MEDIDA CAUTELAR INOMINADA Nº 0003432-37.2014.8.19.0000 Requerente: AVON INDUSTRIAL LTDA. Requerido: COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO D E C I S Ã O AVON INDUSTRIAL LTDA, através da presente medida cautelar, após discorrer sobre os fatos em discussão no processo n. 0069790-20.2010.8.19.0000, que tramitou na 13ª Câmara Cível, inconformada com o acórdão, que deu parcial provimento ao recurso, ingressou com a presente ação cautelar objetivando atribuir efeito suspensivo aos recursos, especial e extraordinário, interpostos. Convém esclarecer, em primeiro lugar, que a pretensão cautelar visando à atribuição de efeito suspensivo a recurso de natureza excepcional, pendente de juízo de 1
admissibilidade na origem, nada obstante processada em autos em apartado, possui natureza jurídico-processual de um mero incidente (e não de uma ação), que, portanto, se esgota no seu deferimento ou em sua rejeição. Nesse contexto, não há se falar em autonomia desse expediente processual, tampouco em honorários de sucumbência ou em necessidade de citação da parte requerida (a quem assiste o direito de apresentar seu inconformismo pelas vias judiciais ou recursais cabíveis). Neste sentido, r. decisão monocrática proferida nos autos da Medida Cautelar n. 14.799/SP, Rel. Min. Massami Uyeda, DJe 15.10.2008, de onde se destaca a seguinte passagem:... Por essa razão, não há falar em autonomia desse expediente processual, tampouco em honorários de sucumbência ou em necessidade de citação da parte requerida (a quem assiste o direito de apresentar seu inconformismo pelas vias judiciais ou recursais cabíveis). Nesse sentido, confira-se: "PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL - REQUISITOS E NATUREZA JURÍDICA. - Exige-se dos pedidos para atribuição de efeito suspensivo um mínimo de aparência de bom direito (fumus boni iuris) e perigo na demora (periculum in mora), que estão, direta e simultaneamente, ligados à possibilidade de 2
êxito do recurso especial e à necessidade de urgência da prestação recursal. - O pedido de efeito suspensivo ao recurso especial não possui natureza jurídica própria de ação cautelar autônoma, tratando-se de incidente, que se exaure com o acolhimento ou rejeição do pedido (sujeito a recurso), dispensando a necessidade de citação e, em conseqüência, de condenação honorária." (AgRg na MC 11282/SP, 3ª Turma, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ 05/06/2006). "PROCESSUAL CIVIL. MEDIDA CAUTELAR. PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO OU DE ANTECIPAÇÃO DA TUTELA RECURSAL EM RECURSO ESPECIAL JÁ ADMITIDO. NATUREZA DA MEDIDA. REQUISITOS. EFEITOS. 1. A 'medida cautelar' destinada a obter efeito suspensivo ou antecipação de tutela em recurso especial não tem natureza de ação cautelar autônoma e sim de incidente processual. Como tal está disciplinada no Regimento Interno do STJ (art. 288), que autoriza o relator a decidi-la individualmente ou a submetê-la à apreciação do órgão colegiado (RI, art. 288, 2º). Precedentes do STJ e do STF. 2. Para o deferimento da medida é indispensável a presença cumulativa dos requisitos (a) da verossimilhança do direito (= probabilidade de êxito do recurso especial) e (b) do risco de dano grave e irreparável ao direito afirmado, proveniente da demora do julgamento. Em se tratando de medida que visa a antecipar a tutela recursal, os efeitos antecipáveis não podem ser mais amplos ou diferentes dos que decorrem do futuro provimento do próprio recurso." (AgRg na MC 11.496/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 28/09/2006). No mesmo sentido, colhem-se do STJ: EREsp 677.196/RJ, Corte Especial, 3
Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, DJ 18/02/2008; EDcl na MC 7.531/MT, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 21/06/2004; MC 005770/SP, Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca, DJ 13/11/2002. E, do STF: AC 1975 MC/RS, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 14/03/2008; Pet-AgR-QO 1886/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 31/03/2006; AC 1967 MC/RJ, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJ 10/03/2008; AGRPET, 1ª Turma, Rel. Min. Moreira Alves, DJ de 29.05.98) - (Grifos nossos). Em segundo lugar, a pretensão cautelar formulada só se apresenta admissível em situações de comprovada excepcionalidade e, sobretudo, diante da possibilidade de êxito do recurso ao qual se pretende atribuir o efeito suspensivo, mesmo que sob perfunctória análise. Além disso, faz-se necessária a demonstração da urgência da prestação jurisdicional e a plausibilidade jurídica da pretensão. Precedentes do STJ: EDcl no AgRg na MC 9129/SP, Relator Ministro Gilson Dipp, Quinta Turma, DJ de 28.03.2005; AgRg no AgRg na MC 5147/SP, Relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ de 14.03.2005; AgRg na MC 8480/SC, Relator Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ de 28.02.2005; AgRg na MC 7635/SP, Relator Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ de 21.06.2004. 4
No caso concreto, os pressupostos da medida cautelar se encontram presentes, pois restou incontroverso que a recorrente cumpriu as determinações advindas da Resolução 211/05, emanada da ANVISA, órgão competente para fiscalizar a matéria, tendo o acórdão inovado ao determinar que a requerente imprima informações sobre o prazo de validade dos produtos nas embalagens primárias. A determinação constante no acórdão altera todo o processo de produção da empresa requerente, sendo certo que o prazo fixado se afigura exíguo, o que evidencia o pressuposto do perigo da demora. Por outro ângulo, considerando que a requerente cumpre a Resolução 211/05, emanada do órgão competente, afigura-se presente a fumaça do bom direito, não sendo possível inferir descumprimento ao dever de informação estabelecido pelo CDC. No entanto, em relação ao recurso extraordinário, não vislumbra esta Terceira Vice-Presidência matéria de fundo constitucional a ser apreciada, motivo pelo qual a presente liminar se restringe ao recurso especial. 5
À conta de tais fundamentos, DEFIRO o pedido para atribuir EFEITO SUSPENSIVO ao recurso especial interposto. presente decisão. Oficie-se à 13ª Câmara Cível comunicando a Publique-se e intimem-se. Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2014. Desembargadora NILZA BITAR Terceira Vice-Presidente 6