Capítulo 1 Origem e formação dos solos

Documentos relacionados
Capítulo 1 Origem e formação dos solos

Universidade Paulista Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia Departamento de Engenharia Civil Professora Moema Castro, MSc.

Material de apoio. Granulometria do Solo. Granulometria do Solo

Composição dos Solos

AULA 2: INTRODUÇÃO A MECÂNICA DOS SOLOS. MECÂNICA DOS SOLOS Prof. Augusto Montor

Curso de Engenharia Civil

Objetivo. Material de apoio. Curso básico de mecânica dos solos (Carlos Souza Pinto, Oficina de Textos, 2006); Sumário

Compacidade das areias e Limites de Atterberg

Material de apoio. Origem e Constituição. Origem e Constituição. Curso básico de mecânica dos solos (Carlos Souza Pinto, Oficina de Textos, 2006);

Plasticidade e Consistência dos Solos. Mecânica de Solos Prof. Fabio Tonin

ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE SINOP DEPARTAMENTO DE

Mecânica dos Solos I. Professora: Ariel Ali Bento Magalhães /

5 Caracterizações Física, Química e Mineralógica.

Disciplina: Mecânica dos Solos e Fundações

Laboratório de Mecânica dos Solos. Primeiro Semestre de 2017

GEOTÉCNICA Bibliografia

Figura 01 - Perfil esquemático de ocorrência de solos em ambiente tropical

MECÂNICA DOS SOLOS I (TEC00259) O sistema água-argilomineral Propriedades dos Solos. Prof. Manoel Isidro de Miranda Neto Eng.

TC-033 LABORATÓRIO DE MECÂNICA DOS SOLOS

Geotécnica Ambiental. Aula 2: Revisão sobre solos

Parte 1: Conceitos Básicos GEOTÉCNICA. Granulometria

Disciplina: Mecânica dos Solos e Fundações

INTEMPERISMO DE ROCHAS MINERALOGIA DE SOLOS

Origem e Formação dos Solos

Natureza e Estado dos Solos

TEXTURA DO SOLO. Atributos físicos e químicos do solo -Aula 4- Prof. Alexandre Paiva da Silva

Classificação dos Solos do Ponto de Vista da Engenharia

ARGILOMINERAIS PROPRIEDADES E APLICAÇÕES

Origem e Formação dos Solos

INTEMPERISMO QUÍMICO MUDANÇAS QUÍMICAS DE MINERAIS DA SUA FORMA MAIS INSTÁVEL PARA MAIS ESTÁVEL

GEOLOGIA PARA ENGENHARIA CIVIL ELEMENTOS DOS SOLOS

APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA

Intemperismo. Profa. Maristela Bagatin Silva

5. Caracterização do Solo

Mecânica de Solos revisão: conceitos de solos. Prof. Fabio B. Tonin

ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE SINOP DEPARTAMENTO DE

Resumo sobre Plasticidade

CONCEITO DE SOLO CONCEITO DE SOLO. Solos Residuais 21/09/2017. Definições e Conceitos de Solo. Centro Universitário do Triângulo

Caracterização Física do Solo da Cidade de Palmeira dos Índios - AL

Roberta Bomfim Boszczowski e Laryssa Petry Ligocki. Características Geotécnicas dos Solos Residuais de Curitiba e RMC

NOÇÕES DE SOLO. Rita Moura Fortes

4 Caracterização Física, Química, Mineralógica e Hidráulica

AULA 2 TC-033 LABORATÓRIO DE MECÂNICA DOS SOLOS. Prof. Caroline Tomazoni 08/03/2018

FSP Avaré 1º semestre 2013 Prof. Fabio Tonin MECÂNICA DOS SOLOS

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE SINOP DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL. Profª Aline Cristina Souza dos Santos

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO CAMPUS DE SINOP FACULDADE DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGIAS CURSO DE ENGENHARIA CIVIL GEOTECNIA I

3 Aspectos Geológicos e Geotécnicos

UNIDADE I - SOLOS, ORIGEM, FORMAÇÃO E MINERAIS CONSTITUINTES

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS, QUÍMICAS E MINERALÓGICAS TÊM COMO OBJETIVO COMPLEMENTAR AS DESCRIÇÕES MORFOLÓGICAS

UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS, QUÍMICAS E MINERALÓGICAS TÊM COMO OBJETIVO COMPLEMENTAR AS DESCRIÇÕES MORFOLÓGICAS

