Lição 11 Sábado, de Março de 2014 A Conquista de Jericó Então disse o Senhor a Josué: Olha, tenho dado na tua mão a Jericó, ao seu rei e aos seus homens valorosos (Josué 6:2). [Jericó era] um baluarte pagão, o centro do culto de Astarote, a mais vil e degradante de todas as formas cananeias de idolatria. Profetas e reis, p. 229. Estudo adicionalpatriarcas e profetas, p. 487 493. A Queda de Jericó Os hebreus tinham entrado em Canaã, mas não a haviam sujeitado; e quanto às aparências humanas, a luta para obterem posse da terra deveria ser longa e difícil. Era habitada por uma raça poderosa, que se encontrava pronta para opor-se à invasão de seu território. As várias tribos se achavam coligadas pelo receio de um perigo comum. Seus cavalos e férreos carros de batalha, seu conhecimento do território, e seu adestramento na guerra dar-lhes-iam grande vantagem. Além disso, o território era guardado por fortalezas - "cidades grandes, e muradas até aos céus". Deut. 9:1. Unicamente na certeza de uma força que não lhes era própria, poderiam os israelitas esperar êxito no conflito que estava iminente.
Uma das mais poderosas fortalezas da Terra - a grande e rica cidade de Jericó - encontrava-se precisamente diante deles, a pouca distância apenas de seu acampamento em Gilgal. Nas bordas de uma planície fértil, abundante de ricas e variadas produções tropicais, com seus palácios e templos como habitação de luxo e do vício, apresentava esta orgulhosa cidade, por trás de suas sólidas muralhas, desafio ao Deus de Israel. Jericó era uma das principais sedes do culto idólatra, sendo dedicada especialmente a Astarote, a deusa da Lua. Ali se centralizava tudo que era mais vil e degradante na religião dos cananeus. O povo de Israel, em cuja mente se achavam frescas as lembranças dos resultados terríveis de seu pecado em Bete-Peor, apenas poderia olhar para esta cidade gentílica com repugnância e horror. Submeter Jericó era considerado por Josué o primeiro passo na conquista de Canaã. Mas antes de tudo procurou certeza de guia divina; e esta lhe foi concedida. Retirando-se do acampamento a fim de meditar e orar para que o Deus de Israel fosse adiante de Seu povo, viu um guerreiro armado, de grande estatura e presença imponente, "que tinha na mão uma espada nua." À intimação de Josué: "És tu dos nossos, ou dos nossos inimigos?" deu-se esta resposta: "Venho agora como Príncipe do Senhor." A mesma ordem dada a Moisés em Horebe: "Descalça os sapatos de teus pés, porque o lugar em que estás é santo" (Jos. 5:13-15.), revelou o verdadeiro caráter do estranho misterioso. Era Cristo, o exaltado Ser, que estava em pé diante do chefe de Israel. Tomado de assombro Josué caiu sobre seu rosto e adorou; e ouviu esta segurança: "Tenho dado na tua mão a Jericó e ao seu rei, os seus valentes e valorosos" (Jos. 6:2); e recebeu instruções para a tomada da cidade. Em obediência à ordem divina Josué arregimentou os exércitos de Israel. Nenhum assalto se deveria fazer. Apenas deviam fazer o circuito da cidade, levando a arca de Deus, e tocando trombetas. Em primeiro lugar iam os guerreiros, uma corporação de homens escolhidos, não para fazer agora a conquista pela sua própria habilidade e proeza, mas pela obediência às orientações a eles dadas por Deus. Seguiam-se sete sacerdotes com trombetas. Então a arca de Deus, rodeada de uma auréola de glória divina, era levada pelos sacerdotes vestidos nos trajes que denotavam seu sagrado ofício. Seguia-se o exército de Israel, estando cada tribo sob a sua bandeira. Tal foi o cortejo que circundou a cidade condenada. Nenhum som se ouvia a não ser o tropel daquela grande hoste e o estrondo solene das trombetas, ecoando pelas colinas, e ressoando através das ruas de Jericó. Concluído o circuito, o exército voltou em silêncio às suas tendas, e a arca foi de novo posta em seu lugar no tabernáculo. Admiradas e alarmadas, as sentinelas da cidade notavam cada movimento, e o referiam às autoridades. Não sabiam a significação de toda esta manifestação; mas, quando viram aquela potente hoste a marchar em redor de sua cidade uma vez em cada dia, juntamente com a arca sagrada e os sacerdotes assistentes, o mistério da cena aterrorizou o coração de sacerdotes e povo. De novo inspecionaram suas fortes defesas, sentindo-se certos de que poderiam com êxito resistir ao mais poderoso ataque. Muitos punham a ridículo a idéia de que qualquer mal lhes pudesse advir por meio daquelas singulares demonstrações. Outros estavam aterrados contemplando o séquito que cada
