PROVIMENTO Nº 11/2010 Ementa: Regulamenta a prestação de serviços pelos Cartórios de Registro Civil das Pessoas Naturais do Estado de Pernambuco nos estabelecimentos de saúde que realizam partos, bem como a utilização do SERC (Sistema Estadual de Registro Civil), e dá outras providências. O Desembargador Bartolomeu Bueno, Corregedor-Geral da Justiça, no uso das suas atribuições, CONSIDERANDO que é o registro de nascimento que confere, em primeira ordem, identidade ao cidadão e dá início ao seu relacionamento formal com o Estado, notadamente em relação ao acesso aos direitos básicos de saúde, de educação e de justiça; CONSIDERANDO que Pernambuco tem um percentual elevado de sub-registro, na ordem estimada de 21,4% das crianças nascidas vivas, o que representa cerca de 12,1 mil pernambucanos sem registro civil de nascimento, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); CONSIDERANDO a adesão do Estado de Pernambuco ao Compromisso Nacional pela Erradicação do Sub-Registro Civil de Nascimento e de Ampliação do Acesso à Documentação Civil Básica, instituído pelo Decreto nº 6.289, de 06 de dezembro de 2007, da Presidência da República; CONSIDERANDO o engajamento da Corregedoria Geral da Justiça na campanha de mobilização nacional pelo Registro Civil de Nascimento, coordenada pelo Conselho Nacional da Justiça (CNJ); CONSIDERANDO que a Agência Estadual de Tecnologia da Informação (ATI) desenvolveu o Sistema Estadual de Registro Civil (SEFC), que possibilitará o registro de nascimento e a emissão da primeira certidão no âmbito das maternidades, públicas e privadas, do Estado de Pernambuco, que virem a aderir ao Programa Minha
Certidão, sob a coordenação da Secretaria Executiva de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH), em parceria de cooperação técnica com a Secretaria Estadual de Saúde (SES) e a Associação dos Registradores Civil de Pessoas Naturais do Estado de Pernambuco (ARPEN/PE), com interveniência da Corregedoria Geral da Justiça de Pernambuco. CONSIDERANDO, por fim, que compete a Corregedoria Geral da Justiça editar normas técnicas que venham assegurar o desempenho dos serviços notariais e de registro de modo a garantir a publicidade, a autenticidade, a segurança e a eficácia dos atos jurídicos; RESOLVE: Art.1º Os Cartórios de Registro Civil das Pessoas Naturais do Estado de Pernambuco, quando estiverem prestando seus serviços nas maternidades nos termos do art. 618, caput, do código de Normas, ficam autorizados a utilizar o SERC (Sistema Estadual de Registro Civil), do governo do Estado de Pernambuco, para efeito de realizar exclusivamente registros de nascimento e emitir a primeira certidão respectiva. 1 Os registros de nascimentos e emissão da primeira certidão respectiva de que trata o Caput deste artigo, se referem exclusivamente aos nascimentos ocorridos na maternidade em que o Cartório estiver prestando seus serviços. 2 Ficam também excluídos os registros relativos aos natimortos. 3 A utilização do SERC (Sistema Estadual de Registro Civil) pelos Cartórios de Registro Civil das Pessoas Naturais do Estado de Pernambuco depende de prévio convênio entre as serventias e o Estado de Pernambuco, com a interveniência do Tribunal de Justiça de Pernambuco, através da Corregedoria Geral da Justiça. 4 Os custos com o selo de autenticidade e com o papel de segurança será do Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais que estiver prestando os serviços dentro da unidade de saúde.
