RÁDIO DIGITAL: DESAFIOS E PERSPECTIVAS

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Transcrição:

RÁDIO DIGITAL: DESAFIOS E PERSPECTIVAS

O QUE É O RÁDIO DIGITAL? Sons (são variações de pressão), propagam-se no ar. Quando captadas por um microfone e amplificadas por um dispositivo eletrônico, transformam-se em variações de tensão. A tensão é amostrada em um certo número de vezes por segundo pelo quantizador (ou quantificador) a fim de digitalizar o sinal. Utilização conjunta de duas tecnologias: MPEG (Motion Pictures Expert Group) e COFDM (Coded Orthogonal Frequency Division Multiplexing). Isso permite ao rádio digital oferecer programas de áudio: a) com excelente qualidade sonora, livre de interferências; b) e grande capacidade de transmissão de dados. A tecnologia MPEG possibilita a compressão de dados de áudio por um fator maior que sete vezes a capacidade de transmissão utilizada por um CD. Isso possibilita eliminar as fontes de ruídos e freqüências não-audíveis. A codificação COFDM é responsável pela transmissão de grande quantidade de dados. Utiliza características de um sistema de multiportadoras,em que cada subportadora possui uma taxa de transmissão tão baixa quanto maior o número delas empregadas, eliminando efeitos de multipercurso. A tecnologia digital começou a substituir a analógica, permitindo inovações nas rádios, fazendo com que o áudio AM (Amplitud Modulation) fique com qualidade de FM (Frequency Modulation), e o áudio de FM com qualidade de um CD (Compact Disc). Ao mesmo tempo, ao lado de uma melhor qualidade de som, o rádio digital pode permitir uma fantástica diversificação de novos serviços no mundo das rádios, como o recebimento de dados, de informações e até de imagens.

COMO ESTÁ IMPLANTADO O RÁDIO DIGITAL HOJE, NO MUNDO? O rádio digital está implantado hoje em 35 países. Atinge um número superior a 284 milhões de pessoas. Recebe programações emitidas por mais de 400 emissoras de rádio. Tem receptores de rádio digital sendo fabricados por 22 marcas. Existem diversos padrões de rádio digital no mundo: DAB-EUREKA, DSR, DRM, ISDB e IBOC. Na Europa, o preço dos receptores digitais variam conforme o modelo, a faixa de operação e a tecnologia oferecida: há portáteis simples de até E 50,00 a sofisticados de E 700,00; os de veículos variam de E 100,00 a E 1.500,00. No Brasil, o Governo Federal deverá decidir a questão do padrão a ser implementado durante o ano de 2007.

DAB (Digital Áudio Broadcasting): Foi o primeiro padrão a surgir (1980). Projeto Eureka-147, padronizado pelo European Telecommunications Standars Institute. A instituição pioneira a utilizar este padrão foi a BBC de Londres, em rede nacional (1995). É utilizado para transmissões na banda FM. É essencialmente um sistema terrestre. Oferece multi-serviços de transmissão de dados, veiculados através de um display de cristal líquido no receptor do rádio. O DAB é utilizado na Grã-Bretanha, no Canadá, na Austrália e na Índia, em freqüências diferenciadas. O modelo original é pouco flexível. A Coréia está tentando desenvolver um novo modelo, o DMB, para superar esta questão. O modelo de negócios é baseado na figura de um operador de rede.

DSR (Digital Satélite Radio): É uma vertente satelital do DAB. Opera em freqüências regulamentadas pela World Administrative Radio Conference (WAR-92). Na Europa, duas empresas já estão operando pelo DSR: a Global Radio e a Alcatel World Space. A Global Radio utiliza 03 satélites de órbita inclinada, com capacidade de transmissão de 2,1 Mbps, permitindo 60 a 70 canais com música, notícias, entrevistas e esportes.

ISDB (Integrated Services Digital Brosdcast) É utilizado pelo Japão. Trafega nas faixas 189-192 Mhz e 2,535 a 2,655 Ghz. É flexível, permite recepção móvel para áudio e dados, é considerado o sistema mais robusto. Destina-se mais à transmissão terrestre de TV Digital. É muito mais que rádio.

IBOC (In Band On Channel): Desenvolvido pelo consórcio norte-americano I-Biquity Digital. Implantado nos EUA. Das quase 14 mil emissoras norte-americanas, apenas 300 estão digitalizadas. A conversão custa cerca de US$ 30 mil para cada emissora. É um sistema híbrido, pois permite o funcionamento junto com o padrão analógico. A transição do analógico para o digital pode ser mais suave e não compulsória. Pode usar canal adjacente de FM e AM. Apresenta sérios problemas na recepção do sinal de AM. Também apresenta um menor alcance. É um sistema proprietário (I-Biquity): cerca de US$ 5 mil por licença. Não necessita de nova concessão. Não altera freqüência e chamada. Está sendo testado no Brasil, por um pool de 12 emissoras comerciais, a partir de S.Paulo. Tem apoio da ABERT. Recebeu críticas da Nacional Public Radio (NPR), da Consumer Eletronics Manufacturing Association (CEMA), da Eletronic Frontier Foundation (EFF) e da Benton Foundation. Ao ocupar os canais adjacentes e efetivamente aumentar a largura do canal ocupado por uma estação, está diminuindo a disponibilidade de espectro para eventuais novos atores.

DRM (Digital Radio Mondiale): É o sistema mais recente, surgiu em 1996. Opera em AM, OC e OT. Ainda não funciona em FM (está em pesquisa). É um sistema não-proprietário. É um consórcio formado por rádios públicas européias: Deutsche Welle, RAI, Radio France, BBC, além de governos como China e Equador. Será testado no Brasil, em junho ou agosto, a partir de parceria com a UNB e a Radiobrás.

ALGUMAS REFLEXÕES É necessário garantir um amplo processo de debate e consulta, envolvendo rádios comercias e públicas, além da indústria de equipamentos, antes de definir o padrão a ser adotado no Brasil. A questão meramente técnica é importante (qualidade do som, não interferência), mas esse não pode ser o único aspecto a ser analisado. A flexibilidade, o modelo de transição, a questão da democratização do acesso à informação (novos canais e política de concessão), a questão da qualidade e diversidade do conteúdo, o modelo de negócios, o interesse público, a questão da planta industrial, o tema da pesquisa e do desenvolvimento científico, tudo isso deve ser levado em conta. A questão da convergência de mídia está colocada: web rádio, i-pod, celulares, etc.