Guapiruvu e suas serpentes

Documentos relacionados
amado, odiado e importante

Avaliação da unidade IV Pontuação: 7,5 pontos

Características : São marinhos; Apresentam notocorda, somente, na fase larvar. Logo...Desenvolvimento indireto.

Plano da Intervenção

RESUMÃO DE CIÊNCIAS NATURAIS. BIOMA: É formado por um conjunto de ECOSSITEMAS.

QUANDO A COBRA DÁ O BOTE

CIÊNCIAS. Utilizando as palavras do quadro abaixo, complete adequadamente as frases: (6 2cd)

Serpentes peçonhentas Cascavel, Jararaca e Coral

Professor: Marcôncio Moura

Ficha Sumativa. Onde existe vida na Terra? Ambientes naturais: terrestres e aquáticos.

OS SERES VIVOS DO AMBIENTE PRÓXIMO

1.1 DIVERSIDADE NOS ANIMAIS FORMA E REVESTIMENTO


PROVA SIMULADA DE CIÊNCIAS- Global III Animais

Adaptações da Fauna e Flora em desertos.

CAPÍTULO 9 SISTEMA DE ENSINO POLIEDRO PROF GISELLE CHERUTTI

RECUPERAÇÃO PARALELA Semana de 02/04 e de 16/04/12 6º ano

[LEPTOSPIROSE]

Slide 1. A1 Adriana; 31/08/2017

DNA, o nosso código secreto

Lição 01 O CORPO HUMANO

PLANEJAMENTO (LIVRO INFANTIL) NOME DO LIVRO: O MENINO QUE APRENDEU A VER

Primeiros vertebrados capazes de viver em terra. Graças ao fortalecimento da coluna vertebral; desenvolvimento de ossos e músculos das pernas.

Copyright The Energy Extension Inc. EMF Balancing Technique All Rights Reserved.

5 A diversidade da vida na Terra

Sangue Professor: Fernando Stuchi

Data: Bim.: 4. Nome: 8 ANO A Nº Disciplina: Ciências Professora: Ângela Valor da Prova / Atividade: Objetivo / Instruções:

Características gerais

Saúde página 1

ESSE CADERNO PERTENCE A

Série Didática Número 5

Revestimento corporal

CIÊNCIAS PROVA 1º BIMESTRE 6º ANO PROJETO CIENTISTAS DO AMANHÃ

CARACTERÍSTICAS GERAIS

A Aventura Cerebral do Sam

Meditação Caminhando com Jesus NOME: DATA: 24/02/2013 PROFESSORA: A CRIAÇÃO DO MUNDO. Versículos para decorar:

As relações ecológicas Os seres vivos que formam uma comunidade relacionam-se entre si e com o ambiente

COMPONENTE CURRICULAR: Ciências Prof a Angélica Frey ANO: 6 o LISTA DE CONTEÚDOS. 1 O Trimestre:

CEPAP Centro de Educação Profissional em Atendimento Pré-Hospitalar Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro

O QUE É? O RETINOBLASTOMA

Primeiros vertebrados capazes de viver em terra. Graças ao fortalecimento da coluna vertebral; desenvolvimento de ossos e músculos das pernas.

CIÊNCIAS PROVA 3º BIMESTRE 8º ANO

ATROPELAMENTO DE ANIMAIS SILVESTRES Setor de Meio Ambiente DÊ PASSAGEM PARA A VIDA

REVISÃO E AVALIAÇÃO DA UNIDADE III

Conteúdos: Língua, Linguagens e códigos Linguagem verbal e não verbal

deu zika? não abrigue esse problema na sua casa

Material de Aperfeiçoamento de Estudos MAE 7ª série 1º Bimestre. Os sentidos. Tato. Professora. MaristelA Borges

Os inseticidas sempre funcionam?

FICHA DE TRABALHO DE BIOLOGIA 12º ANO Hereditariedade Humana

Anfíbios são animais vertebrados que vivem entre o meio aquático e o ambiente terrestre.

É importante saber por que certas coisas são o que são. Quer dizer, saber por que acontecem de um jeito e não de outro. O arco-íris, por exemplo.

Biologia QUESTÕES de 01 a 06

Ofertas válidas de 10 setembro a 30 de setembro de 2015.

Produção de Vídeos Didáticos: Tábua de Galton

BIOLOGIA AULA 12: ZOOLOGIA CORDADOS (Aves e mamíferos)

TOM, SEMITOM, SUSTENIDO, BEMOL.

SOLUÇÕES N item a) O maior dos quatro retângulos tem lados de medida 30 4 = 26 cm e 20 7 = 13 cm. Logo, sua área é 26 x 13= 338 cm 2.

