IV - APELACAO CIVEL

Documentos relacionados
Reis Friede Relator. TRF2 Fls 356

ACÓRDÃO. O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores ERBETTA FILHO (Presidente) e RAUL DE FELICE. São Paulo, 20 de abril de 2017.

CCM Nº (Nº CNJ: ) 2017/CÍVEL

GERALDINE PINTO VITAL DE CASTRO Juíza Federal Convocada

Superior Tribunal de Justiça

Exclusão do ICMS e ISS da base de cálculo do PIS, COFINS, CPRB, IRPJ lucro presumido: repercussões das decisões do STJ e do STF Gustavo Brigagão

JF CONVOCADO ANTONIO HENRIQUE CORREA DA SILVA em substituição ao Desembargador Federal PAULO ESPIRITO SANTO

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

EMENTA ACÓRDÃO. Porto Alegre, 17 de maio de Poder Judiciário TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO

Superior Tribunal de Justiça

ACÓRDÃO. O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores ERBETTA FILHO (Presidente) e RAUL DE FELICE. São Paulo, 4 de maio de 2017.

Advogados : Renata Alice Pessôa Ribeiro de Castro Stutz (OAB/RO 1.112) e outros

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO APELAÇÃO CÍVEL Nº /SP

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELACAO CIVEL

Superior Tribunal de Justiça

Exclusão do ICMS e do ISS da base de cálculo do PIS/COFINS. Gustavo Froner Minatel Mestre PUC/SP

EMENTA ACÓRDÃO. Decide a Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento à apelação. Sexta Turma do TRF da 1ª Região

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Poder Judiciário TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO

RELATÓRIO. TRF/fls. E:\acordaos\ _ doc

IV - APELACAO CIVEL

Poder Judiciário da União TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS

11/09/2017 PRIMEIRA TURMA : MIN. ALEXANDRE DE MORAES PAULO TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

05ª Vara Federal de Execução Fiscal do Rio de Janeiro ( ) EMENTA

Transcrição:

RELATOR APELANTE ADVOGADO APELANTE ADVOGADO APELADO ORIGEM : JUIZ FEDERAL CONVOCADO JOSÉ ANTONIO LISBOA NEIVA : COOK ELECTRIC TELECOMUNICACOES S/A : MARIA DE LOURDES JORGE ESTEVES : CAIXA ECONOMICA FEDERAL - CEF : MARIA LUCIA CANDIOTA DA SILVA E OUTROS : UNIAO FEDERAL / FAZENDA NACIONAL : VIGÉSIMA NONA VARA FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (0007767641) RELATÓRIO Trata-se de apelação da autora contra sentença que extinguiu o processo quanto à CEF por ilegitimidade passiva e julgou improcedente o pedido formulado em relação à União, no sentido de afastar a inclusão do ICM na base de cálculo do PIS, apurada na forma da Lei Complementar nº 7/70, com repetição das quantias recolhidas indevidamente. Foram oferecidas contra-razões. O MPF salientou inexistir interesse a justificar a intervenção. É o relatório. Peço dia para julgamento. Rio de Janeiro, 26 de maio de 2009. 1