5 Os cartórios que virem a aderir ao SERC (Sistema Estadual de Registro Civil) devem observar todas suas normas técnicas e de procedimento. Art. 2 Nas comarcas em que o número de maternidades não coincida com o número de Cartórios de Registro Civil de Pessoas Naturais, seja para mais ou para menos, a execução dos serviços será realizada por todos os cartórios pelo sistema de rodízio, de modo que todos tenham participação por igual, salvo aqueles que optarem em não aderir ao programa de registro de nascimento dentro das maternidades. 1 O formato do rodízio para a execução dos serviços será definido pelos próprios cartórios participantes, que deverão dar ciência à Corregedoria Auxiliar respectiva. 2 O sistema de rodízio também será adotado quando, apesar do número de maternidades coincidir com o número de serventias, houver diferença substancial entre o número de nascimentos entre elas. 3 Os Cartórios de Registro Civil de Pessoas Naturais podem ainda definir que o rodízio se dará entre eles apenas em relação às maternidades existentes nas suas circunscrições ou nas suas proximidades, ou em relação a todas as unidades de saúde existentes na Comarca, tal como autoriza o artigo 619 do Código de Normas. Art. 3 Os valores devidos pelo Fundo Estadual de Registro Civil FERC a título de compensação pelos registros lavrados através do SERC (Sistema Estadual de Registro Civil), na capital, serão rateados entre todas as unidades cartorárias da comarca que estejam participando do programa de registros de nascimento nas próprias maternidades. Art. 4º Os registros de nascimento através do SERC (Sistema Estadual de Registro Civil), só poderão ser lavrados mediante apresentação dos seguintes documentos: I Declaração de Nascido Vivo DNV, fornecida pela maternidade em que se deu o nascimento, da qual deve constar a data e local do nascimento;
II Certidão original do assento de casamento dos pais, na hipótese de serem eles casados; não sendo casados, deve ser apresentada a certidão original de nascimento de cada um dos pais; III Documento idôneo com foto que identifique o pai, a mãe e os avós do registrando, bem como a naturalidade dos pais; Parágrafo Único - O Cartório deverá reter, obrigatoriamente, a via amarela da DNV (Declaração de Nascido Vivo). Art. 5º O Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais escolhido pelo declarante lavrará o assento de nascimento após análise da documentação digitalizada e recebida através do SERC (Sistema Estadual de Registro Civil). Parágrafo Único Uma vez lavrado o registro de nascimento e emitida à respectiva certidão, deve o Cartório cuidar de concluir o processo do registro no SERC (Sistema Estadual de Registro Civil). Art. 6º O Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais que se encontrar prestando serviços na maternidade deverá, no prazo de máximo de 5 (cinco) dias úteis, remeter ao Cartório que tiver lavrado o assento de nascimento, todos os documentos cujas cópias digitalizadas já tinha encaminhado, além do Termo de Nascimento devidamente assinado. 1 As despesas postais com o envio da documentação de que trata o caput deste artigo será objeto do convênio a ser celebrado entre as serventias e o Estado de Pernambuco. 2 Por cautela, o Termo de Nascimento assinado pelo declarante deve também ser digitalizado a fim de possibilitar sua restauração no caso de seu eventual extravio durante a remessa ao Cartório responsável pelo registro. Art. 7 O Oficial do Registro Civil que competir lavrar o registro de nascimento, diante de dúvidas ou de inconsistências em relação à documentação enviada, deve devolver o requerimento e
demais cópias digitalizadas, também através do SERC (Sistema Estadual de Registro Civil), apontando as correções que devam ser procedidas. Art. 8º A certidão do registro de nascimento deverá ser entregue ao declarante ou interessado na própria maternidade onde ocorreu o nascimento e sempre antes da alta da mãe da criança registrada. Art. 9º A certidão do registro de nascimento será assinada pelo Oficial de Registro Civil através de certificação digital. Art. 10 Este Provimento entrará em vigor na data de sua publicação. Art. 11 Revogam-se as disposições em contrário, especialmente o Provimento nº 38/2008, desta Corregedoria Geral de Justiça. Art. 12 Fica preservada a eficácia dos atos praticados na vigência do Provimento n 38/2008 desta Corregedoria Geral de Justiça. Recife, 01 de junho de 2010. Des. Bartolomeu Bueno Corregedor Geral da Justiça