Cadeias alimentares. Observe as ilustrações abaixo: Açúcar é Energia

CIÊNCIAS PROVA 3º BIMESTRE 8º ANO PROJETO CIENTISTAS DO AMANHÃ

Isolamento e Evolução Isolamento - um dos principais fatores para que ocorram mudanças evolutivas Ilhas - papel central no estudo da evolução O Isolam

5. DIVERSIDADE DOS ANIMAIS II

Copyright de todos artigos, textos, desenhos e lições. A reprodução parcial ou total deste ebook só é permitida através de autorização por escrito de

Este caderno, com oito páginas numeradas sequencialmente, contém cinco questões de Geografia. Não abra o caderno antes de receber autorização.

CLASSIFICAÇÃO DOS ANIMAIS

Sentidos Humanos. Revisão

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PARÁ DALGLISH GOMES ESTRUTURAS CRISTALINAS E MOLECULARES NA PRÁTICA PEDAGÓGICA

8ª série / 9º ano U. E. 15. O sistema nervoso e os órgãos dos sentidos

Os répteis, atualmente, abrangem cerca de 7 mil espécies conhecidas.

Introdução - Rede de Comunicação SERPRO

Ahmmm... Deus? O mesmo flash de ainda há pouco e, de novo, estava à Sua frente:

Órgão de revestimento externo do corpo. Responsável pela proteção do organismo. Protege contra a radiação. Metabólicas, como a produção da vitamina D.

Você sabia que os corais

Usando números muito pequenos e números muito grandes

[ESPOROTRICOSE]

Vidas de Insectos. Escola Básica 2,3 Pedro Eanes Lobato. Trabalho elaborado por: Professoras responsáveis: Amora


A CORRIDA DOS ESPERMATOZÓIDES

TARDE 2ª SÉRIE EF. Língua Portuguesa. 2ª Série Ensino Fundamental Tarde. Nome do aluno: 1. Você é: 2. Idade: Para uso do aplicador.

Perdi peso: emagreci???

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO A DOCÊNCIA-PIBID COORDENADORA: IVANEIDE SOARES

Herpetologia Estudo dos répteis. Prof. Pablo Paim Biologia

2. Entre os seres vivos ocorrem os tipos gamética, espórica e zigótica, de meiose, segundo o esquema:

Rejuvenescimento da Pele com Laser

História da Família. Livro de Colorir

Manual do Usuário. Quiz Online

Noções básicas de hereditariedade. Isabel Dias CEI

Aula 01: Grandezas Físicas; Sistemas de Unidades; Vetores

Polígonos e mosaicos

RELATO DE EXPERIÊNCIA OS DOIS MUNDOS DE PLATÃO A FILOSOFIA DENTRO DA PSICOLOGIA UM ENSAIO A RESPEITO DE UM SABER

ESCOLA CIDADE DE CASTELO BRANCO

Cadastrando uma nova denúncia

DISCIPLINA DE ANATOMIA E FISIOLOGIA ANIMAL SISTEMA URINÁRIO. Prof. Dra. Camila da Silva Frade

IDENTIDADE. -Identificar seu nome e a história do mesmo. -Reconhecer seu nome dentre os demais.

CIÊNCIAS PROVA SIMULADA- Global II Prova elaborada com base no livro adotado pelo colégio - ANIMAIS

PlanetaBio Resolução de Vestibulares UNICAMP ª fase

Anexo 4. Anexo 4. Texto fornecido aos alunos sobre a problemática em estudo

31 de Maio - Dia Mundial Sem Tabaco

Dr. Ruy Emílio Dornelles Dias

Fogueiras, lenha e tipos de madeira

ESCOLA ESTADUAL BUENO BRANDÃO PROJETO INTERDISCIPLINAR - 1 ANO- AGOSTO / 2010 PROFESSORA: NEUSA APARECIDA VIANA BERNARDES

Transcrição:

Instituto Butantan Av. Vital Brasil, 1500 - Butantã www.butantan.gov.br Guapiruvu e suas serpentes 2015 Autores: Naylien Barreda Leyva, Heloisa Passarelli S. Borges, Bruno Gonçalves Augusta, Giuseppe Puorto, Mariana Galera Soler, Erika Hingst-Zaher Edição: Heloisa Passarelli S. Borges Design e diagramação: Heloisa Passarelli S. Borges Ilustrações: Crianças do Bairro Guapiruvu, Heloisa Passarelli S. Borges, Mariana Galera Soler

