REFORMA DO CÓDIGO DA FAMÍLIA 1 P O R U M N O V O S I S T E M A J U D I C I Á R I O N O S É C U L O X X I www.crjd-angola.com https://www.facebook.com/crjdangola
Estrutura da Apresentação 2 Introdução Propostas de reforma do Código da Família por Institutos Conclusão
INTRODUÇÃO - AS RAZÕES DA REFORMA DO CÓDIGO FAMÍLIA 3 A nova Constituição Conformação das normas do Código da Família com a CRA A Idade do Código da Família angolano Foi aprovado pela Lei n.º 1/88, de 20 de Fevereiro A necessidade de recodificação de alguma legislação avulsa pertinente ao Direito da Família
INTRODUÇÃO (cont.) - MODELO ADOPTADO 4
INTRODUÇÃO (cont.) - A OPÇÃO PELA SOLUÇÃO MÉDIA 5 Optou-se por uma reforma do tipo médio: a) compatibilizando as normas jurídico-familiares com a Constituição; b) recodificando alguma legislação avulsa pertinente ao Direito da Família; e) adequando à realidade actual algumas soluções vigentes.
INTRODUÇÃO (cont.) A AUTONOMIA LEGISLATIVA DO DIREITO DA FAMÍLIA 6 Manutenção ou não da autonomia legislativa do Direito da Família: A opção pela reforma do tipo médio implica manter a autonomização do Código da Família. Com efeito, discute-se se o Código da Família deve manter a sua autonomia legislativa em face do Código Civil ou se, pelo contrário, deve estar inserido no Código Civil, com um dos seus livros. Podendo ser apresentados vários argumentos nos dois sentidos, gostaríamos de referir, apenas, que a inclusão do Código da Família no Código Civil, eventualmente no âmbito do movimento da unificação do direito privado (apesar de também se discutir a natureza privada, pública ou intermédia do Direito da Família), provavelmente implicaria que se saisse do âmbito da reforma em curso (do tipo médio), por implicar uma reforma profunda.
INTRODUÇÃO RECODIFICAÇÃO DO CÓDIGO DA FAMÍLIA Recodificação da legislação familiar pertinente Projecta-se a recodificação da legislação familiar avulsa pertinente, pois entende-se que isso concorre para uma mais fácil compreensão e maior eficácia do Código. 7 Estrutura do Código O Código da Família projectado continuará a ser formado por 8 títulos, mas apenas alguns coincidirão com o actual, como se pode ver no quadro abaixo:
INTRODUÇÃO (continuação) Código da Família vigente: Título I Princípios fundamentais Título II Constituição da Família Título III Casamento Título IV União de facto Título V Relações entre pais e filhos Título VI Adopção Título VII Tutela Título VIII - Alimentos Código da Família projectado Título I Disposições gerais Título II Casamento Título III União de facto Título IV Filiação Título V - Adopção Título VI-Responsabilidade parental Título VII - Tutela Título VIII - Alimentos 8
9 II. INTERVENÇÕES PROJECTADAS POR INSTITUTOS
II.1. DISPOSIÇÕES GERAIS 10 Relativamente a parte geral do Código da Família, projecta-se o seguinte: 1.1. A construção de um conceito formal de família, logo no primeiro artigo do Código; 1.2. A consagração do direito de integrar e de constituir família, em resposta ao disposto no artigo 35.º, n.º 2, da Constituição (artigo 2.º); 1.3. A previsão, a título exemplificativo, de deveres da família (artigo 4.º ); 1.4. A consagração de uma norma relativa à natureza dos direitos familiares bem como outra atinente à interpretação das normas jusfamiliares (artigos 8.º e 9.º); 1.5. A inserção de mais normas ligadas ao funcionamento do Conselho de Família, facilitando-se, assim, a actuação dos seus membros e do próprio tribunal (artigo 23.º).
II.2. O CASAMENTO 11 Quanto ao casamento, o projecto de código orienta-se na seguinte direcção: 2.1. Consagração de três modalidades de casamento - o civil, o tradicional e o religioso - bem como de uma série de normas visando a sua articulação (artigo 26.º, n.º 1 e seguintes). 2.2. Consagração da possibilidade de os casamentos tradicionais e religiosos produzirem efeitos civis, sendo que no primeiro caso dá-se uma resposta clara ao disposto nos artigos 7.º e 35.º, números 2 e 4, ambos da Constituição (artigos 26.º, n.º 2, 27.º, n.º 2 e 3 e artigo 28.º); 2.3. Estender o direito à indemnização, quando a ele haja lugar, aos parentes que tenham actuado em nome e representação de um dos nubentes e incorrido em despesas na provisão do casamento (artigo 30.º, n.º 3); 2.4. Estabelecimento da idade de 16 anos como limite mínimo excepcional para a celebração do casamento em relação a ambos os sexos, obedecendo ao princípio da igualdade (artigo 33.º, n.º 2);
II.2. O CASAMENTO (continuação) 12 2.5. Relativamente ao processo preliminar do casamento, a consagração a possibilidade de, no mesmo, poder fazer-se referência à eventualidade de o casamento ter sido antecedido de união de facto reconhecível entre os nubentes, visando tal declaração a produção de efeitos retroactivos do casamento (artigos 37.º, n.º 4 e 49.º, n.º 2). 2.6. Simplificação da formulação linguística no tocante ao local da celebração do casamento (artigo 41.º, n.º 1); 2.7. Permitir que o ex-cônjuge continue a usar o apelido obtido em virtude do casamento, independentemente da forma de dissolução do casamento, enquanto não contrair novo casamento. No caso de celebração de novo casamento, propõe-se que, se assim tiver sido manifestado na declaração inicial do novo casamento, pode o excônjuge continuar a usar o apelido do casamento anterior (artigo 44.º, n.º 2 e 3).