I - ORIGEM E CONSTITUIÇÃO DOS SOLOS

4 Caracterização física, química e mineralógica dos solos

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO CAMPUS DE SINOP FACULDADE DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGIAS CURSO DE ENGENHARIA CIVIL GEOTECNIA I

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO CAMPUS DE SINOP FACULDADE DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGIAS CURSO DE ENGENHARIA CIVIL GEOTECNIA I

MECÂNICA DOS SOLOS I (TEC00259)

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE SINOP DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL. Profª Aline Cristina Souza dos Santos

Mecânica dos Solos I. Eng. Mucambe

Laboratório de Mecânica dos Solos. Primeiro Semestre de 2017

Atributos físicos e químicos do solo -Aula 4- Prof. Josinaldo Lopes Araujo Rocha

Devido a heterogeneidade os solos e a grande variedade de suas aplicações, é praticamente impossível

GEOTÉCNICA Bibliografia

Formação dos Solos. Fundação Carmelitana Mário Palmério - FUCAMP Curso de Bacharelado em Engenharia Civil. Disciplina: Geologia Básica de Engenharia

CARACTERIZAÇÃO GOTÉCNICA DE SOLOS PARA SUBSÍDIO AO PROJETO DE BARRAGEM DE TERRA

ACH1085 NATUREZA E TIPOS DE SOLOS. Intemperismo na formação dos solos Profª. Drª Mariana Soares Domingues

MINERALOGIA DOS SOLOS COMPOSIÇÃO MINERALÓGICA DOS SOLOS

Aula 8: recapitulando os exercícios da avaliação...

Pontifícia Universidade Católica de Goiás

A importância dos minerais de argila: Estrutura e Características. Luiz Paulo Eng. Agrônomo

CAPÍTULO 4: ROCHAS SEDIMENTARES 4.1. INTRODUÇÃO:

AULA 4: CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS. MECÂNICA DOS SOLOS Prof. Augusto Montor

FATORES DE FORMAÇÃO DO SOLO

Classificação dos Solos

Fatores de Formação do Solo. Unidade III - Fatores de Formação do Solo

MCC I Cal na Construção Civil

Capítulo 7. Permeabilidade. Prof. MSc. Douglas M. A. Bittencourt GEOTECNIA I SLIDES 08.

Classificação dos Solos Quanto à Origem.

OS SOLOS E A SUA FORMAÇÃO. Introdução à Geotecnia 2018

Estudos Ambientais. Solos CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO AMAPÁ - CEAP

UNIDADE III - PLASTICIDADE DOS SOLOS

GEOLOGIA E GEOMORFOLOGIA: AGENTES EXTERNOS MÓDULO 07

Tipos e classificação FORMAÇÃO DOS SOLOS

ROCHAS SEDIMENTARES. Escola Secundária de Viriato A.S.

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DOS SOLOS E INTERAÇÃO COM ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

SEDIMENTOS E ROCHAS SEDIMENTARES

Agregados. Agregados: Rochas CAPÍTULO 16

Matérias-primas naturais

2. Propriedades físicas dos sedimentos Propriedades dos grãos (partículas)

Rochas e Solos. Prof Karine P. Naidek Abril/2016

Permeabilidade e Fluxo Unidimensional em solos

Transcrição:

Capítulo 1 Origem e formação dos solos Geotecnia I SLIDES 02 Prof. MSc. Douglas M. A. Bittencourt prof.douglas.pucgo@gmail.com

A origem do solo Em geral, os solos são formados pela decomposição das rochas a partir de agentes de intemperismo São constituídos por um conjunto de partículas sólidas e vazios, preenchidos ou não O comportamento do solo depende: Do movimento de suas partículas entre si 2

Minerais Matéria formada por processos inorgânicos da natureza e que possui composição química definida (CHIOSSI, 2013). Substância sólida natural e homogênea com estrutura atômica característica (FRASCÁ; SARTORI, 1998). Formam a fase sólida do solo e são o produto da erosão das rochas (DAS, 2007). 3

Rochas Corpo sólido natural, resultante de um processo geológico determinado, formado por agregados de um ou mais minerais, arranjados segundo as condições de temperatura e pressão existentes durante sua formação (FRASCÁ; SARTORI, 1998). Ígneas Sedimentares Metamórficas 4

Rochas 5

6

Solos São materiais com origem recente ou remota e são provenientes da alteração das rochas por ação do intemperismo (agentes físicos ou químicos). 7

Intemperismo Interação entre o material geológico e a atmosfera, a hidrosfera e a biosfera. É o conjunto de modificações de ordem física (desagregação) e química (decomposição) que as rochas sofrem ao aflorar na superfície da Terra. 8

