PROVIMENTO Nº 32 / 2016 Altera a Consolidação Normativa da Corregedoria Geral da Justiça - Parte Judicial para estabelecer as rotinas que devem ser adotadas pelo Departamento de Depósito Público, para as hipóteses de alienação ou de descarte de bens que estejam sob a sua guarda. A CORREGEDORA GERAL DA JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, Desembargadora Maria Augusta Vaz M. de Figueiredo, no exercício das atribuições que lhe são conferidas pelo inciso XVIII, do art. 22, da Lei de Organização e Divisão Judiciárias do Estado do Rio de Janeiro; CONSIDERANDO a necessidade contínua de promover a melhoria dos serviços judiciários realizados pelo Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro; CONSIDERANDO o princípio da eficiência da Administração Pública, previsto no artigo 37, caput, da CRFB, que norteia a busca pela melhor qualidade e segurança do serviço prestado; CONSIDERANDO a expressiva quantidade de bens armazenados no Departamento de Depósito Público o que acarreta a inviabilidade de espaço para acautelamento de novos bens; CONSIDERANDO o disposto nos artigos 402 a 405, da Consolidação Normativa da Corregedoria Geral da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, no que tange à alienação de bens no Departamento de Depósito Público; CONSIDERANDO que, ante a importância de otimizar o processo de trabalho realizado pelo Departamento de Depósito Público deste Estado, é necessária a implementação de novas rotinas para solucionar a falta de espaço físico, o que permitirá o acautelamento de novos bens mediante a eliminação dos já existentes, se for o caso; CONSIDERANDO os objetivos traçados pelo Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro na permanente busca de transparência e de celeridade na entrega da prestação jurisdicional; CONSIDERANDO o decidido nos autos do processo administrativo nº 2016-056084; RESOLVE: Art. 1º Os artigos 402, caput, 1º a 4º, e 404 da Consolidação Normativa da Corregedoria Geral da Justiça (Parte Judicial) passam a apresentar a seguinte redação: Art. 402. Salvo expressa
determinação judicial em sentido contrário, os bens entregues à guarda do Departamento de Depósito Público que lá permaneçam por mais de 90 dias, sem que sejam reivindicados, serão leiloados, independentemente de autorização do Juízo competente, ainda que não disponham de elementos formais de identificação. 1º Os bens apreendidos em processo de natureza criminal somente serão alienados mediante prévia e expressa autorização do Juízo competente. 2º Nos mandados de remoção constarão a advertência de que os bens recolhidos ao Departamento de Depósito Público serão alienados em Leilão judicial eletrônico ou presencial após o prazo de 90 (noventa) dias, exceto se houver expressa determinação judicial em sentido diverso. 3º O Juízo competente poderá fixar prazo diverso do indicado no caput deste artigo, desde que não inferior a 90 (noventa) dias. 4º O Departamento de Depósito Público poderá requerer ao juízo competente que os bens sejam levados à hasta pública antes do término do prazo previsto no caput ou do prazo estipulado pelo juízo, justificando as razões do pedido. 5º O Departamento de Depósito Público somente receberá metais e pedras preciosos para acautelamento, caso venham acompanhados de laudo pericial. Art. 404. Os bens apreendidos ou sequestrados em razão de procedimento ou processo criminal somente serão recebidos pelom Departamento de Depósito Público após perícia oficial, devendo ser apresentado o respectivo laudo no momento do depósito do bem. 1º O Departamento de Depósito Público será comunicado, pelo Chefe de Serventia Judicial, do encerramento do procedimento ou processo de que trata o caput deste artigo, ocasião em que deveram ser indicada a destinação dos bens acautelados. 2º Em caso de condenação, o Juízo competente fará instruir a carta para execução da pena com certidão sobre a existência de tais bens e cópia do ofício mencionado no parágrafo anterior. 3º O arquivamento de autos de processos criminais deverá ser precedido de certidão quanto ao cumprimento do disposto no 1º, caso haja bens acautelados no Departamento de Depósito Público. Art. 2º Incluir na CNCGJ (Parte Judicial) os seguintes artigos: Art. 402-A. Decorrido o prazo de permanência dos bens, o responsável
