RELATOR APELANTE ADVOGADO APELANTE ADVOGADO APELADO ORIGEM : JUIZ FEDERAL CONVOCADO JOSÉ ANTONIO LISBOA NEIVA : COOK ELECTRIC TELECOMUNICACOES S/A : MARIA DE LOURDES JORGE ESTEVES : CAIXA ECONOMICA FEDERAL - CEF : MARIA LUCIA CANDIOTA DA SILVA E OUTROS : UNIAO FEDERAL / FAZENDA NACIONAL : VIGÉSIMA NONA VARA FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (0007767641) RELATÓRIO Trata-se de apelação da autora contra sentença que extinguiu o processo quanto à CEF por ilegitimidade passiva e julgou improcedente o pedido formulado em relação à União, no sentido de afastar a inclusão do ICM na base de cálculo do PIS, apurada na forma da Lei Complementar nº 7/70, com repetição das quantias recolhidas indevidamente. Foram oferecidas contra-razões. O MPF salientou inexistir interesse a justificar a intervenção. É o relatório. Peço dia para julgamento. Rio de Janeiro, 26 de maio de 2009. 1
VOTO Conheço do apelo porque presentes os pressupostos legais. Inicialmente, destaco que o presente processo não discute a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, por força do art. 3º, 2º, I, da Lei 9.718/1998, cujos processos estão com sobrestamento determinado pela Suprema Corte em razão da MC na ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito. No caso dos autos, a ação foi ajuizada em 1986 e a discussão envolve o sistema constitucional pretérito, sendo certo que a análise se faz no plano legal, com base na Lei Complementar nº 7/70, para se aferir a possibilidade de o antigo ICM integrar a base de cálculo do PIS. A CEF é mera administradora do PIS/PASEP, razão pela qual não tem legitimação passiva para as ações de natureza tributária nas quais se discute a exigência, com pedido de repetição de indébito (STJ, REsp 131707 / PR, 1ª Turma, rel. Min. Demócrito Reinaldo, DJ 15/12/1997, p. 66259; REsp 166869 / RS, 2ª Turma, rel. Min. Peçanha Martins, DJ 01/08/2000, p. 227; Súmula nº 77 do STJ). O faturamento é entendido como a receita bruta decorrente da venda de mercadoria e de serviços, a despeito da ausência de clareza neste particular na Lei Complementar nº 7/70 (alínea b do art. 3º). Assim sendo, verifica-se que o valor relativo ao ICM compõe a receita bruta decorrente da venda de mercadoria, integrando o preço e a base de cálculo da contribuição para o PIS, a despeito da ulterior transferência do montante, relativo ao imposto estadual, ao titular da arrecadação. A matéria é firme no Superior Tribunal de Justiça, como se verifica dos enunciados 68 e 94 da súmula da Corte, no que se refere, respectivamente, ao FINSOCIAL e ao PIS. 2
Logo, sendo pacífico, na jurisprudência do STJ, que o faturamento é entendido como a receita bruta decorrente da venda de mercadorias e de serviços. Verificando-se, ainda, que o valor relativo ao ICM compõe a receita bruta decorrente da venda de mercadoria, integrando a base de cálculo da contribuição mencionada, a despeito da ulterior transferência do montante, relativo ao imposto estadual, ao titular da arrecadação, não há como se conceder a vantagem pretendida pela empresa apelante. Isto posto, Conheço do recurso, mas nego-lhe provimento. É como voto. EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO ICM NA BASE DE CÁLCULO DO PIS LEI COMPLEMENTAR Nº 7/70 CONSTITUIÇÃO PRETÉRITA COMPOSIÇÃO DA RECEITA BRUTA DECORRENTE DA VENDA DE MERCADORIA 1. A apelante pretende modificar o entendimento firmado na sentença, de que a inclusão do ICM na base de cálculo do PIS, com base na Lei Complementar nº 7/70, é correta. 2. Inicialmente, deve ser destacado que o presente processo não discute a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, por força do art. 3º, 2º, I, da Lei 9.718/1998, cujos processos estão com sobrestamento determinado pela Suprema Corte em razão da MC na ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito. No caso dos autos, a ação foi ajuizada em 1986 e a discussão 3
envolve o sistema constitucional pretérito, sendo certo que a análise se faz no plano legal, com base na Lei Complementar nº 7/70, para se aferir a possibilidade de o antigo ICM integrar a base de cálculo do PIS. 3. A CEF é mera administradora do PIS/PASEP, razão pela qual não tem legitimação passiva para as ações de natureza tributária nas quais se discute a exigência, com pedido de repetição de indébito (STJ, REsp 131707 / PR, 1ª Turma, rel. Min. Demócrito Reinaldo, DJ 15/12/1997, p. 66259; REsp 166869 / RS, 2ª Turma, rel. Min. Peçanha Martins, DJ 01/08/2000, p. 227; Súmula nº 77 do STJ). 4. O faturamento é entendido como a receita bruta decorrente da venda de mercadoria e de serviços. Assim sendo, verifica-se que o valor relativo ao ICM compõe a receita bruta decorrente da venda de mercadoria, integrando a base de cálculo da contribuição mencionada, a despeito da ulterior transferência do montante, relativo ao imposto estadual, ao titular da arrecadação. 5. A matéria é firme no Superior Tribunal de Justiça, como se verifica dos enunciados 68 e 94 da súmula da Corte, no que se refere, respectivamente, ao FINSOCIAL e ao PIS. 6. Apelo conhecido e desprovido. ACÓRDÃO Vistos e relatados os presentes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Terceira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2 a. Região, por unanimidade, conhecer e negar provimento ao recurso, na forma do Relatório e do Voto, que ficam fazendo parte do presente julgado. Rio de Janeiro, de de 2009. (data do julgamento). 4
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