Intemperismo Principais agentes físicos: Água (gelo/degelo exerce elevadas tensões) Fragmentação por ação do gelo. A água líquida ocupa as fissuras da rocha (a), sendo posteriormente congelada, expandindo e exercendo pressão nas paredes (b). 9

Intemperismo Principais agentes físicos: Água (gelo/degelo exerce elevadas tensões) Bloco de gnaisse fraturado pela ação do gelo nas fissuras 10

Intemperismo Principais agentes físicos: Temperatura (provocam trincas, nas quais penetra a água, atacando quimicamente os materiais) 11

Intemperismo Principais agentes físicos: Vento 12

Intemperismo Principais agentes físicos: Vegetação 13

Intemperismo Principais agentes químicos: Oxidação (mudança que sofre um mineral em decorrência da penetração de oxigênio na rocha) 14

Intemperismo Principais agentes químicos: Hidratação (moléculas de água entram na estrutura mineral, modificando-a e formando um novo mineral). 15

Intemperismo Principais agentes químicos: Hidrólise O mais importante agente do intemperismo químico; Íons da água combinam-se com os íons dos minerais formando novas substâncias; Destruição de silicatos: 16

Intemperismo Principais agentes químicos: Carbonatação O CO 2 contido na água forma ácido carbônico, contribuindo para a decomposição da rocha; Mais acentuado em rochas calcárias. 17

Perfil de formação do solo É mais homogêneo e não apresenta nenhuma relação com a rocha mãe Grande quantidade de pedregulho; São bastante heterogêneos (coloração, resistência, compressibilidade e permeabilidade) Guarda características da rocha sã e tem basicamente os mesmos minerais, porém sua resistência é bem reduzida Preserva parte da estrutura e de seus minerais, porém com dureza inferior à da rocha matriz (muito fraturada) Rocha inalterada 18

Classificação quanto à origem Solos residuais: São solos provenientes da decomposição das rochas e não foram submetidos a ações de transporte Se conservam no local da rocha mãe Centro-Sul do Brasil Solos transportados ou sedimentares: São solos, que após o processo de alteração, foram transportados para outros locais. Coluviões, tálus, aluvionares, eólicos, glaciais 19

Classificação quanto à origem 20

Classificação quanto à origem Solos transportados ou sedimentares: Solos coluviais (ou depósito de tálus) O transporte se dá pela ação da gravidade e são muito heterogêneos Ocorrência localizada, em pé de encostas ou provenientes de escorregamentos Apresentam boa resistência, porém elevada permeabilidade Colúvio: material predominantemente fino (Serra do Mar e planalto brasileiro) Tálus: material predominantemente grosseiro (sul da Bahia e Salvador) 21

Classificação quanto à origem Solos transportados ou sedimentares: Solos aluvionares Origem pluvial ou fluvial Fonte de materiais de construção, mas péssimos como fundação 22

Classificação quanto à origem Solos transportados ou sedimentares: Solos eólicos O vento é o agente de transporte Os grãos tendem a ser arredondados e uniformes Dunas: norte brasileiro Loess: depósitos eólicos formados a grandes distâncias Areias finas e siltes Solos glaciais (geleiras) Regiões temperadas e altitudes elevadas São os solos formados pelas geleiras ao se deslocarem pela ação da gravidade 23

Classificação quanto à origem Solos orgânicos Possuem alto teor de matéria orgânica em decomposição e apresentam coloração escura Turfa (solos com alto teor orgânico) Solos de evolução pedogenética São solos, que após o processo de formação, são alterados por processos físico-químicos, como lixiviação, laterização, cimentação, etc. Ex.: solos lateríticos (solos vermelhos de zonas úmidas e quentes, compostos por hidróxido de alumínio e ferro) 24

Tamanho das partículas A primeira característica que diferencia os solos é o tamanho das partículas que os compõem Fração Matacão Pedra Pedregulho Areia Grossa Areia Média Areia Fina Silte Argila Limites pela ABNT 25cm - 1m 7,6cm - 25cm 4,8mm - 7,6cm 2,0mm - 4,8mm 0,42mm - 2,0mm 0,05mm - 0,42mm 0,005mm - 0,05mm inferior a 0,005mm 25

Tamanho das partículas 26

Fases físicas dos solos Os solos são constituídos por um conjunto de partículas com água (ou outro líquido) e ar nos espaços intermediários Sólidos Água Ar 27

