Capítulo 7 - Interfaces de Entrada e Saída. Conceito

Documentos relacionados
Entrada e Saída e Dispositivos

Dispositivos de Entrada e Saída

Periféricos possuem características diferentes. Periféricos são mais lentos que UCP e Memória Necessita-se de módulos de Entrada/Saída

Organização e Arquitetura de Computadores I

Dispositivos de Entrada e Saída

SSC0611 Arquitetura de Computadores

Dispositivos de Entrada e Saída

Organização de Computadores

UFRJ IM - DCC. Sistemas Operacionais I. Unidade IV Gerência de Recursos Entrada e Saída. 02/12/2014 Prof. Valeria M. Bastos

Estrutura Básica de um Computador

Organização de Computadores 1

PCS-2529 Introdução aos Processadores. Prof. Dr. Paulo Sérgio Cugnasca

Sistemas de Entrada e Saída

Organização de Computadores

Entrada e Saída (E/S)

Sistema de entrada e saída (E/S)- Módulos de E/S; tipos de operações de E/S

Problemas com Entrada e Saída

Arquitetura de Computadores Unidade 2 Organização Funcional dos Sistemas de Computação tópico 2.3 Subsistemas de E/S

Barramento. Prof. Leonardo Barreto Campos 1

Fundamentos de Sistemas Operacionais

4.3 - DMA & Chipset. CEFET-RS Curso de Eletrônica. Profs. Roberta Nobre & Sandro Silva. e

Notas da Aula 14 - Fundamentos de Sistemas Operacionais

Universidade Federal de Minas Gerais. Sistemas Operacionais. Aula 19. Sistema de Entrada/Saída

Módulo 3 - Estrutura e configuração de Sistemas Operativos monoposto

Aula 09. Módulos de Entrada e Saída

INFORMÁTICA BÁSICA HARDWARE: COMPONENTES BÁSICOS E FUNCIONAMENTO.

Organização e Arquitetura de Computadores I

Sistemas de Entrada e Saída

Gerência de Entrada e Saída

Arquitetura e organização de computadores

Porta de Impressora IEEE Walter Fetter Lages.

4 Sistema Computacional:

Sistemas Operacionais. Sistema de entrada e Saída

ELE Microprocessadores I

Parte I Multiprocessamento

Estrutura de Sistemas Operacionais. Capítulo 1: Introdução

Sistemas Operacionais. Entrada/Saída

Universidade Federal de Campina Grande Unidade Acadêmica de Sistemas e Computação Curso de Bacharelado em Ciência da Computação.

Capítulo 13: Sistemas de E/S. Operating System Concepts with Java 7th Edition, Nov 15, 2006

Chips Processadores (2) Nível da Lógica Digital (Aula 9) Barramentos. Chips Processadores (3)

Introdução à Ciência da Computação

BARRAMENTO DO SISTEMA. Adão de Melo Neto

Barramentos. Alguns sistemas reutilizam linhas de barramento para múltiplas funções; Dados Endereços Controle

Introdução a Tecnologia da Informação

Tecnólogo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Sistemas Operacionais (SOP A2)

ARQUITETURA DE COMPUTADORES

SSC510 Arquitetura de Computadores 1ª AULA

Sistemas Operacionais. Visão Geral

Sistemas Operacionais

Gerência de Dispositivos. Adão de Melo Neto

Sistemas Operacionais

Arquitetura de Computadores. Infraestrutura de TI: Hardware

Sistemas de Entrada e Saída

Aula 10 Microcontrolador Intel 8051 Parte 1

Ivinhema-MS. Prof. Esp. Carlos Roberto das Virgens.

