21 de setembro de 2016 Petrobras (PETR4) Comprar: PETR4 O Plano Estratégico e Plano de Negócios e Gestão 2017 2021 anunciado ontem veio em grande parte dentro da expectativa do mercado: (i) redução da alavancagem financeira; (ii) redução significativa nos investimentos futuros; e (iii) maior foco na gestão empresarial. Por outro lado, a despeito da queda nos investimentos, a curva de produção teve pouca alteração, o que ainda pode colocar riscos sobre sua meta. Achamos interessante a extensão do modelo de parceria para outras áreas da estatal, além de Exploração & Produção (E&P), permitindo uma maior mitigação de risco e elevando a governança sobre o projeto. Assim, vemos como sinais positivos a melhora na governança da Petrobras. No atual cenário, o governo vem concretizando mudanças relevantes para colocar a estatal petrolífera de volta aos trilhos, na direção de uma recuperação gradual, como: (i) a indicação de executivos técnicos sem vínculo político; (ii) a criação da lei da responsabilidade das estatais; e (iii) a intenção de vender ativos para reduzir a alavancagem financeira. A situação do alto endividamento da Petrobras continua a ser um fator preocupante, principalmente diante dos preços baixos do petróleo no mercado internacional, enquanto as ações coletivas contra a estatal nos EUA continuam sendo incógnitas à frente. O resultado do 2T16 já vem mostrando melhoras operacionais, com melhor eficiência, e fluxo de caixa positivo. Além disso, a redução da sua alavancagem no período foi bem vinda. No curto/médio prazo, o desempenho do ativo seguirá volátil, acompanhando a cotação do preço do petróleo. Vemos como principais catalisadores para o papel: (i) as vendas de ativos; (ii) a mudança na lei de Partilha do pré-sal; (iii) a melhora operacional, com ganhos de eficiência e produtividade; e (iv) a recuperação do preço do petróleo. Desta forma, reiteramos a nossa recomendação de compra para a Petrobras. Lembrando: Incluímos o ativo na nossa Carteira Valor para o mês de Setembro, e na nossa Carteira Semanal. 1
Plano Estratégico e Plano de Negócios e Gestão 2017-2021 Ontem, a Petrobras anunciou o aguardado plano de negócios para o período de 2017 2021. O primeiro plano anunciado desde a entrada do novo presidente, Pedro Parente, tem duas frontes que trabalham de forma integrada: o Plano Estratégico (PE) e o Plano de Negócios e Gestão (PNG). O plano apresentado tem como estratégia focar em métricas técnicas e financeiras para atingir suas metas. As métricas principais incluem: (a) redução de 36% na Taxa de Acidentados Registráveis (TAR), de 2,2 em 2015 para 1,4 em 2018; e (b) redução da alavancagem, medido pela dívida líquida sobre EBITDA, de 5,3x em 2015 para 2,5x em 2018. Premissas Dentre as premissas consideradas no planejamento, destacam-se: Preços competitivos para os derivados no Brasil; Preço médio do Brent e taxa média de câmbio, conforme abaixo; Crescimento do mercado brasileiro de derivados em 5,2% no período. Investimentos Para alcançar as métricas, principalmente a segunda (desalavancagem), a Petrobras reduziu sua meta de investimento no período analisado. Os investimentos totais tiveram um corte expressivo de 25% quando comparados à última revisão do Plano de Negócios e Gestão 2015 2019, divulgada em janeiro de 2016, atingindo US$ 74,1 bilhões entre 2017 2021 (US$ 19,2 bilhões em 2017). 2