pelo Departamento de Depósito Público deverá requerer ao juízo competente a verificação e avaliação dos bens depositados. 1º Quando não for possível identificar a origem dos bens acautelados ou não existir processo judicial de referência, o requerimento de verificação e avaliação será direcionado ao juízo com competência para conhecer de bens vagos segundo as normas de organização judiciária. 2º Deferido o requerimento, será expedido mandado judicial de verificação e avaliação, que será enviado eletronicamente à Central de Cumprimento de Mandados com atribuição para a execução da ordem judicial no local do acautelamento. 3º Os bens poderão ser avaliados individualmente ou em lotes. 4º Devolvido o mandado à serventia de origem, caberá ao chefe da serventia judicial encaminhar a cópia do Laudo de Avaliação ao Departamento de Depósito Público. Art. 402-B. Constatado que os bens avaliados não possuem valor econômico ou que possuem valor inferior aos custos para alienação, deverá o Diretor-Geral do Departamento de Depósito Público requerer ao juízo competente autorização para dar-lhes destinação de interesse social ou de interesse da Administração. 1º Considera-se destinação de interesse social o atendimento às necessidades compatíveis com os fins previstos nos atos constitutivos de entidades privadas de assistência à população carente, desde que declaradas de utilidade pública federal, estadual ou municipal. 2º Considera-se destinação de interesse da Administração o atendimento às necessidades compatíveis com os fins regimentais ou estatutários de órgãos da Administração Direta ou de entidades da Administração Indireta ou Fundacional de qualquer dos Poderes do Estado do Rio de Janeiro. 3º Autorizada e efetivada a entrega do bem a órgão ou entidade de que trata os parágrafos anteriores, o Diretor-Geral do Departamento de Depósito Público deverá encaminhar, por ofício, ao Juízo competente, o termo de entrega de bens firmado pelo representante do Departamento de Depósito Público e pelo dirigente que represente o órgão ou à entidade destinatária, contendo a identificação e descrição do bem, número do processo de referência e número do lote. Art. 402-C. Será requerido o descarte dos bens depositados há mais de 90 (noventa) dias: I - quando a sua posse ou comercialização constitua ilícito de natureza cível ou criminal.
II - em se tratando dos bens de que trata o artigo 402-B, quando nenhum órgão ou entidade manifestar interesse em recebê-los. III - quando certificado pelo oficial de justiça que o bem é imprestável ou inservível. 1º Constatada uma das hipóteses do caput, o Diretor-Geral do Departamento de Depósito Público irá requerer, justificadamente, o descarte dos bens ou lote de bens, ao juízo competente. 2º Mediante autorização judicial, o Departamento de Depósito Público procederá ao descarte do bem ou do lote de bens, por incineração ou trituração, adotando as cautelas necessárias junto aos órgãos competentes e respeitadas as normas ambientais. 3º Efetivada a destruição do material, o Diretor-Geral do Departamento de Depósito Público deverá encaminhar, por ofício, ao Juízo competente, o termo de eliminação, indicando número do processo, identificação do bem e sua descrição e número do lote. Art. 402-D. Efetivada a avaliação e constatada a viabilidade econômica da alienação do bem, o Departamento de Depósito Público nomeará Leiloeiro Público que observará como valor inicial àquele atribuído no Laudo de Avaliação. 1º Alienados os bens, o Departamento de Depósito Público informará ao Juízo competente o seu resultado e, se este for positivo, efetuará o depósito do valor obtido, deduzidas as respectivas despesas, em conta bancária judicial, na forma das normas vigentes. 2º Quando não for possível identificar a origem dos bens acautelados ou não existir processo judicial de referência, realizada a alienação, depositar-se-á o preço em conta bancária, sujeita à atualização monetária, vinculada ao juízo que proferiu a ordem de avaliação, nos termos do 1º do artigo 402-A, e cuja movimentação somente decorrerá de ordem desse mesmo Juízo. 3º Os bens alienados e não retirados pelo arrematante no prazo do edital serão imediatamente considerados aptos à nova alienação, independente de avaliação, perdendo o arrematante qualquer direito sobre os mesmos. Art. 3º Revogar os 5º e 6º do art. 402, o art. 403 e o art. 405 da Consolidação Normativa da Corregedoria Geral da Justiça. Art. 4º Este provimento entrará em vigor na data da sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Rio de Janeiro, 01 de junho de 2016. Desembargadora MARIA AUGUSTA VAZ MONTEIRO DE FIGUEIREDO Corregedora Geral da Justiça