Guapiruvu e suas serpentes Material Educativo Autores Naylien Barreda Leyva Heloisa Passarelli S. Borges Bruno Gonçalves Augusta Giuseppe Puorto Mariana Galera Soler Erika Hingst-Zaher Realização Apoio SÃO PAULO 2015

ÍNDICE Cobra e serpente: Quem é quem? APRESENTAÇÃO... 01 Quem são as serpentes? QUE BICHO É ESSE?.... 03 Como são as serpentes? COMO ELAS SÃO POR DENTRO E POR FORA... 07 Anatomia interna.... 09 Anatomia externa... 13 Dentição... 18 Tipos de dentição... 23 Sentidos... 28 Como vivem na natureza?... 34 Habitats.... 35 Termorregulação... 37 Locomoção... 38 Alimentação... 39 Reprodução... 45 Defesa.... 49 Porquê devemos preservar as serpentes?... 53 Referências... 56

Anotações

APRESENTAÇÃO No Brasil, há vários nomes populares para o mesmo bicho, que variam de região pra região: cobra, serpente, víbora, ofídios, entre outros Mas o nome mais comum é cobra, sendo que o termo serpente também é utilizado para indicar qualquer espécie destes animais. Fora do Brasil, a palavra cobra se refere apenas às najas. Você já ouviu falar delas? No Brasil podemos considerar como corretas as duas palavras (cobra ou serpente) para se referir ao mesmo tipo de animal. Aqui, neste material, preferimos chama-las de serpentes!

É hora de colorir! Complete o desenho ligando os pontos. Pinte-a de acordo com alguma serpente que você conheça! 2

QUE BICHO É ESSE? As serpentes estão agrupadas junto aos lagartos, lagartixas, cobras-de-duas-cabeças, jacarés e tartarugas num grande grupo que conhecemos como répteis, que são animais com a pele coberta por escamas e dependem do calor do ambiente para se manter aquecidos. Exemplos de répteis Jaboti Jacaré Fonte das fotos: Wikimedia Commons Até agora nós conhecemos cerca de 3.490 espécies de serpentes no mundo, sendo que só no Brasil existem aproxima- damente 380! 3

+ Info A minhoca também é um animal comprido e sem patas, mas não tem escamas e nem esqueleto! Fonte/foto: https://www.pinterest.com/ Um bicho comprido, sem patas e que rasteja não necessariamente é uma serpente... O que diferencia elas de outros animais alongados? A s s e r p e n t e s s ã o a n i m a i s vertebrados (possuem esqueleto ósseo sustentado por uma coluna, como nós) e o corpo delas é coberto de escamas, bem diferentes de uma minhoca! A anfisbênia é um réptil que costuma viver enterrado e é conhecido como cobra-de-duas-cabeças. Foto: Giuseppe Puorto Dentro do grupo dos répteis têm outros animais que além dessas características também possuem o corpo alongado e perderam suas patas. Você já ouviu falar da cobra-de-duas-cabeças? E da cobra-de-vidro? Apesar do nome, não são cobras, e sim animais mais próximos aos lagartos em parentesco. As verdadeiras cobras não possuem pálpebras móveis, ou seja, nunca A cobra-de-vidro é um lagarto de corpo comprido com vestígios de patas. Foto: Giuseppe Puorto fecham o olho ou muito menos piscam, além de ter outras características que só daria para ver por dentro. Se você estiver curioso em saber como é uma cobra por dentro, vá até a página 07! 4

DESAFIO Identifique quais desses animais NÃO são serpentes 5

De onde elas vieram? Os cientistas ainda não sabem muito bem por que as cobras não têm mais patas, embora eles descobriram que os ancestrais delas tinham patas e ficavam andando por aí! Existem duas principais teorias para explicar isso: uma delas diz que as cobras tinham ancestrais que viviam no mar e perderam pouco a pouco as patas, o que permitia nadar cada vez melhor; outra teoria diz que os ancestrais das cobras eram animais que se enterravam e a diminuição das patas ajudaria a se enterrar com mais facilidade. Fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br/2006/05/01/as-patas-da-serpente Essa questão ainda é muito debatida pelos pesquisadores que utilizam informações dos animais que conhecemos hoje, e a Ciência não tem certeza sobre qual delas é melhor. Novos pesquisadores também estudam esta questão. Será que você também não poderá pesquisar isso no futuro? 6

COMO ELAS SÃO POR DENTRO E POR FORA As serpentes possuem quase os mesmos órgãos internos que nós! A diferença é que eles tem a forma mais alongada, pois estão distribuídos ao longo do corpo delas. Você consegue reconhecer algum órgão? 7

