Taxa de comissão de permanência

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Transcrição:

Taxa de comissão de permanência Contribuição de Dr. Rodrigo Vieira 03 de setembro de 2008 Última Atualização 30 de outubro de 2008 Taxa de comissão de permanência Diante dos vários encargos financeiros, que os consumidores vem sofrendo, um deles esta relacionados com a taxa de comissão de permanência, essa que são cobradas pelos bancos, e que incidem sobre os financiamentos. O Conselho Monetário Nacional, aprovou as normas que permitem a cobrança da referida taxa, por meio da Resolução n.º 1.129/86, na forma do artigo 9º da Lei 4.595, de 31/12/64. Essa Resolução n.º 1.129/86, do Banco Central do Brasil, determinou: "I - Estabelecer que, para as operações realizadas até o dia 15.01.89, a "comissão de permanência" de que trata a Resolução nº 1.129, de 15.05.86, será cobrada: a) nas operações com cláusula de correção monetária ou de variação cambial - nas mesmas bases do contrato original ou à taxa de mercado do dia do pagamento; b) nas operações com encargos prefixados e vencidas até 15.01.89 - até aquela data, nas mesmas bases pactuadas no contrato original ou à taxa de mercado praticada naquela data, quando se aplicará o disposto no artigo 1. da Medida Provisória nº 032, de 15.01.89, e de 16.01.89 até o seu pagamento ou liquidação, com base na taxa de mercado do dia do pagamento; e c) nas operações com encargos prefixados e vencidas após 15.01.89 - com base na taxa de mercado do dia do pagamento.

II - O Banco Central do Brasil poderá adotar as medidas necessárias à execução desta Resolução. III - Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação." A taxa de comissão de permanência é um encargo criado pelos bancos do país, sendo empregada quando ocorre a inadimplência contratual pelo tomador do financiamento. Diante dessa taxa muito doutrinadores se expressam, mencionando a falta de amparo em legislação competente e conseguente contrariedade ao principio Constitucional preceituado na artigo 5º, inciso II, que dispõe: "Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;"

No mesmo sentido, é considerada a referida taxa, como contrária ao principio da prévia ciência dos encargos moratórios, que estará sujeito o consumidor, disciplinado no Código de Defesa do Consumidor em seu artigo 52: "Art. 52 - No fornecimento de produtos ou serviços que envolva outorga de crédito ou concessão de financiamento ao consumidor, o fornecedor deverá, entre outros requisitos, informá-lo prévia e adequadamente sobre: I - preço do produto ou serviço em moeda corrente nacional; II - montante dos juros de mora e da taxa efetiva anual de juros; III - acréscimos legalmente previstos; IV - número e periodicidade das prestações; V - soma total a pagar, com e sem financiamento. 1º - As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderão ser superiores a dois por cento do valor da prestação. 2º - É assegurada ao consumidor a liquidação antecipada do débito, total ou parcialmente, mediante redução proporcional dos juros e demais acréscimos." (grifo nosso) Conforme se nota, o dispositivo acima, admite cobrança de juros moratórios de 1% a.m. e multa de 2%, em contra partida

as referidas taxas, se utilizam de porcentagens muito maiores que essas, podemos citar os valores de quase 15% a.m.. Em face do preceito supremo da Constituição Federal, a competência para legislar a respeito dos assuntos de natureza financeira, é da União, conforme preconiza o artigo 21 e 22 e seus incisos, assim como disposto: "Art. 21 - Compete à União: (...) VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as operações de natureza financeira, especialmente as de crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguros e de previdência privada; Art. 22 - Compete privativamente à União legislar sobre: (...) VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de valores;"

Diante dessa assertiva, notória é a ineficácia da referida resolução de n. 1129/86, ou seja, que faculta a cobrança das taxas de comissão de permanecia. Com o fim de tentar solucionar esses impasses, o Superior Tribunal de Justiça, sumulou o assunto da seguinte forma (Súmulas 294 / 296 STJ): "Não é potestativa a cláusula contratual que prevê a comissão de permanência, calculada pela taxa média de mercado apurada pelo Banco Central do Brasil, limitada à taxa do contrato." "Os juros remuneratórios, não cumuláveis com a comissão de permanência, são devidos no período de inadimplência, à taxa média de mercado estipulada pelo Banco Central do Brasil, limitada ao percentual contratado." Diante de todo o exposto e do que verificamos, fica claro as varias dúvidas existente diante desse instituto, pois a taxa de comissão de permanência, desde de a sua instituição verifica-se, uma inconstitucionalidade e mesmo dessa maneira, os Tribunais vem aceitando a cobrança dessa taxa. Como verificado também, o descumprimento dos preceitos de defesas junto ao Código de Defesa do Consumidor. Dados do Artigo Autor : Bueno e Costanze Advogados Contato franmarta@terra.com.br

Texto inserido no site em 03.09.2008 Informações Bibliográficas : Conforme a NBR 6023:2002 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ( ABNT ), este texto científico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma : Costanze, Bueno Advogados. (Taxa de comissão de permanência). Bueno e Costanze Advogados, Guarulhos, 03.09.2008. Disponível em : <http://(www.buenoecostanze.com.br)