Recomendação IRAR n.º 03/2008

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Transcrição:

Recomendação IRAR n.º 03/2008 CONTROLO DA QUALIDADE DA ÁGUA DESTINADA AO CONSUMO HUMANO NOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PARTICULAR Considerando que: Ao abrigo do n.º 1 do artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 243/2001, de 5 de Setembro, foi o IRAR investido como a autoridade competente para a qualidade da água destinada ao consumo humano, situação que se mantém no artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 306/2007, de 27 de Agosto. O IRAR, enquanto autoridade competente, procura apoiar as entidades gestoras na melhoria do seu desempenho, no sentido de garantir a qualidade da água distribuída por qualquer sistema de abastecimento particular. Para cumprimento do disposto no Decreto-Lei n.º 306/2007, de 27 de Agosto, é considerada como entidade gestora de sistema de abastecimento particular a entidade responsável pela exploração e gestão de sistemas de abastecimento de água destinada ao consumo humano para fins privativos, ou seja, quando a água é fornecida no âmbito de uma actividade privada, de natureza comercial, industrial ou de serviços, recordando-se para o efeito a definição de «Água destinada ao consumo humano» disposta na alínea b) do artigo 2.º do decreto-lei. O Decreto-Lei n.º 306/2007, de 27 de Agosto, institui algumas especificidades aos sistemas de abastecimento particular, nomeadamente a não obrigação de submeter o programa de controlo da qualidade da água para consumo humano (PCQA) à aprovação da autoridade competente. A experiência decorrente da actividade do IRAR mostra a necessidade de clarificar a interpretação de alguns requisitos legais, de forma a apoiar todos os responsáveis (entidades gestoras de sistemas de abastecimento particular, autoridades de saúde e entidades de fiscalização, de certificação ou de licenciamento) na aplicação do diploma aos sistemas de abastecimento particular. O Instituto Regulador de Águas e Resíduos entende formular a seguinte Recomendação relativa ao controlo da qualidade da água destinada ao consumo humano dirigida às entidades gestoras responsáveis pelos sistemas de abastecimento particular: 1. Sobre o objectivo Este documento pretende dar apoio às entidades gestoras de sistemas de abastecimento particular na interpretação do Decreto-Lei n.º 306/2007, de 27 de Agosto, que entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2008. Para cumprimento dos requisitos legais dispostos no diploma legal deverá ser efectuada a verificação da qualidade da água destinada ao consumo humano, nos pontos de utilização, através de controlos analíticos periódicos definidos num PCQA.

2. Sobre o âmbito de aplicação O presente documento define algumas orientações sobre a elaboração e a implementação do PCQA para consumo humano em sistemas de abastecimento particular, no âmbito de uma actividade privada de natureza comercial, industrial ou de serviços. O seu âmbito será assim constituído por hotéis, restaurantes, cafés, cantinas, escolas, pontos de venda a retalho, instalações industriais, indústria alimentar, etc. A entidade gestora de um sistema de abastecimento de água para consumo humano para fins privativos, isto é, de um sistema de abastecimento particular que possui uma ou mais captações próprias de água destinada ao consumo humano, deve cumprir com o disposto no Decreto-Lei n.º 306/2007, de 27 de Agosto. Estão isentas da aplicação do decreto-lei as seguintes situações: sistemas de abastecimento particular que utilizam exclusivamente água adquirida a uma entidade gestora de um sistema de abastecimento público de água para consumo humano (rede pública), sem prejuízo do controlo analítico que poderão ter que fazer no âmbito de um programa de segurança alimentar; sistemas de abastecimento particular afectos a actividades descritas na Lista de utilizações da água nas indústrias alimentares, em que a salubridade do produto final não é afectada pela qualidade da água utilizada definida pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE). 3. Sobre a elaboração do PCQA De acordo com o exposto no número 6 do artigo 15.º do novo diploma, a entidade gestora de um sistema de abastecimento particular não fica obrigada a submeter anualmente o PCQA à aprovação da autoridade competente, sem prejuízo do cumprimento das restantes obrigações do decreto-lei. Apesar do atrás referido, a entidade gestora deve elaborar e implementar um programa de acordo com os requisitos da lei. Para este efeito, a entidade gestora particular deverá preparar e manter actualizados os registos com a seguinte informação: 3.1. Identificação e descrição das origens de água utilizadas e do processo de tratamento aplicado à água. 3.2. Planta do sistema de abastecimento instalado, assinalando os pontos de utilização da água, como por exemplo as torneiras utilizadas para beber, para a preparação de alimentos e para a higiene pessoal e outros pontos de utilização no processo industrial alimentar. No caso de um abastecimento misto (água de rede pública e captação própria), deverão estar bem identificados os dois tipos de sistemas utilizados, os pontos de água e o tipo de utilização. 3.3. Volume médio diário de água produzida, calculado como médias durante um ano civil, sendo o número de consumidores calculado no pressuposto de uma capitação de 200 l/hab/dia. 3.4. Frequência mínima de amostragem estabelecida por grupo de parâmetros a controlar, controlo de rotina 1 (CR1), controlo de rotina 2 (CR2) e controlo de inspecção (CI), em função do volume de água produzido (m 3 por dia). Nos casos 2