Você sabia? A maioria das serpentes não passam de dois metros de comprimento! A menor serpente do mundo gosta de viver enterrada e tem só 10 cm de comprimento (foto A). Já a maior serpente é a sucuri, que também ocorre no Brasil, é conhecida também como anaconda, que pode chegar a 9 metros (foto B)! A B 8

Anatomia interna Esqueleto 9

Algumas serpentes possuem mais de 20 articulações entre os ossos da cabeça (crânio)! Os ossos da boca - o maxilar e a mandíbula - se articulam de uma maneira diferente do que em outros animais. Isso faz com que elas consigam abrir bastante a boca, e é por isso que muitas delas conseguem engolir presas grandes em relação ao seu tamanho. O esqueleto das serpentes contém muitas vértebras (de 100 à 300) - a maior parte delas com um par de costelas. CONFIRA NAS PRÓXIMAS PÁGINAS OS ÓRGÃOS INTERNOS! 10

Anatomia interna Órgãos internos 11

As serpentes geralmente têm apenas o pulmão (A) direito desenvolvido. O pulmão esquerdo, quando tem, é de pequeno tamanho! E elas não possuem bexiga! O xixi é composto por ácido úrico, e não de urina (como o nosso), e ele é excretado dos rins (B) direto pra cloaca através do ureter (C ). A cloaca (D) é uma abertura por onde sai o ácido úrico ( xixi ), as fezes e, no caso das fêmeas, os filhotes ou ovos. Nos machos, o órgão sexual masculino, o hemipênis, que também sai por esta abertura, é inserido na cloaca das fêmeas no momento da cópula. PARA SABER SOBRE A REPRODUÇÃO DAS SERPENTES, CONFIRA NA PÁGINA 45! 12

Anatomia externa Pele O corpo das serpentes é todo recoberto por escamas, que ficam sobrepostas como as telhas de um telhado. As escamas podem apresentar vários tamanhos, formatos e texturas, dependendo da espécie. Elas são formadas de queratina, que é a mesma substância das nossas unhas e cabelo e, por isso, possuem um certo brilho. A cor, o formato e o número de escamas nos ajudam a identificar as espécies de serpentes! Observe diferentes tipos de escamas! Fotos: Giuseppe Puorto 13

É hora de colorir! 14

Anatomia externa Pele O corpo inteiro das serpentes é recoberto por uma película bem fina e transparente, chamada estrato córneo, que é substituída frequentemente. Esse processo de troca de pele também é chamado de ecdise. Bruno e Sr. Zito tirando a Bruno e Sr. Zito tirando a muda de caninana do muda forro de caninana do telhado. do forro do telhado. Você já encontrou alguma pele de serpente no seu bairro ou na sua casa? 15

Foto: Giuseppe Puorto Esse processo também é chamado de muda, e ocorre porque essa película (estrato córneo) não cresce junto ao resto do corpo. Cada vez que elas trocam, as serpentes crescem um pouco mais. Algumas espécies podem fazer essa troca várias vezes por ano, dependendo da idade do indivíduo! 16

Já ouviu falar do guizo da cascavel? Apesar de não ter cascavel em Sete Barras - SP, você já deve ouvido falar disso, não é? Todas as cascavéis possuem um chocalho na ponta do rabo, chamado guizo, que faz um barulho bem característico quando ela chacoalha o rabo em sinal de alerta. O guizo é formado por vários gominhos. Cada gomo é formado por pedaços acumulados de "pele" (extrato córneo) que se compactam no final do rabo, a cada duas ou três vezes que elas trocam de pele. Como elas podem trocar de pele mais de uma vez por ano, não tem como saber a idade delas contando esses gominhos. Inclusive, já que elas não param de trocar de pele, o guizo sempre está crescendo, até que chega um momento em que de tão grande, ele quebra e cai, como a nossa unha. 17

Dentição As serpentes possuem dentes? Todas as serpentes possuem muitos dentes, que geralmente são pontiagudos e curvos, para auxiliá-las a agarrarem firme a presa. Foto: Giuseppe Puorto A boca e o crânio possuem diversas partes que são móveis para ajudar na hora de engolir! 18

Dentição E as serpentes que têm veneno? Nem todas as serpentes possuem veneno! As que têm veneno injetam através de dentes especiais: são dentes de tamanho e formato diferenciado por onde escorre o veneno, quando houver. Foto: Heloisa Passarelli Essas serpentes que possuem bolsas, chamadas glândulas de veneno, localizadas atrás dos olhos, são chamadas de peçonhentas. 19

