DIREITO PREVIDENCIÁRIO Benefícios em espécie Aposentadoria por Tempo de Contribuição, Idade e Especial
Índice Aposentadoria por Tempo de Contribuição Aposentadoria por Idade Aposentadoria Especial 3 4 6 Autor Benny Willian Maganha
Aposentadoria por Tempo de Contribuição - regra 85/95 A Aposentadoria por Tempo de Contribuição é devida, independente da idade, ao homem que completar 35 anos de contribuição, e à mulher que completar 30 anos. Todavia, há no cálculo do valor do benefício, a incidência do fator previdenciário, cujo cálculo é feito tomando por base a idade do segurado, o tempo de contribuição e a expectativa de sobrevida. A criação do fator previdenciário levou em conta o aumento considerável na expectativa de vida da população, já que, vivendo mais, passariam mais tempo recebendo o benefício previdenciário. Dessa forma, quem se aposentava muito cedo, recebia um benefício de valor alto por mais tempo, o que gerava grandes prejuízos ao sistema. Assim, o objetivo ao se criar o fator previdenciário era desestimular o requerimento precoce dos benefícios previdenciários, visto que quanto menor é a idade do segurado, maior é a redução do valor da aposentadoria. Cabe ressaltar que, não há idade mínima para aposentadoria por tempo de contribuição, o que existe é essa redução do valor do benefício em razão da idade. Em maio deste ano, o Congresso Nacional aprovou uma proposta de mudança no fator previdenciário, criando um novo sistema intitulado de fator 85/95. A regra 85/95 prevê que a mulher poderá se aposentar sem a incidência do fator previdenciário no cálculo quando a soma da sua idade com o tempo de contribuição for igual a 85, e no caso do homem, quando o resultado dessa soma for de 95, obedecendo, porém, o teto de R$ 4.663,75 da Previdência Social. Exemplificando: Com esse novo sistema, uma mulher com 55 anos de idade e 30 anos de contribuição, por exemplo, passaria a receber aposentaria integral. O mesmo valeria para um homem com 60 anos de idade e 35 anos de contribuição. Atualmente, pelo cálculo do fator previdenciário, ambos teriam que trabalhar por muito mais tempo para receber o benefício sem reduções. O governo federal vetou essa mudança, mas editou a MP 676 (Convertida na Lei 13.183/15) que dispõe de praticamente o mesmo sistema, com uma ressalva: incluiu uma progressividade ao longo dos anos aumentando gradativamente o tempo necessário à aposentadoria sem a incidência do fator previdenciário. Pela nova regra, para o segurado se aposentar integralmente sem o fator previdenciário, deverá ter a seguinte soma da idade com a aposentadoria por tempo de contribuição: 3
85 anos mulher/ 95 anos homem a partir da vigência; 86 anos mulher/96 anos homem a partir de 2019; 87 anos mulher/97 anos homem a partir de 2021; 88 anos mulher/98 anos homem a partir de 2023; 89 anos mulher/99 anos homem a partir de 2025; 90 anos mulher/100 anos homem a partir de 2027. Assim sendo, a partir do ano de 2027, a regra se tornará 90/100, e não 85/95 como inicialmente foi criada. O tão esperado fim do fator previdenciário não aconteceu como a maioria esperava, criou-se uma alternativa para a não incidência do fator, sendo, todavia, limitada às mudanças ao longo dos anos. Aposentadoria por Idade - Urbana, Rural e Híbrida A aposentadoria por idade, como o nome já diz, é o benefício devido ao segurado que atingir a idade mínima descrita no art. 48 da Lei 8.213/91 e se subdivide em urbana, rural e híbrida. No que tange a aposentadoria por idade urbana, para que o segurado faça jus ao benefício, segundo essa modalidade, deverá prestar serviços de natureza urbana e atingir a idade mínima de 65 anos para homem e 60 para mulheres. Além disso, diferente das demais, a aposentadoria por idade urbana exige que o trabalhador tenha somente 180 contribuições mensais (15 anos), ou seja, mesmo que complete a idade mínima estabelecida na legislação, também é necessário que o segurado contribua por determinado período de tempo para que possa requerer o benefício. Nesse caso, a comprovação das contribuições se faz por meio de anotações na carteira de trabalho, ou nos casos de segurados facultativos, pelos carnês de pagamento. O valor da aposentadoria será de 70% do salário de benefício, acrescidos de 1% a cada grupo de 12 contribuições, até o limite de 30%. Já a aposentadoria por idade rural é devida àquelas pessoas que trabalham exclusivamente no campo, seja em atividade individual ou em regime de economia familiar, comprovando, para tanto, a carência de 180 meses trabalhados nessas condições. 4