dia volteava a cidade. Lembravam-se de que o Mar Vermelho uma vez se abrira perante este povo, e que acabava de se lhes abrir uma passagem pelo rio Jordão. Não sabiam que mais prodígios Deus poderia operar por eles. Durante seis dias, a hoste de Israel fez o circuito da cidade. Veio o sétimo dia, e com o primeiro alvor da manhã, Josué arregimentou os exércitos do Senhor. Determinou-se-lhes agora marchar sete vezes em redor de Jericó, e a um forte estrondo das trombetas dar uma aclamação em alta voz, pois Deus lhes havia entregue a cidade. O vasto exército marchou solenemente em redor das condenadas muralhas. Tudo estava em silêncio - apenas o passo cadenciado de muitos pés, e o som ocasional da trombeta, rompiam a quietude das primeiras horas da manhã. Os sólidos muros de pedra maciça pareciam desafiar o cerco dos homens. Os vigias sobre os muros olhavam com temor crescente, quando, ao terminar o primeiro circuito, seguiu-se um segundo, então um terceiro, quarto, quinto, sexto. Qual poderia ser o objetivo desses movimentos misteriosos? Que grande acontecimento se achava iminente? Não tiveram muito tempo a esperar. Completando-se a sétima volta, deteve-se a longa procissão. As trombetas, que durante um intervalo estiveram silenciosas, prorrompem agora em um som que sacode a própria terra. As muralhas de pedra sólida, com suas torres e seteiras maciças, cambaleiam e levantam-se de seus fundamentos, e com fragor caem em ruínas por terra. Os habitantes de Jericó ficam paralisados de terror, e as hostes de Israel entram e tomam posse da cidade. Os israelitas não haviam ganho a vitória pela sua própria força; a conquista fora inteiramente do Senhor; e, como as primícias da terra, a cidade, com tudo que continha, deveria ser votada como sacrifício a Deus. Israel devia impressionar-se com o fato de que na conquista de Canaã não deveriam combater por si mesmos, mas simplesmente como instrumentos para executarem a vontade de Deus; não para buscarem riquezas ou exaltação própria, mas a glória de Jeová, o seu Rei. Antes da tomada havia sido dada esta ordem: "A cidade será anátema ao Senhor, ela e tudo quanto houver nela". "Guardai-vos do anátema, para que vos não metais em anátema... e assim façais maldito o arraial de Israel, e o turbeis." Jos. 6:17 e 18. Todos os habitantes da cidade, com todo o ser vivo que nela se continha, "desde o homem até à mulher, desde o menino até ao velho, e até ao boi e gado miúdo, e ao jumento", passaram ao fio da espada. Apenas a fiel Raabe, com sua casa, foi poupada, em cumprimento da promessa dos espias. A cidade foi queimada; seus palácios e templos, suas magnificentes moradas com todos os seus luxuosos pertences, ricas cortinas e custosos vestuários, foram entregues às chamas. Aquilo que não pôde ser destruído pelo fogo, "a prata, e o ouro, e os vasos de metal, e de ferro", foi dedicado ao serviço do tabernáculo. O próprio local da cidade foi maldito; Jericó nunca deveria ser reconstruída como fortaleza; ameaçaram-se juízos sobre qualquer que pretendesse restabelecer os muros que o poder divino havia derribado. Esta solene declaração foi feita na presença de todo o Israel: "Maldito diante do Senhor seja o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó;
perdendo o seu primogênito a fundará, e sobre seu filho mais novo lhe porá as portas." Jos. 6:21, 24 e 26. A destruição total do povo de Jericó não era senão um cumprimento das ordens previamente dadas por intermédio de Moisés, concernentes aos habitantes de Canaã: "Quando... o Senhor Deus as tiver dado diante de ti, para as ferir, totalmente as destruirás." "Das cidades destas nações... nenhuma coisa que tem fôlego deixarás com vida." Deut. 7:2; 20:16. Para muitos estas ordens parecem ser contrárias ao espírito de amor e misericórdia estipulado em outras partes da Bíblia; mas eram na verdade os ditames da sabedoria e bondade infinitas. Deus estava para estabelecer Israel em Canaã, desenvolver entre eles uma nação e governo que fossem uma manifestação de Seu reino na Terra. Não somente deveriam ser os herdeiros da verdadeira religião, mas deveriam disseminar seus princípios por todo o mundo. Os cananeus haviamse entregado ao mais detestável e aviltante paganismo; e era necessário que a terra fosse limpa daquilo que de maneira tão certa impediria o cumprimento dos graciosos propósitos de Deus. Aos habitantes de Canaã havia sido concedida ampla oportunidade para o arrependimento. Quarenta anos antes, a abertura