da direcção da cooperativa. Operações de liquidação Os liquidatários nomeados pelo conservador têm, para a liquidação, a mesma competência que a lei confere aos liquidatários nomeados contratualmente ou por deliberação do órgão competente da entidade a liquidar. Os actos dos liquidatários que dependam de autorização da sociedade ou da cooperativa ficam sujeitos a autorização do conservador, que pode solicitar a emissão de parecer ao perito nomeado, o qual deve ser emitido no prazo de 20 dias, findo o qual o procedimento deve obrigatoriamente prosseguir. Se aos liquidatários não forem facultados os bens, livros e documentos da entidade ou as contas relativas ao último período da gestão, a entrega pode ser requerida judicialmente. Operações posteriores à liquidação Efectuada a liquidação total, os liquidatários terão de apresentar nos 30 dias seguintes, as contas e o projecto de partilha do activo restante; se não o fizerem, qualquer membro da empresa ou o titular do estabelecimento individual de responsabilidade limitada podem requerer judicialmente a prestação de contas. 8

Os membros da empresa ou o titular do estabelecimento individual de responsabilidade limitada são notificados da apresentação das contas e do projecto de partilha do activo restante, podendo dizer o que se lhes oferecer sobre aqueles actos no prazo de 10 dias. Aprovadas as contas e liquidado integralmente o passivo social, é o valor do activo restante partilhado entre os membros da empresa de harmonia com a lei aplicável. Se aos membros da empresa forem atribuídos bens para a transmissão dos quais seja exigida forma especial ou outra formalidade (como por exemplo imóveis, viaturas ou outros bens sujeitos a registo), os liquidatários executam essas formalidades. Liquidação parcial e partilha em espécie No entanto, se aos liquidatários parecer inconveniente ou impossível a liquidação da totalidade dos bens e for legalmente permitida a partilha em espécie, o conservador realiza uma conferência de interessados, para a qual são convocados os credores não pagos, se os houver, a fim de se apreciarem os fundamentos invocados para a liquidação parcial e as contas da liquidação efectuada e se deliberar sobre o pagamento do passivo ainda existente e a partilha dos bens remanescentes. Na falta de acordo sobre a partilha dos bens remanescentes o conservador é competente para decidir. Os liquidatários podem ser destituídos por iniciativa do conservador ou a requerimento do órgão de fiscalização da entidade, de qualquer membro da entidade comercial, dos credores da empresa ou dos credores de sócios e cooperadores de responsabilidade ilimitada sempre que ocorra justa causa. Estão sujeitas a registo comercial as decisões do conservador que titulem: - a nomeação dos liquidatários; - a autorização pelo conservador para a prática pelos liquidatários dos actos que dependam de autorização do conservador; - a destituição dos liquidatários. Decisão e registo de encerramento da liquidação A decisão que declare encerrada a liquidação é proferida no prazo de cinco dias após a conclusão dos actos de liquidação e partilha do património da entidade e dela são imediatamente notificados os interessados; esta decisão pode ser impugnada judicialmente. Depois de se tornar definitiva, o conservador lavra oficiosamente o registo do encerramento da liquidação. 9

Efectuado o registo do encerramento da liquidação, o serviço de registo competente procede de imediato à comunicação do facto, por via electrónica, às seguintes entidades: - ao Registo Nacional de Pessoas Colectivas, para efeitos da inscrição do facto no ficheiro central de pessoas colectivas; - à Administração Tributária e à Segurança Social, para efeitos de dispensa de apresentação das competentes declarações de cessação de actividade; - aos serviços que gerem o cadastro comercial, para efeito de dispensa de apresentação da competente declaração de encerramento de estabelecimento comercial; - à Autoridade para as Condições do Trabalho. Regresso à actividade depois da liquidação Durante o processo de liquidação ou até mesmo depois de iniciada a partilha, os sócios podem deliberar que termine a liquidação da sociedade e esta retome a sua actividade. Esta deliberação deve ser tomada pelo número de votos que a lei ou o contrato de sociedade exija para a deliberação de dissolução, a não ser que se tenha estipulado para este efeito maioria superior ou outros requisitos. No entanto, os sócios não podem deliberar retomar a actividade: - antes de o passivo ter sido liquidado, exceptuados os créditos cujo reembolso na liquidação for dispensado expressamente pelos respectivos titulares; - enquanto se mantiver alguma causa de dissolução; - se o saldo de liquidação não cobrir o capital social, excepto se este for reduzido. Referências Código das Sociedades Comerciais, art.s 146º a 164º Regime jurídico dos procedimentos administrativos de dissolução e de liquidação de entidades comerciais, aprovado pelo Decreto-Lei nº 76-A/2006, de 29 de Março, e rectificado pela Declaração de Rectificação nº 28-A/2006, de 26 de Maio Código de Processo Civil, artigos 1014º e ss, 1500º e 1501º 10