William Stallings Arquitetura e Organização de Computadores 8 a Edição

O Sistema de Computação

Hardware. Componentes Básicos e Funcionamento

Comunicação Serial X Paralela. Alunos: Hugo Sampaio Dhiego Fernandez Renato Rios Bruno Victor

SOP - TADS Fundamentos de Sistemas Operacionais

Professor: Vlademir de Oliveira Disciplina: Microcontroladores e DSP. Memórias de Dados e de Programa

Entrada e Saída Transmissão Serial e Paralela

Capítulo 14. Expandindo as portas de comunicação 8031 com a PPI Interface PPI 8255

Interrupções e DMA. Mecanismos de I/O

William Stallings Arquitetura e Organização de Computadores 8 a Edição

MICROPROCESSADORES. Unidade de Entrada/Saída (I/O) Nuno Cavaco Gomes Horta. Universidade Técnica de Lisboa / Instituto Superior Técnico

Arquitetura de Sistemas Operacionais Francis Berenger Machado / Luiz Paulo Maia (Material Adaptado)

HARDWARE. Givanaldo Rocha

CAPÍTULO 2. Características comuns das Interfaces. 2.1 Comunicação Serial x Comunicação Paralela. Interfaces e Periféricos 12

Curso Técnico de Nível Médio

Sistemas Operacionais. Prof. MSc. André Yoshimi Kusumoto

MICROCOMPUTADORES. Professor Adão de Melo Neto

Organização de computadores. Segundo Bimestre CNAT Prof. Jean Galdino

ARQUITETURA E ORGANIZAÇÃO DE COMPUTADORES PROF. DEJAIR PRIEBE

Barramento. Entrada. Saída

INTRODUÇÃO: MICROCONTROLADORES

Sistemas Operacionais. Interrupção e Exceção

Montagem e Manutenção de Computadores

INTRODUÇÃO AOS SISTEMAS LÓGICOS INTRODUÇÃO

Transcrição:

Conceito Uma das características básicas necessária de um computador é a capacidade de trocar dados com o mundo exterior (dispositivos periféricos). Para tornar os sinais internos à máquina compatíveis, elétrica e temporalmente, com os dos mundo exterior, fazem-se necessários circuitos especiais denominados interfaces de entrada e saída. EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 276

Capítulo 7 - Interface de Entrada e Saída Estratégias de alocação de endereços para E/S É possível distinguir duas organizações básicas do espaço de endereçamento do processador associado às interfaces de E/S: E/S Isolada. O espaço de endereçamento reservado a E/S é disjunto do da memória. Como características marcantes desta organização têmse Barramentos de Endereços para Memória e para E/S logicamente distintos; e instruções específicas para E/S. E/S Mapeada em Memória. Memória e E/S compartilham o mesmo espaço de endereçamento. Como características marcantes desta organização têm-se um único (físico e lógico) Barramento de Endereços; e não há distinção entre instruções de acesso à memória e as interfaces de E/S. EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 277

Modelo lógico das Interfaces de E/S Para um programador (e portanto também para a CPU) uma interface de E/S é vista como um conjunto de registradores (células de armazenamento), divididos em 3 classes distintas: Registrador(es) de Controle (utilizados para escrita). O conteúdo deste(s) registrador(es) define(m) o modo de operação da interface. Registrador(es) de Dados. Este(s) registrador(es) é(são) utilizado(s) para o armazenamento temporário de forma a melhor acomodar o fluxo de dados entre computador e dispositivo. Registrador(es) de estado (utilizados para a leitura). Este(s) registrador(es) indica(m) o estado do dispositivo e/ou da interface e pode(m) ser utilizado(s) para controlar a dinâmica da transferência. EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 278

Modelo lógico das Interfaces de E/S Registradores internos Programa (entrada) EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 279

Interface Elétrica (há grande diversidade) Exemplos Entrada EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 280

Interface Elétrica Exemplos Saída EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 281

Interface Síncrona (família 6800) EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 282

Interface Síncrona (família 6800) EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 283

Interface Síncrona (família 6800) EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 284

Interface Interface Síncrona e Barramento Assíncrono do 68000 (família 6800) EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 285

Interface Interface Síncrona e Barramento Assíncrono do 68000 (família 6800) EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 286

Tipos de transferência de E/S A transferência de dados pode ser realizada de três maneiras distintas: E/S programada (programmed I/O) E/S por interrupção (interrupt-driven I/0) DMA (direct memory access). EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 287