em que o volume médio diário seja superior a 100 m 3, o número de CR1 é calculado em função do número de consumidores (12 CR1 por cada 5.000 consumidores). Nas situações em que não é possível quantificar o número de consumidores deve-se utilizar a capitação de 200 l/hab/dia. Como exemplo: uma entidade gestora que produza um volume de água inferior a 100 m 3 /dia (generalidade dos abastecimentos particulares) deverá realizar durante um ano civil seis CR1, dois CR2 e um CI. 3.5. Cronograma de amostragem com indicação das datas de colheita e locais de colheita (torneiras ou pontos de utilização). A programação das colheitas deve ter em conta uma distribuição equitativa no tempo e no espaço (contemplando, rotativamente, todos os pontos de utilização da água). Por exemplo, para seis CR1, dois CR2 e um CI, a distribuição equitativa no tempo será garantida realizando um CR1 de dois em dois meses, um CR2 de seis em seis meses e um CI anual. Salienta-se que a realização dos ensaios aos parâmetros correspondentes ao controlo de inspecção implica, em simultâneo (na mesma amostra), a realização dos parâmetros do controlo de rotina 2 e do controlo de rotina 1 e, identicamente, o controlo de rotina 2 implica a realização do controlo de rotina 1. Assim, qualquer lacuna, seja da responsabilidade da entidade gestora ou do laboratório, que origine a falta de realização de um ou mais parâmetros de um grupo, implica a repetição (na mesma amostra) de todos os parâmetros correspondentes aos grupos em questão. 3.6. Identificação do laboratório responsável pela colheita das amostras e pelo controlo analítico, devendo ser seleccionado a partir da lista de laboratórios considerados aptos pela autoridade competente para o efeito, conforme a informação disponibilizada em www.irar.pt. 3.7. Definição dos grupos de parâmetros CR1, CR2 e CI, em função do estipulado no Anexo I do Decreto-Lei n.º 306/2007, de 27 de Agosto. Com efeito, deverão ser analisados todos os parâmetros constantes do Quadro B1 do Anexo II tendo em conta as notas referidas no diploma. Especificam-se algumas das notas mais relevantes: Os parâmetros alumínio e ferro integram o CR2. No entanto, caso não sejam utilizados sais de ferro ou de alumínio como agente floculante no tratamento da água, estes parâmetros podem ser analisados no CI (Nota 1 do Quadro A). O parâmetro Clostridium perfringens faz parte do CR2, tal como indicado nos Quadros A e B1 do Anexo II do mesmo diploma. No entanto, nos casos em que a origem de água não seja superficial ou por ela influenciada, este parâmetro pode ser analisado no CI (Nota 2 do Quadro A). O parâmetro nitritos faz parte do CR2. No entanto, no caso em que o processo de desinfecção não inclua a cloraminação (utilização em simultâneo de amónia e cloro), este parâmetro faz parte do CI (Nota 3 do Quadro A). Os pesticidas a pesquisar devem ser os publicados na lista da Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural actualizada anualmente e divulgada no sítio do IRAR, ou de acordo com um eventual pedido de dispensa aprovado pelo IRAR (artigo 12.º). 3

