DOM CASMURRO MACHADO DE ASSIS

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Transcrição:

DOM CASMURRO MACHADO DE ASSIS

JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS Nasceu aos 21 dias do mês de junho de 1839, no Rio de Janeiro. Filho de brasileiro, pintor de paredes e de portuguesa, lavadeira. Estudou em escola pública e aos 16 anos já trabalhava numa tipografia, onde se publicava a revista Marmota, em cujo número de 21 de janeiro de 1855, Machado publicou seu primeiro poema: Ela. Trabalhou como servidor público em diversos níveis e secretarias, teve uma carreira meteórica que lhe proporcionou tranqüilidade financeira. Em 1897 foi eleito presidente da recém-fundada Academia Brasileira de Letras também chamada Casa Machado de Assis. Concretizou, assim, o velho sonho de reunir a elite dos escritores da época em um fechado clube literário. REALISMO (1) 1881, ano inaugural do Realismo, com a publicação de dois romances fundamentais que modificaram o curso de nossas letras: Aluísio de Azevedo publica O Mulato, o primeiro romance naturalista do Brasil; Machado de Assis publica Memórias Póstumas de Brás Cubas, o primeiro romance realista de nossa literatura.

REALISMO (2) Momento histórico o Realismo reflete as profundas transformações econômicas, políticas, sociais e culturais da segunda metade do século XIX: 1. novas descobertas nos campos da Química e da Física; 2. surgimento de grandes complexos industriais; 3. aumento da massa operária urbana, formando uma população marginalizada; 4. Auguste Comte Positivismo preocupado com o fato defendendo a conciliação da ordem e progresso ; 5. Karl Marx e Friedrich Engels Socialismo: definindo o materialismo histórico; 6. Charles Darwin Evolucionismo: estudos sobre a evolução das espécies pelo processo de seleção natural, negando portanto a origem divina; 7. 1888 Lei Áurea não resolveu o problema dos negros com o fim da mão-de-obra escrava e ainda provocou a vinda de levas de imigrantes europeus em substituição aos negros; 8. elevação do sentimento antimonárquico. REALISMO (3) As características do Realismo estão intimamente ligadas ao momento histórico, refletindo, desta forma, a postura do Positivismo, do Socialismo e do Evolucionismo, com todas as suas variantes. Assim é que o objetivismo aparece como negação do subjetivismo romântico e nos mostra o homem voltado para aquilo que está diante e fora dele, o não-eu; o personalismo cede terreno para o universalismo. O materialismo leva à negação do sentimentalismo e da metafísica. O nacionalismo e a volta ao passado histórico são deixados de lado; o Realismo só se preocupa com o presente, o contemporâneo. (NICOLA, 1988)

Características centrais da ficção machadiana Despreocupação com as modas literárias dominantes Temas profundos, forma contraditória de apreensão do mundo, essência e aparência Ruptura com a narrativa linear Metalinguagem Universalismo Interpolação de episódios e digressões Principais influências: Shakespeare, Dante, Goethe, Sterne, Voltaire Intertextualidade Pessimismo Psicologismo Ironia fina Frase simples, sem enfeites.

DOM CASMURRO TÓPICOS Foco Narrativo Personagens Estrutura da Narrativa FOCO NARRATIVO A história é narrada na 1ª pessoa do singular, por um narrador-personagem (Bento Santiago Dom Casmurro), que se coloca como o escritor que, já velho, conta sua própria história. Segundo Francisco Achcar, Machado é o mestre do foco narrativo de 1ª pessoa, colocando-se como narrador hipotético e vivenciando seus grandes problemas. Trata-se de um narrador unilateral, o que nos faz questionar a veracidade dos fatos contados pelo narrador no que diz respeito à culpabilidade da esposa (Capitu) quanto à acusação de adultério.

PERSONAGENS CAPITU BENTO SANTIAGO ESCOBAR JOSÉ DIAS D.GLÓRIA TIO COSME SANCHA CAPITU Uma das mais marcantes personagens femininas da literatura brasileira. Capitu é uma mulher dotada da capacidade de dissimulação. Capitu, com seus olhos de ressaca e de cigana oblíqua e dissimulada. Inteligente, personalidade forte e marcante, forte.