Você sabia? Venenosa ou peçonhenta?? Animal venenoso é o animal que possui algum tipo de veneno em seu corpo. Já o animal peçonhento é aquele que além de veneno, possui alguma estrutura que permite a inoculação desse veneno (isto é, a injeção do veneno dentro do corpo da presa), sejam dentes, ferrões ou outras estruturas semelhantes. 20

DESAFIO Ache os nomes de 6 serpentes mais comuns do Bairro Guapiruvu: JARARACA COBRA CIPO URUTU JIBOIA CORAL CANINANA A F B I O T H K J X B R O R L Q P E U X A C U N I M J T O P U G A J I B O I A R A R A E M A E F O C U B O R T F O S R O F D J R A L R S P A S T O A L T O A R V X A R T V P I G M E I V R E I H C A M O M D A P T L P A C A N I N A N A H V I O O H R R E I P S I U D I A M J Q U A S O N O E G P O N C E I T I C E V T O U X A R H O R B M B A M P E G I V E S O R R O A O P B I D A T O C I G A O T I L U R U T U H U G F O L H I D U T O F I N J E Q U A T L R 21

Dentição Então os dentes não são todos iguais? De acordo com a capacidade ou não de injetar veneno, as serpentes podem ser reconhecidas em quatro grupos, classifica- das pelo tipo de dentição: Essas palavras são de origem grega e são usadas para indicar qual a posição e estrutura dos dentes das serpentes. 22

Tipos de dentição Áglifas As serpentes que possuem os dentes pontiagudos e curvos iguais, sem dentes especializados e glândulas de veneno, são chamadas de áglifas. Como essas serpentes não têm veneno, elas são pouco perigosas para as pessoas. No bairro Guapiruvu, temos como exemplos: Corallus cropanii Foto: Octavio Marques Cobra-cipó (Chironius exoletus) Foto: Giuseppe Puorto Foto: Octavio Marques Foto: Giuseppe Puorto 23

Tipos de dentição Opistóglifas As serpentes que possuem além dos dentes iguais, um par de dentes especializados que ficam na parte de trás da boca, são chamadas de opistóglifas. No caso, esses dois dentes são sulcados (com um tipo de fenda), por onde vai escorrer o veneno quando for estimulada a glândula. Os acidentes com essas cobras são raros, e normalmente elas também não oferecem muito perigo para as pessoas. No bairro Guapiruvu, temos como exemplos: Falsa coral Foto: Octavio Marques Falsa coral Foto: Octavio Marques (Erythrolamprus aesculapii) (Oxyrhopus clathratus) Foto: Giuseppe Puorto Foto: Giuseppe Puorto Tomodon dorsatus Xenodon neuwiedii 24

Tipos de dentição Proteróglifas Já as serpentes que possuem o par de dentes especializados na parte da frente da boca possuem a dentição chamada de proteróglifa. Esses dentes não são tão maiores que os outros dentes, mas a diferença é que possuem um canal que se comunica com as glândulas de veneno. Estas serpentes já são mais perigosas para as pessoas, pois muitas delas têm venenos que são relativamente muito tóxicos. No bairro Guapiruvu, temos como exemplo: Foto: Octavio Marques 25

Tipos de dentição Solenóglifas As serpentes que possuem um par de dentes bem maior e destacado, articulado (móvel), e localizado na parte da frente da boca, são chamadas de solenóglifas. Esses dentes são ocos e estão ligados às glândulas, injetando o veneno como uma agulha de seringa. Os acidentes com este tipo de serpente são os mais comuns no nosso país. No bairro Guapiruvu, temos como exemplos: 26

DESAFIO Relacione as dentições com as serpentes correspondentes Jararaca Coral verdadeira Foto: Octavio Marques Cobra d água Foto: Octavio Marques Falsa coral Foto: Octavio Marques 27

Sentidos Olfato O principal sentido das serpentes é o olfato, que é bem sensível. E por incrível que pareça, elas conseguem sentir o cheiro através da língua! A língua delas é dividida em duas pontas (bífida) e é colocada para fora da boca toda hora para conseguir captar as moléculas do cheiro que ficam no ar. Depois, ela passa a língua no céu da boca para transferir essas moléculas a um órgão que irá identificar o cheiro. Esta ação de colocar a língua pra fora é chamada de dardejar. 28

Sentidos Visão e Audição Em geral, as serpentes não enxergam muito bem, com exceção de algumas espécies que apresentam uma visão bem desenvolvida, como as cobras-cipó e caninanas. A audição delas é diferente da nossa, pois elas não possuem tímpano e nem ouvido externo. Elas conseguem sentir a vibração dos sons quando elas encostam a mandíbula no chão: os ossos da mandíbula transmitem as vibrações aos ouvidos internos das serpentes. 29