Fases físicas dos solos As fases líquida e gasosa estão sob diferentes pressões. As diferença entre as pressões é denominada tensão de sucção (ou somente sucção) e é responsável por diversos fenômenos referentes ao comportamento mecânico dos solos (solos não-saturados). 28

Constituição mineralógica Os minerais encontrados no solo são basicamente os mesmos que constituem a rocha matriz. Podem ser divididos em: a) Fração grossa: - Silicatos (quartzo, feldspato, mica, clorita, etc) - Óxidos (hematita, magnetita, limonita) - Carbonatos (calcita, dolomita) - Sufatos (gesso, anidrita) b) Fração fina: - Com composição mais complexa, destacam a sílica (SiO 2 ) e os sesquióxidos metálicos. Principais grupos argílicos: Caulinitas, ilitas e montmorilonitas 29

Constituição mineralógica b) Fração fina Os argilominerais são formados pela combinação de diferentes estruturas atômicas. Composição química: O O Si O Tetraedros justapostos em planos à base de óxidos de silício (SiO 2 ) O 30

Constituição mineralógica b) Fração fina Os argilominerais são formados pela combinação de diferentes estruturas atômicas. Composição química: O O O Al O O O Octaedros formados por átomos de oxigênio e hidroxilas 31

Constituição mineralógica i) Caulinitas Minerais formados pela associação de uma camada tetraédrica e uma camada octaédrica (1:1). A ligação entre as estruturas é feita pelo hidrogênio, que é uma ligação forte. 32

Constituição mineralógica i) Caulinitas Essa ligação forte impede a separação das estruturas, bem como a entrada de moléculas de água. 33

Constituição mineralógica ii) Ilitas Minerais formados pela associação de uma camada octaédrica entre duas tetraédricas (2:1). A ligação dos minerais é feita por íons de potássio (K), que são ligações firmes. 34

Constituição mineralógica iii) Montmorilonitas Também são argilominerais 2:1, em que a ligação entre os minerais é feita por diversos cátions (Ca ++, Na + ), que promovem ligações fracas e não impedem a entrada ou saída de moléculas de água nas ligações. Os cátions são facilmente trocáveis pela percolação de soluções químicas. 35

Constituição mineralógica O tipo de cátion presente numa argila condiciona a sua estabilidade, o que condiciona seu comportamento Superfície específica: Caulinitas: 10 m²/g Ilitas: 80 m²/g Montmorilonitas: 800 m²/g 36

Forma das partículas Arredondadas: predominam nos pedregulhos, areias e siltes; Lamelares: formas de placas, que predominam nas argilas e micas; Fibrilares: característica de solos altamente orgânicos (turfas). 37

Estrutura dos solos argilosos Quando duas partículas de argilominerais estão próximas surgem forças de atração e/ou de repulsão. A combinação destas forças, bem como do líquido circundante, irá determinar a forma de contato entre as diversas partículas de argila, resultando em diferentes estruturas para os solos finos. 38

Estrutura dos solos argilosos Estrutura floculada: predominam as ligações borda-face. Floculado em sal. Floculado sem sal. 39

Estrutura dos solos argilosos Estrutura dispersa: predominam as ligações faceface. 40

Identificação dos solos por meio de ensaios Análise Granulométrica Índices de Consistência 41

Análise Granulométrica É o estudo da distribuição do tamanho dos vários grãos que constituem o solo De acordo com o tamanho dos grãos, cada faixa recebe uma designação arbitrada O limite entre as faixas varia de acordo com a escala granulométrica utilizada Fração Matacão Pedra Pedregulho Areia Grossa Areia Média Areia Fina Silte Argila Limites pela ABNT 25cm - 1m 7,6cm - 25cm 4,8mm - 7,6cm 2,0mm - 4,8mm 0,42mm - 2,0mm 0,05mm - 0,42mm 0,005mm - 0,05mm inferior a 0,005mm 42

Análise Granulométrica O ensaio de granulometria é feito em duas partes a) Por peneiramento Utiliza-se uma série de peneiras com aberturas de malha variadas; Identifica-se a distribuição da fração grossa (areia fina acima); A peneira mais fina utilizada é a # 200 (0,075mm); O que passa na # 200 é classificado como solo fino / fração fina (silte e/ou argila) 43

Análise Granulométrica a) Por peneiramento 44

Análise Granulométrica O ensaio de granulometria é feito em duas partes b) Por sedimentação A fração fina é misturada em água com a presença de um produto defloculante Essa mistura é agitada bastante e depois é colocada em repouso, permitindo a decantação das partículas finas Baseado na Lei de Stokes e com o auxílio de um densímetro, são calculados os diâmetros equivalentes das partículas A densidade é medida periodicamente 45