VOTO Conheço do apelo porque presentes os pressupostos legais. Inicialmente, destaco que o presente processo não discute a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, por força do art. 3º, 2º, I, da Lei 9.718/1998, cujos processos estão com sobrestamento determinado pela Suprema Corte em razão da MC na ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito. No caso dos autos, a ação foi ajuizada em 1986 e a discussão envolve o sistema constitucional pretérito, sendo certo que a análise se faz no plano legal, com base na Lei Complementar nº 7/70, para se aferir a possibilidade de o antigo ICM integrar a base de cálculo do PIS. A CEF é mera administradora do PIS/PASEP, razão pela qual não tem legitimação passiva para as ações de natureza tributária nas quais se discute a exigência, com pedido de repetição de indébito (STJ, REsp 131707 / PR, 1ª Turma, rel. Min. Demócrito Reinaldo, DJ 15/12/1997, p. 66259; REsp 166869 / RS, 2ª Turma, rel. Min. Peçanha Martins, DJ 01/08/2000, p. 227; Súmula nº 77 do STJ). O faturamento é entendido como a receita bruta decorrente da venda de mercadoria e de serviços, a despeito da ausência de clareza neste particular na Lei Complementar nº 7/70 (alínea b do art. 3º). Assim sendo, verifica-se que o valor relativo ao ICM compõe a receita bruta decorrente da venda de mercadoria, integrando o preço e a base de cálculo da contribuição para o PIS, a despeito da ulterior transferência do montante, relativo ao imposto estadual, ao titular da arrecadação. A matéria é firme no Superior Tribunal de Justiça, como se verifica dos enunciados 68 e 94 da súmula da Corte, no que se refere, respectivamente, ao FINSOCIAL e ao PIS. 2

Logo, sendo pacífico, na jurisprudência do STJ, que o faturamento é entendido como a receita bruta decorrente da venda de mercadorias e de serviços. Verificando-se, ainda, que o valor relativo ao ICM compõe a receita bruta decorrente da venda de mercadoria, integrando a base de cálculo da contribuição mencionada, a despeito da ulterior transferência do montante, relativo ao imposto estadual, ao titular da arrecadação, não há como se conceder a vantagem pretendida pela empresa apelante. Isto posto, Conheço do recurso, mas nego-lhe provimento. É como voto. EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO ICM NA BASE DE CÁLCULO DO PIS LEI COMPLEMENTAR Nº 7/70 CONSTITUIÇÃO PRETÉRITA COMPOSIÇÃO DA RECEITA BRUTA DECORRENTE DA VENDA DE MERCADORIA 1. A apelante pretende modificar o entendimento firmado na sentença, de que a inclusão do ICM na base de cálculo do PIS, com base na Lei Complementar nº 7/70, é correta. 2. Inicialmente, deve ser destacado que o presente processo não discute a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, por força do art. 3º, 2º, I, da Lei 9.718/1998, cujos processos estão com sobrestamento determinado pela Suprema Corte em razão da MC na ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito. No caso dos autos, a ação foi ajuizada em 1986 e a discussão 3

envolve o sistema constitucional pretérito, sendo certo que a análise se faz no plano legal, com base na Lei Complementar nº 7/70, para se aferir a possibilidade de o antigo ICM integrar a base de cálculo do PIS. 3. A CEF é mera administradora do PIS/PASEP, razão pela qual não tem legitimação passiva para as ações de natureza tributária nas quais se discute a exigência, com pedido de repetição de indébito (STJ, REsp 131707 / PR, 1ª Turma, rel. Min. Demócrito Reinaldo, DJ 15/12/1997, p. 66259; REsp 166869 / RS, 2ª Turma, rel. Min. Peçanha Martins, DJ 01/08/2000, p. 227; Súmula nº 77 do STJ). 4. O faturamento é entendido como a receita bruta decorrente da venda de mercadoria e de serviços. Assim sendo, verifica-se que o valor relativo ao ICM compõe a receita bruta decorrente da venda de mercadoria, integrando a base de cálculo da contribuição mencionada, a despeito da ulterior transferência do montante, relativo ao imposto estadual, ao titular da arrecadação. 5. A matéria é firme no Superior Tribunal de Justiça, como se verifica dos enunciados 68 e 94 da súmula da Corte, no que se refere, respectivamente, ao FINSOCIAL e ao PIS. 6. Apelo conhecido e desprovido. ACÓRDÃO Vistos e relatados os presentes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Terceira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2 a. Região, por unanimidade, conhecer e negar provimento ao recurso, na forma do Relatório e do Voto, que ficam fazendo parte do presente julgado. Rio de Janeiro, de de 2009. (data do julgamento). 4

5