Você sabia? As serpentes não possuem pálpebras móveis, e por isso elas não conseguem fechar o olho ou piscar. Os olhos são protegidos pela fina camada transparente que recobre a pele: o estrato córneo, lembram? 30

Por falar em olho... Algumas serpentes apresentam a pupila do olho arredondada e outras apresentam a pupila em fenda (como a dos gatos). Isso não está relacionado à presença ou ausência de veneno, e sim está relacionado ao período do dia de maior atividade! As serpentes que ficam mais ativas de dia (diurnas) geralmente possuem a pupila redonda e as que ficam mais ativas de noite (noturnas) geralmente a pupil a é em fend a. 31

Sentidos Termo-orientação (percepção da temperatura) Um sentido muito interessante que as serpentes possuem é a termo-orientação, ou seja, a capacidade de se orientar pela percepção do calor. Algumas serpentes, como as jiboias e a C. cropanii conseguem captar o calor através de órgãos (receptores de infravermelho) localizados em "buraquinhos" próximos da boca, as fossetas labiais. Foto: Octavio Marques 32

Sentidos Termo-orientação (percepção da temperatura) Outras serpentes, como as jararacas, possuem "buraquinhos" um pouco maiores que ficam entre o olho e a narina, chamados de fossetas loreais. Esses órgãos auxiliam na localização durante a noite de animais endotérmicos (de sangue quente) que elas vãos se alimentar, como os ratos. Foto: Giuseppe Puorto 33

As serpentes são incríveis! Com a variedade de tamanhos, formas e cores das espécies que existem, elas conseguem viver muito bem em muitos ambientes. Confira nos desenhos abaixo alguns ambientes representados: 34

Habitats Onde vivem Elas podem ser encontradas nos mais diversos ambientes como matas, áreas abertas ou desertos, seja próximos a água, terra ou debaixo da terra e até em cima das árvores. 35

É hora de desenhar! Agora é a sua vez de desenhar! Represente aqui neste espaço em branco alguma serpente que você conhece no ambiente em que ela vive. 36

Termorregulação Qual é a temperatura do corpo? Já ouviu falar os termos animais de sangue-quente e animais de sangue-frio? Esses termos servem para diferenciar os animais que são capazes ou não de produzir calor. Os animais de sangue-quente, como as aves e os mamíferos, são chamados de homeotérmicos (homeo=igual; térmico=calor), pois eles produzem e mantém o calor do corpo, igual a gente! Os animais de sangue-frio são chamados de ectotérmicos (ecto=fora; térmico=calor) porque eles dependem da temperatura do ambiente em que vivem para se aquecer. 37

Locomoção Como elas se movimentam Uma das características marcantes das serpentes é que possuem uma capacidade de locomoção impressionante! As serpentes se deslizam facilmente em vários tipos de solo, algumas podem também nadar ou subir em árvores e lugares mais inclinados, acredita?! Isso é possível principalmente pela flexibilidade da coluna vertebral e da força de sua musculatura. Lembra do esqueleto dela, na pág. 09? Imagem: https://www.flickr.com/photos/dynax7/ 38

Alimentação O que as serpentes comem? Existem cobras que são generalistas na sua alimentação, podendo se alimentar de pássaros, galinhas e pintinhos, peixes, ratos, gambás (raposas), morcegos, lagartos, sapos, girinos, ovos de sapos e lagartos, assim como existem cobras que são especializadas em comer um tipo de animal só: como é o caso das cobras dormideiras, que se alimentam exclusivamente de lesmas, ou algumas corais que só conseguem comer animais alongados, como outras cobras e certos peixes. Foto: Giuseppe Puorto 39

Serpente não consegue mastigar! Com modificações especiais no crânio, ela é capaz de engolir inteiro animais que sejam um pouco maiores que seu próprio diâmetro! Por engolir inteiro, elas conseguem digerir quase tudo! Só os pelos, unhas, penas, dentes e escamas que saem nas fezes por não conseguirem passar pelo processo digestivo. Verifique na página 10, que fala sobre o crânio e a mandíbula delas para conferir como isso é possível! Circule abaixo o que as serpentes não comem: Ilustrações: Heloisa Pssarelli 40

Se liga nessa história*! Eu estava caminhado pelo rio e vi uma cobra engolindo um sapo. Fiquei com pena do sapo, e decidi apertar a cobra para que o animal conseguisse fugir. Eu salvei o sapo, mas depois fiquei pensando: Nossa, a cobra ficou sem comida!!! Senti pena pela cobra... Ilustrações: Heloisa Pssarelli *Relato de uma criança do bairro Guapiruvu durante as entrevistas em 2014 41