E/S programada (programmed I/O) Na E/S programada, o programador define os instantes das operações de E/S, inserindo em seu código as instruções que realizam a operação de E/S. A E/S programada admite dois tipos de transferência: Transferência Incondicional: A transferência é realizada incondicionalmente, ou seja, independentemente do estado da interface/periférico. Transferência Condicional: a operação de E/S só é realizada quando e se o dispositivo estiver pronto para tal. Em geral, em um programa que implementa uma transferência condicional temse um laço de espera (loop), onde são efetuados a leitura e o teste do estado do dispositivo repetidas vezes até que o mesmo indique que a operação de E/S pode ser realizada. Essa transferência, por ser caracterizada pela consulta ao dispositivo, também é conhecida como transferência por polling. EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 288

E/S por interrupção (interrupt-driven I/O) Neste tipo de E/S a transferência é acionada por interrupção, ou seja, o instante da operação de E/S não é definido por programa, mas ditado pelo dispositivo externo através de um pedido de interrupção. Em geral, o pedido de interrupção está associado à disponibilidade do dispositivo em realizar a transferência - o dispositivo/interface solicita uma interrupção toda vez que está pronto para realizar a transferência. EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 289

DMA (direct memory access) Nas E/S programadas e por interrupção a CPU participa ativamente durante a transferência do dado. A CPU executa uma instrução para a leitura ou escrita na interface (por exemplo: MOVE.B INTERFACE,D0). A necessidade de busca e execução da instrução (e algumas vezes a própria velocidade da CPU) pode limitar a taxa de transferência colocando entraves na operação do sistema com dispositivos rápidos de armazenamento secundários (discos magnéticos). Na solução DMA, a CPU delega a dispositivo controlador de DMA a tarefa da transferência. Durante o DMA, a CPU fica em estado passivo (idle), sendo que o controle do barramento é efetuado por dispositivo Controlador de DMA. EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 290

DMA - registradores internos Tipicamente, um Controlador de DMA possui: Registrador de Endereços: registrador que contém o endereço de memória a ser acessado. Este registrador é automaticamente incrementado após cada acesso à memória. Registrador de Contagem: indica o tamanho do bloco de dados a ser tranferido. Este contador é decrementado automaticamente após cada acesso à memória. Em geral, um controlador de DMA gera um pedido de interrupção quando este contador zera, para indicar o fim da transferência de um bloco de dados. Registrador de Controle: que serve para controlar a operação: disparar o processo; indicar se leitura ou escrita, etc. Registrador de Estado: indica o estado da transferência (em andamento, finalizada) e situações de erro. Os 3 primeiros registradores são inicializados pela CPU sob comando de programa do usuário/programador de sistema. EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 291

DMA (direct memory access) Em geral, uma operação de DMA envolve os seguintes fase: Inicialização: O Canal de DMA é inicializado pela CPU a CPU inicializa (escreve) os registradores de endereços, contagem e controle do dispositivo Controlador de DMA. Em geral, é efetuada um transferência de bloco de dados. Transferência: Durante a transferência o dispositivo Controlador de DMA aceita solicitações de transferência do dispositivo periférico e gera os sinais necessários (barramento de endereço e de controle) para o acesso à memória. Finalização: Após a transferência do bloco de dados definidos pela CPU na fase de inicialização, o dispositivo controlador de DMA informa a CPU (em geral, por interrupção) o final da transferência. EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 292

DMA - organização hardware EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 293

DMA - organização hardware Um controlador de DMA, em geral, possui: Sinais para efetuar acesso de escrita/leitura em memória: barramento de endereço, R/W*, LDS* UDS*, DTACK* (receber) Sinais para solicitar e adquirir os barramentos: BR* (Bus Request), BG* (Bus Grant), BGACK* (Bus Grant Acknowledge). Sinal de Interrupção: Para informa à CPU o final de uma transferência de um bloco. Sinais de controle para o controle/comunicação do o periférico: REQ* (entrada - solicitação do periférico); ACK* (saída - atendimento da solicitação). EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 294

DMA - organização hardware EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 295

DMA - organização hardware EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 296

