TÉCNICO/A CONTABILIDADE E FISCALIDADE CLC7 - Fundamentos de cultura, língua e comunicação Tão alto quanto os olhos alcançam Uma noção de Trabalho: Susana Almeida
Tão alto quanto os olhos alcançam Uma noção de transcendência Em visita à exposição que se encontra atualmente no Fórum Eugénio de Almeida foi possível verificar um outro lado da arte. A arte não tem uma definição própria para um simples mortal criador, porque o que para mim é arte pode não o ser para quem me rodeia. Vejamos a arte como uma pequena grande criação do homem, que este eleva ao mais alto dos conhecimentos artísticos, deixando prostrada a noção de que arte é apenas uma pintura perfeita ou uma estátua de marfim. De salientar que nada disto significa que arte seja apenas uns rabiscos no chão ou um bocado de lata presa na parede, não arte é muito mais do que isso A arte permite criar a partir do vazio de uma folha a mais bela das pinturas, a partir de um pedaço de pedra a mais perfeita silhueta humana, a partir de madeira ou troncos uma estatueta com movimento, sentimento e cor, arte é sonhar acordado, transmitindo através dos dedos o sonho que nos corre nas veias, e colorindo ou não essa criação com o coração. Para mim, aquela exposição não me disse muito na maior parte das coisas, mas outras deixaram-me pensativa e permitiram-me divagar um pouco pelo caminho da arte que eu também admiro e vivo. Por momentos pensei e percebi o sentimento que alguns artistas colocaram em algumas daquelas peças ali expostas. Provavelmente o que senti ou interpretei pode não estar de acordo com o motivo e a intenção com que os seus criadores a fizeram, mas é assim mesmo que a arte vive, transmitindo a cada um dos seus observadores sonhar, vivenciar, sentir Gostei da bola de ferro suspensa no ar, não porque fosse bonita ou algo que requeira perícia para criar, mas porque me permitiu naquele momento pensar que se eu quiser também posso ser leve, apesar de a vida neste momento me deixar pesada e parada como se fosse ferro, eu sou dona da minha alma e comandante do meu destino, que posso ser prisioneira do quotidiano mas nunca prisioneira da forma como o vivo
Na generalidade algumas peças são de facto arte para quem as criou e as emprestou para serem expostas, uma arte contemporânea, uma arte sacra, uma arte rudimentar ou elaborada, uma arte de fotografia, mas arte. Existem contudo vários géneros de arte bem como vários apreciadores da mesma. Por exemplo, temos a arte sacra que abrange não sou imagens religiosas, mas também liturgias, escritos, arte popular, entre outras, como podemos ver nesta imagem que se encontrava na exposição que visitámos: São Miguel arcanjo O abraço quando se chega ao céu Cristo A representação do sacrifício
Entre estes outros tipos e arte encheram aquele espaço de existência, vida e até morte. Na verdade tudo o que nos envolveu por entre aquelas paredes criou o transcendente que inspirou esta exposição. Tão alto quanto os olhos alcançam é mesmo o mais acertado para descrever estes diversos géneros de arte, porque na verdade só será possível ver e tirar dali aquilo que os nossos olhos nos permitirem levar podemos ver o óbvio e sobrevalorizar ou podemos ver para além do óbvio, compreendendo e aceitando o que tudo isto nos pode transmitir. Como por exemplo a peça que se segue, que nesta exposição é a mais valiosa monetariamente, ascendendo um milhão de euros. E quem diria que uma fruteira de cristal, com frutos de cera pintados e uma base de bronze trabalhada, valeria tão mais que algumas esculturas que naquele espaço se encontram. Para mim é a que menos vista tem, contudo representa a vida. A fruta representa a frescura, a vida, o alimento e tantas outras coisas para quem a criou
Assim esta forma de arte tem na verdade do seu íntimo a mesma intenção de todas as outras que conhecemos observar e ir para além do óbvio. Como capa deste trabalho escolhi a imagem de duas esculturas representando o bem e o mal, porque na verdade, estes fazem parte da nossa vida e dos nossos dias, e estão sempre presentes em todas as decisões ou atitudes. Mais uma vez a noção de transcendência presente na exposição e na relação desta com o quotidiano de cada um de nós. Atrevo-me a dizer que a arte de Pablo Picasso, Claude Monet ou Vincent Van Gogh, são muito mais emocionantes para mim, mais apelativas, me puxam mais ao sentimento e ainda assim consigo encontrar nelas a transcendência da arte e subir tão alto quanto os olhos alcançam, isto só é possível porque a arte é vida e criação. Deixo algumas imagens de pinturas dos artistas que acima menciono: Pablo Picasso
Claude Monet
Vincent Van Gogh
Claro que se trata de outro género de arte, muito apreciada ao longo dos séculos por muitos dos mais conceituados artistas aos mais simples dos mortais desconhecidos, mas esta arte é intemporal, nasceu para ser eterna e entusiasticamente desfrutada e apreciada. Não condeno os novos conceitos de arte, nem tão pouco os seus criadores ou géneros artísticos, apenas lamento que tantos talentos espalhados não sejam reconhecidos e valorizados, seja na escultura, pintura, música, dança, escrita, construção ou um outro qualquer símbolo de arte, como o são muitas das obras que encontramos e nada tem a mais do que um pensamento momentâneo transportado para aquele local. Quando a fruta que se encontra na fruteira da nossa exposição sair dali, nada mais valerá, mas estas telas que apresento são eternas e sempre valorizadas, quer seja dentro ou fora de um museu ou centro de exposições Em suma, arte é algo que voa Tão alto quanto os olhos alcançam. É a transcendência do eu e do tu e do que nos rodeia, é seguir para além do cosmos do real para o irreal de cada um de nós. Arte é transcender o olhar, na colisão criada entre o cosmos e um sonhador. Arte é criar, arte é a natureza, a vida humana, o amor, o desamor, o calor, o frio, o amanhecer, o anoitecer, a música, o grito, o silêncio, o tudo ou o nada Arte é simplesmente arte é criar sem barreiras, seguir sem direção. É amar com as mãos e criar com o coração Arte é vida, é morte, é ser e não ser. Arte é simplesmente viver! Tão alto quanto os olhos alcançam, levou-me à transcendência do cosmos virtual, ao mesmo tempo que navego pelos mares do antigo e doce cheiro do óleo e das telas amarelecidas e assim sigo voando e viajando tão alto quanto os meus olhos alcançam