Alimentação Como as serpentes comem? Você consegue comer sem as mãos? E engolir sem mastigar? Difícil né? Como será que as cobras conseguem? Para as serpentes se alimentarem, elas têm que caçar primeiro. Dependendo da espécie, há diferentes jeitos de caçar: existem cobras que procuram ativamente, e cobras que caçam à espreita, esperando pacientemente o animal passar para poder dar o bote. As serpentes que usam a força para segurar e matar, como é o caso da jiboia e da C. cropanii, enrolam-se na presa e vão apertando mais forte, até o animal morrer por falta de ar e parada cardíaca. Esse ato nós chamamos de constrição. Ainda tem as serpentes que ao capturar a presa, conseguem engolir o bicho ainda vivo! É o caso de algumas cobras d agua e cobras cipós. Cobra d agua se alimentando de uma minhoca Foto: Giuseppe Puorto Cobra cipó fazendo constrição no rato Foto: Giuseppe Puorto 42

Alimentação Como as serpentes comem? As serpentes que são peçonhentas* utilizam o veneno para matar o bicho que ela acabou de caçar. Elas injetam com um par de dentes o veneno para imobilizar e matar a caça. O veneno delas, nesse caso, também serve para ajudar no processo de digestão. Você sabia? Nem todas as serpentes têm veneno! Das mais de 300 espécies de serpentes brasileiras, apenas 60 espécies são peçonhentas! *Você lembra o que significa peçonhento? Vá para a página 19 para descobrir! 43

+ Info As cobras não comem todo dia! A frequência que ela caça depende da idade, do tamanho da presa e a temperatura ambiente, pois o tempo de digestão delas é bem mais lento. E muitas conseguem ficar sem comer por meses inteiros! Boipeva predando um sapo oto: Giuseppe Puorto Depois que elas comem, elas procuram locais seguros para digerir, pois é o período em que ficam muito mais vulneráveis a predadores por ficarem mais lentas. Numa situação de estresse, elas podem regurgitar ( vomitar ) como defesa para poder fugir mais rápido. 44

Reprodução Elas namoram? Em seu habitat natural, as serpentes são animais de vida solitária, sendo mais comum a possibilidade de encontrar mais de um indivíduo da mesma espécie juntos na época de reprodução. Nas serpentes brasileiras há poucos registros de comportamento reprodutivo, como o combate entre machos. 45

Reprodução Como elas namoram? Na época de acasalamento, os machos geralmente seguem as fêmeas através das trilhas de cheiros que elas deixam (hormônios). A cópula ocorre quando o macho, ao perceber que a fêmea o aceita, insere um de seus hemipênis na cloaca da fêmea. Dependendo da espécie, a cópula pode durar de minutos a várias horas. Os machos possuem dois hemipênis, mas apenas um dos dois é usado durante a cópula. O formato do hemipênis varia de espécie para espécie, e se encaixa dentro da vagina da fêmea. Isso permite que só serpente da mesma espécie namore! 46

É época de reprodução! A temperatura ambiente é o fator mais importante para determinar o período de atividade das serpentes, como a época de reprodução (acasalamento e postura/parto) e a época de maior disponibilidade de presas pra se alimentarem, que para a maioria das serpentes, são os meses mais quentes. Encontre as palavras em negrito acima para preencher a cruzadinha abaixo: E 47

Reprodução Como elas namoram? As fêmeas podem ser ovíparas (podem botar ovos com casca), ou vivíparas (dão a luz a filhotes já formados). No caso das serpentes ovíparas, elas podem botar os ovos dentro de troncos ocos ou caídos, tocas no chão, ninhos de formigas ou em cupinzeiros. Após a postura de ovos ou parto, as fêmeas normalmente não cuidam dos filhotes. O número de filhotes gerados pode variar muito, de acordo com cada espécie e o tamanho da mãe, assim como o tempo de gestação também. 48

Defesa Como elas se defendem? Ao contrário do que muita gente pensa, a maioria das serpentes utiliza a fuga para escapar de seus predadores ou a imobilidade para não ser percebida! Conheça alguns tipos de mecanismos de defesa: Foto: Octavio Marques O animal apresenta uma coloração de alerta, normalmente com cores fortes (como vermelho e amarelo), numa advertência de que pode se tratar de um animal com veneno (Aposematismo), como essa coral-verdadeira. A coloração ou formato do animal é semelhante ao de um outro animal (Mimetismo), como essa serpente (Xenodon neuwiedii) que se assemelha a uma jararaca. Foto: Giuseppe Puorto Foto: Renato Gaiga A coloração do animal é parecida com a do ambiente em que vive, tornando-os praticamente invisíveis (Camuflagem), como as jararacas. 49