do Mar Vermelho e os juízos sobre o Egito haviam testificado do poder supremo do Deus de Israel. E agora a destruição dos reis de Midiã, de Gileade e Basã, tinha ainda mostrado que Jeová era superior a todos os deuses. A santidade de Seu caráter e Sua aversão à impureza haviam sido demonstradas nos juízos que recaíram sobre Israel pela sua participação nos ritos abomináveis de Baal-Peor. Todos estes fatos eram conhecidos dos habitantes de Jericó, e muitos havia que participavam da convicção de Raabe, embora se recusassem a obedecer à mesma, convicção esta de que o Deus de Israel "é Deus em cima nos Céus e embaixo na Terra". Semelhantes aos homens antediluvianos, os cananeus apenas viviam para blasfemar do Céu e contaminar a Terra. E tanto o amor como a justiça exigiam a imediata execução destes rebeldes a Deus, e adversários do homem. Quão facilmente os exércitos do Céu derribaram os muros de Jericó, daquela cidade orgulhosa, cujos baluartes, quarenta anos antes, tinham lançado pânico aos espias incrédulos! O Poderoso de Israel havia dito: "Tenho dado na tua mão a Jericó." Contra aquela palavra, a força humana era impotente. "Pela fé caíram os muros de Jericó." Heb. 11:30. O Capitão do exército do Senhor comunicou-se apenas com Josué; Ele não Se revelou a toda a congregação, e tocava a esta crer nas palavras de Josué ou duvidar das mesmas, obedecer às ordens por ele dadas em nome do Senhor, ou negar-lhe a autoridade. Não podiam ver a hoste de anjos que os acompanhava sob a chefia do Filho de Deus. Poderiam ter raciocinado: "Que movimentos sem significação são esses, e quão ridícula é a realização de uma marcha diária em torno dos muros da cidade, tocando trombetas de chifres de carneiro! Isto não pode ter efeito algum sobre aquelas proeminentes fortificações." Mas o próprio plano de continuar esta cerimônia durante tanto tempo antes da subversão final dos muros, proporcionou oportunidade para o desenvolvimento da fé entre os israelitas. Deveriam impressionar-se com o fato de que sua força não estava na
sabedoria do homem, nem em seu poder, mas unicamente no Deus de sua salvação. Deviam assim acostumar-se a depositar inteira confiança em seu divino Líder. Deus fará grandes coisas por aqueles que nele confiam. A razão pela qual Seu povo professo não tem maior força, é que confiam tanto em sua própria sabedoria, e não dão ao Senhor oportunidade para revelar Seu poder em favor deles. Ele auxiliará os Seus filhos crentes em toda a emergência, se nele puserem toda a confiança, e fielmente Lhe obedecerem. Logo depois da queda de Jericó, Josué decidiu atacar Ai, pequena cidade entre barrancos a poucos quilômetros ao oeste do vale do Jordão. Espias enviados àquele lugar trouxeram a notícia de que poucos eram os habitantes, e que unicamente uma pequena força seria necessária para vencê-la. A grande vitória que Deus lhes havia ganho, tornara os israelitas confiantes em si mesmos. Porque Ele lhes tivesse prometido a terra de Canaã, achavamse livres de perigo, e deixaram de compenetrar-se de que só o auxílio divino lhes poderia dar êxito. Mesmo Josué fez seus planos para a conquista de Ai, sem procurar conselho da parte de Deus. Os israelitas tinham começado a exaltar sua própria força, e a olhar com desdém para os seus adversários. Esperava-se uma vitória fácil, e acharam-se suficientes três mil homens para tomarem o lugar. Arremessaram-se ao ataque sem a segurança de que Deus estaria com eles. Avançaram quase até às portas da cidade, apenas para encontrarem a mais decidida resistência. Tomados de pânico ante o número e completo preparo de seus inimigos, fugiram em confusão pela escarpada descida abaixo. Os cananeus puseram-se em feroz perseguição; "seguiram-nos desde a porta.... e feriram-nos na descida". Posto que a perda fosse pequena quanto ao número, tendo sido mortos apenas trinta e seis homens, foi a derrota desanimadora para toda a congregação. "O coração do povo se derreteu e se tornou como água." Esta foi a primeira vez que se defrontaram com os cananeus em combate efetivo; e, se foram postos em fuga diante dos defensores desta pequena cidade, qual seria o resultado nos maiores conflitos que se achavam perante eles? Josué encarou o mau êxito como expressão do desagrado de Deus, e, angustiosamente, apreensivamente, "rasgou os seus vestidos, e se prostrou em terra sobre o seu rosto perante a arca do Senhor até a tarde, ele e os anciãos de Israel, e deitaram pó sobre as suas cabeças". www.igrejavilamatilde.com.br