O parâmetro carbono orgânico total não é obrigatório para abastecimentos com volumes médios diários inferiores a 10.000 m 3. O cumprimento dos valores paramétricos dos parâmetros cloreto de vinilo, epicloridrina e acrilamida deve ser avaliado em função da especificação técnica dos produtos utilizados com estes monómeros (Nota 1 da Parte II do Anexo I), não sendo obrigatório o seu controlo na água. O parâmetro Microcistinas-LR total apenas deve ser controlado na água tratada no âmbito de um programa de controlo operacional (não do PCQA) e quando a entidade gestora utiliza uma origem de água superficial eutrofizada. Os parâmetros radiológicos (α-total, β-total, Trítio e Dose indicativa total) não estão incluídos no Quadro B1 porque não são obrigatórios, devendo a entidade gestora avaliar a necessidade da pesquisa destes parâmetros, uma vez que o Comité de Acompanhamento da Directiva 98/83/CE, do Conselho de 3 de Novembro, ainda não produziu orientações sobre os métodos analíticos, a frequência de amostragem e a selecção dos pontos de amostragem. 4. Sobre a implementação do PCQA A entidade gestora deve implementar o PCQA elaborado para o ano civil em questão, de acordo com os requisitos especificados no diploma vigente. Salientam-se os seguintes requisitos: 4.1. A entidade gestora deve assegurar um adequado tratamento da água destinada ao consumo humano, de modo a dar cumprimento ao disposto no artigo 6.º e no n.º 2 do artigo 8.º. 4.2. O diploma legal institui a desinfecção como processo de tratamento da água obrigatório. A entidade gestora deve assegurar a eficácia da desinfecção e garantir que, sem a comprometer, a contaminação por subprodutos na água é mantida a um nível tão baixo quanto possível e sem pôr em causa a sua qualidade para consumo humano (artigo 9.º). 4.3. Nos termos do artigo 13.º, a entidade gestora pode solicitar à autoridade competente a dispensa da análise de um ou mais parâmetros do CI para uma zona de abastecimento com o volume médio diário inferior a 100 m 3. Se o pedido de dispensa for concedido, a autoridade competente emite um documento de aprovação especificando as condições da dispensa. 4.4. Na selecção dos produtos químicos utilizados no tratamento da água e dos materiais em contacto com a água para consumo humano, a entidade gestora deve ter em conta o disposto no artigo 21.º. 4.5. Os resultados analíticos da qualidade da água devem cumprir com os valores paramétricos estabelecidos nas Partes I, II e III do anexo I do Decreto-Lei n.º 306/2007, de 27 de Agosto; em caso de situações de incumprimento dos valores paramétricos, a entidade gestora deve cumprir com o disposto nos artigos 18.º, 19.º e 20.º do diploma, nomeadamente: Comunicação, de forma auditável, de qualquer situação de incumprimento à autoridade de saúde e à autoridade competente, até ao final do dia útil seguinte àquele a que tiveram conhecimento da sua ocorrência (número 1 do artigo 18.º). 4