Defesa Como elas se defendem? As serpentes também se defendem apresentando comportamentos, dependendo da espécie: vários 50

Você sabia? Os principais predadores das serpentes são as aves, alguns mamíferos e outras serpentes! Os exemplos de predadores do bairro Guapiruvu são: Gavião, homem, lagartos (principalmente teiú), cachorro do mato, outra cobras (principalmente bauru ou muçurana), cachorro aô, lobinho, gato do mato, jaguatirica, galinha, coruja, quati, tatu, cateto, onça. 51

DESAFIO Ajude a serpente a achar o caminho do abrigo. Cuidado com os predadores! 52

Na natureza, as serpentes atuam como presas e predadores de diversos animais, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas. Elas mantêm o controle de populações de ratos, que são transmissores de doenças, e servem de alimento para outros animais que também têm funções importantes na natureza, como as aves. Além disso, com o veneno das serpentes já foram fabricados fármacos (remédios) de utilidade para nós. Você já ouviu falar do Captopril? É o medicamento mais consumido no mundo para combater a hipertensão, que, após estudos com o veneno da jararaca (Bothrops jararaca), o princípio ativo do veneno foi sintetizado, ou seja, feito artificialmente em laboratório para produção deste medicamento. Por outro lado, estudos com o veneno de cascavel (Crotalus durissus) levaram a criação de uma cola que substitui os pontos usados após uma cirurgia. Pesquisas com toxinas que compõem o veneno de outras serpentes vêm obtendo ótimos resultados no combate ao câncer e na criação de novos anestésicos. Já imaginou se a cura do câncer em geral encontra-se nas toxinas de alguma serpente brasileira? Ainda faltam muitos estudos com as toxinas das serpentes, mas provavelmente continuarão sendo descobertos novos medicamentos que salvarão muitas vidas humanas. Temos que aproveitar que o Brasil possui uma das maiores diversidades de serpentes do mundo, e isso é um valor inestimável no mundo em que vivemos. 53

Mural de fotos Alguns momentos registrados Fotos: Bruno Augusta, Giuseppe Puorto e Naylien Barreda 54

Respostas dos desafios Página 05 Página 21 Página 27 Página 40 Página 47 Página 52 55

Referências Livros e artigos: Bernarde, Paulo Sérgio. 2012."Anfíbios e Répteis: introdução ao estudo da herpetofauna brasileira." Anolisbooks, Curitiba. 320p. Caldeira Costa, Henrique, Mário Ribeiro de Moura & Renato Neves Feio (2008). Serpentes de Viçosa e Região (Minas Gerais). Conhecer para preservar. Universidade Federal de Viçosa. Fundação de Amparo e Pesquisa do Estado de Minas Gerais. Costa Cardoso, J. L.; de Siqueira França, F. O.; Hui Wen, F.; Sant Ana Málaque, C. M.; Haddad Jr., V. (2003). Animais Peçonhentos no Brasil. Biologia Clínica e Terapêutica dos Acidentes. Sarvier Editora de Livros Médicos (SARVIER). Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). São Paulo. Brasil. Fraga, R., Pimentel, A., Costa, A. L., Magnusson, W. E. (2013). Guia de Cobras da Região de Manaus Amazônia Central. EditopaInpa, Manaus, Brasil. Firth, Rachel & Jonathan Sheikh-Miller (2001). Snakes. Usborne Publishing Ltd, 83-85 Saffron Hill, London EC1N 8RT. Gomes, N., and G. Puorto. "Atlas anatômico de Bothrops jararaca Wied, 1824 (Serpentes: Viperidae)." Mem. Inst. Butantan 55.1 (1993): 69-100. Hui, F.W. & Malaque, C.M.S. 2013. Acidentes por animais peçonhentos no Brasil. Instituto Butantan. São Paulo, Brasil Marques, O.A.V.; Eterovic, A. & Sazima, I. 2004. Serpentes da Mata Atlântica - Guia Ilustrado para a Serra do Mar. Editora Holos, Ribeirão Preto, Brasil. Sites: Bérnils, R. S. e H. C. Costa (org.). 2012. Répteis brasileiros: Lista de espécies. Versão 2012.1. http:// www.sbherpetologia.org.br/. Sociedade Brasileira de Herpetologia. Uetz, P. & Jirí Hošek (eds.), The Reptile Database, http://www.reptile-database.org 56