Assim como foi o caso do plano anterior, o foco do investimento será em óleo e gás. Dos investimentos da área de Exploração & Produção, totalizados US$ 60,6 bilhões, 76% serão alocados para desenvolvimento da produção, 11% para exploração, e 13% para suporte operacional. Na área de Refino e Gás Natural serão investidos US$ 12,4 bilhões, sendo 50% destinados à continuidade operacional dos ativos e o restante a projetos relacionados ao escoamento da produção de óleo e gás. Parcerias e Desinvestimentos No contexto da racionalização dos investimentos, o novo management da empresa decidiu otimizar o portfólio de negócios da Petrobras. Assim, a empresa decidiu sair integralmente das atividades de produção de biocombustíveis, distribuição de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), produção de fertilizantes e das participações em petroquímica, ou seja, esses deverão ser os principais ativos que podem ser desinvestidos nos próximos anos. Ainda nesse contexto, o novo plano de negócio tem como estratégia ampliar as Parcerias e Desinvestimentos. O plano de parcerias, que permite à estatal otimizar os investimentos futuros e mitigar riscos com outros players do mercado, vem funcionando bem na área de E&P e deve ser estendido para as demais áreas da Companhia. Assim, estão previstos US$ 19,5 bilhões de parcerias e desinvestimentos no biênio 2017/2018. Custos Gerenciáveis Além da maior eficiência na aplicação dos recursos investidos, o novo plano prevê a adoção de novas medidas para redução de custos gerenciáveis. A implementação de novas ferramentas de gestão, como o Orçamento Base Zero (OBZ), deve reduzir em 18% os gastos operacionais gerenciáveis, totalizando US$ 126 bilhões no período. O OBZ é uma ferramenta amplamente usada nas empresas privadas, e bem sucedida, inclusive dentro do setor de petróleo e gás no México. 3
Produção Mesmo com um forte corte nos investimentos, a Petrobras espera alcançar uma produção total de óleo e gás, no Brasil e no exterior, de 3,41 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2021, sendo 2,77 milhões de barris por dia (bpd) de óleo e líquido de gás natural (LGN) no Brasil. Para comparação, no primeiro semestre de 2016, a Petrobras produziu em média 2,7 milhões de bpd de óleo e LGN. Geração de Caixa Por fim, com a implementação das iniciativas descritas acima, a Petrobras estima uma geração operacional de caixa de US$ 158 bilhões, após dividendos, o que permitirá a empresa realizar seus investimentos e reduzir seu endividamento, sem necessidade de novas captações no horizonte do Plano. 4
Conclusão Recebemos com otimismo o novo plano de negócios e gestão apresentado pelo novo management da Petrobras. Em grande parte, o plano de negócios ficou em linha com as expectativas do mercado e reforça o foco da empresa na redução da alavancagem da estatal. Apesar do corte significativo no CAPEX dos próximos anos, a Petrobras praticamente manteve sua meta de produção inalterada para o período. O tema foi amplamente discutido na teleconferência com analistas e a estatal sinalizou que a maior eficiência no tempo de perfuração, assim como maior eficiência na operação de cada poço, devem ser os principais drivers para a empresa atingir sua meta. Na nossa visão, esse foi o principal ponto de risco. Com relação a politica de preços praticados no mercado interno, que vem gerando incertezas com relação ao futuro e queda na participação de mercado, os executivos da empresa salientaram em teleconferência que a empresa monitora sistematicamente a situação e que até agora, a empresa vem operando com boa rentabilidade, e portanto, não vê motivo de mudança atualmente. Recebemos com bons olhos, as parcerias que a Petrobras vem promovendo com outras empresas e a intenção dela de estender esse modelo para as demais áreas da empresa. Isso permitirá: (i) compartilhamento de riscos; (ii) desoneração de investimentos aumentado a capacidade de investimento na cadeia; (iii) intercâmbio tecnológico; e (iv) fortalecimento da governança corporativa. Um outro ponto que será de grande importância para a boa execução das métricas é o sistema de gestão e gerenciamento de risco sendo adotado pela empresa. Será adotado um sistema de gestão baseada em meritocracia, com desdobramento de metas até o nível de supervisão, acompanhamento sistemático e correção de desvios, de modo a garantir a disciplina na execução das iniciativas e no alcance das metas estabelecidas no plano de negócios. 5
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