Tipos básicos de interfaces Interface paralela: Suporta a comunicação paralela, ou seja, a transferência simultânea de vários bits de informação. Necessita de várias linhas de sinais - uma para cada bit. A comunicação paralela é indicada para pequenas distâncias e quando velocidade é importante. exemplo típico: impressora. Interface serial: A comunicação é feita bit-abit. Apenas necessita de 2 condutores (sinal e terra). Exemplo tipico: mouse, teclado. O seguintes modos são possíveis: Simplex: a informação e transferida em apenas uma direção (transmissor receptor). Half-duplex: a comunicação é bidirecional só que em apenas um direção em um dado instante de tempo. Full-duplex: comunicação simultanea. bidirecional EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 297

Comunicação paralela com a impressora O padrão Centronics de comunicação paralela é bastante difundido no mercado de computadores pessoais para a comunicação destes sistemas com impressoras. Este padrão é universalmente aceito pelos fabricantes de impressoras, sendo suportado pela maioria do fabricantes de computadores pessoais, incluindo os da linha IBM-PC e Apple. Conector Centronics EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 298

Comunicação paralela com a impressora Sinais Centronics Pino Sinal Direção Descrição 01 /STB Computador -» Impressora Pulso negativo fornecido pelo computador como clock de transmissão dos dados. 02 DATA 0 Computador -» Impressora Bit 0 do dado a ser impresso. 03 DATA 1 Computador -» Impressora Bit 1 do dado a ser impresso. 04 DATA 2 Computador -» Impressora Bit 2 do dado a ser impresso. 05 DATA 3 Computador -» Impressora Bit 3 do dado a ser impresso. 06 DATA 4 Computador -» Impressora Bit 4 do dado a ser impresso. 07 DATA 5 Computador -» Impressora Bit 5 do dado a ser impresso. 08 DATA 6 Computador -» Impressora Bit 6 do dado a ser impresso. 09 DATA 7 Computador -» Impressora Bit 7 do dado a ser impresso. 10 /ACK Impressora -» Computador Pulso negativo que indica ao computador que a impressora recebeu o dado. 11 BUSY Impressora -» Computador Em nível alto, indica que a impressora não pode receber dados. 12 PE Impressora -» Computador Paper Empty. Em nível alto, indica que acabou o papel da impressora. 13 SELECT Impressora -» Computador En nível alto, indica que a impressora está em modo remoto. Caso contrário, está em modo local. No modo remoto a impressora pode receber dados do computador. 14-15 NC - - 16 GND - Terra lógico. Usado como referência. 17 CHASSI - Terra da carcaça. S 18 NC - - 19-30 GND - Terra de retorno para par trançado. 31 /INIT Computador -» Impressora Pulso negativo que pode ser utilizado para reinicializar a impressora. 32 /FAULT Impressora -» Computador Em nível baixo, indica falha na impressora. 33-36 NC - - EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 299

Comunicação paralela com a impressora Centronics - comunicação com handshaking EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 300

Barramento IEEE 488 Barramento para a conexão de computadores e instrumentos (de medida) inteligentes. Aplicação típica laboratório de instrumentação. O Barramento IEEE 488 também a conhecido por: GPIB (General Purpose Interface Bus) HPIB (Hewlett Packard Instrument Bus) Características básica: Taxa de transmissão 1Mbyte/segundo Até 20 metros Até 15 dispositivos Permite broadcasting vários) (comunicação 1 para 24 vias 16 sinais. EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 301

Estrutura Barramento IEEE 488 EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 302

Estrutura Barramento IEEE 488 Talker: dispositivo que transmite a informação. Em um dado momento apenas um dispositivo pode ser Talker (transmissor); Listener: dispositivo que recebe a informação transmitida.. Em um dado momento, poder haver mais do que 1 Listener (receptor); Controler: dispositivo que gerencia a operação do barramenteo e determinar qual dispositivo que será o Talker (transmissor) e quais serão os Listener (receptores). Não é necessário que exista um dispositivo controlador no sistema. Se existir, apenas um controlador deve estar ativo em um dado momento. EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 303

Operação de transferência de dados - (handshake de 3 fios) RFD ready for data DAV data available DAC data accepted EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 304

Operação de transferência de dados - (handshake de 3 fios) EA078 Micro e Minicomputadores: Hardware - Prof. J.M. De Martino 305