BENTINHO Quando jovem era um pouco mais baixo que Capitu. Não apresentava traços físicos definidos e revelava-se como um moço rico, mimado pela mãe e, talvez por isso, não apresentasse o mesmo espírito vivaz e a iniciativa de Capitu. Comenta-se que, aproximadamente aos vinte e dois anos de idade, Bentinho se parecia muito com o pai: (...) sim tem alguma coisa, os olhos, a disposição do rosto. É o pai um pouco mais moderno, concluiu por chalaça. No passado dividia-se entre a mãe e a vizinha. Conforme escreve, o livro dividese entre o passado e o presente. Bento não pretendia ser padre como determinava sua mãe, sua intenção era casar-se com Capitu, sua amiga de infância. Depois de velho e da perda de seus familiares passa a viver isolado.

ESCOBAR Conhece Bento no seminário e logo se tornam amigos inseparáveis. Tem grande facilidade com números, por isso, sonha em ser comerciante e, assim que abandona o seminário, dedica-se ao negócio de café. É o grande desencadeador da trama, pois Bento acredita que ele tornou-se amante de sua esposa, Capitu. José Dias definiu Escobar como um rapaz polido de olhos claros e dulcíssimos. JOSÉ DIAS Era magro chupado, com um princípio de calvície e dedicado à família de Bentinho até a morte. Era agregado em casa de D. Gloria "apresenta-se como médico sem o ser.

D.GLÓRIA Mãe de Bentinho, senhora religiosa e viúva que, em razão de uma antiga promessa, desejava fazer do filho um padre. TIO COSME Irmão de D. Glória, advogado e viúvo. Era modesto, gordo, olhos dorminhocos e respiração curta. Ocupa posição neutra: não se opunha aos planos de Bentinho, e também não os interrompia.

SANCHA Companheira de colégio de Capitu, filha de Gurgel, comerciante de objetos americanos que era viúvo e morria pela filha. Sancha casa-se com Escobar. METALINGUAGEM Em Dom Casmurro, Machado de Assis enquanto narra, discute o ato e o modo de narrar. Ele põe em prática metalinguagem, em que a própria narrativa trata de se auto-explicar. Logo no início, a metalinguagem ganha corpo, quando o personagem-narrador explica o título do livro e os motivos que o impulsionaram a escrevê-lo. No processo metalingüístico, ao invés de apenas ler passivamente, o leitor participa do próprio ato de narrar, ao servir de confidente do escritor, transcendendo o próprio texto.

Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores, alguns nem tanto. Agora que expliquei o título, passo a escrever o livro. Antes disso, porém, digamos os motivos que me põem a pena na mão. INTERTEXTUALIDADE A intertextualidade ocorre principalmente em relação à peça Otelo de Shakespeare, em que Bentinho se vê refletido na figura de Otelo. Vê em Capitu, a personagem (suspeita de traição pelo marido). Desdêmona José Dias é associado a Iago que, por inveja, incute a ideia de infidelidade da esposa no marido.

Possibilidades de leitura( Prof. Fernando Teixeira) 1) Romanesca 2) Romance psicanalítico e policial: libelo acusatória 3) Transformação do acusador em acusado: o enigma é Bentinho, não Capitu. Narrador: homem distinto, mergulhado no passado, dominado pela mão e pela namorada, dócil. Nas entrelinhas, nos detalhes aparentemente irrelevantes, surgem indícios sobre o narrador:

Em lugar do memorialista apaixonado e sincero, surgem sintomas do ressentimento, do recalque, do homem inseguro, dotado de imaginação delirante e ciúme doentio. Caminhos a considerar Metáfora dos olhos de ressaca olhos de cigana oblíqua e dissimulada Paralelo com o drama shakespeareano Otelo Semelhanças esquisitas Relações suspeitas com Escobar

A égua ibera da imaginação de Bentinho Preceito bíblico de Jesus, filho de Sirach: não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti Se a Capitu da Glória já estava dentro da de matacavalos, D. Casmurro já estava em Bentinho. Segundo John Gledson, verifica-se no romance a presença de interesses sociais relacionados à organização e à crise da sociedade patriarcal.

DOM CASMURRO de Machado de Assis Material selecionado e editado pelas professoras Regina, Iraíma e Ana Márcia