Isso quer dizer que o trabalhador rural não contribui diretamente para o regime geral de previdência, embora faça jus ao recebimento do benefício, se enquadrando, nesse caso, como segurado especial. Nessa modalidade, a idade mínima exigida pelo 1º do art. 48 da Lei 8.213/91 é reduzida em 5 anos, sendo 60 anos para o homem e 55 para as mulheres. Cumpre ressaltar que mesmo não contribuindo diretamente, o segurado especial também tem direito ao recebimento de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, além da própria aposentadoria por idade. Por fim, o valor do benefício de aposentadoria por idade rural é de um salário mínimo. Dito isso, há ainda os casos daqueles trabalhadores que começaram suas atividades laborais no campo, por tempo inferior aos 15 anos exigidos pela legislação, e transferiramse para o meio urbano e lá trabalharam por mais algum tempo, ultrapassando o limite mínimo. Nesses casos, o segurado pode optar por solicitar a aposentadoria por idade híbrida, que envolve tanto períodos de atividade rural como de atividade urbana, conforme preceitua o 3º do art. 48 da lei 8.213/91. A aposentadoria por idade híbrida, no entanto, não dá direito ao benefício com tempo reduzido de 5 anos. O tempo da atividade rural e urbana poderá ser somado para fins de carência, embora a idade mínima para a sua concessão seja a mesma da aposentadoria por idade urbana, qual seja: 65 anos para homem e 60 para mulheres. Tal entendimento ainda não está pacificado nos tribunais brasileiros, haja vista que alguns consideram possível a concessão de aposentadoria por idade híbrida somente aos trabalhadores rurais que possuem algum período de tempo urbano intercalado. Entretanto, o que prevalece atualmente é a possibilidade do trabalhador urbano, assim considerado na data do pedido de aposentadoria, mesclar o tempo, em tal categoria que possui, com aquele trabalhado em atividade rural sem recolhimento de contribuições. 5
Aposentadoria Especial - 15, 20 e 25 anos Muito se fala atualmente sobre os benefícios previdenciários por incapacidade: Auxíliodoença e Aposentadoria por Invalidez, que são os mais concedidos pelo INSS, deixando em segundo plano a Aposentadoria por Tempo de Contribuição e a Aposentadoria Especial. Oportuno esclarecer que a Aposentadoria Especial é uma espécie da Aposentadoria por Tempo de Contribuição, com uma redução no tempo que seria necessário para se aposentar. Sabemos que para obter o benefício de Aposentadoria por Tempo de Contribuição são necessários 35 anos de contribuição para homens e 30 anos para as mulheres, independente da idade, mas com a incidência do fator previdenciário. Entretanto, dependendo do ramo da atividade desenvolvida pelo trabalhador e de seu grau de risco, o tempo necessário para a aposentadoria é reduzido para 15, 20 e 25 anos, independente da idade e sem a incidência do fator previdenciário. É a chamada Aposentadoria Especial. Isso quer dizer que quanto maior o risco da atividade, menor será o tempo necessário para aposentadoria. Assim, o segurado que trabalha sob condições insalubres, seja exposto a Agentes Físicos, Químicos ou Biológicos, tem direito de solicitar na empresa o fornecimento da documentação necessária para requerer junto ao INSS a Aposentadoria Especial. Cumpre ressaltar que até 28.04.1995, não era necessária a comprovação da atividade especial mediante laudos técnicos emitidos pelas empresas. Até essa data, bastava que a atividade desenvolvida pelo trabalhador se enquadrasse naquelas descritas pelo Decreto 53.831/64, que já seria possível o reconhecimento como especial, era o chamado enquadramento por categoria profissional. Com a alteração na legislação, após essa data, somente é possível o reconhecimento da especialidade das atividades mediante apresentação dos formulários padronizados pelo INSS e emitidos pelas empresas (SB-40, DISES-BE 5235, DSS-8030, DIRBEN 8030 e PPP). Lembrando que os formulários SB-40, DISES-BE 5235, DSS-8030, DIRBEN 8030 somente serão aceitos pelo INSS para períodos laborados até 31.12.2003 e desde que emitidos até esta data, sendo que a partir de então só será aceito o PPP. 6
Ocorre que em muitos casos, o segurado que trabalha em condições insalubres exercendo atividade especial por um determinado período, após o seu desligamento da empresa, consegue uma nova oportunidade de emprego em outra atividade que não é prejudicial a sua saúde, e consequentemente não lhe proporciona o enquadramento como atividade especial, deixando de atingir o tempo total mínimo para Aposentadoria Especial. Nesses casos, o segurado pode utilizar o tempo em que exerceu atividade especial, somando-o às suas contribuições totais, a fim de reduzir o período que seria necessário para requerer a aposentadoria por tempo de contribuição. Isso porque, é possível a conversão do tempo de atividade especial para o tempo considerado como comum, proporcionando ao trabalhador um aumento de 40% sobre a contagem de tempo durante o período que exerceu atividade insalubre, conforme estabelece o art. 57, 5º da Lei 8.213/91. Assim, aquele trabalhador que levaria 35 anos para atingir as contribuições necessárias, poderá requerer a aposentadoria com tempo consideravelmente inferior, tendo em vista que a conversão lhe possibilitará um aumento no tempo de contribuição total. Em caso de dúvidas, entre em contato. www.facebook.com/ndmadv contato@ndmadvogados.com.br ndmadv ndmadv (34) 3235-2559 Rua Grécia, nº 502 - Bairro Tibery - Uberlândia - MG Nunes, Duarte & Maganha Sociedade de Advogados. Todos os direitos reservados. 7