No caso de situações de incumprimento dos valores paramétricos das Partes I e II do Anexo I do diploma, deve investigar imediatamente a causa do incumprimento e adoptar as medidas correctivas necessárias para restabelecer a qualidade da água. A eficácia das medidas correctivas implementadas deve ser avaliada mediante a realização de análises de verificação da qualidade da água em laboratórios considerados aptos pelo IRAR (números 1 e 5 do artigo 19.º). Concluída a investigação das causas dos incumprimentos, a adopção das medidas correctivas e a realização de ensaios para verificação da regularização da situação, deve comunicar esta informação à autoridade de saúde e à autoridade competente até ao 5.º dia útil seguinte à data de conclusão do processo (número 6 do artigo 19.º). Nas situações em que, apesar das medidas correctivas adoptadas, persista o incumprimento, a entidade gestora pode solicitar a colaboração da autoridade competente e da autoridade de saúde, avaliando-se quais as medidas apropriadas à resolução da situação (artigo 20.º). Note-se que, nos termos do artigo 23.º, poderão ocorrer situações em que a entidade gestora pode requerer à autoridade competente uma derrogação do valor paramétrico. Caso a derrogação seja concedida, a autoridade competente emite um documento especificando as condições da derrogação. 4.6. A entidade gestora deve publicitar trimestralmente nas suas instalações os resultados da verificação da conformidade da qualidade da água distribuída e enviá-los à respectiva autoridade de saúde (número 7 do artigo 17.º). 4.7. A entidade gestora está dispensada do envio anual à autoridade competente dos resultados da verificação da qualidade da água obtidos na implementação do PCQA. 4.8. A entidade gestora deve manter o arquivo por 5 anos de todos os registos inerentes à implementação do PCQA, dado que pode ser fiscalizado pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), conforme estipulado no número 3 do artigo 29.º. 5. Sobre outros requisitos legais aplicáveis Salienta-se que, para além do cumprimento dos requisitos especificados no Decreto-Lei n.º 306/2007, de 27 de Agosto, a entidade gestora de um sistema de abastecimento particular deverá ter em conta o cumprimento de outros requisitos legais aplicáveis a este tipo de utilização de água, como por exemplo: 5.1. Quanto à utilização de captações de água para consumo humano, o número 3 do Artigo 42.º do Decreto-Lei n.º 226-A/2007, de 31 de Maio, refere que um sistema de abastecimento particular que produz água para consumo humano sob responsabilidade de uma entidade particular só pode funcionar na condição de impossibilidade de acesso ao abastecimento público. 5.2. Quanto à obrigatoriedade de ligação à rede pública, o número 2 do Artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 379/93, de 5 de Novembro, refere que é obrigatória para quaisquer pessoas singulares ou colectivas, públicas ou privadas, enquanto utilizadores de água para consumo humano, a ligação aos sistemas municipais de captação, 5

tratamento e distribuição de água para consumo público. Assim, os imóveis localizados na área de influência de uma rede pública de distribuição de água para consumo humano devem ser ligados à mesma, deixando de ser necessário implementar um programa de controlo da qualidade da água, uma vez que a água fornecida é controlada através do PCQA da entidade gestora do sistema público de abastecimento de água, podendo eventualmente ser contemplado na lista dos pontos de amostragem dessa zona de abastecimento. 6. Sobre a bibliografia mais relevante Como informação complementar, o IRAR recomenda a consulta dos seguintes documentos, disponíveis para download no sítio do IRAR (www.irar.pt): Recomendação IRAR n.º 01/2008 Comunicação e correcção dos incumprimentos dos valores paramétricos da qualidade da água Recomendação IRAR n.º 08/2005 - Procedimento de amostragem de água para consumo humano em sistemas públicos de abastecimento. Recomendação IRAR n.º 05/2007 - Desinfecção da água destinada ao consumo humano. Recomendação IRAR n.º 02/2006 - Boas práticas na aquisição de produtos utilizados no tratamento da água. Guia Técnico n.º 6 - Controlo da qualidade da água para consumo humano em sistemas públicos de abastecimento, IRAR 2005. Guia Técnico n.º 7 Planos de segurança da água para consumo humano em sistemas públicos de abastecimento, IRAR 2005. Guia Técnico n.º 10 - Controlo operacional em sistemas públicos de abastecimento de água, IRAR 2007. 31 de Dezembro de 2008 O Conselho Directivo do IRAR Esta recomendação foi aprovada pelo Conselho Directivo do Instituto Regulador de Águas e Resíduos ao abrigo do disposto nas alíneas i) e l) do artigo 11.º do Estatuto do IRAR, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 362/98, de 18 de Novembro, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 151/2002, de 23 de Maio. A sua elaboração foi assegurada pelo Departamento de Qualidade da Água do IRAR, com a participação de Cecília Alexandre. 6