II.2. O CASAMENTO (continuação) 13 2.8. Transportar para o código o formalismo do casamento urgente, previsto actualmente no Regulamento do Acto de Casamento, devido à essencialidade das referidas normas (artigos 46.º e 47.º). 2.9. Quanto aos efeitos do casamento, precisar melhor as normas relativas à administração dos bens do casal, acrescentando outros bens aos já existentes e que podem ser administrados por um dos nubentes, bem como os seus poderes de alienação de bens [artigo 60.º, al. a), b), c), d) e g)]. 2.10. Consagrar a liberdade de celebração de convenções matrimoniais, podendo ser antenupciais ou pós-nupciais, consoante celebradas antes ou depois do casamento, bem como a previsão de uma série de normas visando a efectivação dessa liberdade (artigos 72.º a 81.º);
II.2. O CASAMENTO (continuação) 14 2.11. Ainda sobre os efeitos patrimoniais do casamento, acrescentarse mais 2 regimes de bens aos já existentes, passando, assim, o ordenamento jurídico familiar a contar com os regimes de comunhão de adquiridos e separação de bens (já em vigor e agora propostos nos artigos 85.º a 87.º e 104.º, respectivamente), bem como com o da comunhão geral de bens e o da participação final nos adquiridos (artigos 88.ºa 90.º e 91.º a 103.º, respectivamente); 2.12. Estabelecer a obrigatoriedade da adopção do regime de separação de bens, sempre que o casamento seja celebrado sem a observância do processo preliminar ou por pessoas com 60 anos de idade (artigos 84.º) 2.13. Consagrar, igualmente, o instituto das doações para casamento e entre casados, dando-se, assim, resposta a uma lacuna do ordenamento jurídico (artigos 105.º a 117.º);
II.2. O CASAMENTO (continuação) 15 2.14. No tocante à matéria das invalidades do casamento, além do actual regime da anulabilidade, preve-se consagrar também, de forma expressa, a inexistência e a nulidade do casamento (artigos 118.º e 120.º); 2.15. No que à dissolução do casamento diz respeito, vai-se consagrar a liberdade de se requerer o divórcio, eliminandose o período de moratória legal, dado o facto de não parecer sensato fazer prevalecer um casamento que, na prática, está terminado (artigo 138.º).
II.3. UNIÃO DE FACTO 16 Em sede da união de facto, equaciona-se o seguinte: 3.1 Reduzir o período de tempo de convivência para 2 anos, podendo ser bastante o decurso de apenas 1 ano, no caso em que haja filho da união de facto (artigo 173.º); 3.2. Impor-se o regime da separação de bens para a união de facto que não possa ser atendida, por ser, por exemplo, poligâmica, bem como regras precisas visando proteger a família anterior surgida de casamento ou união de facto reconhecida (artigo 174.º); 3.3. Ainda sobre a união de facto, consagrar, por remissão, o regime da sua dissolução, dando-se, assim, resposta a uma lacuna actual (artigo 188.º);
II.4. FILIAÇÃO 17 No tangente à filiação, pensa-se: 4.1 Destacar o facto de se tratar de todas as matérias a ela relativas num único título, ao contrário do que acontece no direito vigente (Título IV, artigos 189.º a 228.º); 4.2. Esclarecer quando é que se deve considerar um filho como tendo sido concebido na constância do casamento (artigo 196.º); 4.3. Estabelecer que o Ministério Público pode interpor acção de estabelecimento judicial da filiação, durante toda a menoridade, ao contrário do regime actual onde tal faculdade apenas pode ser exercida durante os 3 primeiros anos de vida do menor [artigo 216.º, n.º 2, a)]; 4.4. Introduzir uma norma relativa à procriação por inseminação artificial, homóloga ou heteróloga (artigo 192.º).
II.5. ADOPÇÃO 18 Relativamente à adopção, destaca-se o facto de se projectar que o órgão com competência para autorizar a adopção por estrangeiros ser indicado pelo Titular do Poder Executivo (artigo 235.º).
II.6. RESPONSABILIDADE PARENTAL 19 Relativamente à autoridade paternal/responsabilidade parental: 6.1. A grande alteração é conceitual, passando o instituto a designar-se por responsabilidade parental, visando clarificar que não se está perante direitos absolutos exercidos "sobre" a pessoa do filho, mas sim de poderes funcionais, constituídos por uma série de deveres e direitos que devem ser exercidos em benefício do filho e da sociedade (artigos 251.º e seguintes). 6.2 Pode-se também destacar a inclusão do sistema de guarda conjunta do filho, nos casos de exercício em separado da autoridade paternal, objectivando-se proporcionar ao menor um ambiente familiar que mais se assemelha à modalidade ideal, isto é, a do exercício conjunto da autoridade paternal (artigo 273.º).
II.7. ALIMENTOS 20 Quanto aos alimentos, consagra-se que a sua medida apenas será determinada depois de retirado o necessário para o sustento do obrigado e das pessoas do seu agregado familiar, procurando-se uma situação de maior justiça, pois, nos termos vigentes, resolve-se um problema, arranjando-se muitas vezes outro (artigo 272.º).
Notas finais 21 A reforma projectada do Código da Família justifica-se em toda a sua dimensão. O alcance das intervenções ora projectadas há-se conduzir, certamente, ao aparecimento de um Código da Família conforme com a Constituição e mais actualizado. A Família é uma instituição que interessa a todos (e não apenas à comissão da reforma da justiça e do direito), pelo que os subsídios de todos, quanto à sua regulação, são de extraordinária importância.
22 MUITO OBRIGADO!