Análise Granulométrica b) Por sedimentação Lei de Stokes: a velocidade de queda de partículas esféricas num fluido atinge um valor limite que depende do peso específico do material da esfera (γ s ), do peso específico do fluido (γ w ), da viscosidade do fluido (μ), e do diâmetro da esfera (D), conforme a expressão: v s w 18 D 2 46

Análise Granulométrica b) Por sedimentação esquema do ensaio 47

Análise Granulométrica 48

Análise Granulométrica Fatores que condicionam a curva granulométrica: a) Procedimento de secagem; b) Destorroamento; c) Tipo de defloculante usado no ensaio. - Ex.: argila porosa de Brasília Defloculante % de argila Hexametafosfato de sódio 60 80 Sem defloculante 5-30 49

Análise Granulométrica 50

Índices de consistência (Limites de Atterberg) Só a distribuição granulométrica não caracteriza bem o comportamento dos solos sob o ponto de vista da Engenharia A fração fina dos solos tem uma importância muito grande nesse comportamento O tipo de argilomineral presente ditará o comportamento do solo fino A análise do mineral argila é muito complexa De forma indireta, estuda-se o comportamento do solo na presença de água 51

Índices de consistência (Limites de Atterberg) São empregados os ensaios de Atterberg, padronizados por Arthur Casagrande Os limites baseiam-se na constatação de que um solo argiloso ocorre com aspectos bem distintos conforme o seu teor de umidade São os teores de umidade que delimitam as fronteiras entre os diversos estados de consistência que um solo fino pode apresentar. 52

Índices de consistência (Limites de Atterberg) LC LP LL Teor de umidade Estado sólido Semi-sólido plástico Líquido ou viscoso Índice de Plasticidade IP = LL LP Solo não-plástico (NP) = não se consegue medir LL ou LP 1 IP 7 = solo fracamente plástico 1 < IP 7 = solo medianamente plástico IP > 15 = solo altamente plástico 53

Índices de consistência (Limites de Atterberg) Plasticidade: Propriedade de certos sólidos serem moldados sem variação de volume Nas argilas esta característica vem de forma lamelar das partículas, que permite um deslocamento relativo sem variação de volume O movimento relativo das partículas só é possível desde que a água intersticial possa funcionar como lubrificante 54

Índices de consistência (Limites de Atterberg) Limite de Liquidez (LL ou w L ) Teor de umidade que separa o estado plástico do estado viscoso e que lhe confere comportamento líquido Emprego do aparelho de Casagrande 55

Teor de umidade (%) Índices de consistência (Limites de Atterberg) Limite de Liquidez (LL ou w L ) O LL é definido como o teor de umidade para o qual o sulco (de 1 cm de altura) é fechado com 25 golpes Antes do ensaio LL Depois do ensaio 25 Nº de golpes escala log 56

Índices de consistência (Limites de Atterberg) Limite de Plasticidade (LP ou w P ) Teor de umidade no qual o solo começa a se fraturar quando se tenta moldar um cilindro É determinado em laboratório pela moldagem de um cilindro de solo com D = 3mm e L = 10 cm LP é teor de umidade em que se consegue moldar esse cilindro e que começam a aparecer fissuras 57

Índices de consistência (Limites de Atterberg) Limite de Plasticidade (LP ou w P ) 58

Índices de consistência (Limites de Atterberg) Limite de Plasticidade (LP ou w P ) 59

Índices de consistência (Limites de Atterberg) Limite de Contração (LC ou w C ) No estado semi-sólido há uma redução do volume com a diminuição do teor de umidade LC: é o teor de umidade abaixo do qual deixa de haver redução do volume do solo com a secagem 60

Índices de consistência (Limites de Atterberg) Limite de Contração (LC ou w C ) 61

Atividade das argilas Há solos que, mesmo com baixo teor de finos (10 a 20%), apresentam comportamentos típicos da fração argila Isto ocorre porque a fração argila é ativa A medida desse fenômeno é dado pelo Índice de Atividade (I A ): IP I A % 0, 002 mm I A 0,75 fração argilosa inativa 0,75 < I A < 1,25 fração argilosa normal I A 1,25 fração argilosa ativa 62

Emprego dos Índices de Consistência Classificação de solos Previsão de comportamento Estimativa de parâmetros de projeto 63