INQUÉRITO CIVIL N. 17/2013 SIMP 000369-002/2013 NOTIFICAÇÃO RECOMENDATÓRIA Nº 7/2014 NOTIFICADO: ESTADO DE MATO GROSSO E SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE DESTINATÁRIO: EXCELENTÍSSIMO SR. GOVERNADOR: SILVAL BARBOSA E ILUSTRÍSSIMO SR. SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: JORGE LAFETÁ NETO NOTIFICAÇÃO RECOMENDATÓRIA A Constituição da República Federativa do Brasil, em seu artigo 127 define o Ministério Público como instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. O mandamento constitucional referido foi reproduzido na Lei Complementar n. 75/93, que dispõe sobre a organização e atribuições do Ministério Público da União e, adotada subsidiariamente a prerrogativa inserida em seu artigo 6º, inciso XX pela LONMP, o Ministério Público Estadual é autorizado a: Expedir recomendações, visando a melhoria dos serviços públicos e de relevância pública, bem como o respeito aos interesses, direitos e bens cuja defesa lhe cabe promover, fixando prazo para adoção das providências cabíveis. 1
MOTIVOS DA NOTIFICAÇÃO O Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por intermédio da 7ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital, instaurou o Inquérito Civil nº 17/2013, objetivando fiscalizar e apurar eventuais irregularidades estruturais no CAPS AD Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas, localizado no Bairro Coophema, próximo ao Hospital Adauto Botelho, região do Coxipó. Esta notificação possui como fundamento informações apresentadas através do Relatório da Reunião do Conselho Estadual de Saúde, realizado pela Assistente Social vinculada a este Núcleo (fls. 05/06), Relatório de Ordem de Serviço nº 21/2013, realizado pelo Oficial de Diligência deste Ente Ministerial (fls. 14/19), bem como pelo Relatório de Visita Preventiva nº 012/2013, realizado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso CREA-MT e Coordenadoria de Fiscalização Preventiva e Integrada - CFPI (fls. 28/65), requisitado por esta Promotoria de Justiça. Analisando as informações coletadas através dos relatórios realizados, foram verificadas as seguintes deficiências: 1- No relatório do CREA-MT, foi constatado que o local não possui estrutura física adaptada para acessibilidade de pessoa com deficiência (PCD ou PMR), como falta de rampas, falta de rebaixamento do meio fio, pavimento externo irregular, banheiros sem barra de apoio e porta irregular, devendo estes serem adequados conforme a NBR; 2
2- Foram apontados problemas na cobertura do local, como gotejamentos e infiltrações, paredes com fissuras e umidade, reparos na rede elétrica com redimensionamento dos circuitos e substituição dos fiação elétrica antiga, de forma a atender a demanda da unidade; 3- Realizar revisão nas esquadrias das portas e janelas que se encontram danificadas, bem como substituir portas e portais de madeiras danificadas, realizar a manutenção no forro, substituindo aqueles que estiverem danificados; 4- Foi constatado pelo Conselho Regional de Psicologia, que o CAPS AD necessita de adequações para o atendimento de pessoas portadoras de deficiência, com a necessidade de adequação e ampliação do prédio para atender as necessidades dos internos e proporcionar um melhor ambiente de trabalho a seus profissionais, uma vez que o referido Centro possui partes de sua estrutura comprometida, com risco de desabamentos; 5- O Conselho Regional de Enfermagem observou a ausência da sistematização das ações do serviço de enfermagem, ausência de anotação de responsabilidade técnica do enfermeiro, ausência de registro nos livros de enfermagem, manual de normas, rotinas e procedimentos de enfermagem desatualizado, ausência das escalas de trabalho de enfermagem e de atividades, ausência de planejamento e programação de enfermagem, ausência de enfermeiro em todo o período de funcionamento da instituição, contrariando assim as normas vigentes; 6- O Conselho Regional de Assistência Social, em vistoria realizada no CAPS AD, constatou a inexistência de sala para atendimento individual e a inexistência de armário individual, comprometendo assim a assistência aos usuários das unidades; 3
7- No relatório encaminhado pelo Conselho Regional de Medicina, ficou constatado que a referida unidade não possui inscrição no CRM-MT, não possui diretor técnico médico, estrutura física e elétrica precária, tendo como consequência a suspensão dos atendimentos, equipe insuficiente para atender toda a demanda, manifesta demanda reprimida para atendimento ambulatorial; 8- A Coordenadoria de Vigilância Sanitária, em seu relatório observou que o ambiente apresenta higienização precária, presença de materiais em desuso e estranhos em alguns setores, falta de limpeza em ventiladores e ar condicionado, sinais de infiltração nas paredes e teto, presença de cupins e insetos nas paredes e portas, presença de ervas daninhas no entorno e interior do estabelecimento, extintores de incêndio vencidos, inconformidades sanitárias nos banheiros masculino, feminino e dos funcionários, dentre outras irregularidades apontadas no relatório. Sendo assim, diante das informações contidas nos relatórios evidenciados, verifica-se a necessidade dessa medida, ante a ausência do Poder Público em buscar melhorias para sanar as irregularidades apontadas. Embora os autos revelem que o Estado locou imóvel para fazer funcionar os serviços do referido CAPS enquanto perdurassem os problemas acima levantados, o fato é que se trata de solução provisória, sendo necessária a realização de providências que demandem uma resposta definitiva à questão, o que passa, necessariamente, pela reforma da sede própria anteriormente utilizada. 4
Pois bem, a utilização de instrumento extrajudicial na tentativa de se obter a adequação do serviço público em questão mostra-se totalmente pertinente, uma vez que a eficiência de tal atividade é interesse que o próprio gestor deve buscar, pois a Administração Pública deve obedecer, dentre outros, o princípio da eficiência (artigo 37, caput, da Constituição Federal), o qual impõe ao administrador a persecução do bem comum, por meio do exercício de suas competências, de forma eficaz e sempre em busca da qualidade. Sendo assim, faz-se necessário que sejam sanadas todas as irregularidades apontadas a fim de que a Secretaria Estadual de Saúde cumpra as exigências legais atinentes à matéria. Em razão de todo o exposto, o Promotor de Justiça titular da 7ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania NOTIFICA O GOVERNADOR DO ESTADO DE MATO GROSSO, EXMO. SR. SILVAL BARBOSA, E O SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE, LLMO. SR JORGE LAFETÁ NETO, RECOMENDANDO QUE NO PRAZO DE 180 (CENTO E OITENTA) DIAS realize as providências administrativas necessárias para o saneamento das irregularidades apontadas no Relatório de Visita Preventiva nº 012/2013, realizado pelo CREA-MT e CFPI, cuja cópia segue anexa, de modo que os serviços do referido CAPS possam novamente funcionar de forma adequada em sua sede original. de origem. O prazo acima inclui a volta das atividades regulares do CAPS ao seu prédio Ultimado tal prazo, deve ser remetido, a esta Promotoria de Justiça, documento que evidencie o cumprimento da presente notificação. Cuiabá, 06 de junho de 2014. ALEXANDRE DE MATOS GUEDES Promotor de Justiça 5